domingo, abril 30

Velhos tempos, ou a liberdade perdida*

De acordo com os reguladores e burocratas de hoje, todos nós que nascemos nos anos 60, 70 e princípio de 80 não devíamos ter sobrevivido até hoje, porque as nossas caminhas de bebé eram pintadas com cores bonitas em tinta à base de chumbo que nós muitas vezes lambíamos e mordíamos. Não tínhamos frascos de medicamento com tampas "à prova de crianças" ou fechos nos armários e podíamos brincar com as panelas. Quando andávamos de bicicleta, não usávamos capacetes. Quando éramos pequenos viajávamos em carros sem cintos e airbags - viajar à frente era um bónus.

Bebíamos água da mangueira do jardim e não da garrafa e sabia bem. Comíamos batatas fritas, pão com manteiga e bebíamos gasosa com açúcar, mas nunca engordávamos porque estávamos sempre a brincar lá fora. Partilhávamos garrafas e copos com os amigos e nunca morremos disso. Passávamos horas a fazer carrinhos de rolamentos e depois andávamos a grande velocidade pelo monte abaixo, para só depois nos lembrarmos que esquecemos de montar uns travões. Depois de acabarmos num silvado aprendíamos.

Saímos de casa de manhã e brincávamos o dia todo, desde que estivéssemos em casa antes de escurecer. Estávamos incontactáveis e ninguém se importava com isso. Não tínhamos PlayStation, XBox. Nada de 40 canais de televisão, jogos de vídeo, home cinema, telemóveis,computadores, DVD, Chat na Internet. Tínhamos amigos e se os quiséssemos encontrar íamos á rua. Jogávamos ao elástico e à barra e à bola, até doía! Caíamos das arvores, cortávamo-nos, e até partíamos ossos mas sempre sem processos em tribunal. Havia lutas com punhos mas sem sermos processados. Batíamos às portas de vizinhos e fugíamos e tínhamos mesmo medo de sermos apanhados. Íamos a pé para casa dos amigos. Acreditem ou não, íamos a pé para a escola; não esperávamos que a mamã ou o papá nos levassem. Criávamos jogos com paus e bolas. Se infringíssemos a lei era impensável os nossos pais nos safarem, pois eles estavam do lado da lei.

Esta geração produziu os melhores inventores e desenrascados de sempre. Os últimos 50 anos têm sido uma explosão de inovação e ideias novas. Tínhamos liberdade, fracasso, sucesso e responsabilidade e aprendemos a lidar com tudo. És um deles? Parabéns!

Passa esta mensagem a outros que tiveram a sorte de crescer como verdadeiras crianças, antes dos advogados e governos regularem as nossas vidas, "para nosso bem". Para todos os outros que não têm idade suficiente pensei que gostassem de ler acerca de nós.

*recebido por e-mail

sábado, abril 29

Champions Again


Nada melhor do que uma vitória por 3-0 frente ao grande rival para festejar o título. O United foi o único que conseguiu morder os calcanhares à equipa de Iosé. Um grande jogo, com bons golos (a cavalgada de Ricardo Carvalho, desde a sua área até ao remate que deu o terceiro golo, é absolutamente fantástica!), que levou à consagração dos blues.
---------------------------------------

Nota: Inglaterra é, sem dúvida, dos países menos burocratizados do Mundo. O Chelsea ganha o jogo, sagra-se campeão e dez minutos depois está montado o palco da festa e a taça e as medalhas são entregues a quem de direito. Very impressing.

Nota II: O cachecol nacional que Mourinho colocou, enquanto andava pelo relvado a festejar. Orgulho lusitano: alguém que não esquece a casa de onde veio.

Nota III: A festa dos adeptos, os cânticos, as mensagens, o carinho para com os jogadores e equipa técnica. Só não percebo porque é que não invadiram o relvado para os despir!

Publicidade Institucional


A Frize limão-cola pode parecer meio esquisita quando comparada com as suas antecessoras limão, tangerina, ananás ou mesmo morango. Nomeadamente, no que toca ao sabor e à sensação de frescura. É verdade. Mas façam como eu fiz e experimentem bebê-la a uma refeição. É que é do outro mundo!

sexta-feira, abril 28

Road to Bolonha


Texto sobre o processo de Bolonha e as suas grandes apostas. Sem esquecer os males que podem decorrer da sua deficiente interpretação e aplicação.

Publicado há dois dias no
Diário do Barreiro. Arquivado, como é costume, na Torre.

Deja vu

Scolari dá um murro na mesa e diz que não vai treinar a Inglaterra. Tal como há dois anos atrás, antes do início do Euro, surgem rumores que colocam Scolari numa posição desconfortável. Hoje, como há dois anos atrás, Scolari decide rejeitar um possível entendimento para preservar a estabilidade do plantel nacional.

É perfeitamente normal os contratos entre seleccionadores e Federações serem feitos para terminar após uma das duas grandes competições internacionais. Chama-se bom senso. Também é mais do que normal que, algum tempo antes, clubes e selecções comecem a definir os seus futuros líderes. As movimentações surgem sempre: os contactos, as sondagens, os convites. A época tem de ser preparada com antecedência, quer para os clubes (que começam a época em Julho) quer para as selecções (que em Setembro iniciam as qualificações). Normais não são, porém, as acusações e os ataques que imediatamente assolam o seleccionador, como se este não fosse livre de negociar com quem quiser.

Mais uma vez, por Portugal, Scolari perde uma oportunidade de abraçar um novo desafio. Desafios que só são propostos a quem é realmente bom.

A História nunca falha

Timor, símbolo da auto-determinação dos povos, baluarte da liberdade da gente da terra e exemplo de descolonização tardia, controlada e com futuro, está a começar a descambar. Quando os militares começam a ficar insatisfeitos está dado o primeiro passo para o golpe militar ou para o princípio de guerra civil.

É triste e até pode ser desolador, mas é verdade. Sozinhos, a maioria dos povos não ocidentais não consegue, sem ajuda ou intervenção internacional, descobrir o caminho democrático, ao não conseguir fortalecer e credibilizar as instituições. Aqui apenas fica mais um exemplo.

Bom dia!

São 7.58 da manhã e já se deve chegar quase aos 20º. Vem aí mais um dia de praia. Areia, água e sol. Tudo isto numa sala cheia de computadores.

quarta-feira, abril 26

Análise a frio

Dia seguinte, e após a reacção a quente, constata-se que, além do cravo, pouca coisa mudou nestas andanças de comemorações abrilescas.

O Presidente fala. Conseguiu surpreender e, embora com tiques colectivistas (afinal de contas, Cavaco é um social de mocrata), escolheu um tema que, agora, parece adequado a toda a gente. Tanto, que o debate mensal já o tem como tema.
A extrema esquerda não bate palmas.

O Governo diz que o Presidente apoiou a política do Governo. Que a legitimou e disse aos críticos que, afinal, aquela coisa da cooperaçao estratégica era mesmo a valer.
A extrema-esquerda não bate palmas.

A oposição de direita diz que está disposta a colaborar e que não é por ela que a colaboração não existe já. Estão disponíveis para consensos alargados e pactos de regime, e acham muito bem que o senhor Presidente se preocupe com o dito assunto. Ah, e pareceu-lhes ouvir um pequeno raspanete ao Primeiro Ministro.
A extrema-esquerda não bate palmas.

Em Abril nada de novo.

Momento

Colocar o discman no random e deixar rodar. Podemos conhecer todas as 20 músicas que gravámos de cor, mas nunca sabemos qual a que vem a seguir.
E cada vez que a música está a acabar é imaginar qual será a próxima, é apostar que é esta, é pensar que era bom que fosse aquela. E quando começa e é mesmo aquela que queríamos, é fechar os olhos, é cantar, é olhar o céu.

20 anos

terça-feira, abril 25

Luto municipal

O presidente da Câmara Municipal de Lisboa decretou, esta terça-feira, dois dias de luto nacional na sequência da morte ocorrida às primeiras horas de hoje do presidente da Junta de Freguesia da Pena.

Armando Luís Coelho da Silva, de 64 anos, encontrava-se internado no Hospital de S. José desde 20 de Abril em coma, dia em que foi agredido com um martelo por um imigrante senegalês, trabalhador da autarquia.

Vamos chegar à Alemanha!


Vamos mostrar o nosso apoio à selecção nacional! A acção Cordão Humano consiste na criação virtual de uma corrente de GALPI's (personagem virtual), que simbolize um "cordão humano" de Portugal à Alemanha, num total de 1270 km virtuais. Para participar é só ir a http://www.cordaohumano.com/. Veremos se se consegue recriar o espírito do Euro 2004.

