segunda-feira, outubro 23

Ainda sobre a repetição dos exames

Ora a norma em causa acaba por restringir um direito fundamental, de natureza análoga (como é o caso do direito questionado nos autos - artº-. 17º- da CRP) na medida em que, possibilitando diferentes critérios de avaliação, altera lesivamente para terceiros, restringindo o acesso ao ensino superior, em igualdade de oportunidades para todos os candidatos.

Excerto da sentença, aqui

Respeitante ainda à trapalhada da repetição dos exames de Química na segunda fase, com possibilidade de candidatura na primeira, o juíz do Tribunal Administrativo de Coimbra considerou que "estavam em causa princípios, liberdades e garantias de raiz constitucional e que se impunha uma decisão urgente, pelo que decidiu passar a providência cautelar para um processo de intimação, com o objectivo de proteger esses direitos, liberdades e garantias". Assim, não só o Ministério tem quinze dias para repetir o exame à aluna, como há a obrigatoriedade de ser aberta uma vaga em Medicina na Faculdade de Coimbra, caso a nota final de candidatura seja superior à do último colocado.

A decisão só pode merecer um estrondoso aplauso, pecando apenas por tardia e por não condenar o secretário de Estado a qualquer coisa que faça os nossos governantes pensarem duas vezes antes de utilizarem de forma discricionária o poder que detém. Importa ainda realçar os comentários do pai da aluna:

Aflige-me saber que existem milhares de jovens afectados por estas medidas e que têm o seu futuro hipotecado", lamenta, aludindo ainda à capacidade financeira que é necessário dispor para avançar com um processo deste género, que não está ao alcance de todos os pais cujos filhos foram afectados.

Público

Pois é. Infelizmente não há acesso universal à justiça. Este pai, revoltado como tantos outros, tem porém tentado fazer a sua parte, ao dinamizar o site Pais em Luta, criado depois desta vergonha que, incrivelmente, foi rapidamente esquecida e deixada impune. Agora, depois desta decisão, outras providências cautelares poderão ser diferidas. Quanto aos alunos afectados, segue daqui uma palavra de ânimo e de apoio. E estudem! Estudem bastante e obriguem-os a abrir vagas para vós.

sábado, outubro 21

Pensem nisso..

A net-MaMMa é um programa que permite acompanhar individualmente cada computador.

Impede o acesso a conteúdos inapropriados:
bloqueia a pesquisa (nos motores de busca) por palavras maliciosas;
bloqueia o acesso a páginas com conteúdo impróprio;
impede o funcionamento de jogos perigosos.

Funciona em modo invisível.

Ajuda a gerir a utilização do computador, aplicando limites de tempo individuais:
de navegação;
a jogos;
conversação no Messenger.

Monitoriza as actividades de cada computador na Internet, Jogos e Messenger, registando:
as páginas visitadas;
as conversas do Messenger;
imagens do ecrã, quando necessário.

sexta-feira, outubro 20

Entre os Rios

Os seis arguidos que foram levados a julgamento pela queda da ponte foram considerados inocentes. Não foi preciso muito para ouvir os primeiros comentários do género "a culpa morre solteira outra vez", ainda para mais vindos de um jornalista. De quem não foi a julgamento não sei, mas quanto aos engenheiros absolvidos, uma coisa é certa: antes a culpa morrer solteira, que arrastar consigo pessoas inocentes.

O Estado contra todos

Ontem o André Castro ganhou o Um contra Todos. Cerca de 26.000 euros. O engraçado é que se fizermos as contas, talvez apenas cerca de 15.000 euros cheguem ao seu bolso. O resto é para os cofres do Estado.

Como se não bastasse, parece que os 15.000 euros vão servir para dar um carro novo à esposa. Louvável intenção, de facto. O pior é que, em imposto automóvel e IVA, são provavelmente mais cerca de 5.000 euros que voam para a receita fiscal. No final, sobram 10.000 euros. É do diabo! Tanta resposta para tão pouco.

