quarta-feira, novembro 29

"Peca por excesso de provas" (II)

A pérola da noite, porém, chegou no final: afinal, a informação parece ter vindo de um fax do CDS enviado antes do anúncio, que continha a data. Distracção? Não me parece, pois o simples facto de enviar o fax com a reacção a algo ainda não anunciado induz acção propositada. E quem, no interior do CDS, tem interesse em fragilizar Cavaco e o líder centrista? Bem, infelizmente, são quase todos..

O Estado da Informação

A principal notícia da SIC durante esta noite foi o facto de, na Assembleia e em algumas redacções, se ter sabido a data de 11 de Novembro antes dela ser anunciada pelo PR. Sintomático.

De facto, Cavaco quis fazer render o peixe, criando suspense em torno de uma decisão óbvia. Porém, e conhecendo bem o PR, os media tremeram. E não houve um orgão de informação que arriscasse a não colocar, no anúncio da comunicação, que "o Presidente iria anunciar se convocava ou não o referendo".

As declarações de Rodrigo Guedes de Carvalho, que logo apelidou tal compasso de espera como tabu, e de Ricardo Costa ("a fuga de informação deverá fazer Cavaco pensar") foram de todo idiotas, próprias de quem não tem e precisa de fazer notícia.

Clarividência

Há alguém que confessa numa entrevista ser o autor de uma bomba que teria feito explodir o Cessna. Tal implica que Camarate foi de facto um atentado e não um acidente, como o sistema judicial nacional acabou por concluir. Tudo isto e não há um celeuma nacional, primeiras páginas de jornais e abertura de telejornais. A única razão para tudo isto é simples: há muitas pessoas que ainda (nos media) que respeitam Sá Carneiro, sabem que tudo isto é uma palhaçada, e por isso não embarcam nela.

terça-feira, novembro 28

"Peca por excesso de provas"

Quando um crime prescreve não há nada a fazer. Agora, quando (quase) toda a gente sabe o que se passou e ninguém leva com as culpas...
«Como alguém conhecido uma vez me disse, não tem solução: Peca por excesso de provas», concluiu José Esteves.

domingo, novembro 26

Não é para todos...

Para rever...

Censura, regulação, servidão

De acordo com o artigo 22.º do anteprojecto, “a renovação das licenças ou autorizações apenas é concedida em caso de expressa aceitação das obrigações e condições a que (os operadores) se encontram vinculados”.

CM

A ERC poderá ainda alterar as obrigações a qualquer altura, sem que a norma imponha limites. Tendo em conta que a ERC é composta por quatro elementos nomeados pelo Parlamento e um último nomeado pelos escolhidos, são absurdas as considerações do Ministro Santos Silva, que defende que a lei serve para "evitar a interferência política".

Evitar a interferência é deixar as televisões funcionarem livremente. De facto, o melhor modo de evitar a parcialidade política de um canal é exactamente não lhe impor restrições. O facto de ser uma instituição aberta - e por isso com colaboradores com as mais variadas preferências políticas, o que fomentará o auto-controlo, ao procurar agradar ao seu público não poderá assumir-se como bandeira de qualquer partido ou organização, na medida em que o público com outras convicções se lhe tornará particularmente adverso.

sábado, novembro 25

Não sei quem era...

...mas espero que a sua morte, assim como a dela, assim como tudo isto, sirvam para alguma coisa. Está na hora de acordar e de preparar a guerra, se queremos a paz..

A Constituição e o Futuro

Jorge Miranda quer tirar socialismo da Constituição

A conversa não é nova mas tem sempre tendência a levar a conversa para a emoção. Rapidamente é recordado o momento histórico e irrepetível, cuja lembrança deve (tem de) ser mantida, sendo o termo socialismo "um termo simbólico, um horizonte moral da nossa democracia" (Manuel Alegre).

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Notas:

1) Classificar o socialismo como um "horizonte moral" advoga ainda uma certa tendência de rumo, como se o culminar do nosso regime democrático fosse, embora com nuances e divagações, o estabelecimento de um estado socialista. De facto, é também desta forma que entendo o preâmbulo do nosso texto fundamental. A expressão "transição para o socialismo" é bastante clara e pode, como afirma Armando Marques Guedes, ser "perigosa se levada à letra".