Reacção a quente

O discurso de Cavaco Silva assustou os homens da extrema-esquerda. Tanto, que nem conseguiram bater palmas. Sem cravo (ah! Grande homem!), preferiu centrar as atenções na exclusão social, falando de um "Portugal a duas velocidades". Propôs um compromisso alargado, dizendo que estava na altura de definir prioridades: o eterno combate ideológico ou a acção no que é consensual.

Embora neste caso a acção consensual seja algo urgente, talvez a ideologia possa ser um bom meio de discussão para decidir que meios usar para a perpretar. Acredito que, exceptuando os extremistas da nossa quadratura, todos queiramos uma sociedade mais justa e equitativa. Porém, quando se desce ao terreno, quando se discutem caminhos e medidas concretas, nem dentro de cada grupo parlamentar encontraremos consensos. Se aceitarmos este facto, somos forçados a concluir que, afinal, apenas o problema da exclusão social é consensual. A solução para o mesmo é, pelo contrário, passível de gerar fracturas e discussões bem acaloradas. Discussões onde as ideologias serão a base argumentativa para a tomada de posição. Discussões de onde, espera-se, nasça alguma luz.

P.S. Ressalvo ainda a pergunta marcante do discurso. "A criança do cartaz [no post anterior](...) como terá ela crescido?"

25 de Abril


32 anos sobre a revolução, 31 anos sobre as eleições para a Constituinte, 30 anos sobre a entrada em vigor da Constituição.

segunda-feira, abril 24

Efeméride

Há uns anos atrás, por esta hora, os capitães andavam nervosos. Já estava em marcha o plano que iria acabar com a guerra em África e livrar os militares de um verdadeiro inferno. De uma guerra para a qual não estavam preparados. De humilhações várias como a questão dos quadros permanentes, da equivalência de carreiras para suprir a falta de militares; dos cortes nas remunerações; dos confrontos de Marcello com as chefias (nomeadamente com Spínola), e por aí fora.

Ou, como fazem questão de dizer os livros de História, para derrubar a ditadura em Portugal.

OPizzA

Ibersol lança oferta pública de aquisição sobre a Telepizza

Um conjunto de sociedades controladas directa ou indirectamente pela portuguesa Ibersol, que detém as insígnias Pizza Hut, Pans & Company, Pasta Caffé e Kentucky Fried Chiken, ofereceu 2.25 euros por acção da Telepizza. Apesar de louvável, esta oferta não deverá ter sucesso, pelo menos a estre preço. Como refere o DN, esta já é a terceira OPA lançada sobre a empresa. A segunda, embora ainda não aprovada, comporta um preço de 2.4 euros por acção.

Assim, esta ofensiva integra-se provavelmente num contexto estratégico de posicionamento, como que dizendo presente, enquanto se espera pela resposta da CMVM espanhola à citada OPA, protagonizada pela Food Service Project. O mercado espanhol foi, diz o DE, surpreendido. Tido como um grande passo para consolidar a presença no estratégico mercado do país vizinho, é agora de esperar que a Ibersol suba a parada com vista a ganhar a guerra.

O vício dos tempos modernos

Ligar a Internet, abrir o Explorer e ir imediatamente ao Dolo Eventual ver se há novos casos para resolver ou propostas de resolução dos casos antigos.

domingo, abril 23

Telepathy (II)

(continuação do post anterior)

Mas afinal, o que tem o jogo de fantástico? O acto de escolher as palavras. Não podemos apenas escrever palavras que a figura nos recorde, sob pena de só avançarmos quando temos a nossa vez. Quando não a temos, há-que tentar escrever palavras que achamos que quem tem a vez vai escrever, dado o objectivo passar por ter palavras em comum. O que significa que a abordagem à figura e aos possíveis caminhos de interpretação tem de diferir consoante quem tem a vez.

Quando temos a vez, e ao contrário do que se esperaria, tal necessidade não muda. Apesar de irmos decerto avançar, o número de casas depende das palavras em comum, pelo que é de todo desejável ter várias palavras em comum com alguém. Assim, sempre que estamos a escrever palavras, estamos a pensar não no que a imagem nos faz lembrar, mas sim no que a imagem faz lembrar aos outros. Agora imagine-se todos a fazerem a mesma coisa, ao mesmo tempo. É um jogo de expectativa imenso, uma ponderação entre o que o adversário irá colocar por se lembrar ou por pensar que outros vão colocar. O minuto é vivido numa viagem à mente dos outros, ao mesmo tempo que se é visitado. Telepaticamente.

Telepathy

O jogo Telepathy é um dos mais fantástico que existe. Para quem não conhece, é um jogo de tabuleiro que inclui, além do tabuleiro, umas duas centenas de cartões com imagens. O objectivo é, como na maioria dos jogos, chegar ao fim em primeiro lugar. Neste, porém, a maneira de o conseguir não envolve dados.

Joga-se à vez. Na vez de cada jogador é virado um cartão e conta-se um minuto. Durante esse minuto, todos os jogadores têm de escrever palavras que lhes sejam recordadas pela imagem. Terminado o minuto, o jogador que tem a vez lê em voz alta todas as palavras que escreveu e os restantes apontam quantas palavras têm em comum. No final, o jogador que tem a vez e o jogador com mais palavras em comum com ele avançam no tabuleiro, tantas casas quanto as palavras em comum. Os restantes não avançam. A vez passa e assim continua*

*Alguns pormenores foram omitidos e devem ser conhecidos para jogar correctamente. Não são, porém, necessários para a compreensão da ideia-base do jogo.

(continua)

Serviço público

A 2: tem transmitido de segunda a sexta vários documentários sobre o verão quente de 1975. Intitulados retratos do verão quente, são relatos bastante interessantes para todos os interessados em conhecer e perceber melhor esse periodo conturbado da nossa história. Daí que a sua passagem às 00h50 seja um autêntico absurdo. Só há dois dias, por ser sexta, tive oportunidade de ver o programa.

Na sexta, entre outros episódios, mostraram-se imagens do cerco à Constituinte por operários da construção civil, no dia 12 de Novembro de 1975. Apoiados por pessoas armadas, quais milícias, e com a completa passividade da polícia militar. Chegou a haver partilha de mantimentos entre as autoridades e os manifestantes! Além da tentativa de alimentar os deputados do PCP (e só estes)!

Os deputados, sitiados, só saíram no dia seguinte, por uma pequena ala aberta pelos manifestantes. Agitados, brandiam ferramentas pesadas e ameaçavam os deputados. Excepto, claro está, os do PCP. Que saíram, por entre aplausos, sorridentes, de punho fechado, a "saudar sabe-se lá quem", como escreveu Medeiros Ferreira. Ainda hoje não percebo o porquê da não ilegalização do Partido Comunista naquele preciso momento.

sábado, abril 22

Correio para o Além

(clicar para aumentar)

All i know, all I know, love will save the day..

Des'ree - You gotta be
.
.
You gotta be
You gotta be bad
You gotta be bold
You gotta be wiser
You gotta be hard
You gotta be tough
You gotta be stronger
You gotta be cool
You gotta be calm
You gotta stick together
All I know all I know love will save the day
.
Dedicado à malta do Lisboa e os Amigos

Defesa agressiva


A nova campanha do BPI, intitulada ganhe como nós, envolve, além dos anúncios de TV, rádio, imprensa, a colocação de mupis. Assim, em 92.4% dos espaços publicitários das paragens de autocarro, 89.1% dos espaços publicitários da via pública elevados, 91.7% dos espaços publicitários da via pública não-elevados e 87.2% dos espaços publicitários do Metro e comboio podemos ver uma destas caras, de gabardine (sim, é a imitar o José Mourinho), sorridentes com os ganhos que os fundos BPI lhes dão.
Isto tudo por causa da OPA do BCP?

Saldanha Residence

Ontem dei um salto até ao Saldanha Residence para falar com os mentores do MLS. Não foi tempo perdido. Conheci pessoalmente o Miguel Duarte e, com ele e com outro senhor, professor de Direito, mantive uma conversa profícua. Trouxe ainda umas brochuras de apresentação do movimento (tenho aqui uma para ti, Gonçalo).

Discutiu-se o financiamento do ensino, da saúde, o voto, o trânsito em Lisboa, as funções do Estado e por aí fora. Fiquei ainda a saber que o social no nome não pretende amenizar o "demoníaco" liberal. Serve, segundo o Miguel, para reforçar a tónica liberal não só na economia mas também nas liberdades individuais e sociais. Confuso, mas acho que se percebe a ideia. Na minha opinião (e na do Miguel, segundo me pareceu com a continuação da conversa), o social tem boa intenção mas acaba por estragar o sentido.

