sexta-feira, junho 30

A melhor selecção

Dia 7 de Julho é divulgada a selecção do Mundial 2006 e Portugal conta com 6 candidatos. A Argentina, com 9 elementos, é o país com mais futebolistas. Para quem ainda não foi ao site da FIFA...

Quarter Final (agenda)



Riquelme vs Ballack

(segundo o Jójó, o jogo que decidirá o Campeão do Mundo)





Shevchenko vs Buffon

(o jogo que acabará com o mito de que a Itália é sempre uma das favoritas; ou "a noite de Sheva")

quinta-feira, junho 29

A price has to be paid

Ainda não está confirmado mas é cada vez mais provável que seja o próprio Harry Potter uma das (duas) baixas no sétimo e último livro da saga de J.K. Rowling. Segundo a autora, "a price has to be paid, we are dealing with pure evil here".

Pessoalmente, nunca achei grande piada aos livros onde o bom mata o mau e leva a miúda, vivendo feliz para sempre. São livros irrealistas e que não trazem grandes mensagens, fazendo-nos acreditar (ou querer acreditar) que a felicidade se atinge sem sacrifícios. Não é assim. Tal como sempre defendi que Frodo devia ter-se atirado da montanha com o anel, também concordo em absoluto que seja Potter a sacrificar-se (eventualmente em conjunto com mais alguém) para salvar o futuro da comunidade mágica. Seria até, dado o seu perfil psicológico e acções passadas, algo fácil de aceitar e de louvar.

Embora outros grandes sacrifícios já tenham sido feitos na novela, a começar logo pelos pais de Harry, passando por Sirius e Dumbledore (que não espero ver regressar, ao contrário, por exemplo, de Gandalf), o que é certo é que foram apenas pequenos passos. Sempre se adivinhou que era preciso muito mais. Muito mais é então o que se espera do último livro, que deverá estar cá fora no ano que vem.

Ajuda divina


Moisés, famoso desde a abertura do Mar Vermelho, é o novo reforço do Sporting

Leitura recomendada

É da moda falar dos "erros" americanos, particularmente no Iraque e no Afeganistão. Como é evidente, terá havido "erros" no sentido em que sempre há erros quando se adopta um determinado curso político. Mais interessante é como, nesta perspectiva, os europeus ou as agências internacionais favoritas dos europeus (em especial a ONU) nunca cometem erros. É óbvio que quando não se faz nada também não se cometem erros.

Mas talvez se possa dizer qualquer coisa sobre outro tipo de "erros", nomeadamente os resultantes da inacção e da ineficácia. Vale a pena recordar alguns deles. Desde logo, o fracasso das negociações iranianas (...) o namoro com o "povo palestiniano", ultimamente entretido em lançar-se numa situação de pré-guerra civil. Sem esquecer a ineficácia da ONU no Ruanda, no Congo, no Darfur ou em Timor. Ou a sua corrupção, como no escândalo do programa "Petróleo por Comida". Para não mencionar outros casos que ocorreram bem dentro da Europa, como a Bósnia ou o Kosovo, onde sistematicamente foi necessário à última da hora chamar os americanos para se encontrar uma solução, por mais imperfeita que fosse.


Luciano, el Amaral, no DN de hoje (sublinhados meus)

quarta-feira, junho 28

Agora que isso da filantropia está na moda

Waldemar Kaminski, who quietly ran a food stand in Broadway Market for more than 50 years, has been revealed to be a self-made millionaire and philanthropist who anonymously gave millions to Buffalo charities and neighbors in need.

He died at home Wednesday night from complications of a long illness. He was 88.

(...)
He made his hidden fortune in the stock market, carefully investing his hard-earned money over the course of his lifetime. The sole luxury in his unadorned flat, situated directly above Kaminski Meats, was the computer that he used to track his investments.

The Buffalo News

Weirdo.

Jornalismo ou imaginação a mais?

A imprensa inglesa continua a praticar o seu passatempo preferido: inventar. Primeiro disseram que Mourinho aconselhou Ericksson a não utilizar Peter Crouch contra Portugal; agora lembraram-se de publicar uma suposta entrevista em que Pauleta terá dito que o guarda-redes inglês Paul Robinson é o elo mais fraco da selecção. Daí o ambiente tenso que se presenciou mesmo agora na conferência de imprensa, em que os jornalistas ingleses tiveram de indicar o local onde trabalhavam (jornalistas do "The Sun", por exemplo, foram silenciados). Scolari já venceu Ericksson por duas vezes, e sempre nos quartos de final. Lá diz o ditado que "não há duas sem três"...

Que bonito!

No Primeiro Jornal (SIC) de hoje, passou uma reportagem sobre um jovem empresário, que se lançou na aventura de criar o seu negócio depois de ter deixado o cargo de director comercial de uma empresa da indústria automóvel. Candidatou-se a um programa de apoio a jovens empresários e recebeu alguns fundos. Uma das cláusulas deste subsídio obrigava-o porém a criar novos postos de trabalho. O senhor tem tentado, mas não consegue, e está a ver que vai ter de devolver tudo. Entre os episódios passados contam-se frases como "ah, isto é muito trabalho, não dá" ou "estou a receber rendimento mínimo de 800 euros, não preciso de vir para trás de um balcão ganhar 500".

