sexta-feira, março 31

Regionalizar

A regionalização está de novo na ordem do dia. No Dolo Eventual, o Pedro Santos Cardoso faz uma pequena apologia da dita, invocando argumentos que passam pela coordenação supra-municipal e pela descentralização de competências. Tem toda a razão. A regionalização pode ser considerada como a reestruturação da entidade Portugal em pequenas unidades estratégicas de negócio. Unidades mais pequenas e próximas da população. Mais conscientes dos seus problemas e com um teórico menor tempo de reacção e actuação. O princípio da subsidariedade em todo o seu esplendor.

Porém, um pequeno pormenor faz-me vacilar. Gosto de pensar que este pormenor é um sinal de altruísmo. Porém, bem lá no fundo, admito que é mais um preconceito ideológico do que outra coisa. A questão é que com o mapa actual teremos a região do Alentejo (que engloba boa parte do distrito de Setúbal) ainda mais pintada de vermelho...

Eu sei que o povo é quem mais ordena (sem ironia) e se o povo escolher para seu governante um dirigente comunista então comunistas deverão ser as políticas. Mas também não posso deixar de olhar para toda esta região e pensar na quantidade de miséria que em 30 anos aqui foi criada por essas forças. Se no Alentejo profundo o mal pode vir de muitos outros factores, já a península de Setubal e o litoral alentejano são casos reais de claro desastre esquerdista. E o novo sistema, ao dar mais poder aos governantes das regiões, poderá criar mais obstáculos ao desenvolvimento, destruindo os potenciais benefícios da medida.

Este pormenor faz-me vacilar. Porém, certamente não será o suficiente para me impedir de, caso seja chamado a decidir, decidir-me pelo sim.

O homem do momento


"É injusto tratar todos por igual"
Teixeira dos Santos, a propósito da Função Pública

quinta-feira, março 30

Eu sou amarelo

Yellow

You're yellow, the color of joy and energy — two things you definitely bring to everyone around you. It's hard for anyone to be sad or lonely in your presence; your sunny disposition and cheery outlook just won't allow it. The warmth of your personality shines through in the kindness you show friends and family (and strangers, too). Always ready with a lighthearted joke or heartfelt compliment, you know how to make people feel good about themselves, so they can't get enough of you. Yellow is a warm and inviting color for a warm and inviting person — you!
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Mais um engraçado teste (15 perguntas) para descobrir a cor da nossa personalidade. Como habitualmente, aguardo pelos resultados nos comentários.

Provocação

Estava delicioso

Concorrência perfeita

Hoje o meu metro da manhã era composto por 3 carruagens azul-tmn e 3 carruagens vermelho-Vodafone.

quarta-feira, março 29

Falta de inteligentex

"Parece-me um bocado propagandex, à Socratex, mas se for verdadex, então é bonzex"

Declarações de Ribeiro e Castro sobre o Simplex
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Compreende-se que a oposição, especialmente a de direita e nomeadamente o CDS, ande com dificuldades. O que não se compreende é que face a um programa que tem sido percebido como altamente benéfico para a sociedade e para os empresários, Ribeiro e Castro use uma expressão como esta. Não credibiliza o autor nem o seu partido. Não credibiliza a oposição nem a política.

Embora no seguimento desta tirada humorística tenha referido que "se as medidas forem para executar é obviamente positivo", o que fica na opinião pública é a gritante falta de capacidade construtiva do presidente do CDS. O que passa é uma política de terra queimada. Um criticar por criticar, mesmo quando as medidas anunciadas são claramente positivas.

É verdade que o efeito mediático criado pelo Governo primou pela excessiva espectacularidade. Porém, nenhum político digno desse nome menospreza o poder da comunicação. Mais do que actuar, é preciso mostrar que se está a actuar. E, tanto numa coisa como noutra, Sócrates tem mostrado virtudes.

Juventudes partidárias

O texto Juventudes Partidárias: uma mais valia, publicado hoje no Notícias do Barreiro, já está no Torre degli Angeli. Para a história fica que esta crónica é a primeira publicada no formato papel.

Opinião Livre I - conclusões

Os resultados do primeiro Opinião Livre não podiam ser mais claros. A esmagadora maioria dos leitores votantes escolheram uma das duas primeiras opções de resposta. O que significa que a mudança de estilo d'O Telescópio foi apreciada.

Assim sendo, tenho mais um motivo para continuar na mesma linha. Mais um. Porque eu próprio, embora antes reticente com este espírito mais aberto, também votaria numa dessas opções. Parece então que estamos mais ou menos de acordo.

terça-feira, março 28

Este senhor hoje não joga


segunda-feira, março 27

Simplex 2006

Apologia do CPE (IV)

Diz o caro Jota que "quem é bom não tem de se preocupar porque para esses haverá sempre emprego. O chato é que nem todos nasceram para ser bons".

Para responder e dar o tema como encerrado (já vou no quarto post), uma "pequena" história:

O Henrique e o António José saíram agora da escola e querem ir para o mercado de trabalho. Não interessa se saíram da Faculdade ou do 12º ano. Querem ir para o mercado de trabalho e pronto. O Henrique, inteligente e estudioso, consegue apresentar-se diante de uma empresa com uma melhor carta de recomendações que o António José. Este último, embora teoricamente menos qualificado, é um tipo mais metódico e que se adapta melhor ao trabalho de gabinete, enquanto o Henrique é mais homem de campo.