Em geral, a ideia que me ficou de todo o encontro foi a de que o movimento ainda tem um longo caminho a percorrer. O que não me deixou de surpreender, dada a dinâmica que o site e o blog possuem, os encontros já realizados, as participações internacionais e ainda, pelo que me deu a parecer, os apoios existentes (financeiros, logísticos e de simpatia). Embora compreendendo a posição confortável da possibilidade de criar um novo partido (que poderia conseguir, seguindo a estratégia Bloco, aspirar a alguma coisa), penso que gente desta com estas ideias faria mais dentro de estruturas já montadas. Influenciando-as; melhorando-as.

P.S. - Não sei se foi por me ter dado a conhecer pessoalmente e ter causado alguma desilusão, mas o que é certo é que O Telescópio foi retirado da lista de links do blog Liberal-Social.

quinta-feira, abril 20

Para que nunca mais votes em branco!

Não creio que nos dias de hoje seja possível surgir um novo partido político que consiga crescer de forma sustentada e rivalizar com os grandes partidos nacionais. O número de tentativas frustradas é grande, umas vezes por falta de conteúdo e clareza de ideias e dificuldade de publicitar a sua imagem, outras vezes pela dificuldade de levar as pessoas a aderirem a um novo projecto.

Ainda assim, destaco um novo movimento político que aspira ser partido. Intitulado Movimento Social Liberal, surgiu nas ruas de Lisboa e pretende cruzar causas da esquerda e da direita. Nas palavras do seu presidente, Miguel Duarte, “Não nos identificamos com nenhum partido político existente em Portugal. Somos mais liberais que o PS, sobretudo a nível de liberdades individuais (...). Discordamos do BE a nível da política económica e achamos que se a do BE fosse posta em prática era o caos. Estamos mais à direita que o PCP, somos mesmo o oposto, além de sermos muito europeístas. Consideramos o PSD e o CDS muito conservadores e o PND o mais conservador”. A maioria dos activistas está na casa dos vinte, trinta anos, sendo que todo o movimento começou com uma troca de emails na internet.

Das causas que defendem irei salientar apenas algumas, mas toda a informação pode ser obtida em http://www.liberal-social.org/. Aqui vão algumas:

- Redução do peso do Estado na economia e rigor nas contas públicas;

- Legalização da eutanásia e das drogas leves;

- Regulamentação da prostituição;

- Simplificação do modelo tributário;

- Legalização do casamento entre homossexuais e do aborto até às 12 semanas;

- Cuidados básicos de saúde acessíveis a todos, etc.

Para finalizar, saliente-se o mote escolhido: “Para que nunca mais tenhas que votar em branco”

O surgimento destes movimentos demonstra a preocupação pela vida democrática em Portugal da parte de alguns, e mesmo que não tenham sucesso, aplauda-se a iniciativa de tentar mudar as coisas.

Teoria do Produtor

Na lista das 25 melhores empresas para trabalhar, publicada na Dia D de quarta-feira, é frequentemente apontado, na análise das empresas, a "não distribuição de lucros" pelos trabalhadores como um ponto fraco da empresa.

O conceito de partilha dos lucros com os trabalhadores é bem antigo. Assenta no pressuposto de que se os trabalhadores percepcionarem que são tão mais recompensados quanto melhor é o desempenho da empresa, provavelmente estarão dispostos a contribuir mais para que tal aconteça. Nada mais verdade.

Porém, daqui até à partilha dos lucros vai uma enorme distância. Como se sabe, a cada um dos agentes económicos cabe uma remuneração. Se a renda é a remuneração devida aos donos da terra e o juro aos do capital, o salário é o devido aos trabalhadores. Quem paga tudo isto? O lucro. Assim sendo, parte dos lucros, já é para os trabalhadores. Somente o restante (o lucro limpo), chega ao dono da empresa, ao empreendedor, ao empresário, ao investidor. Dever-se-á retirar ao responsável pela existência de toda a estrutura produtiva mais uma parte da sua (justa) remuneração? Não creio.

O pressuposto anterior poderá ser cumprido na mesma se criados os incentivos certos. Prémios por objectivos individuais e colectivos, respectivamente distribuídos pelo trabalhador de forma diferenciada ou divididos irmamente por todos. Extras, comparticipações, fringe benefits ou, no limite, incentivos à compra de acções. A verificar-se esta última acção então aí sim, como donos da empresa, os trabalhadores teriam direito a mais uma justa remuneração: o lucro, limpo.

A frase

"O único país europeu onde é possível entrar, participar num qualquer concurso público e ganhar, sem quaisquer outros problemas, é no Reino Unido. De resto, é só proteccionismo."

António Câmara, CEO da YDreams

quarta-feira, abril 19

Um grande aplauso

“Um aplauso para aquele que deixou tudo para abrir um bar na praia”

Um aplauso para aqueles que, contra tudo e contra todos, seguiram em frente sem olhar para trás.
(...)
Um aplauso para quem, não sabendo a letra, canta na mesma.
Um aplauso para quem, vendo chover, sai para a rua em vez de ficar na cama.
Um aplauso para quem, não sabendo que era impossível, foi lá e fez.
---------------------------------------------
Um grande aplauso para este post do amigo Jota, no Lisboa e os Amigos.

Memória presente


Tal como disse ontem, hoje fiz questão de passar pelo Rossio, lá pelas 3 da tarde. Tive a companhia do Gonçalo. Não acendemos nenhuma vela pois, além de estar uma enorme ventania, não encontrámos nenhuma pelo caminho. Não deixámos, porém, de vir a conversar sobre o acontecimento.

O Gonçalo disse-me que não conhecia bem a história. Eu lembrava-me dela de modo fugaz, de uma qualquer aula de História do 11º Ano, embora com poucos pormenores. Se não fosse o Nuno Guerreiro, no seu blogue, a recordar este assunto, estaríamos provavelmente a passar sobre este dia sem um único pensamento, uma única reflexão, uma única homenagem. Ainda bem que assim não é.

terça-feira, abril 18

A matança de Lisboa (1506-2006) (II)

(continuação do post anterior)

Fruto deste incidente, cuja notícia correu o país, os judeus iniciaram a sua fuga de Portugal. Em poucos anos, nomeadamente até 1536 (data de estabelecimento da Inquisição), parte importante da elite nacional emigrou para terras mais liberais. Entre esta estavam por exemplo os pais de Bento Espinosa, um dos mais importantes filósofos de sempre. Nestes quatro dias, Portugal rompeu com parte importante do seu futuro. Com uma parte de muito boa qualidade: astrónomos, matemáticos, homens de leis. Todos trocados pelo fanatismo religioso. A intolerância nunca levou a lado nenhum. O fanatismo e o radicalismo não são bons conselheiros. A religião, permitam-me o abuso, foi e será a mais provável causa da destruição da Paz.

Tenho acompanhado com interesse toda a informação que o Nuno Guerreiro tem disponibilizado sobre a efeméride no Rua da Judiária. Amanhã, respondendo ao seu apelo, vou dar um salto ao Rossio. E se encontrar uma vela pelo caminho, não deixarei de a acender e lá deixar. Não tenciono pedir desculpa nem meditar, de uma forma um pouco egoísta, sobre as consequências do episódio acima mencionadas.

Vou lá para homenagear pessoas, juntando o meu gesto contra o esquecimento. Homenageio pessoas que foram mortas por simplesmente acreditarem noutro Deus, ou por não acreditarem em nenhum, ou por simplesmente não se submeterem ao antigo (e actual) discurso manipulador da Igreja Católica. Vou lá como defensor da tolerância e a convivência entre os povos. Como defensor do predomínio da consciência sobre a religião.

[revisto 22.20]

A matança de Lisboa (1506-2006) (I)

Há quem diga que Portugal está em crise há 200 anos, desde que deixaram de chegar à metrópole os carregamentos de ouro do Brasil. Eu arriscaria a ir mais longe. A crise nacional pode ter começado há 500 anos, decorrente das consequências daqueles três dias sangrentos de Abril de 1506. No dia 19 de Abril, há 500 anos atrás, experimentava-se um periodo de seca e fome, de peste e morte. Como sempre acontece nestas ocasiões, os ódios e as raivas andavam à solta pelo país. Vivia-se uma época de intolerância religiosa, com as conversões forçadas de judeus ao Cristianismo (os chamados cristãos-novos) ainda frescas na memória.

