quinta-feira, setembro 28

Cuspir na sopa

Mateus avança com processo de rescisão com o Gil Vicente.

Remédios

A AdC não se opõe à OPA da SonaeCOM mas aponta vários remédios. É isto uma derrota para Paulo de Azevedo? A resposta, simples, é não!

Dois deles prendem-se a venda de uma das redes e com a sepração das actividades de retalhista e grossista. O primeiro é algo que Paulo de Azevedo sempre defendeu, como forma de imprimir concorrência ao sector, permitindo à nova Sonae concentrar-se, como a PT nunca pôde fazer, numa verdadeira e competitiva oferta de triple pay. Mais do que isso, abre caminho a um mais pacífico desmantelamento do grupo PT, algo necessário para amortizar o volumoso empréstimo necessário para pagar aos accionistas da Telecom nacional. O segundo segue a mesma linha. Não há concorrência com a distribuição nas mãos do player mais forte do mercado.

A atribuição de uma nova licença é um remédio que me escapa. Apesar de ir "ter tudo aquilo que a Optimus não teve", nas palavras de Paulo de Azevedo, quem quererá tentar entrar num mercado dominado pelo operador histórico, agora revitalizado, e pelo gigante mundial Vodafone? Seja como for, a Sonae não tem de se preocupar com tal coisa, restando apenas a obrigatoriedade de facilitação de entrada de operadores virtuais, através da prática de preços fixados na cedência de redes. Algo que já vinha sido imposto à PT e que faz todo o sentido continuar a ser. Paulo de Azevedo sabe-o.

Já a alienação das participações nos vários braços da PT Multimédia parece ter surpreendido Paulo de Azevedo. Se a alienação de mais participações seria sempre necessária para financiar a compra, já a escolha de quais a vender seria algo que Paulo de Azevedo esperaria poder fazer. Este remédio vem no entanto potenciar o crescimento de outros grupos nacionais ou internacionais, que certamente abrirão uma renhida corrida a activos como a Sport TV, Lusomundo Filmes, SiC Notícias.

quarta-feira, setembro 27

Competitividade

Portugal caiu três lugares no Índice de Competitividade Global do Fórum Económico Mundial, ocupando actualmente o 34ºlugar. A liderar a tabela encontra-se a Suíça, referida como detentora de "...uma capacidade de inovação ímpar e de uma cultura empresarial altamente sofisticada". Os EUA, que no ano passado ocupavam o primeiro lugar da tabela, caíram para a 6ªposição. Segundo o Fórum Económico Mundial (FEM), Portugal é beneficiado pela estabilidade política, enquadramento jurídico da economia e facilidade de acesso ao crédito no país. Na outra face da moeda, os indicadores macroeconómicos (défice orçamental e dívida pública), o sistema de ensino e as leis de trabalho restritivas inibem a capacidade competitiva do país. Os piores da Zona Euro, são a Itália e de forma pouco surpreendente a Grécia. Acho que estes dados não trazem nada de novo, mas é sempre engraçado ver que estamos atrás dos Barbados e da Estónia neste tipo de classificações.

terça-feira, setembro 26

Tecnologias de Informação


Antes só havia o formato papel.
Depois apareceram os computadores e o formato digital.
Agora temos o formato papel e o formato digital. O que melhorou, afinal?

Verdadeiros desperdícios

Tantos já terão sido os euros gastos com comissões, estudos e projectos sobre a reforma da Administração Pública. Todos eles apontam diversas nuances, conforme o chefe de projecto se centre mais no processo, nos custos ou nas pessoas. Todos eles, porém, trazem a mesma e óbvia conclusão: funcionários a mais.

Tantos são os estudos e outras tantas iguais respostas: "não vamos despedir funcionários públicos". Para quê então os estudos se o Governo já decidiu a priori que, se a solução passar por despedimentos, não a põe em prática? Será que estes estudos também são, como as obras em Oliveira do Hospital, financiados a 120% por Bruxelas?

segunda-feira, setembro 25

Prós e Contras - Aznar en realce


  • "Escrever a História quando já a conhecemos é fácil, mas fazê-la no momento é muito mais difícil..."
  • "Nós temos que estar sempre a pedir desculpa ao Médio Oriente mas a nós ninguém nos pede desculpa..."
  • "Estamos a perder os valores que defendemos. Os governantes não reagem, o que é muito alarmante. Chamo a isso medo - muitos escritores não escrevem o que pensam, muitos cineastas não criam o que pensam, muitas figuras públicas não dizem o que pensam com medo das consequências."
  • "Não estamos num tempo de líderes fortes"

(Tradução de Ana Sanches Lda.)