Depois da reportagem, nada melhor que uma outra notícia a dar conta da intenção do PCP e seus sindicatos se manifestarem por menos precaridade no trabalho e mais direitos e mais ajudas e tal.

terça-feira, junho 27

Admito

Desde que aprendi a usar as aspas que não quero outra coisa.

P.S. Estou de férias!

Os verdadeiros Campeões

Os "campeões nacionais" promovidos pelo Estado costumam ser justificados politicamente com argumentos de "concorrência internacional". Ou contestados porque promovem "concentração" nos mercados nacionais. Mas se os "campeões nacionais" são promovidos pelo Estado, não existe verdadeira Concorrência.

Pois é, António. Além disso, não é de todo expectável que uma empresa habituada a dominar o mercado doméstico sem grande esforço, crente no apoio do pai-Estado, consiga sobreviver num mercado competitivo e global. É um facto que os estudos mostram que as grandes companhias internacionais começaram por ser grandes dentro de portas. O tamanho conta, sim, mas não é condição suficiente. Para servir de algo, terá de ter sido conseguido à custa de boas práticas, inovação e competitividade, os verdadeiros factores-chave de qualquer sucesso internacional.

Assim, só depois de desenvolvida uma cultura organizacional de excelência e de mérito, assente na saudável pressão concorrencial interna, as empresas (verdadeiramente) campeãs conseguirão ir lá para fora e bater-se com as suas congéneres.

Serial Killer

Portugal tem o seu terceiro caso de ‘serial killer’. Depois do Zé Borrego e do Estripador de Lisboa, haverá agora o caso de um homem, acima de toda a suspeita (...) autarca, benfiquista e bom chefe de família.
Vem da História este hábito de portugueses, por si próprios ou instigados pelo poder, se arrogarem o direito de definir os critérios do bem e do mal, dos bons e dos maus costumes, da sã moral e da depravação, de julgar os outros e de, julgando, aplicarem a sua lei pelas próprias mãos.
O Zé Borrego matava homossexuais e o Estripador de Lisboa assassinava prostitutas. A confirmarem-se as suspeitas da Polícia, o novo ‘serial killer’ português será, como os anteriores, um moralista, um “dono da moral e dos bons costumes”.

De acordo com a definição de João Paulo Guerra, no DE de hoje, e usando alguma liberdade estilística, existem por aí muitos serial killers. E todos nós somos o seu alvo.

Para pessoal à procura de preços baixos

World Cup fans fail to lift local sex industry

BERLIN (Reuters) - The hordes of beer-swilling men who have descended on Germany for the World Cup are proving a disappointment for the host nation's sex workers, preferring to party in public rather than spend time with prostitutes.
(...)
"Business is pretty dead, even the regulars stay away because of all the crowds and the hype," said Leppert, who has been working as a dominatrix in Berlin for eight years.

Washington Post

A oferta é muita e a procura é aparentemente pouca. Já sabem.

segunda-feira, junho 26

IRC Pundits III

eu> quantas cadeiras fizeste?
SrAvante> 1
SrAvante> em 3
(...)
SrAvante> eu acho que o ensino superior deveria ser gratuito
SrAvante> sou contra às propinas

O restante da conversa desenvolveu-se com o SrAvante a explicar como a culpa era da Universidade e não dele e como achava injusto ser chamado de parasita.

Serviço Público

O que é necessário saber para ter melhor nota que a média nos exames nacionais de matemática, amanhã:

-A função derivada fornece a inclinação instantânea de f(x) em cada ponto x. Para a calcular basta consultar o formulário.

-A probabilidade de um evento é dado pela divisão do número de casos favoráveis sobre o número de casos possíveis.

-Se dependentes: P(A|B)= P(B e A)/P(B) Se independentes: P(A|B) = P(A) , P(A e B) = P(B)*P(A)

-Indeterminações de ∞-∞ resolvem-se calculando o limite do termo de maior grau, as de ∞/∞ resolvem-se escolhendo o termo de maior grau do numerador e do denominador, e as 0/0 resolvem-se-se factorizando o numerador e o denominador.

Podem-se dar ao trabalho de estudar trigonometria e números complexos, o que até nem é muito complicado, mas é opcional se o objectivo é simplesmente de passar e justificar os 3 anos que andaram a estudar matemática.

Agenda (26/06/06)

Harry Kewell, às 16h

Shevchenko, el matador às 20h


domingo, junho 25

Os verdadeiros heróis!


Grande jogo=)

Objecto do dia

sábado, junho 24

Flash

Só mesmo um serial-killer para substituir a Selecção Nacional na abertura dos telejornais...

Agenda (24/06/06)

Hoje começam os oitavos de final. Neste momento, encontram-se ainda 16 equipas em campo. A supremacia europeia continua a fazer-se sentir (10 equipas), seguida da América do Sul (2 equipas), da América do Norte e Centro (1 equipa), de África (1 equipa) e Oceânia (!) (1 equipa). Os asiáticos não conseguiram repetir a prestação conseguida há quatro anos e quedaram-se todos, embora com algumas exibições de nível, pela primeira fase.

Ljungberg, às 16h

Crespo, às 20h

sexta-feira, junho 23

RE:

A resposta ao comentário do meu desafiante segue abaixo.

I) "Preferências do consumidor? Eu pensava que o consumidor queria um medicamento o mais barato possivel (para quando a venda a vulso?) e atendimento (se necessário) por um profissional com competencias superiores (/flamebait) - não se verifica nem um nem outro."