Uma empresa precisa de alguém para ambos os cargos mas a economia está estagnada. As expectativas são baixas e a contratação de um jovem envolve riscos inerentes à falta de experiência e baixas expectativas de performance. Além disso, ainda torna a empresa refém de um salário mínimo, de descontos de 23.75% para a segurança social e do compromisso de manter o jovem na empresa durante um determinado periodo de tempo.

A empresa só abre então uma vaga: para o lugar administrativo. Os dois jovens concorrem e o Henrique é o escolhido. Porém, rapidamente se desilude, assim como o seu novo chefe. O Henrique passa o dia entre quatro paredes a olhar lá para fora e o chefe do Henrique desespera de cada vez que um relatório de progresso não é entregue a horas. Ambos percebem que fizeram uma má escolha mas o contrato é rígido. Não há possibilidade de ajustamentos que beneficiem ambos.

Com um periodo de experiência mais alargado, duas coisas podiam acontecer.
1) A empresa abria não uma mas duas vagas. Dado que a qualquer momento, por via de uma fraca adequação empregado-empregador, a empresa pode despedir o funcionário, está mais disposta a arriscar e a procurar mais trabalho.
2) A empresa até podia abrir na mesma só uma das vagas mas rapidamente o Henrique era despedido e, provavelmente, contratar-se-ia o menos bom António José ou outro alguém que estivesse desempregado. O Henrique passaria de novo a ser um desempregado friccional, isto é, à procura de um emprego que melhor se adequasse às suas pretensões e capacidades.

A definição de bom e mau é algo muito vago. Talvez fosse melhor distinguir os mais aptos dos menos aptos para determinada função. Com a hipótese (realista) de que o menos apto aqui poderá ser o mais apto ali E aqui o CPE, assim como quaisquer outras medidas liberalizadoras do mercado de trabalho, é uma mais valia.

Back in business

Estou de volta depois de um fim de semana espectacular. Não fui, ao contrário do que algumas pessoas pensam, meditar. O termo competências pessoas referia-se a uma pequena formação para monitores de campos de férias. Brevemente, com sorte, alguns posts sobre o assunto. Porque valeu mesmo a pena.

sábado, março 25

Sabática



Este vosso escriba vai passar o fim de semana fora, num sítio ermo (Óbidos). Com o objectivo de aumentar as competências pessoais. Infelizmente, não deverá haver nenhum computador a partir do qual possa partilhar os seus pensamentos. Para compensar, deixo-vos uma nova pergunta, também actual, sobre a temática das novas tecnologias. Inté.

Lopes da Silva

"Ai elas vão de joelhos até Fátima? Pois tu vais até Santiago de Compostela!"
"De joelhos?"
"Não! Temos cá meninas? Vais deitada de costas!!"

Ao seu nível, na RTP.


quinta-feira, março 23

Bolonha

Hoje fiquei a saber que para o ano estou licenciado em Gestão. Posso depois optar por ficar mais um ano e meio e sair já mestre, se tudo correr bem. Como sou dos apanhados na transição, existirão certas excepções e tratamentos especiais que não se vão repetir mais tarde. Não sei (ainda) se é bom ou se é mau, mas acredito nas instituições. Principalmente se se dão pelo nome de Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa.

E se fosse cá?

Mais um texto no Torre degli Angeli, sobre o tema do momento.
CPE - e se fosse cá? é o título de mais uma crónica publicada no Diário do Barreiro.

quarta-feira, março 22

O cubo


O cubo é provavelmente o primeiro sólido com o qual tomamos contacto, lá para a primária. Talvez por ser o equivalente tridimensional do quadrado (uma figura também muito amigável e simpática) ou simplesmente por ser de fácil desenho, memorização ou aplicação. É, no entanto, dos objectos que um maior número de associações pode despertar.

Se o Tigas imediatamente começaria a dissertar sobre o facto de "só conseguirmos ver três faces em simultâneo" e de que a esfera é "um cubo de arestas limadas", talvez a Rita se lembrasse da fórmula de cálculo do volume. Provavelmente outras pessoas fariam as mais diversas comparações: um caixote, um dado ou um calhau. Eu pessoalmente acho que me lembraria do dado. Resultado de muitos anos a jogar jogos de tabuleiro.

Seja como for, este post não pretendia falar do cubo. Pretendia, isso sim, enfatizar mais uma vez aquilo que muita gente teima em não lembrar. Além de sermos diferentes, reagimos de formas diferentes. Não bem, não mal, mas à nossa maneira. Única e assim desejável. Para que o Mundo (seja ele um cubo ou uma esfera) gire.

Apologia do CPE (III)

Dominique de Villepin's attempt to tackle youth unemployment by making easier to fire new recruts is jeopardising his position as French prime minister. So why is an identical step being mulled in Germany raising only indifference there?

The German plans to introduce a trial period of up to 24 months (...) for all new employees, regardless of age, [what goes] even further their France equivalent. However, (...) the only debate has been over whether the measures go far enough down the road of labour-market liberalisation.

no Financial Times de hoje (link directo não disponível)

terça-feira, março 21

Apologia do CPE (II)

(continuação do post anterior)

O CPE vem exactamente tentar baixar a rigidez laboral e, consequentemente, os custos associados à contratação. De acordo com os números do desemprego jovem em França, é razoável pensar que inúmeras empresas não contratam porque os custos de o fazer são demasiado altos tendo em conta o benefício esperado associado.