Superavit comunitário (recebida por e-mail)

sábado, setembro 23



Após a breve conversa a quatro com o Manuel, a Inês e o Tiago, não vou poder perder o próximo Prós e Contras - A relação com "nuestros hermanos", transmitido na segunda-feira à noite. Depois sugiro o nosso prós e contras particular, ¿vale? (Será assim que se escreve? Aulas de espanhol, aí vou eu!)

Faz sentido (II)

Na SIC, o presidente socialista da Câmara Municipal de Loures disse que não se revia na posição da ANMP, que defende o corte das verbas destinadas a apoiar estruturas da responsabilidade do Governo Central.

Ora se eu fosse, durante um Governo socialista, presidente de uma Câmara socialista, também saberia que a redução da fatia orçamental destinada às autarquias aumenta a fatia destinada aos contratos-programa bilaterais. E que os municípios mais beneficiados não irão ser, certamente, comunistas ou social-democratas.

Faz sentido

Se eu fosse dono de uma empresa operante numa indústria lucrativa com barreiras à entrada impostas pelo Estado e de repente visse uma empresa forte e bem organizada entrar no mercado, contornando a lei, também diria, como diz Mário Assis Pereira (vice presidente do grupo Estoril-Sol) numa entrevista à DIA D, que a mesma era "completamente clandestina".

quinta-feira, setembro 21

Autismo

Tendo em conta que o Governo anda a pedir quase diariamente à sociedade civil para dar o seu melhor, para ser optimista e empreendedora e para ajudar o país a crescer, as declarações do Ministro da Presidência, desvalorizando as propostas do mais importante e capaz think tank do país, só podem ser consideradas anedóticas.

A Lição de hoje




Aprendida na aula de Seminário da Economia Portuguesa e Europeia...

A Lisnave foi um dos projectos mais bem sucedidos dos Planos de Fomento do Regime de Salazar.
Em grande expansão e existindo projectos de abertura noutros países, dá-se o 25 de Abril de 1974.
Horas semanais distinguidas dos fins de semana e das horas extraordinárias (pagas a 200%), os trabalhadores preferiram, e citando o professor, "ir para a Caparica"!
Ora, sendo uma indústria na qual é necessário trabalhar todos os dias, rapidamente faliu e tudo foi por água abaixo!

A pergunta que fica:

Culpa da liberdade de escolha dos trabalhadores ou da mentalidade portuguesa?

quarta-feira, setembro 20

Maravilhas modernas

Foi notícia há umas semanas na TV mas só hoje me lembrei de ir procurar informação. A eleição das novas 7 Maravilhas do Mundo é feita on-line e por todos aqueles que se quiserem juntar ao evento. Ou, como diz o slogan, que "queiram fazer parte da História". O site contém fotografias e descrições das 21 finalistas. O anúncio, marcado para dia 07/07/07, será feito em Lisboa, certamente com toda a pompa. Eu, que gosto muito destas coisas, já votei. E vocês?

Multilateralismo sério

Hoje, Nações Unidas em NY - Hugo Chavez com livro do Chomsky em riste. Chama «diabo» a Bush muitas vezes. Disse que cheirava a enxofre depois do discurso do Bush ontem. Audiência, representando os estados de todo o mundo, estava às gargalhadas.

Vídeo aqui.

"Venezuela once again proposes today that we reform the United Nations," he said.

CNN

Concordo.

segunda-feira, setembro 18

Anipop 2006

The amount of eccentricity in a society has generally been proportional to the amount of genius, mental vigor, and moral courage it contained. That so few now dare to be eccentric marks the chief danger of the time.

-John Stuart Mill

Anipop 2006, um evento para amantes de manga e anime, ontem:






























Fotos de Manuel Lino.

Excentricidade: expressão sincera da individualidade ou alheamento da realidade, ou ambos em ponderações variáveis?

domingo, setembro 17

Quando a palavra ridículo é um eufemismo (II)

Aconteceu ontem, em pleno Alvalade.
O título do Record é elucidativo.

sábado, setembro 16

Acesso

saíram as colocações da primeira fase do concurso de acesso ao Ensino Superior deste ano. Destaque para a queda nas médias de entrada de Medicina, sobretudo em Lisboa (177.8 na Nova e 177.5 na de Lisboa).