A cobertura mediática

Ruben de Carvalho, vereador comunista da CML, fala hoje no DN dessa que foi "a maior manifestação de iniciativa sindical das últimas décadas". Embora depois prefira ressalvar o carácter espectacular da mobilização, o vereador inicia o seu texto falando de um ponto bastante interessante: a cobertura mediática do evento. A manifestação não obteve nenhum dos dois pontos essenciais para ser considerada relevante: "ser repetida até à exaustão" ou "ser analisada pelos comentadores".

De facto, também eu tinha notado tal coisa. Aliás, tais coisas. Pois as greves têm-se sucedido, já desde o início do ano, consequências das diversas ofensivas que o Governo tem perpretado contra várias classes de trabalhadores sob a sua alçada. Porém, neste momento, a rua não parece ter poder. O PC e o Bloco não são destaque dois dias seguidos. Inactividade? Não. Falta de cobertura mediática. A imprensa nacional, imparcial ou não, é muito mais simpática para com Governos de esquerda. Nos tempos da coligação, as imagens dos milhares de trabalhadores na Liberdade ou na Praça do Comércio poderiam aparecer dois ou três dias seguidos, assim como as intervenções de Carvalho da Silva, Louçã ou Bernardino Soares mereciam sempre destaque. As trapalhadas eram alvo de comentários jocosos, embora pouca gente tenha comentado hoje (ou antes) o fim de algumas SCUT (ou o excesso de velocidade de Manuel Pinho).

É um fenómeno incompreensível, mas verdadeiro. E que leva, como hoje levou, muita gente simpatizante da direita a desejar que uma esquerda responsável ocupe o poder. Para se poder levar isto para a frente.

segunda-feira, outubro 16

Das duas uma

O facto de o PRACE não estar incluído no Orçamento de Estado de 2007 pode querer dizer uma de duas coisas: ou não é para ir para a frente ou neste momento alguém já anda a preparar um Rectificativo.

Objecto do dia

sábado, outubro 14

Conformismo (II)

Talvez seja por isso que, às vezes, certos professores riem-se e dizem que sim, que já foram como nós em novos. Que queriam fazer e acontecer, e dizer e inovar. Que iam mudar o Mundo. E que depois foram sendo travados, aconselhados, enganados. E depois desiludiram-se, e aperceberam-se de que não valia a pena, porque remavam contra uma forte corrente. E aos poucos, quem sabe sem se aperceberem, eram parte do sistema, conformados.

E talvez seja por isso que nos dizem, também a rir, que nos vamos desiludir também. E que vamos perceber que o Mundo não é assim, e que a Faculdade é um paraíso comparado com o lá fora. Talvez seja, e talvez a maioria de nós nos venhamos, de facto, a desiludir e a acabar os nossos dias engolidos pelo sistema ou então a pregar contra ele na clandestinidade, sem meios para o fazer vergar. Porém, alertar-nos desta maneira pode significar um esfumar ainda mais precoce da iniciativa, da visão, do sonho. E desta maneira toda e qualquer movimentação será asfixiada e morta à partida. E toda e qualquer possibilidade de mudança começará a ser abatida cada vez mais cedo, assim aqueles que já tentaram desencorajem os potenciais idealistas. Mesmo com as melhores das intenções. Por isso, em vez de o fazerem, ajudem-nos. E dêem-nos alguma da vossa experiência acumulada, das vossas ferramentas, para que o caminho que percorreram não se perca e os seguintes não tenham de começar do zero.

Conformismo

Imaginemos um dos nossos melhores jovens recém-licenciados, carregado de espírito de iniciativa, que equaciona o futuro. Valerá a pena tornar-se empresário, ganhar em autonomia e liberdade, construir um futuro e antever a possibilidade de enriquecimento? Valerá a pena correr riscos?

Quem quer ser empresário em Portugal?, por João Caetano Dias, na Dia D de ontem.

Muitos portugueses, talvez por pertencerem ao país dos ei-los que partem, desenvolveram uma espécie de inconsciente colectivo e nostálgico que os faz sentir conectados a tudo o que diga respeito a (descendentes de) conterrâneos (de outrora), chegando a idolatrá-los, vendo-os como heróis, representantes da pátria lusitana pelo mundo, que simbolizam directamente a capacidade de trabalho do português médio que abandona o seu país em busca de condições mais favoráveis.

Interferências, por Dos Santos, no Insurgente.