Se a tua preferência é essa, muito bem, mas certamente existirá muita gente com preferências diferentes (não sejamos totalitários, vá lá!). Além disso, é muito mais fácil partir de um hipermercado a venda a vulso do que do lóbi farmaceutico - o responsável pelas embalagens de 2 237 428 comprimidos, mesmo que os tratamentos se façam com meia dúzia deles. O "técnico" da farmácia a que costumo ir apenas tem de trazer o medicamento que eu lhe pedi. Se eu pedir aconselhamento, ele dá-me um dos pré-definidos (Aspirina, Cêgripe, Brufen ou Mebocaína, conforme o sintoma e o stock em armazém). Seja como for, se as pessoas realmente exigirem um farmacêutico e não um técnico, asseguro-te que as grandes superficies o arranjam.

II) As grandes superficies não se encontram sempre na periferia (tens o caso do Barreiro) nem têm horários reduzidos! Além disso, certamente dará mais jeito a muita gente comprar o medicamento-para-as-dores-de-cabeça-que-acabou enquanto faz as compras do que ter de ir de propósito à procura da farmácia de serviço do fim de semana. Mesmo que não dê, aumenta a possibilidade de escolha, o que é sempre positivo. Já agora, certamente que ao serviço nocturno chegam maioritariamente pedidos de MSRM.

III) Nao disse que a autoridade fixou regras; elaborei uma conclusao geral onde afirmei que nenhuma deve fazê-lo. Seja como for, o Observatorio não é um autoridade fiscalizadora (ainda nem percebi muito bem o que é, embora a palavra tacho não seja desadequada, na minha opinião). Também não disse que os distribuidores manipulavam preços. Mas a ANF não adquiriu o controlo de um dos maiores distribuidores? Temos então um dos concorrentes a controlar a distribuição, numa altura em que a liberalização ainda está frágil.. Não me parece muito adequado..

V IV) A explicação para o benefício é muito simples: concorrência e consequente necessidade de maior adequação às expectativas dos consumidores (que são várias e variadas), de forma contínua. Sob pena de perdê-los. Esta liberalização peca por tardia e escassa, mas vai, penso, na direcção certa. Seja como for, gostava de ouvir os teus moldes.

Os contributos e as qualificações

A Lei da Procriação Medicamente Assistida foi aprovada pela maioria de esquerda no Parlamento há quase um mês (25 de Maio), tendo no entanto dado entrada na AR, na manhã desse mesmo dia, uma petição com 80 mil assinaturas a exigir um referendo. A polémica estalou e ontem Jaime Gama adiou a decisão sobre a mesma, enviando-a para a Comissão de Saúde. A lei, entretanto, já seguiu para Belém para ser promulgada. Por intermédio do Nuno Lourenço e do Jorge Ferreira cheguei a um curioso texto onde, além do atacar o referendo, a autora faz questão de afirmar que não faz sentido "manter ligado à máquina um projecto de referendo a uma lei que envolve questões científicas da maior complexidade, e que a esmagadoríssima maioria das pessoas não tem qualquer qualificação para avaliar".

Tive ocasião de abordar o assunto aqui, dando o meu pequeno contributo para o debate. Não possuo grande informação científica sobre o assunto (talvez a Sara possa dar uma ajudinha) mas penso que o cerne da questão prende-se com valores éticos. Seja como for, acho abominável que se use como argumento a ignorância do "zé povinho" para defender a inexistência de consultas populares. Se o povo não está informado, devem haver campanhas para tal. Os portugueses não procuram informação porque têm a consciência colectiva de que nada sabem - reminiscências do Estado Novo, tão bem perpretadas pela democracia de Abril - e de que ninguém lhes pede opinião a não ser no dia das eleições. Talvez a melhor campanha de informação passasse por fazer ver aos portugueses que devem ser eles a decidir o seu futuro.

Pode-se também argumentar que os deputados são eleitos para representar o povo e que por isso estão mandatados para aprovar as leis em seu nome. Correctíssimo. Porém, certamente que ninguém estará 100% de acordo com todas as posições de determinado partido, nomeadamente quando as propostas envolvem questões transversais, como é o caso da mesma. Tal situação não é um problema. É, pelo contrário, a consequência óbvia de desigualdade de opiniões entre indivíduos. Deverá ela ser aglutinada? Deverá o facto de eu concordar com todas menos uma das propostas do partido que elegi impedir-me de expressar o meu desacordo em relação à tal enésima medida, se a mesma sair fora do âmbito ideológico/político?

Na América, em dias de eleições, são dados cerca de vinte boletins de voto e apenas um se prende com o acto eleitoral. Os restantes dizem respeito a referendos, sobre as mais variadas coisas. Cá em Portugal, aquando de proposta semelhante, logo se insurgiram os do costume a afirmar que "os portugueses iriam misturar as coisas" e "votar no que o partido escolhido defendia". Não falo pelos outros, mas acho a minha opinião merece um pouco mais do que desprezo iluminista.