Na FE-UNL, destaque para o facto de, pela primeira vez nos últimos três anos, a média do último colocado em Economia (140.0) superar a do último colocado em Gestão (139.0), embora por magra margem.

sexta-feira, setembro 15

Este post é uma provocação absolutamente desnecessária

Men are more intelligent than women, claims new study

The University of Western Ontario psychologist, [John Rushton], reached his conclusion after scrutinising the results of university aptitude tests taken by 100,000 students aged 17 and 18 of both sexes. A focus on a factors such as the ability to quickly grasp a complex concept, verbal reasoning skills and creativity - some of they key ingredients of intelligence - revealed the male teenagers had IQs that were an average of 3.63 points higher.

Daily Mail

Um Papa sem medo

O Papa Bento XVI não teve receio de dizer o que lhe ia na alma. Ao afirmar que o fundamentalismo religioso e a defesa da Fé pela violência são irracionais, Bento XVI pode ter marcado o início de um novo tempo.

Enquanto neste momento se afronta a posição religiosa dos radicais islâmicos com argumentação política, a entrada em campo de Bento XVI poderá juntar a esta linha o argumento religioso. Deste modo, um número muito maior de pessoas conseguirá ver o problema actual sobre um diferente prisma. Visto a argumentação política partir sempre muito enviesada, talvez a análise sob o ponto de vista da fé possa trazer novas orientações.

Selectividade

Na análise aos atentados terroristas e a todas as suas consequências, ambos os lados conseguem contribuir para o debate com os mais variados argumentos. Porém, por mais que se o faça, nunca se chegará a uma grande conclusão. Ambos os lados tenderão a relativizar a relevância dos factos apresentados pela outra parte, mesmo que aceites na generalidade, para enfatizar os seus factos.

Aliás, raramente um qualquer acto tem apenas consequências boas ou más. Como qualquer processo complexo, possui uma enormidade de efeitos directos e não-directos cuja benevolência é, por vezes, difícil de analisar.

Assim, por mais controladas que sejam as variáveis que influenciam as opiniões (e.g. ideologia, preconceito, conveniências pessoais..), a resposta a qualquer tentativa (de ambos os lados) para refutar os argumentos contrários será sempre um sim, mas...

Nota: Este texto estava em draft antes da discussão subterrânea neste post. Não é uma resposta (já a deixei na caixa de comentários) mas talvez a mensagem possa ser aproveitada. Por todos.

quinta-feira, setembro 14

Economia do Terrorismo

In their new study, “Attack Assignments in Terror Organizations and the Productivity of Suicide Bombers,” two economists, Efraim Benmelech of Harvard University and Claude Berrebi of the RAND Corporation, set out to analyze the productivity of terrorists in the same way they might analyze the auto industry. But they defined the “success” of terrorists by their ability to kill.

They gathered data on Palestinian suicide bombers in Israel from 2000 to 2005 and found that for terrorists, just like for regular workers, experience and education improve productivity. Suicide bombers who are older — in their late 20’s and early 30’s — and better educated are less likely to be caught on their missions and are more likely to kill large numbers of people at bigger, more difficult targets than younger and more poorly educated bombers.

NY Times

Noutro paper, de Alan B. Krueger e Jitka Maleckova, Education, Poverty and Terrorism: Is There a Causal Connection? conclui-se:

The evidence we have presented, tentative though it is, suggests little direct connection between poverty or education and participation in terrorism.

Tudo via Greg Mankiw's blog.

A educação e a pobreza não têm relação causal com a participação no terrorismo, mas a educação influencia a eficácia dos terroristas. As coisas giras que os economistas andam a estudar, hãen?

Debunking bs

João Miranda escreve no Blasfémias:

Tentar refutar teorias da conspiração acaba quase sempre por ser perda de tempo. Os argumentos contra as teorias da conspiração nunca são credíveis. Como qualquer adepto das teorias da conspiração nos poderá explicar, existe sempre uma sub-conspiração cujo objectivo é encobrir a conspiração principal com argumentos aparentemente racionais.
(...)
O melhor antídoto contra uma teoria da conspiração nunca é a refutação racional. Qualquer tentiva de refutação será vista como prova da conspiração e só servirá para alimentar a teoria da conspiração. Devem ser consideradas outras alternativas mais eficazes: "He knew all the tricks, dramatic irony, metaphor, bathos, puns, parody, litotes and... satire." (Monthy Python).