No fundo, ambos os textos reflectem algo que muitos portugueses pensam: Portugal não é um bom local para se viver e para singrar. Desde o jovem licenciado que sonha ir trabalhar para Espanha, Inglaterra ou EUA, quer por conhecimento, oportunidades ou remuneração, até ao adulto de meia idade, que apenas quer o melhor para os seus filhos. E que reconhece, com consternação, que o seu país não é o cenário que melhor ambiente lhes proporciona.

Dos Santos afirma depois, no final do seu texto, que são esses mesmos portugueses que bloqueiam uma possível mudança, ao alterarem "a forma de entender Portugal e os portugueses altera-se radicalmente quando o assunto não recai sobre os emigrantes e seus descendentes, mas sobre os habitantes do território original. Não concordo em absoluto com esta perspectiva. Penso mesmo que há muita gente que percebe que Portugal está mal e que sim, é preciso mudar e não camuflar, e que começa a perceber, por escassez, que não se pode distribuir quando não se cria. Porém, se elaborarem um pouco sobre isso e se se aperceberem das implicações que tal mudança poderia ter, amedrontam-se. Pensam nas resistências que haveriam, nas pessoas que inevitavelmente iriam ser prejudicadas e, quem sabe, neles próprios, por se sentirem incapazes de acompanhar a evolução. E então conformam-se, e deixam andar. Desiludem-se, e são engolidas pelo sistema.

quinta-feira, outubro 12

Teorias da conspiração (II)


Teorias da conspiração

Intervenção nas eleições ucranianas. Possível envenenamento de Yuschenko, candidato pró-Ocidental que viria a ganhar as eleições. Alguns meses depois, corte no fornecimento de gás.

Há muito tempo duram os problemas na Chechenia, com os russos a utilizarem meios pouco convencionais para manter os chechenos sobre o seu domínio.

Rússia e Argélia são os maiores fornecedores de gás do espaço UE. Há uns meses, a Rússia perdoou a dívida argelina e assinou vários contratos. A Gazprom e a Sonatrach (homóloga argelina) assinaram contractos de cooperação. Vários analistas falam de um privisível cartel no gás, liderado pela Rússia. A acontecer, a UE está nas mãos da Rússia.

Controlo da Bielo-Rússia através do seu presidente. Censura na imprensa, imposição da língua russa (em detrimento do bielo-russo) no quotidiano da população..

Apoio implícito ao Hamas, considerado pela UE uma organização terrorista.


Colaboração com o Irão no seu programa nuclear.

A gigante Gazprom, controlada pelo Kremlin, compra o Izvestia, um dos jornais de grande circulação mais críticos de Putin. Antes já havia tomado o controlo da Sibneft, uma das líderes no mercado do petróleo.

Problemas com a Geórgia com esta última a acusar a Rússia de limpeza étnica.

A jornalista russa Anna Politkovskaia, conhecida pela sua cobertura muito crítica à guerra na Tchetchénia, foi encontrada assassinada em Moscovo. Condoleezza Rice já mostrou que não anda a dormir.

Posição reticente, assim como a China, na condenação e aplicação de sanções à Coreia do Norte pelos seus testes nucleares.

quarta-feira, outubro 11

Mr. President

Parece que hoje, durante a tarde, o Presidente da República andou a passear aqui ao lado, pelas ruas do Vale da Amoreira. Diz quem viu que foi um banho de multidão. A SIC acabou de dizer (e mostrar) isso mesmo.

Greve por solidariedade

Já sabemos o que não provocou a greve. Mas fica por saber o que a causa. Ou será que o facto de "alguns sindicatos marcarem uma greve" é pretexto suficiente para privar milhares de pessoas do seu normal regresso a casa, depois de um dia de trabalho?

terça-feira, outubro 10

Os milagres fazem-se!

Phelps e o quotidiano

Não deixa de ser engraçado que dias depois da subida dos juros na zona euro seja atribuído o Nobel da Economia a Edmund Phelps pelo seu trabalho no tema da inflação e das taxas de poupança.