Com esta pequena flexibilização do mercado laboral aumentam os incentivos às empresas para a contratação de jovens desempregados. A diminuição do tecto mínimo de compromissos impostos centralmente vem possibilitar um maior número de contratos, pois incrementa o espaço possível de entendimento entre as intenções da oferta e da procura, diminuindo a ineficiente carga excedente.

O trabalho fica mais precário? Fica, claramente. Mas aumenta a competitividade. Os jovens licenciados têm dois anos para mostrar o que valem, sob pena de serem, a qualquer momento, postos a andar. Não é de todo razoável pensar que as empresas comecem a contratar e a despedir sistematicamente os jovens com menos de 26 anos, abusando da facilidade. Porém, e mesmo que o façam, o jovem não fica necessariamente prejudicado pois a rotatividade do emprego aumentará. Provavelmente, muito mais cedo do que na actualidade, receberá uma nova proposta de emprego. Mais do que isso, a essa e a outras futuras propostas de emprego concorrerá com um currículo muito mais rico, diminuindo assim uma parcela importante dos riscos de contratação referidos no post anterior.

O CPE ajudará a criar uma nova geração de quadros competitivos e experientes que, a cada emprego, servirão melhor a empresa contratante. Por contraste à actual, também qualificada mas virgem de mercado, afundada em subsídios. De forma agregada, a adequação empregado-empregador melhorará substancialmente, decorrente de uma maior mobilidade humana. Com uma melhor adequação aumentará a produtividade e a qualidade dos serviços prestados pelas empresas. E daqui se segue, mais rápida ou lentamente, para a retoma.

Apologia do CPE (I)

A contestação ao CPE tem sido notícia um pouco por todo o lado. Mas o que é, afinal, o CPE?

O CPE (contrat première embauche) é uma lei que vai aumentar a precaridade dos primeiros empregos dos jovens franceses. Em linhas gerais, concede ao empregador a possibilidade de, nos primeiros dois anos de contrato, despedir um qualquer trabalhador com menos de 26 anos. Sem justificação e sem indemnização. Parece mau mas, se pensarmos bem, não é assim tanto. Vejamos o contexto.

Neste momento o desemprego entre os jovens com menos de 26 anos atinge picos históricos. Serão os jovens franceses pouco qualificados? Não. É um ciclo económico. Estamos num mau periodo e a procura de trabalho tende a diminuir, baixando o custo de empregar. Como custo entenda-se o salário, a protecção social, o custo de oportunidade, o risco de contratar alguém com fraca formação, experiência ou com fraco desempenho (prováveis num jovem licenciado).

Este ajustamento do custo seria um travão ao aumento do desemprego. Diminuia o risco associado à contratação e as empresas estavam dispostas a criar mais emprego, ainda que com menores graus de protecção e menores salários. Acontece, porém, que este ajustamento é travado, com as actuais leis, pelo Estado Francês. Ao imprimir rigidez laboral (salário mínimo, elevada protecção, avultadas indemnizações por despedimento..), o Estado aumenta o custo de recrutamento. As empresas não estão dispostas a dar tanto por alguém que pode ser um especial potenciador de falta de competitividade e de performances satisfatórias.

A contratação é, como tudo na vida, feita numa base preço-qualidade. Em tempos de crise o cuidado redobra e um investimento em capital humano só é feito com o preço baixo ou com a qualidade asseguradamente alta. Como estamos a falar de jovens até aos 26 anos, é muito difícil (senão impossível) ter na qualidade a estimulação necessária. Um jovem licenciado não dá garantias fortes. É arriscado. E por isso as empresas não contratam, e o desemprego cresce.

segunda-feira, março 20

Opinião Livre

A pedido de muitas famílias foi criado um novo espaço aqui n'O Telescópio. Um espaço de votação: o Opinião Livre.

A pergunta será semanal e poderá debruçar-se sobre qualquer tema. Trata-se de mais uma tentativa de aproximar o blogue dos seus leitores. A opinião de todos, além de livre, é fundamental. Conto com a vossa participação.

Nota: A primeira pergunta não foi escolhida ao acaso. Apesar de as hipóteses de resposta parecerem estapafúrdias, o objectivo é obter um resultado real e verdadeiro, que avalie de forma correcta a opinião sobre a mudança da linha editorial do blogue.

Wien (II)



Gonçalo, está feito! Vamos conhecer a Heidi e o Rex e ver o Rapid!

Alaíde, não me esquecerei do autógrafo;
Elise, deste sorte!
mais_linda, vou tirar muitas, muitas fotos;
Miguel, também não me esqueço da pata do Rex carimbada!
Inex, os Mirabel verdadeiros estão prometidos;
Jota, não me aproximo da estação!

Wien

Saber o que se pensa

"A contestação ao CPE é a luta contra o etarismo, que consagra direitos só para maiores de 26. Mas é também a luta contra a legitimação da anemia intergeracional, a precarização do trabalho, a discriminação e o individualismo"

Joana Amaral Dias, no DN de hoje
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A leitura integral do artigo não é dispensável mas este pequeno excerto permite tirar algumas conclusões sobre as convicções ideológicas de Joana Amaral Dias. Nesta frase, JAD caracteriza os manifestantes e identifica os seus inimigos. Neste saco de inimigos coloca a discriminação e o individualismo. JAD, assim como os manifestantes, é apologista da predominância do grupo sobre o indivíduo. Entende o mundo como uma massa coesa desprovida de diferenças. Não consegue (e parece que nem quer) perceber um conjunto de pessoas como uma soma de indivíduos. Não concebe que, sendo as pessoas diferentes, merecem tratamentos discriminatórios, ajustados à sua individualidade. Assim, mais do que contestar o CPE, JAD contesta a diferença.