Eu concordaria em maior parte dos casos. Discutir seriamente com um fanático conspiracionista é muito frustrante. Mas as conspirações sobre o 11 de setembro são um fenómeno de uma dimensão para além dos paranóicos do costume. Mais de 10 milhões de pessoas fizeram o download do "documentário" Loose Change. Este já foi transmitido na televisão em mais de uma dezena de países, incluindo Portugal.
Quando uma má ideia tem já suficiente credibilidade para ameaçar entrar no mainstream, não é ridicularizando-a que ela se vai embora. É altura de a pôr à prova no mercado de ideias, num debate sério.
Bom, isto tudo a propósito de um debate no Democracy Now! entre dois realizadores do Loose Change e dois responsáveis da revista Popular Mechanics, que também já há algum tempo vêm a destruír as teorias sobre o 9/11. Podem ver o vídeo aqui (41m 52s), ou ler aqui.

É engraçado ver como cai aos bocados a credibilidade dos conspiracionistas quando confrontados de forma séria. O comportamento juvenil dos conspiracionistas certamente não ajuda, agem de um modo histérico e não têm problemas em chamar mentiroso a todo aquele remotamente ligado ao "sistema". A certo ponto um deles tem de pedir ao seu colega para se acalmar.

O recurso à ridicularização dos argumentos dos editores da Popular Mechanics para evitar a discussão a sério também não conquista grandes simpatias entre os espectadores. A óbvia motivação política dos criadores do documentário muito menos. O público (pelo menos o público que interessa) geralmente percebe que as agendas políticas costumam impor-se no caminho da busca pela verdade.

Em suma, tentar refutar teorias da conspiração em debates públicos pode ser bastante frutífero porque não é difícil transmitir mais credibilidade que os loonies que as defendem. E é necessário porque não é saudável para a sociedade que este tipo de ideias alastrem sem a oposição da verdade.

EDIT: N'O Insurgente o debate já havia sido postado ontem.

O descrédito total

Acreditar que os líderes de uma Nação livre e democrática, sucessores daqueles que mais lutaram pela implantação e manutenção dessa mesma liberdade e democracia, eram capazes de atentar contra mais de 3 000 camaradas para lançar uma guerra contra os árabes, para estimular a indústria de armas ou para arranjar petróleo mais barato é mais do que desonrar e desconfiar da América. É desonrar e desacreditar completamente o Mundo Ocidental e os seus valores.

terça-feira, setembro 12

Quando a palavra ridículo é um eufemismo...

Aconteceu no Brasil. O golo é para recordar...

A ler, com atenção

"Entrei no PCP para atingir o paraíso. Com o sacrifício da minha própria liberdade, se fosse caso disso (...) Tinha 17 anos. Rebeldes. Adorava fazer perguntas, algo que muitos dos meus controleiros do PCP nem sempre apreciavam (...) "Porque entraram os tanques soviéticos em Praga para esmagar os contra-revolucionários, se o povo está na rua defendendo as mudanças do 'seu' partido comunista?" Resposta longa, cassete e olhar desconfiado.

"Aprendi, também, depois do 25 de Abril, que os anti-salazaristas que odeiam o dr. Salazar, mas desculpam ou "esquecem" os crimes de Estaline e de Mao, são democratas.

"Lembrei-me deste pedaço da minha vida e do que aprendi nele quando li algumas críticas ao Prémio Nobel da Literatura Günter Grass, por, aos 17 anos, ter pertencido ao temível corpo de elite hitleriano Waffen-SS e algumas das explicações do grande escritor ("Era jovem e, no fundo, estava de acordo"), que só muito tempo depois se deu conta dos crimes das Waffen-SS.

"Nem todas as explicações de Grass são aceitáveis sem questionamento. Não sei, no entanto, se alguns dos críticos perguntaram a Saramago ou a García Márquez, por exemplo, porque, sendo já adultos, aprovaram outros totalitarismos, sem uma confissão de vergonha ou de arrependimento, como fez Grass."

José Manuel Barroso (destaques meus), no DN de hoje.

O mercado a funcionar

Guerra nos semanários:

Com a aproximação da data de nascimento do novo semanário Sol, o Expresso decidiu mudar a imagem, imprimir mais cor e baixar o preço.

Guerra no crédito à habitação:

Apenas três dias depois do Barclays abrir as hostilidades com o spread zero nos primeiros dois anos, o Santander responde na mesma moeda.