Rezam as crónicas da época, com algumas diferenças de pormenor, que se clamou milagre numa Igreja de Lisboa, ao se ver iluminada a face de Cristo na cruz. No dia ou alguns dias depois, parece que um cristão novo teve a imprudência de dizer que tudo lhe parecia ilusão; que tal impressão era um efeito de luz. Perante a excitação, e incitados pelos frades, a multidão arrastou o homem para a rua e logo ali o matou, por entre gritos de heresia. Não satisfeitos, e com os frades à cabeça, levantando a cruz, lançaram-se pelas ruas de Lisboa matando cada cristão novo que encontravam, assaltando-lhes as casas e roubando-lhes os bens. Conta-se que nos quatro dias seguintes foram assassinadas perto de quatro mil pessoas.

(continua)

Dois pesos

Hoje a minha irmã teve apenas duas das seis aulas que devia ter. Imagino o alarido que haveria se em vez de professores tivessem sido os deputados a faltar às suas obrigações. É que se os plenários servem para quase nada, as aulas servem para muito.

segunda-feira, abril 17

Morangos sem açúcar

Hoje ainda apanhei um bocadinho dos Morangos. Não é a mesma coisa.

Equilíbrio do Terror

O Irão tenta impedir o bombardeamento das suas instalações nucleares através de ameaças de retaliação. Numa reedição da estratégia americana no decorrer da Guerra Fria, Teerão tenta fazer crer que, caso o ataque seja desencandeado, a resposta poderá ser tão devastadora que suplantará o benefício do mesmo.

Esta aplicação da teoria dos jogos, ramo tão controverso como admirado da economia, surtiu efeito no passado. Porque ambas acreditavam no poderio alheio. Aqui reside o fulcro da questão. A ameaça dissuasora apenas tem efeito se houver fortes razões para acreditar que se possa vir a concretizar. A bola está do lado americano.

Por um lado, e tendo em conta a aparente facilidade com que os bombistas circulam pela nossa terra, talvez fosse bom pensar duas vezes. Por outro, estamos a chegar ao ponto em que qualquer cedência é perigosa. Em que o risco de não impedir o Irão de enriquecer urânio pode ser maior do que as milhares de vidas que se poderiam perder nos atentados. Será que dormimos todos descansados sabendo que uma nação controlada por radicais possui tecnologia nuclear? Se o pior acontecer, alguém desculpará quem, podendo, não o impediu?

A partilha da propriedade

"Durante anos, e trabalho na AFP há 17, não ouvi queixas relativamente ao preço dos CD. É curioso que só a partir do momento em que a internet massificou o acesso desregrado à música e correspondente reprodução é que começaram as queixas em relação aos preços."

Eduardo Simões, director da Associação Fonográfica Portuguesa, no Metro (pag.10)
----------------------------------------------------------------------------------

Certamente que os 17 anos de AFP não foram suficientes para Eduardo Simões aprender alguns princípios-base sobre o comportamento dos consumidores. É óbvio que só quando nasceu uma nova alternativa para conseguir músicas é que as queixas começaram. A compra de CD's aos preços anteriores tornou-se muito menos atractiva, dada a existência de uma muito mais favorável relação de custo-benefício nos downloads online ou na gravação de CD's por amigos. A indústria fonográfica nacional teima, porém, em não se adaptar. O caminho seria, ao invés de gritar "piratas!", melhorar o serviço oferecido ou reduzir o preço, de modo a equilibrar as coisas. Não é por acaso que as editoras apostam agora em edições especiais, com DVD's de concertos ou outras atracções. Chama-se "acompanhar a mudança".

Outra pérola de Eduardo Simões é não condenar o download mas a partilha. Mas afinal o que é o download senão uma partilha de ficheiros entre um site e um utilizador? É ainda referido que "a compra do disco físico não confere nenhum direito além da escuta e cópia privada do mesmo". Eu pensava que o disco passava a ser meu! E que eu, proprietário do disco, tinha o direito de o ouvir com amigos e de o emprestar a quem entender! Isto além de poder, caso entenda, colocar na Internet músicas avulso, para serem descarregadas por quem assim o entender. Se não, talvez seja bom, em nome da Lei, ir buscar ao quarto da minha irmã os CD's que, comprados por mim, são ouvidos por ela.

domingo, abril 16

Como se faz lá fora...

A propósito da operação Páscoa, que visa combater a sinistralidade nas estradas portuguesas, não nos fazia mal nenhum olhar para o exemplo da Suécia e aprender com eles. Neste momento, a Suécia é o país europeu onde é mais seguro guiar, estando neste momento a desenvolver um programa para eliminar as mortes na estrada: o "Visão Zero". Aqui vão algumas das medidas que vão ser implementadas:

- auto-estradas sem traçados a direito, várias faixas e vias amplas;
- bloqueador de álcool acoplado à chave ou ao cinto de segurança que mede a taxa de alcoolemia do condutor;
- cadeiras para criança integradas no banco traseiro do veículo;
- ensino da condução em ambiente real, e sob tutela de um adulto, entre os 16 e os 18 anos;
- capô com airbag para minimizar os ferimentos no peão em caso de atropelmento, etc...

Nota: vi esta nóticia no "Expresso" desta semana, mas aconselho ainda a leitura do Ferreira Fernandes na "Sábado" e naturalmente a leitura das crónicas do Ricardo Araújo Pereira na "Visão".

Boa Páscoa


O Domingo de Páscoa de 2006 fica ensombrado pela notícia da morte do Francisco Adam, o Dino dos Morangos. Obviamente, depois da morte todas as pessoas são "boas, bem dispostas e empenhadas", como referiu a directora de actores no Jornal Nacional. Porém, pese todo o exagero e aproveitamento que poderá haver da tragédia, não deixa de ser um choque saber da morte de um jovem cuja personagem nos entrava todos os dias pela casa adentro, fazendo-nos rir.

Não serão pois de estranhar as inúmeras homenagens prestadas pelos fãs através dos blogs, fotologs, sms e mails. Quem não vê os Morangos pode falar de mais uma fantochada. Mas talvez não seja. Afinal de contas, as personagens das nossas séries preferidas podem por vezes tornar-se verdadeiros companheiros, ídolos ou modelos a seguir.

Talvez esta tragédia seja uma forma de consciencializar os jovens admiradores do DinoMan para uma maior cautela na estrada. Uma óptima maneira de homenagear o Francisco. Sem choros histéricos nem excursões até ao funeral. Sem directos a partir do Hospital nem do cemitério. Apenas uma maior consciência individual.

sábado, abril 15

Mais um best-seller!

Ultimamente tem-se comentado no blog o valor de um produto comercial. Penso, sem margem para grandes dúvidas, que os livros de Dan Brown (o famoso autor de “O Código Da Vinci”, “Anjos e Demónios” e “A conspiração”) estiveram desde o início condenados a ser best-sellers, quer pelos temas polémicos abordados quer pela escrita simples e envolta em mistério que cativa mesmo aqueles que raramente lêem um livro. Pois bem, o novo livro de Dan Brown estará à venda a partir de 3ªfeira, editado pela Bertrand Editora e com uma tiragem inicial de 100 000 exemplares. Muito? A Bertrand responde que não, baseando-se no sucesso dos títulos anteriores que já venderam perto de 800 000 exemplares. Estamos pois na presença de um livro comercial. E qual é o problema? Por mim nenhum. E mais. Se contribui de alguma forma para incutir o gosto da leitura naqueles mais cépticos que acham que ler é uma perda de tempo que venham mais livros comerciais!

O título do livro é “Fortaleza Digital” (“Digital Fortress”) e foi a estreia literária do autor, em 1998. A narrativa conduz o leitor ao interior do mais poderoso serviço secreto do mundo, a NSA, tendo como personagens principais a criptógrafa Susan Fletcher e o seu noivo, David Becker, professor de Literatura. Ambos terão como missão decifrar uma mensagem não inteligível para os serviços da NSA, procurando assim salvar a agência.

Para aqueles que já leram este livro em inglês, podem optar por adquirir “The Solomon Key”, que estará brevemente à venda nos EUA, e que aborda a Maçonaria norte-americana e as ligações dos “Pais Fundadores” a esta organização.

Marketing à séria


É o novo anúncio da Coca Cola, inserido na campanha Onda Portugal, relativo ao Mundial da Alemanha. O mata-moscas e a mosca; o cozinheiro e o cozinhado; o cientista e o rato de laboratório; o cacto e o balão (esta é a melhor); o marido gordo e o gigolô escondido no armário; o lenhador e a árvore cortada: todos abraçados a festejar o GOLO de PORTUGAL. Está mais do que visto. Vamos ter a reedição do Europeu de há dois anos, com as marcas a aproveitarem ao máximo o fervor patriótico dos portugueses. Ganharão as mais originais e divertidas. A Coca Cola já marca pontos.