Não é esta, admito, a mais visível face desta ofensiva ao CPE mas, olhando bem, talvez possamos descobrir nesta questão basilar a grande fractura ideológica que potencia a discussão. Eu defendo o individualismo e a discriminação. JAD não.

domingo, março 19

Dúvidas existenciais (II)

Se, confrontados com uma dada situação, ficamos em dúvida sobre se é momento de sermos racionais ou espontâneos, não estamos já a ser racionais?

Dúvidas existenciais

Quando confessamos a um amigo que gostamos de alguém, uma das sugestões mais comuns é "vai lá e fala com ela". Ao que nós respondemos que "as coisas não são bem assim..".

Porém, quando é um amigo nosso que nos vem falar da sua paixão, nós fazemos a mesma recomendação (vai lá, diz-lhe o que sentes!) e ele responde-nos, abanando a cabeça, que "as coisas não são bem assim..".

Mas e se forem?

sábado, março 18

Lente Ocular


Sereia

Directamente

Os delegados do PSD aprovaram as directas num congresso considerado morno pelos jornalistas "habituados àquelas coisas". O Congresso não era electivo (como alguém teve a inteligência de relembrar) e o tema (único), que se antevia fracturante, afinal não o foi, visto até ter juntado o líder e o seu principal opositor no mesmo lado da barricada. Só mesmo os jornalistas mais optimistas poderiam esperar algum sangue.

Um outro momento fica na história deste Congresso. Atacando o argumento de que as directas matam o Congresso do PSD, um dos acontecimentos mais marcantes e lendários do partido e da própria política nacional, Marques Mendes disse que "o PSD não é um produtor de espectáculos televisivos". Marcou pontos. Muitos. Interna mas principalmente externamente. Há que saber definir o core dos movimentos partidários. Até porque o Congresso continuará a existir e a ser um momento marcante, de debate e de encontro da família laranja. Claro que vai ser diferente. Provavelmente começarão a rarear os grandes momentos que ficam nas páginas dos livros de história e certamente os jornalistas deixarão de achar que o Congresso foi morno, pois morno passará a ser o normal nos futuros Congressos, onde o líder já chega eleito. Ganha-se, porém, credibilidade. Foi isso que Marques Mendes quis mostrar.

sexta-feira, março 17

O espaço do pragmatismo

"O PS, com Sócrates, passa claramente para a área social-democrata reformista e vem ocupar o lugar que teoricamente estava ocupado pelo PSD. (...) No puro plano das ideias um pensamento de direita é completamente diferente dum pensamento de esquerda, mas quando se pega num país para governar, não há diferenças substanciais. O primeiro ministro pegou numa visão pragmática do país e está a ver se resolve os problemas."

Maria José Nogueira Pinto, em entrevista ao Metro (de 16/03/06)
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Na política portuguesa existem três áreas: a da direita, a da esquerda e a do pragmatismo. A primeira e a segunda ocupadas de forma continuada pelos três menores partidos e a última ocupada ora pelo PS (encostando o PSD à direita) ou pelo PSD (encostando o PS à esquerda). Neste momento, MJNP tem razão. Sócrates está a ocupar o espaço do pragmatismo.

quinta-feira, março 16

Publicidade Institucional

"Neste contexto, e centrando-me na temática do preservativo, o seu uso deve ser incentivado. Não estou de acordo com os argumentos que defendem que a distribuição de preservativos e a sua vulgarização sejam incentivos ao sexo antes do tempo por coerência. Se não forçado, acontece quando se escolhe que aconteça. Porém, e mesmo que seja considerado um incentivo, incentivar relações sexuais saudáveis é uma atitude correcta."
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Depois de um mês e tal de interregno, novo texto na Torre degli Angeli, de título Sobre os preservativos nas escolas, publicado hoje no Diário do Barreiro.

Maturidade e declínio

As últimas semanas têm sido marcadas pelo encerramento de vários blogues que há muito se tinham afirmado como parte da praça. Mesmo que tal não signifique o fim da vida blogoesférica dos autores, dá que pensar. Logo, quando tiver tempo, a lista de ligações vai levar uma pequena volta.

Mudam-se os tempos

Euforia coloca PSI-20 acima dos 10 000 pontos

Eu ainda sou do tempo em que os analistas diziam que era difícil para a Bolsa Nacional quebrar a barreira psicológica dos 9000 pontos. Não deixa de ser entusiasmante para todos as pessoas ligadas à área financeira observar este dinamismo, esta demonstração de força do mercado. A prová-lo está o facto de, as 08h02m já não existirem Diários Económicos disponíveis à entrada da Faculdade.

quarta-feira, março 15

O Monopólio não é monopólio do Intervencionismo

"Em condições de plena de liberdade de acesso à actividade e ao mercado e de integral liberdade de escolha, o monopólio só acontece quando um dos fornecedores se destacou de tal forma perante os outros, em preço e qualidade, que conseguiu que toda a procura o preferisse a ele, levando os restantes a abandonar o mercado.