Agenda (23/06/06)

Xavi, às 15h

Gusev, às 15h

Ahn Jung-Hwan, às 20h

Adebayor, às 20h

quinta-feira, junho 22

Centros de Alto Rendimento - parte 1 - Introdução

Quem está ligado ao desporto, seja em que modalidade for, sabe que existem potências nessa modalidade. As primeiras potências de cada evento surgiram, muito provavelmente, de características fisicas de determinados povos ou raças, não tendo agora relevância para o tema. Como nasceram as novas potências ou como se mantiveram as antigas é o que se pergunta neste momento. Não surpreendentemente, os aficcionados do desporto “deitam as culpas” para certas instituições que apareceram ou que existiam nas “potências” – os Centros de Alto Rendimento.

Se olharmos para trás e ainda no presente, embora com menos relevo, vemos a ex-URSS e a China, por exemplo, com as faladas instituições. Afinal, o desporto sempre foi “um embaixador de uma nação no estrangeiro” e os atleta destes países participavam nuns Mundiais ou nos Jogos Olímpicos para ganhar, mostrando, deste modo, a sua superioridade. No presente vemos vários países europeus com o seu próprio sistema desportivo. Países como a Espanha, os Países Baixos ou a França, sem esquecer, já fora da Europa, os Estados Unidos, entre sistemas públicos e privados, ajustam-se, criando um nível de competitividade que deixa qualquer adepto em suspenso até se sagrar o campeão.

É no Jamor que Portugal tem o seu Centro de Alto Rendimento. É lá que treinam promessas do judo, do basquetebol, entre outras. É lá que treina a promessa Vanessa Fernandes, do triatlo. Surpreendentemente, apesar de estarem lá alguns dos futuros desportistas de alta competição portugueses, pouco se sabe e a informação disponível sobre este centro é escassa.

Para além deste, temos esse pequeno grande exemplo a Academia de Alcochete. Num país onde o futebol é o desporto-rei outra coisa não seria de esperar, pelo que temos um centro inteiramente dedicado a esta modalidade, a mais falada e mais vista do país. A Academia de Alcochete acolhe, tanto em sistema de internato como de externato, candidatos a futuras vedetas do mundo futebolístico. Estes jovens têm treinos bidiários e a sua escolaridade é adaptada à sua condição de atletas.

No entanto e sem desprimorar o que já existe em Portugal, talvez seja possível fazer um pouco mais. Por vezes nem tanto o apoio financeiro mas um apoio aos atletas que estudam e que necessitam de treinos bidiários, de modalidades que ainda não estão representadas no CAR. Atletas que trabalham, pois não podem viver do ar, e que treinam horas a fio para no final representarem Portugal.

Afinal, se outros países tiveram resultados será que podemos esperar o mesmo de Portugal?

Na próxima coluna: Centros de Alto Rendimento – parte 2 – Como, Porquê e Para Quê?

O todo e a parte

Desafiaram-me (a mim, "o defensor do mercado e da livre concorrência") a postar sobre os dados publicados pelo Observatório da Saúde. Dizem os mesmos que o efeito da liberalização das farmácias não se tem feito sentir e que, ao contrário do que seria de esperar, os preços dos medicamentos vendidos fora das farmácias estão cerca de 5% mais caros. A minha pergunta é simples, e daí? Para ficar mais bonito explicar melhor, entendi pôr isto por pontos:

1) A diminuição do preço não é o objectivo da concorrência. Poderá eventualmente ser uma consequência, mas não é inevitável, antes pelo contrário. A concorrência deve servir como um estímulo à contínua melhoria do serviço ao cliente. Nesta melhoria inclui-se, entre outros inúmeros factores, uma possível racionalização de custos, uma inovação tecnológica ou uma qualquer outra maneira de apresentar o produto a um preço mais baixo.

2) A concorrência e o mercado livre criam condições para que a oferta se veja obrigada a evoluir para abarcar o maior número de pacotes de necessidades e preferências, de modo a satisfazer o maior número possível de cidadãos. O pleno nunca é atingido (as preferências mudam, entre outras milhares coisas), nem tal coisa é desejável.

3) Não cabe a nenhuma autoridade fiscalizadora estabelecer regras com o objectivo de baixar preços, pelo que o Ministro só é merecdor de críticas por ter feito deste o principal pilar e motivo da reforma. Tal como referido acima, o mecanismo de preços é apenas uma parte (importante, é certo, mas não determinante) do processo de decisão dos consumidores e do seu bem estar, variando de indivíduo para indivíduo a ponderação a ele atribuída.

4) Qualquer autoridade fiscalizadora, se se realmente preocupar com o bem estar dos indivíduos, deverá, quer nas farmácias quer noutros mercados, criar condições para uma concorrência real e exercer, de forma firme e independente, actividades de regulação, única e exclusivamente como meio para assegurar a concorrência. O mercado encarregar-se-á do resto.

Como é que ninguém se lembrou disso antes?

Se Portugal é dos países mais dependentes do petróleo, a primeira solução não deveria logo ter passado por tentar encontrá-lo no nosso território?

Funcionário público do dia

Fico sempre um pouco mais contente quando interajo com um funcionário público eficiente e bem disposto. Ajuda-me a acreditar quem nem tudo está perdido. Hoje o impensável aconteceu na estação de correios do Terreiro do Paço, onde uma simpática senhora, que provavelmente nunca irá ler este post e cujo nome não consegui visualizar, exerceu a sua função de atendimento ao público de uma forma exemplar, repetidas vezes. Vai para ela o título de funcionária pública do dia ou, quem sabe, do mês.. Ou do ano.

Tributo



Exames.org – AEXAMES ou não há?