One way

Quando todos pensam igual, é porque ninguém está a pensar. Walter Lippman

Sim, os consensos e os pactos de regime são, por vezes, necessários. Talvez a justiça até seja uma dessas áreas. Assim sendo, talvez este pacto seja uma coisa boa. Talvez permita atenuar o normal (mas sempre incómodo) ruído, dado o peso dos subscritores do acordo.

Porém, consensos alargados sobre várias áreas não devem ser incentivados. Porque a primeira consequência de um pacto entre os dois maiores partidos portugueses é a inexistência de alternativas. É a ditadura do one way. E eu, como cidadão residente numa democracia, não gosto de não ter alternativas. E num país onde os dois maiores partidos repetidamente caem no mesmo espaço ideológico, uma onda de pactos de regime não é propriamente o cenário mais desejado para assegurar o debate e a pluralidade de opiniões.

segunda-feira, setembro 11

11/09

Hoje, cinco anos depois, olhamos para trás e o que vemos?

Por todo o mundo reforçou-se a vigilância. Instalam-se câmaras, revistam-se malas e matam-se electricistas em nome da segurança. O medo reina e ninguém se sente totalmente a salvo, sobretudo após as réplicas em Londres e Madrid. O povo ocidental olha agora com desconfiança para indivíduos árabes, o Islão tornou-se motivo de curiosidade mas também de rejeição e incompreensão.

Os EUA declararam guerra ao terrorismo e lançaram-se no Afeganistão e Iraque. As coisas correm bem nuns lados e mal noutro. As boas prestações são esquecidas e os erros grosseiros levam a velha Europa a criticar os métodos, às vezes até os fins, não conseguindo porém impôr (se é que tem) as suas ideias alternativas. Os EUA e, principalmente Bush, viraram o grande Satã e a culpa de todos os problemas mundiais (petróleo, direitos humanos, guerra, terrorismo..) são a eles atribuídos.

O que vemos? Vemos decisões certas e decisões erradas. O pior é que vemos muita gente a deixar que preferências político-ideológicas ou incentivos pessoais ou financeiros se sobreponham à lucidez e ao bom senso. Tanto de um lado como de outro.

sábado, setembro 9

O melhor do Marketing


Já se conhecem os candidatos dos prémios de Eficácia da Comunicação Comercial para este ano. Todas as campanhas finalistas podem ser conferidas aqui, distribuídas pelas diversas categorias e sub-categorias. De realçar a inclusão, pela primeira vez, da categoria "Eficácia em Responsabilidade Social". Uma inovação que fará um certo professor da FE-UNL saltar de alegria ao mesmo tempo que reforçará a animosidade geral para com uma certa ex-professora.

Recados à parte, destaco as campanhas que se afiguram, na minha opinião, como sérias candidatas à vitória final. No "grande consumo alimentar" o voto divide-se entre a Frize (obviamente), as duas campanhas Olá (Club Olá e Olá Kids) e a Bohemia. No "consumo não alimentar" o destaque é, sem dúvida, a menina do gás da Galp.

Nas "telecomunicações e media" o destaque é a Uzo e nos "serviços financeiros" as campanhas do BES, que dominam as nomeações. A Feira Nova ou a EDP conta certa parecem-me as candidatas mais fortes na categoria "serviços e adm. pública", sendo a campanha da Ponto Verde (apesar de muito engraçada) prejudicada por resultados como este.

Na categoria "meios" a escolha é difícil. Além da inalienável Frize, há que contar com os rebrandings do BES e da tmn, com a Uzo e com a campanha d'A Mais Bela Bandeira do Mundo. No "marketing de causas" destaque para a Missão Sorriso, da Modelo-Continente e no "marketing social", a 100% cool, embora a campanha de combate aos fogos tenha, provavelmente, adquirido uma maior projecção.

sexta-feira, setembro 8

Road to Serfdom

O Ministério da Educação vai definir orientações relativamente aos produtos que os estabelecimentos devem disponibilizar nos bares e máquinas de venda automática. As novas regras para uma alimentação saudável excluem fritos, batatas de pacote ou rebuçados e condicionam a oferta de chocolates, bolos e gelados. Numa segunda fase, surgirão recomendações para as ementas das cantinas.

DN

Um pacote de batatas fritas a acompanhar o almoço ou como puro capricho não faz mal. Um chocolate ajuda a dar energia e é amplamente aceite como um produto que ajuda a melhorar o estado de espírito. Um rebuçado para adoçar a boca é fixe e até combate o mau hálito. Um bolo (nem sempre apetece uma sandes, às vezes de pão rijo e com fiambre com 1cm de espessura!) de vez em quando não faz mal e gelados no Verão (mesmo e quem sabe especialmente os que são só água [penúltimo parágrafo]) são do melhor que há.