(...) o problema não se coloca (...) [quando] o monopólio é fruto da liberdade de escolha. O problema começa quando esse fornecedor, porque em monopólio, começa a cobrar preços não razoáveis ou a prejudicar a qualidade, restringindo a possibilidade dos indivíduos acederem a oferta de qualidade e de preço aceitável. Nesse momento, sai quebrada a relação entre a oferta e a procura.

Ora, num mercado livre, o fornecedor monopolista não pode atrever-se a quebrar essa relação, porque sabe que a qualquer momento podem entrar novos fornecedores no mercado, dispostos a seduzir a oferta e a lucrar com a anquilosidade da oferta monopolista existente. O fornecedor monopolista, se assim quiser continuar, terá de manter os seus preços e a sua qualidade num nível tal que impeça outros fornecedores de achar atractiva a sua entrada no mercado. E estes só não vêem atractivos, se a procura estiver satisfeita."

Adolfo Mesquita Nunes, igual a si próprio mas num sítio diferente, em mais um grande Ponto de Fuga.

OPA concorrente vs contra-OPA

OPA concorrente: é uma oferta lançada por uma empresa X sobre uma empresa Y para anular (ou em resposta a) uma anterior OPA lançada sobre a empresa X por uma empresa Z. Tem alguns requisitos, como a obrigação de ultrapassar em 5% o valor da anterior oferta. É isto que pode acontecer no caso PT: pode aparecer uma OPA concorrente; não pode haver uma contra OPA.

contra-OPA: é uma oferta lançada pela empresa X sobre a empresa Y que lhe havia lançado previamente uma OPA. É uma resposta típica quando há capacidade para tal e, ao que parece, foi a possibilidade de o BPI assim responder que trouxe hoje uma grande animação à nossa Bolsa. Tal operação só é possível porque a maioria do capital do Millenium está ele próprio disperso (quer em Bolsa quer em investidores dos quais se pode esperar uma venda). Neste caso, a guerra das administrações passa para os accionistas, podendo ambas as operações (de controlo) fracassar, se a maioria dos shareholders mantiver as posições. No caso da PT não pode haver uma contra-OPA porque a maioria do capital da SonaeCOM está nas mãos da Sonae SGPS, cujo controle accionista está na mão da família Azevedo. Que, obviamente, não vai vender.

terça-feira, março 14

"Depende"

O editor de economia da SIC, comentando a OPA ao BPI e respondendo a questões de interesse para o consumidor comum como "a OPA traz mais concorrência?", "a OPA traz um melhor serviço?", "os trabalhadores devem-se preocupar?" e "é um bom momento para comprar ou vender acções?" usou quase sempre a mesma palavra, digna de um bom aluno de Gestão da Nova.

À primeira vista, não me surpreende

O novo romance do Sparks, de nome À primeira vista, entrou directamente para o topo dos livros mais vendidos na Fnac e na Bertrand. Não me surpreende mesmo.

Nicholas Sparks conseguiu construir pelo Mundo inteiro uma enorme reputação, não só alicerçada na qualidade como na regularidade dos seus romances. A última publicação, Quem ama acredita (comentário aqui), saiu para as bancas há cerca de dez meses. Portugal não escapou à regra e desde o enorme sucesso da adaptação cinematográfica de As palavras que nunca te direi que cada novo lançamento do autor é revestido de grande expectativa e de bons lugares nos tops. Até pode um dia perder a inspiração ou simplesmente achar que já chega de escrever e refugiar-se com a sua família, em New Bern, a gozar um merecido descanso. Seja como for, o seu lugar na História da literatura está guardado.

Manifestação de Polícias

Não sei como foi no resto do País mas, no Terreiro do Paço, a expressão meia dúzia de gatos pingados aplica-se de forma literal.

segunda-feira, março 13

Mega


Em apenas quinze minutos de viagem rodoviária, a Mega FM proporcionou-me, para além da simpática voz da Catarina Miranda, quatro músicas seguidas de qualidade (bem) acima da média, que me fizeram voltar para casa meio rouco, embora sem vidros partidos.
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Linkin Park - Numb (it's be more like meeeeeeeeee and be less like youuuuuuuuu!)
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Bob Sinclair - Love Generation (give some loveeeeeee to everyone that you meet!)
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Goo Goo Dolls - Iris (or the moment of truth in your liess...)
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Survivor - Eye of the Tiger (just a man and his will to surviiiiiiiiiveee!!)

Capacidade Nacional

O grande tecido empresarial português estava praticamente bloqueado a ofensivas estrangeiras. Porém, gradualmente, anteviam-se mudanças. O BPI aprovou na passada semana o aumento do limite aos direitos de voto; a golden share da PT encontra-se sob a mira de Bruxelas, o que abre também caminho à desblindagem de estatutos. A médio prazo, estes grupos económicos estariam à mercê de vários gigantes estrangeiros, o que não era (sublinhe-se) necessariamente mau.

Antes disso, porém, há um periodo de transição. Ironicamente, aquele em que vivemos agora. E aqui, neste pequeno espaço de tempo, uma (possível) ofensiva estrangeira contaria com a (ainda possível e provável) oposição estatal, para além de uma comoção nacional que, embora injustificada, poderia deitar tudo a perder. É aqui que entram os colossos nacionais, que dispõe aqui de uma oportunidade única de, aproveitando a liberalização mas beneficiando de protecção, têm a possibilidade de crescer internamente e ganhar músculo para encararem o mundo globalizado. A Sonae e o Millenium responderam à chamada. Independentemente da pequena capa que os pode ter ajudado na decisão, demonstraram algo que muitos pensavam que não existia: capacidade nacional.