O projecto "Exames Nacionais e Acesso ao Ensino Superior" acompanha, pelo quinto ano consecutivo, o percurso dos estudantes de todo o país, constituindo uma referência para todos os alunos do Ensino Básico e do Secundário que realizam os exames nacionais e para todos aqueles que pretendem ingressar no Ensino Superior.

Fonte para milhares de estudantes, recurso de escolas e professores, referência ampla na web, o site www.exames.org constitui a face mais visível de um projecto de cariz voluntário começado em 2002. Este ano, com uma reestruturação a nível de imagem e de conteúdos, o site dá boas-vindas renovadas aos examinandos, mantendo a excelência e o rigor que têm sido a sua imagem de marca no passado.

O fórum, integrado no site, e o canal de IRC #exames, na PTnet constituem as ferramentas mais interactivas de apoio às dúvidas dos alunos e interessados ou o simples veículo de partilha de instrumentos de estudo e experiências comuns. É, por esta altura do ano, a «maior sala de estudo do país», com cerca de 10.000 visitas diárias.

Gerido por menos de duas dezenas de estudantes universitários «como se fosse uma empresa» (RTP, 26/06/2006), o projecto subsiste, assim, há 5 anos, sem qualquer tipo de interesse que não o bem comum. O projecto conta ainda com o reconhecimento e apoio de elementos de diversas estruturas responsáveis nestas áreas, nomeadamente de técnicos da Direcção-Geral do Ensino Superior, Gabinete de Avaliação Educacional e Júri Nacional de Exames.

O passo estrutural mais importante é o actual processo de criação da associação juvenil que representará o projecto – a AEXAMES, que permitirá o estabelecimento de parcerias e apoios importantes para a divulgação do projecto.

A primeira fase dos exames nacionais do Ensino Secundário iniciou-se esta semana e as avaliações irão decorrer durante os próximos dois meses. Portanto, a resposta é simples: AEXAMES sim senhor, e o projecto encarregar‑se‑á de apoiar e esclarecer todos aqueles que os vão realizar.


A equipa do Exames.org
22 de Junho de 2006

Agenda (22/06/06)

Nedved, às 15h

Boateng, às 15h

Adriano, às 20h

Bresciano, às 20h

quarta-feira, junho 21

Publicidade Institucional


Amanhã é dia de estreia da coluna Desporto aplicado à Economia, da autoria da Inês Joaquim. O primeiro texto será uma introdução à temática dos Centros de Alto Rendimento. Na(s) coluna(s) seguinte(s), o assunto será mais desenvolvido. Qualquer contributo pode ser enviado para o mail geral do blog. Assim sendo, já há mais uma razão para visitar o Telescópio à quinta.

Petição

Uma eurodeputada sueca lançou uma petição para se poupar 200 milhões de euros acabando com a itinerância do parlamento europeu entre Bruxelas e Estrasburgo.
It costs European taxpayers approximately 200 million euros a year to move the Parliament between Brussels/Belgium and Strasbourg/France. As a citizen of the European Union, I want the European Parliament to be located only in Brussels.

http://www.oneseat.eu/

É uma petição na internet, mas pode ser que funcione. É uma boa oportunidade para tentar poupar 200 milhões de euros e chatear os franceses.

Agenda (21/06/06)

Simão, o Grande, às 15h

Akwá, às 15h

Drogba, às 20h

Cocu, às 20h

Partidas dobradas

Parece que os indicadores de Maio sobre a execução orçamental apresentam alguns sinais de derrapagem nas despesas correntes. Nada que apoquente Teixeira dos Santos, pois as receitas estão a ter um comportamente melhor do que o esperado.

No fundo, gerir as contas do Estado é parecido com os exames de Contabilidade Financeira. Não importa muito o que metemos lá para o meio, o fundamental é no final termos o débito igual ao crédito ou, no caso das contas públicas, ter os custos não muito acima dos réditos. Para podermos apresentar tudo bonito, como se quer, ao professor. Ou, no caso de Teixeira dos Santos, ao comissário Almunia.

IRC Pundits II

SrJardim> olá!!!!
SrJardim> o que são vassos linfáticos, e o que é a linfa?
Eu> SrJardim, enuncia a equação de Slutsky e descreve-a
SrJardim> e tu enuncia a equação de nash e descreve-a
Eu> equação de nash?
Eu> nca ouvi falar
SrJardim> nunca??
SrJardim> LOL
SrJardim> a tua faculdade é mesmo excelente
SrJardim> sem dúvida nenhuma
Eu> queres-me explicar o que é então a equação de Nash?
SrJardim> achas?
SrJardim> tens que aprender por ti próprio!!
SrJardim> mas para falar a verdade não é equação
Eu> pois
SrJardim> é coeficiente
Eu> coeficiente?
Eu> lol
Eu> no máximo
Eu> seria equilibrio de nash
SrJardim> também há o coeficiente de nash
SrJardim> olha se calhar tinhas razão
SrJardim> é mesmo equilíbrio
SrJardim> diz aí o que é

[Pouco mais tarde, sem ninguém perguntar]
SrJardim> tive 15 valores a Economia Política atribuídos pelo Prof. Doutor Saldanha Sanches

terça-feira, junho 20

Ciudad de México, 21 de Junio, a las 5 de la tarde (GMT)


Agenda (20/06/06)

Carlos Tenorio, às 15h

Jelen, às 15h
Larsson, às 20h

Gamarra, às 20h

A Mona Lisa "deles"


Esta pintura, obra de Gustav Klimt, retrata Adele Bloch-Bauer e data de 1907. Foi roubada pelos nazis um ano antes da Grande Guerra e permaneceu durante 60 anos num museu de Viena. Depois de uma batalha jurídica internacional, os herdeiros da retratada recuperaram o quadro e venderam-no por cerca de 135 milhões de dólares, batendo o anterior recorde do quadro de Picasso (cerca de 85 milhões). Adele Bloch-Bauer, apelidada pelo museu de Lauder (onde o quadro ficará exposto) de "a nossa Mona Lisa", torna-se assim o quadro mais caro do Mundo. Convenhamos que a Gioconda é, apesar de tudo, bem mais bonita.