Por outro lado, políticas destas são, claramente, más para a saúde. Mais uma ideia para o tal socialismo em forma legal. Neste caso, excepcionalmente e para enfatizar, a lei bem que podia ser apelidada de totalitária.

quinta-feira, setembro 7

Erasmus em livro

Chega hoje às bancas o primeiro romance português que tem como base de fundo uma experiência Erasmus. O jovem escritor, António Paisana, aproveitou as imagens de Salónica para desenhar o cenário para o seu também primeiro livro.

Embora haja, na minha opinião, a possibilidade de cair em muitos lugares comuns, a crítica parece ter recebido muito bem esta obra. Talvez como em A Residência Espanhola, um filme de grande sucesso, a atmosfera que rodeia este tipo de narrativas seja propícia a episódios cativantes. Seja como for, será de certeza um livro interessante para todos os que já frequentaram ou pensam frequentar programas de intercâmbio Erasmus ou similares.

Desvios orçamentais

O PCP é provavelmente um dos movimentos comunistas mais poderosos do Mundo.

A sua escala nacional (capacidade eleitoral, influência sindical e estudantil) confere-lhe projecção além fronteiras e faz da célula nacional uma peça fulcral do movimento comunista internacional. Tal é comprovado com as delegações recebidas e as enviadas, assim como a participação em inúmeras conferências e seminários. Aliás, um dos vectores da acção internacional do PCP é exactamente o "fortalecimento dos laços de amizade, cooperação e solidariedade dos comunistas e de todas as forças de esquerda e progressistas, e da acção comum ou convergente das forças anti-imperialistas".

Sendo o PCP dos partidos comunistas que conseguem maiores receitas (fruto da sua implantação social e poder eleitoral), ainda para mais em euros (a segunda moeda mais forte do Mundo), é de esperar que o PCP seja dos maiores contribuintes líquidos para o movimento internacional. Há então a possibilidade de os meus impostos (que servem para pagar as subvenções) estarem a ir parar às mãos de movimentos comunistas internacionais, quiçá terroristas?

Boas notícias

Subimos do 113º lugar em 2005 para o lugar para a 33ª posição no ranking Starting a Business do relatório Doing Business em 2006. Para criar uma empresa em Portugal são agora precisos 8 procedimentos que levam 8 dias.

Por outro lado, nos indicador Employing Workers revelámos uma clara melhoria de nº 156 para um dignificante 155º lugar.

Aqui
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quarta-feira, setembro 6

O fracasso da negociação (II)

No caso dos trabalhadores, o caso já é um pouco diferente. Não acredito que tenham feito muitas contas. Se as tivessem feito já teriam concluído que têm muito pouco poder. A decisão de encerrar está tomada e a alternativa da empresa é suficientemente boa para não se ter de submeter às exigências da comissão nem se preocupar em demasia com uma greve.

Assim sendo, e mais uma vez assumindo a continuação da greve, um não acordo significa que os trabalhadores vão receber apenas os seus salários até ao final do ano (com algumas diminuições devido à greve). Não recebem mais nada, excepto alguma felicidade intrínseca por impingir custos à GM, como os referidos no post anterior. Não sei o quanto os trabalhadores querem mal à GM. É difícil quantificar. Porém, e assumindo que nem todos querem a mesma quantidade de mal, haverá certamente alguns trabalhadores que estariam dispostos a receber um menor subsídio social, considerado pela GM como preferível a um não acordo. Basta o benefício do subsídio (também diferenciado) ultrapassar a vontade de punir a GM.

Porém, como os trabalhadores negoceiam de forma agregada, regidos por uma duvidosa CT, tal coisa é difícil. A vontade individual do trabalhador é desprezada, e a relação é feita pela CT: entre o valor do benefício do subsídio para os negociadores (totalmente arbitrário, pode ou não coincidir com a média da soma dos benefícios individuais) e a vontade de ficar bem vista na TV e no interior do Partido, assim como impingir uma derrota não ao patrão que vai fugir, mas ao capitalista selvagem e desumano. Assim, a CT insiste na sua proposta e não se move para uma zona ainda melhor do que a alternativa e onde a GM poderia aceitar. No final, provavelmente, algum trabalhador vai perceber de que foi rejeitada a possibilidade de um acordo melhor do que a sua alternativa. E se calhar deixará de pagar para o sindicato..