Criar VALOR


Foi a expressão mais utilizada por Paulo Teixeira Pinto, na conferência de imprensa de há pouco.

Breaking News

BCP lança OPA sobre o BPI

Quando se pensa que o Mercado já não nos consegue surpreender, eis que há alguém que diz não, há alguém que se lança no desafio da conquista. Entretanto, o BPI já valorizou 25%. Mais comentários para logo, que agora não tenho tempo.

domingo, março 12

Net Present Value

A lei da paridade, que será discutida este mês no Parlamento, foi igualmente focada pelo primeiro-ministro, que acusou aqueles que estão contra a criação de quotas de quererem "é que tudo continue na mesma"

in Público

Apesar de ser um fã da inovação e da ruptura com os paradigmas como meio de progresso e desenvolvimento, há alturas, caro Primeiro Ministro, em que mais vale ficar quieto. Nem sempre a mudança é necessariamente melhor do que a não-mudança. Há que fazer a relação custo-benefício.

Gira-Discos

(clicar para ouvir)
http://www.thecrutch.net/mp3/thekillers-mrbrightside.mp3
The Killers - Mr. Brightside


The Killers - Mr. Brightside (it was only a kiss, it was only a kiss..)

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De tal modo que o repeat está sempre activo quer no PC quer no discman, deixando-se a música tocar uma e outra e outra e outra vez. De tal modo que sabemos a letra de cor, que a cantamos por todo o lado, que vamos estudar e não nos concentramos porque continuamos a cantá-la. De tal modo que, na rua, às vezes as pessoas olham para nós desconfiadas porque nos vêem a mexer os lábios, a abanar a cabeça ou a marcar o ritmo nos ferrinhos dos bancos dos autocarros ou do metro. De tal modo que nas aulas a Ana olha para mim e faz-me aquela cara que eu tão bem conheço desde os tempos do primeiro semestre e me faz parar de imediato de fazer barulho e pedir desculpa. De tal modo que quando nos deitamos o sono demora mais tempo a vir porque a estamos a cantar interiormente. De tal modo que deixamos o discman ao pé da cama para ser a primeira e última música do dia. Já alguma vez vos aconteceu isto? A mim já. Aqui, e agora.

Quem ousa

"A «classe média», oriunda de Boliqueime, teve a ousadia de ascender a Belém. Ontem, hoje e amanhã, a afronta nunca será perdoada"

Paulo Gorjão, no Bloguítica

sábado, março 11

Dois anos


Para que não nos esqueçamos de recordar. Madrid, 11/03

Memorable Quotes


"Why we are on this particular mission, we'll never know. But I do know, here today, that the Black Knights will emerge victorious once again."
.
Capt. Jimmy Wilder [impersonating Rev. Jesse Jackson], in Independence Day

Ouvido de passagem


"As pessoas são como os caracóis. Um bocadinho de sol e vêm todas cá para fora"

Que abruptidade!

Depois do texto de JPP publicado na Sábado, que consegue a proeza de juntar no mesmo saco o gang Acidental, o grupo parlamentar do CDS e a Atlântico, classificando-os como braços armados de Paulo Portas, O Telescópio deixa, a partir de agora mesmo, de lincar o Abrupto, em sinal de protesto. Não é um incentivo à não leitura do blogue de JPP, não é uma tentativa de o marginalizar. É apenas um meio de exprimir a profunda desilusão que o texto provocou em alguém que, apesar de tudo, era um leitor razoavelmente assíduo das suas opiniões e o considerava um dos mais importantes dinamizadores da blogosfera lusa.

sexta-feira, março 10

A informação não é objectiva

O facto: A economia portuguesa cresceu 0.3% no ano passado. No último trimestre, o crescimento foi de 0.7%.


Abertura do Jornal Nacional, da TVI (de memória): "Os piores receios confirmam-se. A economia nacional esteve próxima da estagnaçao no ano passado".

Abertura do Jornal da Noite, da SIC (de memória): "A economia mostra sinais de retoma tendo crescido, no ultimo trimestre, mais do que o dobro da média anual".

Obrigado

A quem achou a minha carteira e a deixou nos seguranças, imaculada, um grande bem haja. Já não aguentava outro dia a pré comprados..

Gigante (eu bem disse!)


Gostava de ver o Barcelona na final. Mas assim não vai dar.

quinta-feira, março 9

Apelo

A quem encontrar a minha carteira pede-se o favor de a deixar nos seguranças da Faculdade. Podem ficar com os cinco euros.

Senhor Presidente (II)

Cavaco esteve hoje igual a si próprio. Ambição, desafio, confiança e meritocracia. É o que se espera de Portugal nos próximos tempos, sob a batuta dos únicos dois homens que já lograram, sozinhos e enquanto líderes dos respectivos partidos, alcançar a maioria absoluta dos votos dos portugueses.

Falam-se dos anos de governo de Guterres como a oportunidade perdida. Mesmo com um contexto totalmente diferente e com um nível de dificuldade bastante maior, parece que hoje poderá ter sido o dia 1 da nova oportunidade. A seu favor Sócrates e Cavaco têm a cada vez mais generalizada convicção de que o tempo do deixa andar terminou. É hora de mudança e de romper paradigmas. E Teixeira dos Santos parece também estar lá para ajudar, tendo-se transformado numa das mais valias do Executivo, uma agradável surpresa (principalmente para os que, como eu, temeram o pior com a queda de Campos e Cunha).