Facciosismo

O que faz a águia Vitória no programa da Fátima Lopes, dedicado ao Mundial e à Selecção?

segunda-feira, junho 19

À Luz do Microscópio

Inicia-se hoje a minha participação n’O Telescópio com a coluna À Luz do Microscópio (quem ler isto até pensa que sou uma apaixonada pela Histologia, o que não é propriamente o caso). É a primeira vez que escrevo um texto com dia marcado: não tenho por hábito escrever nas publicações da minha faculdade e o meu blog serve mais para parvoíces e catarse do que para escrever textos mais elaborados.

Uma vez que a educação tem sido o tema dos últimos dias, tanto nos blogs, como na imprensa, como nas mentes de milhares de jovens deste país, achei que seria interessante começar a minha colaboração com um texto sobre educação. Mas há um pequeno problema, a educação é demasiada vasta e complexa para ser abordado num só artigo e de ânimo leve. Há demasiados sub-temas que podem servir de tópico… E se falar de Bolonha? Bem, o tema já está tão batido que sobra pouco para dizer, especialmente quando muitas instituições ainda não definiram completamente o seu futuro (espero bem não dizer daqui a uns meses que Bolonha foi uma oportunidade desperdiçada mas, se calhar, estou a ser optimista). Também posso falar do Ensino da Saúde? Talvez seja melhor não, porque ainda começam a dizer que eu sou uma lobbyista (qualquer pessoa que não tenha uma visão demagógica do Ensino da Saúde é vista como tal) e mais uns quantos mimos geralmente bastante piores do que este. O Ensino Secundário português também daria um bom tema, não acham? Reformas sucessivas, as novelas das colocações dos professores, a falta de exigência (o exame nacional de Português no post abaixo é disso prova), as taxas de reprovação… Depois disto tudo, lembrei-me daquela história dos alunos portugueses “cabularem” muito.

Acho que qualquer pessoa que tenha andado no Ensino Superior (ou no Básico ou no Secundário) nos últimos anos sabe que existe plágio (há alguns anos, houve um ano na minha faculdade em que 75% dos trabalhos sobre um determinado tema foram plagiados e o ano inteiro responsabilizado), copianço e que as cábulas são rainhas. Mas porque será que o “cheating” está tão institucionalizado e não há ninguém que se oponha? Tenho de admitir que esta “ciência” me passa completamente ao lado: não a investigo, nem a utilizo e muito menos a percebo. Daí que me sinta curiosa.

Talvez seja o reflexo de uma sociedade demasiado relaxada e com alguma tendência para o “desenrascanço” em todas as situações. A verdade é que copiar não é visto como algo de errado (se alguém disser que roubou, a grande maioria das pessoas ficaria um pouco chocada, mas não o ficam com o uso das cábulas – é uma comparação um pouco extrema mas copiar não deixa de ser uma forma mais subtil de roubar) e quem copia até se gaba dos seus feitos e são vistos como “cool”.

De certa forma, a responsabilidade é de toda a sociedade devido à sua falta de seriedade no expoente máximo do “faz o que digo, mas não olhes para o que faço”, mas os principais culpados são os alunos e, em menor grau, os professores. Eu consigo ver num anfiteatro quem está a copiar, porque não consegue quem vigia os exames? Há histórias mirabolantes de alguém que está 3 filas atrás e do outro lado do anfiteatro conseguir copiar mesmo sem a colaboração de quem está à frente, ou de exames feitos em conjunto, ou de cábulas elaboradíssimas de pôr o James Bond de olhos em bico.

As instituições são também responsáveis. No ensino básico e secundário deveriam existir mais sanções a vários níveis (tanto académicos como disciplinares), porque é aí que tudo começa. Mas, ao nível do Ensino Superior, essas sanções deveriam ser verdadeiramente exemplares uma vez que são adultos e não crianças: os alunos apanhados a copiar ou a plagiar deveriam ser expulsos sem apelo nem agravo, à semelhança do que acontece noutros países. Porém, quem o faz continua alegremente a passar nos exames e ter boas notas nos trabalhos - com melhores resultados do que quem não copia em muitas situações.

Sem querer parecer o Velho do Restelo, não admira que estejamos aqui. As sociedades têm as elites que merecem e nada nesta sociedade parece mudar para uma cultura de meritocracia e de exigência. Enquanto assim for, teremos elites mal formadas a todos os níveis e um país mal formado a todos os níveis.