O fracasso da negociação (I)

Existem normalmente duas razões, muito gerais, para uma negociação fracassar: 1) a proposta em cima da mesa é pior do que a alternativa de uma ou de ambas as partes ou 2) a proposta em cima da mesa é melhor do que a alternativa mas outros factores (orgulho, impacto mediático, etc.) fazem com que uma das partes a rejeite. Se na primeira situação a rejeição faz sentido, na segunda não. Em conclusão, também geral, há algo de impreterível nestas coisas da negociação: a alternativa.

No caso específico da Azambuja, certamente que a GM já fez todas as contas. A GM tem de pagar pagar aquilo a que é legalmente obrigada (salários até ao final do ano) mais os custos normais associados à produção de componentes necessários para a deslocalização (inseridos no processo de trabalho normal actual da fábrica).

Assim sendo, e admitindo que a paralização se mantém até à data da deslocalização, um não-acordo significa, além dos custos legais com salários (que podem ser atenuados pela greve): 1) perda de produção (lucros previstos cessantes, por exemplo) e 2) custos anormais (decorrentes da greve) para produzir os componentes necessários para a transferência de produção para Saragoça. Como é óbvio, qualquer proposta dos trabalhadores cujo custo seja superior a este 1) + 2) será rejeitada pela administração.

terça-feira, setembro 5

A desagregação do fio da tomada local

Parece que o mercado de electricidade já funciona no papel. É, convenhamos, um bom avanço, dados os constantes atrasos e peripécias. No terreno, como é óbvio, a coisa ainda não funciona. Será muito complicado a qualquer outro fornecedor de electricidade fazer a sua corrente chegar às nossas habitações. A EDP tem todo um conjunto de infra-estruturas, construído e solidificado durante anos de monopólio protegido pelo Estado. Esta rede permite-lhe aceder com facilidade aos nossos contadores, provavelmente com custos médios decrescentes, o que lhe dá uma vantagem enorme em relação às restantes empresas e lhe permite arrancar com muito mais força para esta nova era de concorrência.

Assim, e embora não nos devamos esquecer que foram (pelo menos em parte) o esforço e os euros da EDP que sustentaram o crescimento da estrutura, é tempo desta servir de igual modo todos os fornecedores. Deste modo, em analogia com o famoso processo de desagregação do lacete local, em prática nas redes da PT desde a revolução da banda larga, proponho que se desagreguem os fios da tomada de todos os lares domésticos, de modo a facilitar a concorrência. Uma operação que poderia ser subsidiada pelo Estado, como forma de compensar os consumidores pelos anos de preços altos e de inexistência de evoluções.

O "interesse público" do futebol

"Arderam xxxx hectares desde o início do Verão, o equivalente a xxxx campos de futebol"
(repetido até à exaustão por todos os repórteres de todas as agências noticiosas)

"No combate ao incêndio xxxx apenas um bombeiro saiu lesionado, devido a uma queda..."
(uma pérola do repórter da SIC, no Jornal da Noite de ontem)

Ideias Soltas sobre a Helvética

Bem, estive de férias e a silly season também se fez sentir pelas minhas bandas, daí que não houvesse nada de muito interessante para contar.
Mais para o final, estive cerca de uma semana na Suíça e consegui retirar uma série de lições sobre a Suíça e os Suíços:
  • Gostam muito das regras. Desde dias fixos para lavar a roupa na lavandaria do prédio (e ai de quem lave ao domingo!) até a polícia seguir uma bicicleta para contar os semáforos vermelhos que essa passou durante o trajecto.
  • Considerando que não costumamos pensar em dias quentes, Sol escaldante e ondas de calor quando pensamos na Suíça e que choveu durante todo o mês de Agosto, alguém me quer explicar a proibição daquela instituição suíça: os barbecues??? Supostamente é para prevenir os incêndios, o que mostra bem as diferenças de mentalidade entre os "tugas" e os suíços.
  • Os impostos são menores. Não admira que se vejam Bentleys e Lamborghinis em tantos sítios. Sou leiga no assunto mas não seria bom mandar lá o Sócrates???
  • Os suíços são "quadrados": não expressam qualquer emoção e são bastante individualistas.
  • Não sei se é generalizado mas há uns quantos xenófobos, que acham os portugueses violentos e "asneirentos". Curiosamente, suportam a selecção inglesa depois da selecção suíça...
  • As cidades estão muito mais arranjadas do que as nossas, mas isso aplica-se a quase todas as cidades na Europa. Sinceramente, gostei muito dos montes que rodeiam as cidades: sabe tão bem estar em Zurique ou em Berna e ver verde.
  • O sistema de saúde é estranho para os nossos padrões mas funciona.
  • Finalmente, quando se chega à Portela acaba a eficiência: demorei uma hora desde a aterragem até sair do aeroporto. Em Zurique levei 20 minutos.