Para os mais esquecidos, o famoso golden rule level of capital, dado a Introdução à Macro*, em que se falava de um nível de poupança óptimo e dos vários caminhos para lá chegar, deriva de uma investigação de Phelps. Na cadeira de Macro light*, o nome de Phelps também aparece, embora tapado por outro Nobel, Milton Friedman, aquando da discussão sobre a influência das expectativas de inflação na inflação real e das suas consequências.

*programas pré-Bolonha

ADENDA: Phelps publicou um interessante artigo de opinião no Wall Street Journal de hoje sobre a justiça do capitalismo e a forma como o mesmo é encorajado e desencorajado nos US e na Europa continental, respectivamente. (via blog do Mankiw)

Os Grandes Israelitas

Sugestões:

Ariel Sharon
Jesus Cristo
David Ben Gurion
Moisés
Yitzhak Rabin
Moshe Dayan
Rei David
Natalie Portman
Abraão
(...)

segunda-feira, outubro 9

Os Grandes Portugueses

A RTP está a convidar o país a eleger democraticamente o "maior português de sempre". Ou melhor, a "personalidade mais marcante da História de Portugal". Talvez mesmo o "português que você mais admira". Bom, não importa. É uma ideia importada de fora, tendo havido programas semelhantes para, pelo menos, os maiores britanicos, americanos, finlandeses, belgas, canadianos, holandeses, alemães, franceses e sul africanos.

Os resultados costumam ser de uma seriedade duvidosa, mas é engraçado extrapolar conclusões sociológicas das listas dos outros países. Por exemplo, os americanos elegeram o George W. Bush como o maior americano vivo, em 6º. Leram bem. O Ronald Reagan em 1º, seguido do Abraham Lincoln e Martin Luther King. O que isto não deve divertir os esquerdistas europeus...

A lista britânica mete respeito, liderada por Churchill. Em segundo vem Isambard Kingdom Brunel, e depois o respeito desvanece um bocado com a princesa Diana de Gales em 3º. Mais importante que o Darwin (4º), Shakespeare (5º) e Newton (6º). A matar fica o Rei Artur, eleito o 51º britânico mais importante, assumindo que ele realmente existiu. Surpreendentes faltas são as de Adam Smith, Hume, Locke, Stuart Mill ou Hobbes, todos certamente menos importantes que o Boy George.

A lista canadiana surpreende pela quantidade de artistas e atletas incluídos, grande parte deles vivendo nos EUA ou jogando em campeonatos baseados no vizinho do Sul. O que vem provar que não faz sentido o Canadá continuar como estado independente. A lista Alemã foi criada com o claro objectivo de contrastar com a Britânica, com a inclusão de exércitos de filósofos e escritores de peso. Pena que a liderá-los venha o Marx.

Os franceses acharam por bem meter o De Gaulle em 1º, o Napoleão em 19º e... José Bové em 87º. Os belgas e os holandeses não se conseguem entender quanto à propriedade do Desiderius Erasmus. Estranho mesmo é o primeiro lugar dado a Pim Fortuyn na lista holandesa.

Os sul africanos tiveram o chutzpah de eleger em 19º o Verwoerd, primeiro ministro que expandiu o sistema do apartheid nas décadas de 50 e 60. O objectivo deste povo era criar o top10 com o maior número de prémios nóbeis da paz, com a dreamteam Mandela, Klerk e Tutu, o que deve querer dizer que os sul africanos são um povo pacato e sereno. A lista finlandesa vem confirmar a suspeita de que eu não conheço minimamente a história da Finlandia.

E o que se pode esperar da lista portuguesa? Salazar nem foi incluído na lista de sugestões. Álvaro Cunhal e Saramago devem ser certos no top10, se a máquina vermelha se mobilizar. Por seu lado, se a máquina blásfema se mobilizar, o Pedro Arroja arrisca-se a ir parar à lista. Na melhor das hipóteses enchemos a lista com futebolistas e corredores e ninguém fica chateado.

domingo, outubro 8

Shooting Ideas

A man who posted racist messages on a website in memory of murdered black teenager Anthony Walker was jailed for more than three years today.

Neil Martin, 30, emailed at least six comments to the website - less than a week after Anthony was killed with an ice axe in a racist attack in Huyton, Merseyside, last year.
(...)

Speaking outside court, Mrs Walker said: "After hearing what he said in those messages, I don't buy it. I don't accept it. He had time to think about it and he did it six times. I don't accept his apology.