Alfabetismo em Portugal

As seguintes perguntas de suposta interpretação de um texto saíram num exame de Português:

1.1 A afirmação «Portugal foi verdadeiramente [...] o fim do mundo» (linhas 1 e 2) significa que, nos períodos históricos referidos - Antiguidade e Idade Média -, Portugal era um espaço
A. visto como um lugar terrível e ameaçador.
B. situado num dos limites do mundo conhecido.
C. envolvido permanentemente em desordens.
D. desprovido de quaisquer meios de comunicação.


1.2 A partir do século XV, a abertura de relações, por via marítima, com «diversas e longínquas regiões do mundo» (linha 18)
A. constitui um novo e grave factor de marginalização de Portugal na Europa.
B. deriva da intensificação das comunicações entre Portugal e o resto da Europa.
C. decorre da iniciativa dos grandes centros europeus situados além-Pirenéus.
D. resulta da acção de Portugal, dada a sua situação junto do oceano Atlântico.


1.3 O significado da expressão «não raras vezes» (linha 5) é
A. frequentemente
B. esporadicamente
C. muito raramente.
D. em nenhuma ocasião.


PERGUNTAS BÓNUS:
1. As perguntas acima saíram num exame
A. Do 4º ano.
B. Do 6º ano.
C. Do 9º ano.
D. Do 12º ano.

2. Quem é capaz de responder correctamente às perguntas não-bónus demonstra
A. que sabe ler ao nível da primária e tem um ou outro neurónio a funcionar.
B. que estudou intensamente, tendo inclusive decorado a frase mais longa do Memorial do Convento.
C. proficiência em Português ao nível exigível depois de 12 anos de estudo da disciplina.
D. que sabe copiar.

As respostas, por ordem: BDADA

"Direito aplicado à Economia"

Jorge Vasconcellos e Sá estrutura hoje, na sua coluna no DE, uma argumentação interessante sobre os "direitos adquiridos", usando o actual exemplo da Opel da Azambuja. Refere o colunista que "um direito só existe na prática quando alguém tem o correspondente dever", o que tem sentido. O pior, no caso da Opel, assim como de tantas outras fábricas encerradas ou em vias de encerrar, é que não se conseguem encontrar devedores para contrabalançar os direitos dos trabalhadores. Os responsáveis apontados são aqueles que "durante décadas após Abril lhes disseram [aos trabalhadores] "têm direitos" e os enganaram porque não há (...) quem deva passar o cheque".

Tudo isto faz sentido, mas os trabalhadores não percebem, não podem perceber, porque ninguém lhes explicou. Talvez fosse preferível fazê-lo, ao invés de acenar com pacotes de incentivos. Hoje, e cada vez mais, o peso desses instrumentos tende a diminuir e nenhum Governo (nenhum!) consegue verdadeiramente influenciar a estratégia de uma multinacional sem ficar a perder. Pelo que o caminho terá de ser outro.

IRC Pundits

Seria de esperar que a amostra da população que frequenta os fóruns e canais de IRC de política se destacasse do resto através conhecimento e interesse pelo assunto. Assumindo que a hipótese é verdadeira, é caso para ficar assustado com algumas passagens no canal #politica da PTnet. Alguns exemplos (nicks foram alterados para protecção dos intervenientes):

[SrJardim relativiza um muito sobrevalorizado evento histórico]

SrJardim> mas a verdade é que há uma grande vitimização da II Guerra Mundial...

[SrJardim filosofiza]
SrJardim> a verdade é que até o dinheiro tem um preço
SrJardim> porque o dinheiro é um fim em si mesmo

SrJardim> eu quero é socialistas de esquerda radical em assuntos sociais e de centro-centro-esquerda em assuntos económicos
SrJardim> mas com o objectivo claro de punir os ricos

SrJardim> a riqueza traz muita preversidade
SrJardim> e descontrola sociedade

[em discussão sobre os direitos de exploração de petróleo no mar de timor, SrJardim mostra quem manda]
SrJardim> isso sei eu
SrJardim> não estivesse eu em direito
SrJardim> e tivesse tido 15 em direito internacional público

[SrJardim volta a referenciar as suas credenciais académicas]
SrJardim> i had a 17 (SEVENTHEEN) in english

Eu> quem são os grandes pensadores do "centro" ?
SrJardim> Adam Smith

SrLigeiro> estive a ler umas cenas
SrLigeiro> se Portugal n conseguir sair da crise e nos afundarmos mais
SrLigeiro> a salvaçao pode estar num estado comunista
SrLigeiro> pah tipo o comunismo chines
SrLigeiro> tas a ver

SrLigeiro> achas que uma pessoa justa consegue ser rico?

SrJaques> precisamos de mais investimento em portugal
SrLigeiro> e que partido o faria
SrJaques?

[economia aplicada à culinária e a arte de partir bolos em 5 fatias]
SrNamek> A riqueza é um bolo, comes quatro fatias de cinco, alguém só come uma!

Agenda (19/06/06)


Johann Vogel, às 14h


Andreiy Shevchenko, às 17h


Fernando Torres, às 20h

domingo, junho 18

Publicidade Institucional


Amanhã, talvez por esta hora, é a estreia da coluna À Luz do Microscópio, da autoria da Sara Castro. Segunda sim segunda não, ou quem sabe segunda sim segunda sim, a Sara volta. Na dúvida, é melhor passar por cá todas as segundas.