Austrian Economics

Arnold Schwarzenegger introduz a série Free to Choose de Milton Friedman.
(via Blasfémias).

segunda-feira, setembro 4

Externalidades na ostentação de riqueza

Brad DeLong, professor de economia em Berkeley, ex-Deputy Assistant Secretary do tesouro americano durante a administração Clinton e, num capítulo mais importante da sua carreira, um popular blogger, originou uma discussão entre bloggers economistas. DeLong usa como justificação para um sistema fiscal progressivo a ideia de que a opulência dos ricos causa um mal-estar entre os pobres, e que assim há uma transferência de bem-estar de ricos para pobres, que também gostarão de se sentir invejados.

...I'm enough of a touchy-feely sociology-lover to believe that a good chunk of the utility the rich derive from their conspicuous consumption is transferred to them from the poor...

Fonte

Enquanto para alguns na direita a justificação de Brad DeLong pode parecer uma laracha, os economistas não a podem tratar levianamente. A sugestão de que os ricos retiram prazer da ostentação da sua riqueza e assim criam mau-estar entre os pobres não é completamente ridícula. Isso implicaria a existência de uma externalidade, o que levanta naturalmente a sugestão de se criar um imposto de pigou para a corrigir.

Os economistas e bloggers Alex Tabarrok e Tyler Cowen do Marginal Revolution, tal como Greg Mankiw têm uma posição oposta a Brad DeLong.

Mankiw admita a possibilidade existência da externalidade, e cita investigação que a sugere (Luttmer e Weinzierl). No entanto esta relação é local, o problema será a riqueza relativa de alguns membros da comunidade. Como diz Tyler Cowen:

Many of the poor resent the successful Korean grocer more than they resent Paris Hilton. Yet I wouldn't want to tax the grocer for that reason, even if he does sometimes gloat. Those "formerly poor who are making it" are often the people I least want to tax (in fact both Brad and I wish to subsidize them through EITC), yet they are often the most envied.

Fonte

Assim o problema não é de ricos contra pobres e os infractores passam a ser determinados membros bem sucedidos de cada comunidade. Sería difícil penalizar com justiça os infractores individualmente.

Por seu lado, Alex Tabarrok inverte a questão para demonstrar o absurdo da sugestão de externalidades duvidosas para definir public policy em geral, e argumento de DeLong em particular:

The solution to envy is not to tax the rich but to tax the envious. To be envied is unpleasant. People want to be admired but not envied. To be envied is one step from being hated. (Consider how much crime is motivated by envy.) It's envy which imposes an externality on the rich. Make the envious pay for their ugly preferences.

Surprising analysis? Not really - should gays be taxed because they make some people uncomfortable? Hell no. Tax the bigots for making gays feel unwelcome.

Fonte


No fundo podem-se inventar uma série de justificações económicas (nem sempre correctas) para promover qualquer política, mas o caso da progressividade dos impostos não me parece uma questão económica mas sim uma moral. Que justificação existe para penalizar o sucesso?

Julgo que há, especialmente em Portugal, algum défice de discussão sobre o sistema fiscal progressivo. É quase um fenómeno natural, um dado adquirido. Não é clara a justificação para a sua existência, e a existir (justificação), passa pela questão da inveja que dificilmente será justa.

domingo, setembro 3

Eu seria a última pessoa a defender o Gil Vicente fosse no que fosse. Mas a razão não me deixa pensar de outra maneira: O Gil Vicente está carregado de razão. Mas parece que vai ter que engolir o sapo por todos nós (os adeptos). Ou talvez não.

Não é verdade que os clubes não possam recorrer para os tribunais civis (como se repete agora até ao vómito), só não podem em questões desportivas, e o contrato que ligava o Mateus ao Lixa era um contrato de trabalho, e ilegal. E é só disso que se trata. Se acontecer alguma coisa ao futebol português, devido à reacção mais que histérica da FIFA, culpem o Belenenses, culpem a Liga, os orgãos da Liga e a FIFA, que está sempre do lado dos mais fortes. O futebol (fora do campo) mete nojo.