Duetos Mágicos

Santana feat. Steven Tyler - Just feel better
(clicar para ouvir)


Carlos Santana e Steven Tyler, dois dos maiores mitos musicais de sempre, juntaram-se para criar Just Feel Better, um dos singles do último trabalho do guitarrista, All that I am. Santana é por muitos considerado o rei dos duetos (já vai no terceiro álbum), sendo os seus mágicos acordes enriquecidos, maioritariamente, com vozes de artistas latinos em ascensão. O dueto com Tyler foi assim algo algo inesperado, embora não seja a primeira vez que Santana se junta a uma voz mais experiente e não latina. O efeito conseguido é único, muito devido à inconfundível voz do vocalista dos Aerosmith. Com uma sonoridade imensa e um conteúdo real, é um dos expoentes do álbum que tem tudo para se tornar o legítimo sucessor de Supernatural.

sexta-feira, abril 14

Comercial ou não, será essa a questão?

Conversa entre amigos:
- Então o que é que achas da última música do Bob Sinclair (ou Sinclar, já não sei bem)?
- Epá, uma porcaria. O gajo estragou-se completamente, tá tão comercial...
- Tás a falar da Love Generation? Eu até gosto...
- Eu não, toda a gente a ouve!


No outro dia tive esta conversa com um amigo meu. Eu sou daquelas pessoas cujo gosto pela música foi uma herança de família. O meu pai ensinou-me a gostar de música e esse gosto perdura. A partir do momento em que me identifico com aquela música ela também é um bocado minha e o seu significado é aquele que eu lhe dou. Por isto é-me difícil compreender porque é que uma música considerada comercial tem menos valor que outra, porque é que se for comercial ela se torna diferente.
Então porquê o sentido depreciativo do que é comercial?
  • Será porque numa sociedade massificada como a nossa cada vez mais se valoriza o alternativo, o que poucos conhecem?
  • Será porque se considera que a música foi feita com o principal objectivo de agradar ao público? (olha que bom, resultou comigo!)
  • Será que isso significa menos conteúdo, menos qualidade?

Acho que vai depender do peso que conferirmos a cada um dos nossos parâmetros de avaliação. Eu cá continuo a gostar de música, acima de tudo.

Em cada leitor um Telescópio


Por vezes as caixas de comentários são demasiado pequenas para tudo aquilo que se quer dizer. Quando se depararem com um problema deste género, lembrem-se deste endereço: otelescópio@sapo.pt.

Sugestões, críticas, elogios, currículos, apontamentos ou simples olá's! Esperamos pelo vosso mail.

Ídolo Sérgio

Hoje perdi uns quantos minutos a ver o Fátima, na SIC. Embora o programa não me seja claramente dirigido, algo me chamou a atenção. Aquele rapaz que faz parte dos cantores residentes. É o Sérgio não é? O que ganhou os Ídolos. Apesar de, ao que parece, não existir mercado discográfico para as suas capacidades, o seu talento não se perde. Ali fica, para quem quiser ouvir.

Lembro-me da primeira prova do Sérgio nos Ídolos. Apareceu todo vestido de preto, meio maltrapilho, e de guitarra ao ombro. Começou a tocar e a cantar uma música da sua autoria. Foi realmente mau. O Sérgio não se atinava bem a fazer as duas coisas, a voz não saía como deve de ser e a presença em palco era meio deplorável. Os júris franziram o nariz e pediram-lhe, com o seu reconhecido toque venenoso, para parar com aquilo. Ele parou, meio aborrecido, explicando que a música era dele e que não, não achava que se tivesse enganado no sítio.

O juri resolveu dar-lhe mais uma oportunidade, qual descargo de consciência. O Sérgio pousou então a guitarra e começou a cantar uma música mais apropriada ao concurso. Ainda me lembro da cara de espanto da rapariga e daquele mais mal encarado! Quando ele acabou, deram-lhe os parabéns, um pequeno sermão sobre escolha de músicas e passaram-no para a fase seguinte. Depois do Sérgio ter saído, todo contente, o mais gordo e de barbas desabafou: "Olhem-me para este gajo! Já estava riscado aqui no papel! Se ele não tem cantado a segunda vez eu mandava-o embora sem pensar duas vezes. Mas esta malta não se sabe mostrar?".

Como se sabe, o Sergio foi passando e acabou por ganhar. Depois de ter estado com mais do que um pé fora do caminho. Fica a lição. Não basta ser bom, é preciso saber demonstrá-lo.

quinta-feira, abril 13

Confesso...

Na minha opinião, não fazia nada mal à Igreja lembrar-se que estamos no século XXI. Para perceberem o porquê desta afirmação vejam o seguinte.

Adenda: vale a pena recordar este texto do amigo Dani, escrito por alturas do Conclave. Hoje, mais do que nunca, faz muito sentido.

Análise gráfica



Algumas correlações interessantes de analisar, parte de um estudo (link para as FAQ) que pretende comparar as economias belga e irlandesa.

Via My Guide to your Galaxy.

Leitura recomendada - Oil for Food


"(...) uma fraude que pode também ajudar a explicar a posição de certas pessoas e países perante a guerra do Iraque. Nomeadamente, mostrando como muitas dessas pessoas e países se opuseram à guerra, e se mostraram favoráveis à permanência da tirania saddamita, pelas mesmas razões de que a Administração Bush foi acusada: a rapina petrolífera do Iraque."

--------------------------------------------------------------------------
Esta semana, na sua coluna insurgente, Luciano Amaral (Luci para os amigos) fala do já esquecido escândalo do programa "Petróleo por Alimentos". Uma fraude que se afigura gigantesca e que contou, rezam os relatórios, com a conivência dos mais altos cargos da ONU.

quarta-feira, abril 12

Opinião Livre - conclusões

Parece, à primeira vista, que Bolonha não está a entrar bem na cabeça dos leitores d'O Telescópio. O acordo foi considerado como injusto por 36% dos votantes. No entanto, numa análise mais atenta, constatamos que as coisas não são assim tão más.

Os entusiastas do processo poderiam escolher entre quatro palavras (necessário, inovação, harmonia e flexibilidade). Os críticos também (falácia, confuso, injusto e regressão). Exceptuando os brincalhões da "cidade italiana", temos um empate técnico. Nove votos para o primeiro conjunto de palavras (41%) e dez para o segundo (45%). Além disso, as palavras votadas por estes 45% estão mais relacionadas com o processo de transição do que com o acordo em si. Talvez então a pergunta tenha sido colocada de forma demasiado restritiva.

Haverá certamente muita gente (eu incluo-me neste lote) que é entusiasta de Bolonha e das suas vantagens mas que, dado ser apanhado no meio do turbilhão, pensa que as expectativas dos actuais alunos não foram devidamente acauteladas. E que se deveria apostar numa maior flexibilidade (afinal, um dos pilares do acordo), de modo a gerar benefícios, mesmo que modestos (os chamados pequenos ganhos), para os actuais alunos. Para não condenar Bolonha à rejeição violenta e ao sentimento de injustiça que, como se vê, grassa pelos estudantes e contamina, a cada conversa de café, os desconhecedores ou indecisos, actuais ou futuros universitários.

A morte do CPE e o pai-Estado

A nova lei reforça dispositivos que encorajam a contratação de jovens em dificuldade, nomeadamente os sem qualificações ou originários de zonas degradadas. De acordo com as estimativas governamentais, custará 150 milhões de euros ao Estado em 2006 e 300 milhões em 2007
na SIC on line
----------------------------------------------------------------------------------

Substitui-se a lei que incentivava os jovens a confiarem mais no seu trabalho, esforço e mérito e menos no pai-Estado por um pacote de subsídios que os faz acreditar de novo que vale a pena dormir e esperar pela mesada. Uma mesada não paga directamente pelo pai-Estado mas pelas empresas, que agora funcionam como intermediárias.

Aqui, sim, muda-se para pior. Além de viciar os jovens na mesada, viciam-se as empresas, que perdem incentivos para procurar os melhores ou os mais produtivos. Afinal, os salários que lhes vão pagar não sairão do seu bolso.

Teoria do Produtor

Os trabalhadores da Bombardier dizem que há encomendas a satisfazer e que não compreendem porque é que a fábrica não está aberta e a produzir. Pedem, claro está, a intervenção do Estado. Para obrigar os donos a reabrir a fábrica.