De acordo com esta interpretação, é urgente retirar a palavra socialismo da Constituição de um Estado de Direito livre e ocidental, até porque, e segundo nos ensinam na escola, uma das características fundamentais da Constituição deveria ser a sua imparcialidade ideológica, assim como a intemporalidade das suas normas. Por isso mesmo deve ser um texto conciso e condensado, incluindo apenas os tais procedimentos basilares do país, ao contrário da CRP, que se pode apelidar de autêntico calhamaço.

2) Se de facto o termo socialismo é inócuo e vazio de significado, não pretendendo servir de condicionante a nenhuma política e servindo apenas de enfeite decorativo, então rapidamente se deduz que a sua presença no texto é perfeitamente irrelevante. Afinal, e tal como refere José Cardoso da Costa, as taxas moderadoras do SNS e as propinas no ensino Superior não foram travadas pela "gratuitidade" prevista na CRP. Portanto parece que ninguém liga à Constituição.

Na verdade, também facilmente se deduz que além da palavra Socialismo, também esta Constituição se torna inútil no panorama actual. Para quando pegar numa folha em branco?

quinta-feira, novembro 23

O Homem do Leme

Há dois anos na cadeira da Comissão Europeia, Barroso continua a declarar guerra aos proteccionismos e a lutar pela liberdade de circulação de capitais, produtos e pessoas, numa batalha hercúlea pelo mercado livre. "Quero acabar com as golden share", afirmou com convicção. Barroso advoga uma atitude aberta à globalização e alerta que a Europa tem de saber explorar as inúmeras oportunidades, ao invés de se encolher e fingir que não é nada com ela. Como disse no final quer ser recordado como o homem que "equipou a Europa para os novos desafios", que reforçou a sua competitividade e dinamismo. E ainda arranjou tempo para comentar a situação portuguesa e para se referir aos portugueses como "nós". Sem dúvida, é o nosso homem na Europa. O nosso Zé ao leme da Europa.

A pedido de muitas famílias

Recupera-se o espaço "sondagem" n'O Telescópio. Como não podia deixar de ser, a pergunta centra-se na temática do aborto, muito em foco em alguns comentários e ponto de debate para os próximos meses, até ao previsível referendo em Fevereiro. Debata-se!

segunda-feira, novembro 20

Já dizia o outro: "a culpa é dos consumidores"

Floribella com amnésia!


O episódio de hoje da Floribella terá sido dos mais importantes de sempre. Depois de internada, a Flor recuperou o conhecimento mas sofre de perda parcial de memória. Numa altura em que se tornava quase impossível arranjar mais história e em que parecia próximo o final feliz, este golpe dá à novela um novo fôlego, garantindo novelo para mais uns meses.

domingo, novembro 19

Dia e noite

A construção da árvore gigante do Terreiro do Paço está agora a andar a um ritmo alucinante. Depois dos boatos de atraso, é agora possível encontrar cerca do triplo (!) dos operários a trabalhar incansavelmente na montagem das luzinhas. Ainda ontem faltava uma camada, e amanhã praticamente só faltará o topo. O espírito do Natal está a chegar.

quarta-feira, novembro 15

Second round

O Tribunal Constitucional (TC) aprovou esta quarta-feira, por maioria, a pergunta do referendo sobre a interrupção voluntária da gravidez, aprovada em Outubro no Parlamento.
Tenho a minha própria opinião sobre o assunto, naturalmente. Apenas espero, que no dia do referendo, todas as pessoas vão votar, em vez de irem dar um passeio ou ficarem o dia todo na praia.

terça-feira, novembro 14

NATO suporta conclusões d'O Telescópio

Nato advisers have warned the military alliance that it needs to guard against any attempt by Russia to set up an “Opec for gas” that would strengthen Moscow’s leverage over Europe.

fonte


Algo que, importa dizer, foi já referido, talvez subtilmente (como o c. gosta de fazer), nestes dois posts.

segunda-feira, novembro 13

Ineficiência e destruição de riqueza

Num simples print screen, uma das principais razões pela qual a PT não pode continuar como está e porque é imprescindível o seu desmantelamento.