Copianço e corrupção

Um amplo estudo da FEP, hoje notícia no DN, detectou uma "forte correlação" na "associação positiva entre os níveis de copianço de cada país e o índice de corrupção percebida". Esta é, a par da confirmação de outras hipóteses já testadas, a principal conclusão do working paper, presumível responsável pelo seu destaque na imprensa.

A página 34 do referido estudo possui, porém, uma frase que sublinha a existência de uma "non-linear significant relation between economics and business undergraduate cheating and countries’ CPI scores – countries that have both a very low (‘high perceived corruption’) and very high (‘highly transparent’) CPI score present relatively low levels of cheating in academia". Confuso?

Os autores fazem questão de notar que são os dados da Argentina e da Nigéria a produzir o desvio e avançam explicações individuais (na página 35, últimos parágrafos) para os resultados, apelidados de quite surprinsgly (página 16, última linha). Parcialidade?

Além disso, e como se não bastasse a desvalorização de certos dados para suportar as conclusões desejadas, as mesmas são retiradas de uma correlação com um R squared de 56%, o que é manifestamente baixo (gráfico da esquerda, sobre a "propensão a copiar"), não oferecendo grande confiança.
Numa tentativa de, quiçá, salvar a "honra do convento", foram acrescentados os dados sobre a "observação de colegas a copiar", que possuem uma correlação maior (71%). O problema é que aqui a tal "associação positiva" entre o copianço e a corrupção é muito (mas muito) menor, com os valores a serem tendencialmente elevados em quase todos os países (gráfico da direita).

Posto tudo isto, nota baixa para o paper, assim como para os jornalistas que lhe dão notoriedade sem sequer o lerem.

Agenda (18/06/06)


Prso, às 14h


Kaka, às 17h

Park Ji-Sung, às 20h

sábado, junho 17

Fazer Oposição

O líder do PSD, Marques Mendes, reclamou esta sexta-feira apoios estatais aos agricultores com danos causados pelo mau tempo dos últimos dias e acusou o ministro de ter «ressentimento» para com as associações do sector.

Fonte

O PS é mais liberal que o PSD?

Boas notícias no Basquetebol

Parece que João Gomes, nascido em Cabo-Verde e naturalizado português, está no bom caminho para ir ao draft da NBA em 2007. O jogador de 21 anos do Barreirense (where else? :) ), participou no Reebok EuroCamp, «um dos mais conceituados campos da Europa onde as principais equipas norte-americanas e europeias realizam o seu “scounting”», segundo O Jogo, e foi considerado um dos 5 melhores por um jornalista da ESPN que o descreve assim:

«Gomes is another very raw kid to watch. He's got great size, a good body, long arms and above-average athleticism. He's very raw when it comes to playing skills at the moment, but he was unanimously mentioned by the camp staff as a kid who could have a bright future, a la Marcus Vinicius if he continues to fill out and develop his game.» (vem na ESPN Insider, não disponivel para os comuns mortais.)

Entusiástico, O Jogo considera que o João Gomes «tem grandes possibilidades de ser escolhido para o draft da NBA» de 2007.

Agenda (17/06/06)


Figo, às 14h (Vamos a eles!)


Rosicky, às 17h



Luca Toni, às 20h

Língua comum


Ontem, no café, foi belo de se ver toda a gente a puxar por Angola, a torcer para que cada contra-ataque do Ze Calanga (atenção a este rapaz!) desse golo, para que o Akwá rematasse à baliza ou para que os ataques do México fossem travados pelo guarda-redes João Ricardo. Ainda houve tempo para festejar a entrada do Mantorras, que esteve apagado. No final, um pequeno aplauso de regozijo pelo pontinho conquistado... e pelos dois retirados ao México.

Azares da vida

32,4% dos jogadores presentes no Mundial nasceram nos primeiros três meses do ano, 25,2% nasceu entre Abril e Junho, 21,5% entre Julho e Setembro e apenas 21% nos ultimos três meses do ano. Coincidência? Os autores do Freakonomics acham que não.

Os jogadores durante a sua formação são agrupados por escalões com base no ano de nascimento. O argumento é que os jovens nascidos nos primeiros meses do ano vão ter tendencialmente uma maior maturidade que os que nasceram nos ultimos meses o que se pode traduzir numa vantagem significativa. Assim, os jogadores uns meses mais velhos vão ser em média melhores que os mais novos e por isso receberão mais atenção dos treinadores e terão maior confiança.

Poderão pensar que uns meses não farão assim tanta diferença, mas as dúvidas desaparecem ao analisar a distribuição por meses dos jogadores no Mundial de sub-20 e sub-17 em 1989. Por esta altura o critério dos escalões era diferente: ficavam no mesmo ano aqueles nascidos entre Agosto de um ano e Julho do seguinte.

Tirado de http://www.socialproblemindex.ualberta.ca/relage.htm

Como devem imaginar, isto não acontece só no futebol ou no desporto em geral. Acontece também no ensino e com efeitos semelhantes, como podem verificar aqui. Os alunos mais velhos têm em média maior auto-estima que os alunos mais novos da mesma turma e têm menor probabilidade de se suicidarem, quer durante a juventude, quer em idade adulta.

Sinto-me, portanto, injustiçado. Nasci na segunda metade de Dezembro. Posso muito bem ter passado ao lado de uma lendária carreira no futebol porque apeteceu às instituições que regem o desporto definir assim os escalões. Acho que merecia, sei lá, um subsidiozinho. Já vi o Estado distribuí-los por muito menos.