Alguém mais vocacionado para a área económica perguntar-se-á se "as encomendas serão suficientes para superar a condição de encerramento". Eu pergunto "se não é aos donos que cabe decidir quando e quanto produzir na sua fábrica".

terça-feira, abril 11

Férias da Páscoa

Assim como falham as palavras quando querem exprimir qualquer pensamento,
Assim falham os pensamentos quando querem exprimir qualquer realidade.

Mas, como a realidade pensada não é a dita mas a pensada,
Assim a mesma dita realidade existe, não o ser pensada.
Assim tudo o que existe, simplesmente existe.

Alberto Caeiro

É difícil exprimir estes dois últimos dias. A praia como cenário. O mar como banda sonora. O sol como pincel que tinge o nosso corpo de dourado. O dia que é longo porque se saboreia e curto porque se quer mais. Até a noite, que traz o frio, vem de mansinho e entrega as estrelas como que pedindo desculpa por roubar a luz.
Mas, como a realidade pensada não é a dita mas a pensada, torna-se difícil ligar simples palavras do meu pensamento à realidade que foram as férias da Páscoa...

O Dicionário do Bloco

Hoje, à saída do metro, entregaram-me o Bloco, uma folha volante bimensal (disponível aqui) publicada pelo Bloco de Esquerda. A segunda página é dedicada às OPA's em curso. Um pequeno rectângulo chamou-me a atenção:

Além de definir uma OPA, os redactores do jornal definem uma empresa como "um conjunto de capitalistas". Admito que ainda não percebi se é pura demagogia ou se o Bloco encara mesmo as empresas como um simples conjunto de capitalistas. Seja qual for a hipótese, e tomando também em consideração os outros textos da folha, é caso para dizer que muito, muito mal vai o Bloco.

God is a DJ

"O terrorismo não se faz só com bombas".

Os Padres da Madeira (um deles é o autor da frase acima) contestam a realização do Madeira Paradise - dance tour 2006 no dia 14 de Abril, Sexta-feira Santa. Foi elaborado um documento, a entregar ao Governo Regional, onde se critica a organização por ter escolhido a sagrada data para a realização do evento, deturpando o espírito da época. A reportagem da SIC mostrava ainda uma senhora indignada, a insistir que "era uma falta de respeito" pois " primeiro vem Deus (...) acima de nós existe alguém superior".

A posição dos Padres só vem dar razão a quem critica a estagnação da Igreja Católica. Quanto à senhora, a sua opinião é perfeitamente válida. Quem pensa, como ela, que acima de tudo existe Deus, certamente preterirá a festa disco por um serão em família ou em procissão. Para aqueles que, como eu, reconhecem apenas deuses como este, a escolha será certamente diferente. Mas não menos válida.

Adenda: Segundo o Tiago Barbosa Ribeiro do Kontratempos, o festival passou para Sábado de aleluia.

Boletim Meteorológico

Hoje o tempo mudou. Está mais fresco e ventoso. As nuvens toldam o céu. O sol teima em não aquecer. Depois de um caloroso arranque, a Primavera intimida-se.

Taco-a-taco (II)

Prodi será o próximo PM de Itália, contando com uma maioria na Câmara dos Deputados. Os mandatos conseguidos (341 deputados contra 277 da coligação de direita) escondem a tangencial vitória (49.8% contra 49.73%, cerca de 25 mil votos de diferença), dado o sistema eleitoral italiano conceder um prémio de cerca de 50 deputados ao vencedor das eleições.

No Senado, porém, as contas ainda se fazem. A CdL de Berlusconi leva um lugar de vantagem quando faltam contabilizar os 6 lugares da emigração. As projecções apontam para um 4-2 a favor de Prodi, o que lhe dará uma maioria de um lugar. Um lugar a segurar toda a governação italiana. Durante o dia de hoje serão anunciados os resultados, sendo que Berlusconi já anunciou a intenção de pedir uma recontagem.

Informações em tempo real no Corriere.

segunda-feira, abril 10

Taco-a-taco


20.40 - Depois das projecções iniciais, dá-se a reviravolta no marcador. Berlusconi pode, afinal, conseguir maioria na Câmara e no Senado. Ressalve-se a taxa de participação: cerca de 83%. Actualizações constantes aqui.

Dvds (sugestão)

Penso que o cinema Europeu está em franca ascensão. Outros poderão dizer que não é bem a sua ascensão, mas antes a queda de Hollywood, que tem vindo a permitir ao primeiro a conquista do seu espaço.

Em 2002, Cédric Klapisch realizou a “Residência Espanhola” (L’Auberge Espagnole), um filme que alcançou projecção sobretudo aquando da sua saída em DVD, e que estabelece uma reflexão sobre o confuso e globalizado mundo de hoje, entrecruzando histórias de jovens de diferentes nacionalidades, que em contacto, constroem a sua identidade e acabam por descobrir o seu lugar no mundo. A história focava-se num estudante francês, Xavier, que ao abrigo do programa Erasmus, aluga um apartamento em Barcelona, no qual se encontram outros estudantes e com os quais embarca numa série de aventuras e desventuras.

Eis que passados 5 anos depois das aventuras em Barcelona, Xavier regressa, agora realizando o seu sonho de infância: ser escritor. No entanto, as relações inconsequentes que tem vivido, e as decisões profissionais guiadas mais pelo dinheiro que pela vontade, têm-lhe feito questionar o rumo da sua vida e as suas prioridades. Tendo como cenário Londres, Paris e São Petersburgo, “As Bonecas Russas” (Les Poupées Russes) explora a passagem da adolescência à idade adulta, proporcionando o carácter vibrante e intimista do primeiro filme. Saliente-se ainda o bom desempenho de Romain Duris, Audrey Tautou e Kelly Reilly que conferem outra dimensão ao argumento.

Notas de 0 a 20:

“A Residência Espanhola” – 16

“As Bonecas Russas” – 16

Poder na Rua

O CPE foi revogado.

Fala-se de "falta de condições de segurança e de serenidade, tanto da parte das empresas como dos jovens". Se o primeiro ministro francês já tinha pensado em ceder, que o tivesse feito logo. Não agora, quando a poeira começava a assentar. Para a história ficará não a imagem de um político convicto, mas a de um governante teimoso. Além disso, Villepin criou um precedente perigoso. Deu à Rua a imagem de que basta promover greves gerais e queimar uns veículos para fazer o governo legitimado pelo voto ganhar medo.

Este recuo só faria sentido se acompanhado de um pedido de demissão. Afinal, se o povo não está com Villepin, só se pode esperar do restantes anos do seu mandato estagnação ou contestação.

domingo, abril 9

Congestionamentos

As portagens existem como pagamento pela prestação de serviço ao cliente. O serviço é deturpado pelas obras de melhoramento. O serviço perde valor e, neste caso, a disponibilidade a pagar por parte do cliente pode ser menor. O Estado (por ser o Estado, sector público e maximização de bem estar, etc.) poderia reflectir nos preços esta situação se as auto estradas fossem de algum modo um monopólio. Mas não são. Porque, legalmente, só se podem cobrar portagens se houver uma alternativa: os IP's, IC's e estradas nacionais. A existência de portagens garante a existência de alternativas.

Nesta linha, os consumidores que considerarem as obras uma diminuição da qualidade do serviço prestado terão nas vias substitutas alternativas mais atractivas, dada a alteração nas relações de custo-benefício. Se o preço baixar, este movimento é praticamente eliminado. Criam-se no entanto incentivos bem fortes para aqueles que, hoje e com tudo a funcionar, preferem as vias substitutas às auto-estradas. Para estes senhores as auto-estradas tornar-se-iam muito mais atractivas.

Assim, o resultado mais óbvio caso esta proposta se torne lei é o aumento do tráfego nas auto-estradas em obras. O que, com supressões de bermas, restrições de velocidade mais apertadas ou mesmo corte de vias, não será com certeza o mais adequado.

PerANTE a ESTREIA – Ice Age 2


Começo hoje a minha estreia como comentadora de cinema d'O Telescópio apresentando-vos o filme de animação Ice Age 2 - The Meltdown.

E animação é a palavra certa! Desde que em 2001 a DreamWorks lançou o Shrek, foi certo e sabido que o mundo da animação ganhou outro fôlego e também outra audiência. Ice Age 2 é mais um exemplo de que os desenhos não interessam só às criancinhas.