Hoje, Portugal, é a hora!

p.s. Não gostei nada da medalha ao Sampaio. Já percebi que é da praxe mas, mesmo assim, não gostei. Não só pelas recentes polémicas com a entrega desmesurada de medalhas mas também porque, para mim, Sampaio ficaá sempre na História como o Presidente da marcha atrás. Portugal está hoje muito pior do que há dez anos. E Sampaio, mesmo sem culpas directas, deverá ter, como Constâncio, a consciência bem pesada. Era deles que se esperava uma acção interventiva enquanto o País caminhava para o abismo. E não a tivemos.

Desfasamentos

A maioria dos bloggers escreve muito durante a semana e pouco ao fim de semana. Não querendo teorizar, é possível que no trabalho tenham sempre um computador por perto ou então andam de portátil. Seja como for, normalmente é durante a semana que acontecem coisas dignas de comentário blogoesférico e é durante a semana que a malta anda pelos blogues dos outros, lendo o que por lá se escreve.

Eu escrevo mais ao fim de semana do que durante a semana. Coisas de estudante. Por vezes sinto que se fosse mais assíduo e tratasse melhor do blogue nas horas normais o meu blogue seria um tamagochi mais feliz.

A propósito da referência, é impressão minha ou o Rodrigo anda muito afastado aqui da área?

Senhores da Bola (ou VENHA O BARÇA!)

Simão


Miccólio

Senhor Presidente

quarta-feira, março 8

Ai o proteccionismo

Joana Amaral Dias repara e sublinha que é a um jornal espanhol que o Presidente eleito dá a sua primeira entrevista. Para além da necessidade de renovação da projecção internacional de Cavaco, sublinhada por Paulo Gorjão, o Presidente eleito talvez também tenha entendido que um jornal nacional não seria o melhor meio para fazer passar, sem deturpações, a mensagem que pretendia. Como exemplo:

Cavaco considera morta Constituição Europeia, título do DN

No creo que en este momento sea posible resucitar el texto tal como está, pero es un buen punto de partida para una nueva reflexión que es necesario realizar para proceder a alteraciones de los tratados, discurso directo, via ABC

Deu para perceber a diferença?

Condenável, mas compreensível

Polícia queniana invade redações e prende jornalistas

Ministro justificou ataques a grupo de imprensa dizendo que jornal e TV conspiram contra o governo

Vamos a eles

terça-feira, março 7

Desilusão

O contra-ataque da administração da PT foi uma vergonha, uma autêntica desilusão para quem (como eu) esperava uma bela guerra de números entre os dois gigantes. Zero de projectos concretos e muitas ideias copiadas das intenções da SONAE (se pretendiam vender uma das redes porque é que só o disseram agora?).

O único trunfo é.. dar dinheiro aos accionistas.

A grande incoerência desta promessa é, mais do que a evidenciada pelo João Miranda, a de que Horta e Costa tem afirmado até à exaustão de que os 9.50 são baixos para o valor da PT e promete agora mundos e fundos aos accionistas para estes não sucumbirem à OPA. Se o seu primeiro argumento fosse válido bastar-lhe-ia falar dos projectos em curso, apresentar resultados ou previsões de cash flows que suportassem o dito. Mas não. Horta e Costa teve de anunciar outras medidas. Nem sequer medidas para aumentar o valor da empresa mas para aumentar o valor a distribuir aos accionistas o que, como diz Paulo de Azevedo, é um artifício. Todo o valor extraordinário distribuído terá de ser deduzido de alguma forma. O recurso à dívida, spin off da PT Multimédia e o share buyback (compra de acções próprias) foram os apontados como utilizáveis pelo ainda CEO da empresa que ainda teve tempo para cometer uma pequena gaffe, ao falar da previsibilidade de chumbo da concentração no mercado específico das comunicações móveis (Optimus + TMN) quando a AdC já anunciou que vai analisar o dossiêr como um todo. Se Horta e Costa vencer, as acções vão-se ressentir de alguma forma. O mercado não costuma pactuar com estes truques e, se isto é o melhor que Horta e Costa tem para oferecer, Belmiro bem pode esfregar as mãos.

A derradeira prova

Se ainda havia alguém que, por simples provocação ou não, insistia em chamar O Acidental de braço armado blogoesférico do CDS-PP, perdeu hoje toda a capacidade de argumentação com a publicação de três postas seguidas (esta, esta e esta) a criticar duramente (e bem) as posições do dito partido a propósito do aumento das taxas moderadoras.

Equívocos

José Sócrates anda, segundo o Bruno Pais do Elba Everywhere, desfasado da realidade. Anda em viagem pela Finlândia a procurar inspiração no modelo finlandês enquanto que, por cá, os economistas dizem que esse modelo não é aplicável a Portugal. (links disponíveis só para assinantes)

Eu digo mais: a Finlândia, em última análise, não passa de um país mono-exportador, qual terceiro mundo africano. A única diferença é que em vez de batatas ou cebolas, exporta telemóveis. Um belo dia em que, fruto da enorme e tendencialmente crescente concorrência no sector de fabrico dos telemóveis, a Nokia deixe de dominar o mercado, a economia da Finlândia nunca mais é a mesma.

segunda-feira, março 6

Parabéns!