"Hitler started with an idea, slavery started with an idea, so it is good that this was stopped in time."

Guardian

Três anos por dizer parvoíces na internet. Melhor só mesmo câmaras de segurança que gritam às pessoas que se portam mal.

sábado, outubro 7

Excelente desbloqueador de conversa

O prémio Ig Nobel da medicina deste ano foi para os autores de dois papers distintos com o mesmo nome: Termination of Intractable Hiccups with Digital Rectal Massage.

Serviço público

Alguém devia explicar aos portugueses sem bases de economia que a subida dos juros não acontece porque "eles lá em cima" decidem que 3.25 é mais giro do que 3.00, e assim tramam "o Zé Povinho, que tem casa para pagar".

O mecanismo da taxa de juro é uma ferramenta importante no controlo da inflação, essa sim um problema que distorce as decisões e aumenta a instabilidade da economia. De que serviria ao Zé Povinho ter mais dinheiro do bolso (dado a renda da casa não aumentar) se depois os bens eram todos mais caros?

ps. Claro que depois também convinha ir dizer ao sr. Trichet que a zona Euro não é homogénea. E que se 3.25% pode ser uma óptima taxa de referência para Espanha ou Irlanda, tal não significa que seja adequada para Portugal.

Viver nas mãos de um cartel

Se os preços estão altos não dá para produzir mais, mas se os preços estão baixos dá para reduzir a produção.

terça-feira, outubro 3

As marias vão umas co'as outras

The Looks of a Winner: Beauty, Gender and Electoral Success
We study the role of beauty in politics. For the first time, focus is put on differences in how women and men evaluate female and male candidates and how different candidate traits relate to success in real and hypothetical elections. We have collected 16,218 assessments by 2,772 respondents of photos of 1,929 Finnish political candidates. Evaluations of beauty explain success in real elections better than evaluations of competence, intelligence, likability, or trustworthiness. The beauty premium is larger for female candidates, in contrast to findings in previous labor-market studies.
(...)
In a hypothetical election, we furthermore observe that female respondents tend to favor female candidates, while male respondents tend to vote equally often for men and women. Controlling for choices of the most beautiful, most competent, and most trustworthy candidate in a linear probability model confirms this general picture: female respondents tend to vote for women to a larger extent than men tend to vote for men. We find a similar pattern in general evaluations: female respondents tend to evaluate women in photos clearly more positively than male respondents do, while the gender differences in evaluating photos of men are small.
Link para o paper

Que falta de isenção incrível...

segunda-feira, outubro 2

Princípio da mobilidade laboral

Parece que no dia 12 há mais uma grande manifestação dos trabalhadores da Administração Pública, promovida pela CGTP, para exigir uma mudança de políticas. Não percebo. Se os funcionários públicos estão desagradados com o patrão-Estado, porque não mudam para o sector privado?

domingo, outubro 1

Uma nova vergonha

A aprovação da construção de um muro que cobrirá 1/3 da fronteira com o México é uma autêntica marcha-atrás no ideal de um mundo livre e liberal. Se motivos de segurança relacionados com atentados suicidas poderia ser, com esforço, uma razão aceitável para erguer betão entre Israel e a Palestina, a imigração ilegal (problema mundial e com múltiplas e complexas causas) não o é.

É estranho como a História sempre se repete. Se todos nos damos bem nos tempos de vacas gordas, logo os nacionalismos e proteccionismos se erguem em tempos de crise e dificuldade. Talvez não fosse mal pensado pensar-se, na América, numa organização análoga à UE. Embora frágil, embora por muitos considerada como demasiado heterogénea ou demasiado apressada, tem sabido tornar-se uma motivação para os países de Leste (que podemos comparar ao México) promoverem, com a ajuda dos mais desenvolvidos, processos de reforma importantes e liberalizantes, de modo a desenvolver as suas instituições.

Talvez a solução não seja fechar mas sim abrir. Talvez a solução não seja afastar e sim aproximar, e envolver todos os interessados numa sociedade solidária mas também livre, em que cada pessoa poderá ter condições para procurar o seu ideal de felicidade, no seu país ou no país vizinho.