Depois da descoberta de Scrat (o esquilo) e a sua busca incessante pela escorregadia bolota foi com grande agrado que o voltei a rever no grande ecrã. E o cómico de situação/carácter criado é tão avassalador que ninguém consegue parar de rir com a sua intervenção na história.
Quem apareceu também foram os amigos de sempre: Manny (o mamute), Sid (a preguiça) e Diego (o tigre) que nos encantam com as suas reacções, receios e dúvidas existenciais (do tipo: será que vou entrar em extinção?). O filme conta também com novas personagens, entre elas uma dupla de gambás particularmente doidos.
Para ajudar à festa não poderia deixar de haver vozes cómicas atrás de figuras cómicas. Entre elas destacam-se a voz de Manny, interpretada por
Ray Romano (da série Everybody Loves Raymond) e a voz de Crash, um dos manos gambá, interpretada por Sean William Scott (o Stifler do filme American Pie). Se o argumento já era engraçado, com esta companhia só melhorou.

É de referir a incrível capacidade dos produtores em adaptar o argumento a todas as idades, a tal ponto de existirem diálogos, gestos, canções e situações claramente direccionadas para um público mais maduro.

Fica então a sugestão... Quem estiver interessado em passar 91 minutos de diversão e gostar de preservar o seu lado mais infantil que vá ao seu cinema preferido ver o Ice Age 2. Os especialistas já tinham avisado: Cuidado, vem aí o degelo!

A ler

"Sobre a necessidade de consulta dos manuais dos anos anteriores bastaria muito simplesmente requisitá-los na biblioteca escolar (...)

"os exercícios não deviam ser feitos nos livros. Para isso existem os cadernos. Aliás fazer exercícios nos livros é complicadissimo: as linhas não chegam, não se consegue escrever até ao fim (...)

"a ideia de que todas as escolas públicas deviam ter os mesmos livros representa uma concepção totalitária do ensino. O livro único foi no passado uma forma de controlo político e por piores que sejam algumas das edições presentes no mercado é bem pior o perigo que representa a instituição dum livro único."

--------------------------------------------------------------------------
Helena Matos faz um ponto de ordem à mesa sobre a polémica dos manuais escolares (destaques meus)

Titãs


Num país dividido ao meio, confrontam-se os dois grandes rostos da política italiana recente. Como disse Berlusconi, "não se tratará apenas da escolha entre Berlusconi e Prodi, mas de uma escolha entre duas concepções de Estado, da política, da sociedade, do indivíduo". São nestas ocasiões cruciais da vida de um país (os chamados momentos), onde a tese e a antítese se confrontam, que podem nascer equipas convictas e com legitimidade para impulsionar a mudança e as reformas. Daí que o possível pareggio (empate, com o Senado à direita e Câmara dos Deputados à esquerda) seja neste momento o perigo maior para a nação italiana.

Prólogo

Saudações do meio campo!

Em primeiro lugar gostaria de agradecer ao Tiago pelo honroso convite. Tenho acompanhado de muito perto a sua ascensão na blogosfera e a qualidade do seu trabalho o que me leva a suspeitar de uma certa demência/insanidade por me escolher a mim como telescópia. Não sou uma comentadora muito assídua, muito menos escritora. Mas o Tiago acredita nas pessoas (é um dos conselhos do livro Como usar a sua Inteligência Emocional!!!) e como tal ofereceu-me esta oportunidade portanto vou aproveitá-la.

Em segundo lugar fica aqui um esclarecimento. Foram muitas as horas que despendi a pensar sobre o que é que haveria de escrever. Política? Economia? Mundo académico? Benfica? Mas sobre isso o Tiago já escreve tão bem que não me parece apropriado fazê-lo partilhar esse espaço comigo (síndrome da filha única).
Assim sendo, por hoje e por agora decidi dedicar-me a uma área mais light da vida – as artes. Mais concretamente a sétima. É possível que venha a escrever sobre outras coisas mas, como não pretendo seguir uma carreira política, não vos quero prometer mais do que aquilo que posso cumprir. Não serão certamente temas polémicos e não sei até que ponto é que vai gerar algum valor para a marca. Mas na tela da vida é bom por vezes pintar novas cores.

Venham as postas então.

sábado, abril 8

O fim de Il Cavaliere?

Itália vai a votos este fim-de-semana. A campanha eleitoral focalizou-se na difícil situação económica do país, mas ficou sobretudo marcada pelos impropérios lançados pelas partes envolvidas, sobretudo da parte de Berlusconi, que muito possivelmente vê o seu reinado chegar ao fim. Em cinco anos de governação, Berlusconi conseguiu tornar a indústria menos competitiva, o desemprego aumentou (mais de 100 mil desempregados), a dívida pública subiu, a poupança e o consumo baixaram drasticamente e o endividamento das famílias aumentou.

Duas concepções de democracia estão em jogo. Berlusconi apoia o neoliberalismo, concebe a sociedade como uma empresa, enquanto que Romano Prodi, líder da União, se centraliza mais nas questões sociais, adoptando uma postura mais tradicional.

O que me causa mais curiosidade é como é possível, no início do século XXI, e depois de todas as lições que a História nos ensinou, alguém como Berlusconi não só chegar ao poder, como governar da forma como o fez. Subornou testemunhas, desviou fundos para offshores, foi diversas vezes indiciado por crimes de fraude fiscal e corrupção. Ironia das ironias, nunca cumpriu pena e as sentenças foram sempre revogadas. A máfia pode ter acabado em Itália, mas o abuso de poder continua patente nos círculos políticos.

Detentor de várias cadeias de televisão, pertencentes ao seu grupo Mediaset, Berlusconi teve bastante mais tempo de antena que o seu adversário. Apesar das multas que as suas estações televisivas tiveram que pagar (a Rete 4 foi esta semana multada em 250 mil euros), Berlusconi sabe como é importante a projecção mediática. Como ele próprio referiu, “Quem está na televisão existe, quem não está, não existe”.

Um homem como Berlusconi não chega ao poder por acaso. Independentemente dos esquemas políticos, das alianças formadas com os empresários, das promessas feitas ao povo simples que não quer entender mas sim acreditar, a verdade é que milhões de pessoas votam nele, sabendo quem ele é e como pensa. “É melhor ser fascista do que maricas” disse Berlusconi.

Creio que uma reeleição de Berlusconi é continuar a caminhar num sentido muito perigoso, para a Itália, mas também para a Europa.

Pensamento do dia

"They say all the answers are in the sky.
Can be. But the way one uses those answers is in his own mind."
autor desconhecido

Equilíbrios instáveis

O Governo decidiu dar tolerância de ponto na próxima quinta-feira.

Uma das primeiras interpretações sugere que o Governo percebe que o povo anda triste e sombrio com as perspectivas, farto de sacrifícios. Assim, num acto de compreensão, como que para equilibrar tantas coisas más, Sócrates concede um dia extra para o português estar com a família, para ir passear ou simplesmente para ficar no sofá, a fazer nada.

Uma outra, porém, pode defender que o Governo anda a pedir sacrifícios aos portugueses e agora, incompreensivelmente, concede uma estranha folga, quase inédita. Nesta linha, o Governo segue caminhos contraditórios, exigindo mais valor e competitividade para depois abdicar, sem nenhuma pressão para o fazer, de um dia de produção. E assim a mensagem não passa.

Nenhuma delas me parece errada. Errado é a comunicação social reagir da primeira forma agora quando há uns anos, na era Barroso, reagiu da segunda forma numa situação semelhante, aquando de uma simples e normal ponte.

sexta-feira, abril 7

Economistas razoáveis*


A campanha presidencial de Cavaco Silva gerou um superavit de cerca de 700 mil euros, tendo sido gasto menos do que o previsto no orçamento. Esse valor vai ser doado pelo agora presidente a instituições de solidariedade social.

*o título deste post também poderia ser Nem é preciso gastar tudo para ganhar.

O fim da(quela) blogosfera

O Acidental encerra amanhã, dois anos depois. Durante estes dois anos, o blog transformou-se num verdadeiro barómetro da blogosfera lusa. Pode não ter andado pelos primeiros lugares daquele top que eu próprio ainda não compreendo, mas teve o dom de ser o verdadeiro ponto de encontro da direita. PPM não é uma sigla registada, mas é sem dúvidas um conjunto de letras hoje divulgadas um pouco por todo o lado, acompanhado de elogios ou críticas. São letras que, juntas, têm um grande significado e história.

Disse aqui um dia que o Paulo era uma das pessoas a quem a blogosfera lusa devia mais. Disse também, mais do que uma vez, que O Acidental era o meu blogue de referência, uma espécie de modelo inspiracional. Eu e O Telescópio existimos e somos falados muito por culpa desse senhor e do seu blog. Um blog que, também importa dizer, teve muitas posições de que não gostei. Um blog onde as constantes contratações, embora de qualidade, nunca apagaram a perda de alguns nomes míticos. Nomes que ajudaram a construir o que hoje (ainda) se associa à palavra "Acidental".