O site da Sapo, gerida pela PT.com, empresa do grupo PT a actuar no mercado de acesso à internet, possui publicidade à NetCabo, insígnia da TV Cabo, gerida pela PTM, empresa do grupo PT a actuar no mercado de acesso à internet.

sexta-feira, novembro 10

A traição de Mário Lino



Ao afirmar a «Ibéria» como uma «nova realidade», Mário Lino «ofende e põe em perigo a independência de Portugal», porque é «incompatível» com a união dos dois países ibéricos, segundo a participação com 12 subscritores entregue na Procuradoria.

fonte

Os subscritores da queixa consideram que o ministro das Obras Públicas, ao afirmar-se «iberista convicto» e ao considerar que a «unidade histórica e cultural ibérica é uma realidade que persegue tanto o Governo espanhol como o português», incorreu no crime de traição à pátria, punido com uma pena de dez a 20 a nos de prisão, de acordo com o Código Penal.
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Quero deixar claro que tencionava comentar a notícia.. mas tal é impossível.

O maior do Mundo


Depois de Portugal há muito se ter tornado pequeno para tanta grandeza, eis que surge a confirmação oficial: o Benfica é o maior clube do Mundo em número de sócios. Além da história, da tradição e força de um nome que tem uma implantação sem igual no País e em várias partes do globo, importa realçar a imensa campanha desenvolvida pelo Marketing do clube da Luz.

O cartão Benfica, por exemplo, conta com o apoio de dezenas de empresas que reconhecem a força da marca Benfica e ter-se-á revelado preponderante no atingir desta fasquia. Tudo isto também conta para a saúde de um clube. Hoje, calam-se os críticos e, muito mais importante, conquistam-se certamente mais sócios e mais empresas dispostas a associar o seu nome ao do Benfica. Ninguém pára o Benfica!

quinta-feira, novembro 9

A lógica da greve (II)

As greves gerais da função pública têm um impacto enorme na vida das populações porque há imensos funcionários públicos. Há imensos funcionários públicos porque existem imensas instituições ou empresas de cariz público, em diversas áreas e sectores. A sua influência, longe de se confinar ao aparelho público, encontra-se de tal modo espalhada por toda a economia e vida social nacional que afecta o funcionamento de um grande número de organizações privadas.

Assim, ao distorcer o funcionamento das instituições públicas, os sindicatos conseguem um efeito multiplicador bastante robusto, ao comprometerem o normal funcionamento de inúmeras outras instituições, por menos ligações que estas possuam ao aparelho público.
Esta força só é possível porque, como se referiu atrás, o Estado e o aparelho público cobrem uma área de influência de tal modo elevada que é hoje praticamente impossível viver sem sentir todas e quaisquer movimentações vindas do "monstro estatal". A juntar a tantas outras, apresenta-se assim mais uma razão para continuar a pedir, incessantemente, a diminuição do Estado, da influência, do domínio, da asfixia.

A lógica da greve

Toda a gente tem o direito de se manifestar mas não avisar ninguém e fazer com que pessoas com consultas, papeladas por tratar, aulas por ter ou transportes para apanhar fiquem apeadas é uma falta de respeito pelos outros.
Porém, a Constituição diz que ninguém tem de avisar que vai fazer greve. Pelo que os serviços administrativos não conseguem (e não podem, diz também a lei) avisar atempadamente os utentes sobre que serviços irão ser afectados.
Logo, ter respeito pelos outros é inconstitucional.

domingo, novembro 5

Indicador de clima económico

Este blog encontra-se, oficialmente, em recessão profunda.

quarta-feira, novembro 1

"Less is More" - será mesmo?

Are you lucky if you live in a high-use region? Not necessarily. Landmark studies by Fisher showed that high use did not mean better quality of care and outcomes. In fact, for many measures, quality and outcomes were best in the low-use areas and worst in the high-use areas. The less, the better.

Fisher and Wennberg suggest that the rates of use of health-care procedures and treatments should, indeed, vary a lot, but not according to where you live. Rather, variation should reflect the preferences of patients ("Would you rather wait a bit to see if your back pain gets better, Mr. Smith, or try surgery now?") instead of the local habits of doctors or, worse, the local supply of specialists. When patients are actually invited to participate in decisions about their care—"shared decision-making"—both costs and rates of use of expensive, invasive procedures tend to fall, and outcomes and satisfaction improve. The Dartmouth team calls this "preference-sensitive care," and it thinks health care driven by necessity rather than supply could be both more responsive to our needs and, overall, far less costly.

by Donald M. Berwick, in Newsweek