O Paulo não tem nada a provar e deve partir (estou certo de que o faz) com a sensação de dever cumprido. Sai, realmente, na altura correcta. Quaisquer que sejam os novos vôos, terão sempre aqui um leitor e espectador (quando caso disso) atento. Como não espero que deixe (também) de andar por , fica um até já. Quanto a nós, continuamos por aqui. A nossa blogosfera continua, agora renovada.

A nova AE


Existe apenas uma candidatura à associação de estudantes, este ano, na FEUNL. O projecto apresentado mostra-se ambicioso, com uma clara reestruturação dos pelouros existentes, visando-se aproximar a AE aos alunos e procurando-se adquirir maior prestígio no plano externo. Muitos dos membros desta candidatura fizeram parte do mandato que cessa agora as suas funções pelo que existe também uma inegável continuidade do trabalho já realizado. Acho que as coisas têm vindo a melhorar. O site da AE foi recuperado, criou-se um novo logótipo, um canal interno de televisão está a ser equacionado, as festas e viagens à neve organizadas pela associação não têm desiludido.

Ainda assim, não estou satisfeito. Penso que falta coragem para defender os alunos no plano académico, em que alguns professores usam e abusam da autoridade para fazerem o que querem, da maneira que querem, quando querem. Este sentimento é generalizado, a avaliar pelo que me foi dito por um membro da associação. Isto porque foi realizado um inquérito junto de alguns alunos sobre o que de melhor e pior a associação tinha feito no ano transacto. Os alunos precisam de ter um apoio, alguém que os defenda sempre que os seus interesses sejam lesados, sobretudo num ano que vai ser marcado pela introdução do processo de Bolonha. As festas são importantes, mas mais importante ainda é o nosso curso. Boa sorte para a nova associação, que continue o bom trabalho, mas acima de tudo que se mostre mais irreverente e ambiciosa. Até porque este ano será certamente um dos mais marcantes da faculdade.

P.S.: Fiquei orgulhoso com o convite do Tiago para passar a escrever n'O Telescópio. É natural que nem sempre partilhemos das mesmas opiniões, mas penso que a pluralidade de ideias irá trazer benefícios.

A mensagem e o alvo

O projecto de diploma prevê ainda que os maços de tabaco passem a ter advertências mais fortes sobre os efeitos do consumo deste produto. Além das frases "Fumar mata" ou "Fumar prejudica gravemente a sua saúde e a dos que o rodeiam", as embalagem terão também imagens a cores de cadáveres, artérias bloqueadas ou órgãos danificados pelo tabaco.
no DN
----------------------------------------------------------------------------------
As críticas a esta proposta já surgiram de todos os lados. Desde o CDS à Ordem dos Médicos. É compreensível que muitos considerem esta medida como um abuso do chocante. Dada a especificidade do tema, há-que considerar um pormenor importante: a assimilação da informação. A inserção dos actuais avisos também foi, aquando da sua aprovação, considerada um abuso do chocante. Hoje, porém, não é difícil aceitar que o seu efeito foi bastante reduzido, devendo-se maioritariamente ao aumento do preço o declínio do consumo.
.
Asssim, e se o preço pode continuar a aumentar, já se chegou à conclusão que as campanhas e os avisos não têm sido eficazes. Talvez seja então hora de reduzir os esforços em campanhas de sensibilização massificadas, na TV e na rua, e atacar em força no meio onde, certamente, se atinge o alvo pretendido: o maço de cigarros. Uma imagem vale mais do que mil palavras, diz-se. Publique-se a imagem. Nunca me verão defender a asfixia da opção de escolha. Porém, essa mesma escolha só é lúcida quando o decisor está na posse de toda a informação. E neste caso, artérias bloqueadas, cadáveres a cores e pulmões cor-de-carvão parece-me informação indispensável.

quinta-feira, abril 6

Breaking news II


Desta vez é para valer. Numa operação relâmpago entre Carnaxide e Benfica, O Telescópio assegura duas contratações para os tempos difíceis que se aproximam.

A escolha recaiu num ponta de lança à antiga, matador; e num médio criativo (criativa), capaz de desequilibrar a qualquer momento. Descobertos nos comentários, tornam-se agora membros efectivos da equipa de telescópios. Livres e irreverentes, como convém. A sua estreia está por dias.

Os dois lados da moeda

"Euclides Dâmaso garante que têm sido detectados cada vez mais casos de corrupção (...) boa parte da economia portuguesa é sustentada por um mercado paralelo."

na SIC online
-----------------------------------------------------------------

A corrupção é um mal. Ponto final. Com corrupção o mercado não funciona devido a distorções nas transacções. Com corrupção a coincidência de intenções entre a procura e a oferta são substituídas por critérios de arbitrariedade e de poder. A informação passa a circular de forma imperfeita e a destruição de valor, nomeadamente através da incorrecta rejeição ou tomada de bons e maus projectos, respectivamente, torna-se mais frequente. Ao contrário do que muitos dizem, não é por fugir ao controle do Estado (nomeadamente pela não cobrança de impostos) que a economia paralela corrói o País. É, principalmente, por fugir ao controle dos mecanismos de preços e das preferências dos consumidores. É, principalmente, por ser a grande inimiga da verdade no mercado.

Porém, há que ver os dois lados da moeda. Porque é que há corrupção? Há quem diga que haverá sempre. Concordo. Porém, a melhor maneira de a eliminar não é aumentando as fiscalizações e as coimas e penas. Isso é combater os sintomas, não as causas. As causas estão na falta de óleo da máquina económica. Nos inúmeros pontos de estrangulamento que pululam pelo sector empresarial nacional e desmotivam qualquer iniciativa. No monstro burocrático que se enfrenta de cada vez que se tenta abrir ou expandir um negócio. Na autêntica teia de licanciamentos e de autorizações que se tem de cruzar para chegar ao lucro.

Talvez por isto muitos recorram a meios pouco lícitos para fazer seguir os seus projectos. Que, mesmo com qualidade, acabam por se concretizar num ponto àquem do seu valor potencial. Neste momento, para que a economia avance, ainda que pouco, é necessário haver corrupção. Talvez começar por tornar esta afirmação falsa fosse um melhor caminho a seguir, ao invés de marcar conferências de imprensa para se dizer o que todos sabemos.

quarta-feira, abril 5

Champions League

Linda terra, esta. Já falta pouco.

Deriva esquerdista


Comunicado

O mistério foi solucionado.

Foi ontem que, numa operação conjunta entre o Lisboa e os Amigos e O Telescópio, a identidade das Mais foi desvendada. Foi durante a tarde que, desprevenidas, foram encurraladas em frente à reprografia e cordialmente convidadas a confirmar a veracidade das suspeitas. Se algumas ainda tentaram disfarçar, logo algumas se deram como vencidas. A mais_linda, a grande impulsionadora do movimento, fez as apresentações. Era, a título de curiosidade, a única vestida de cor de rosa.

Para terminar, quero apenas recordar (nomeadamente à mais_linda) que sempre foi convicção pessoal de que, mais cedo ou mais tarde, o segredo iria cair. Foi mais cedo do que pensaram, ao que parece. Vemo-nos então por aí.

terça-feira, abril 4

Bolonha (II)

Escrevi há uns dias que ainda não tinha a certeza se o processo de Bolonha iria ser bom ou mau. Hoje, já depois da sessão de esclarecimento, estou convencido de que é bom. No entanto, e marcando posição como um dos apanhados no meio do tornado, esperava um pouco mais de capacidade de resposta e consideração por parte da instituição que defendi tão acerrimamente no referido post.

Quando, depois de feitas as apresentações dos ciclos, se deixa claro que se vai ficar "todo o tempo necessário para esclarecer as dúvidas" e no final se corta a palavra a uma interveniente; quando à maioria das perguntas se responde com um "ainda não está definido"; e quando a uma pergunta sobre a relação entre as cadeiras Erasmus e as equivalências no mestrado se responde que o aluno está a ser "ganancioso" por querer saber de coisas a tão longo prazo, acho que não há entusiasmo (e eu tinha muito) que resista. Afinal de contas, é o nosso percurso académico que está em jogo.

Se continuo a acreditar que a FE-UNL está na vanguarda e a tentar fazer tudo o que pode para minimizar os prejuízos para os seus alunos, não posso também deixar de considerar que os oradores de hoje deixaram muito a desejar. Sem capacidade para enfrentar a (normal) enxorrada de dúvidas que lhes foram colocadas e com um nível de arrogância incompreensivelmente elevado, penso que terão sido mais as caras de desilusão do que de regozijo a abandonar o A-14.