Um ano de bodegas atrás de bodegas. Um blogue que, desde que descoberto, tornou-se uma verdadeira necessidade. Continuação de bom trabalho, caro Bruno.

Marcha Imperial


Crash

Tendo em conta os resultados do escrutínio de ontem e a sua disparidade para com as previsões aqui apresentadas, venho por este meio comunicar aos caros leitores a minha demissão do cargo de crítico de cinema oficial d'O Telescópio. Aceitam-se CV's de potenciais candidatos.

Nota: 1) Acertei na previsão dos efeitos! Os responsáveis do King Kong arrebataram os prémios para o Melhor Som, Efeitos Visuais e Montagem de Som (ficaram a um Óscar do Matrix, que fez o pleno há uns anos atrás). 2) O meu pequeno apelo para o "esquecimento" do Fiel Jardineiro foi ouvido e Rachel Weisz foi a vencedora do Óscar de Melhor Actriz Secundária. 3) Mesmo a previsão da possibilidade de festa antecipada para o filme que ganhasse o galardão para o Melhor Argumento Adaptado falhou por pouco. Apenas me esqueci de considerar os nomeados para o Melhor Argumento Original, onde se encontrava o Crash.

domingo, março 5

Hoje há Óscares

A minha aposta.
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Não vai ser favas contadas. O facto de ter poucas nomeações faz de Munich um candidato frágil quando comparado com o outro grande concorrente, o Segredo de Brokeback Mountain, que conta com nomeações em todas as categorias de actores. O vencedor do Óscar de melhor argumento adaptado, cujos nomeados incluem a maioria dos nomeados para melhor filme, poderá fazer a festa antes do tempo. Se o vencedor deste Óscar não for nenhum dos dois filmes anteriores a gala fica fora do controlo de qualquer crítico e todas as análises caem por terra, podendo-se esperar grandes surpresas.
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As estatuetas das categorias musicais, cada vez mais cobiçadas e de atribuição inesperada depois do fim da era Disney, deverão ser repartidas. Por outro lado, os Óscares dos efeitos especiais deverão ir todos parar aos senhores do King Kong. Os grandes ausentes da noite são o Fiel Jardineiro (imperdoável) e Match Point, nomeados apenas num par de categorias.
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A gala tem transmissão directa na TVI (espero que os comentadores se abstenham de falar enquanto Jon Stewart andar a fazer das suas). Para amanhã um pequeno comentário aos resultados.

O direito à verdade

Clarification: Katrina-Video story

ASSOCIATED PRESS WASHINGTON (AP) _

In a March 1 story, The Associated Press reported that federal disaster officials warned President Bush and his homeland security chief before Hurricane Katrina struck that the storm could breach levees in New Orleans, citing confidential video footage of an Aug. 28 briefing among U.S. officials. The Army Corps of Engineers considers a breach a hole developing in a levee rather than an overrun. The story should have made clear that Bush was warned about floodwaters overrunning the levees, rather than the levees breaking. The day before the storm hit, Bush was told there were grave concerns that the levees could be overrun. It wasn't until the next morning, as the storm was hitting, that Michael Brown, then head of the Federal Emergency Management Agency, said Bush had inquired about reports of breaches. Bush did not participate in that briefing.

Parece que a história não estava nada bem contada. O aviso aconteceu de facto, mas para o perigo da a água passar por cima dos diques, um acontecimento bem menos grave e mais facilmente solucionável do que o rebentamento dos diques, que se veio a verificar.

O comportamento da AP foi o correcto. Resta agora esperar que a imprensa portuguesa, que rapidamente veio lançar a bomba de que Bush tinha mentido, publique também este comunicado da AP. Em nome da isenção.

via Insurgente (quase ipsis-verbis)

Faltam 4 dias


"Creo que el proteccionismo no es respuesta a los problemas de la UE. (...) Hay que dejar funcionar el mercado y las reglas vigentes de la competencia. Lo que pueda ser hecho para conservar lo que llamamos los centros de decisión estratégica no puede ser en violación de las reglas comunitarias ni debe ser realizado a costa de los consumidores."

"Europa y EE.UU. comparten valores de civilización comunes. Lo que une a los dos lados del Atlántico es mucho más fuerte que lo que ocasionalmente los puede dividir."

sábado, março 4

Movimento 560 revisited (II)

Realmente, e mais uma vez pegando nas afirmações do Dos Santos, Portugal é "um país constituído por milhões de pessoas que pensam e agem de forma diferente, possuem necessidades distintas umas das outras e se deparam com uma diversidade enorme de situações e condições", pelo que "a escolha [das pessoas] é sua e é necessário recordar que Portugal são os portugueses e, portanto, o que as beneficiar, estará a beneficiar directamente Portugal". E assim a preferência por produtos estrangeiros sinaliza que alguns produtos portugueses não conseguem satisfazer as necessidades dos portugueses. As consequências não são automáticas. O desemprego e as falências só acontecem se os empresários portugueses não reafectarem os seus recursos em tempo útil e assim irem ao encontro do procurado.

Porém, além da liberdade de escolha, a concorrência perfeita tem outros pilares, entre eles um muito importante e às vezes ignorado: a informação. Antes do aparecimento do Movimento 560 pouca gente conseguia identificar os produtos com origem nacional. Sendo os portugueses, como já se disse e muito bem, todos diferentes, haverão com certeza muitos para quem a nacionalidade do produto ou da mão de obra serão factores de peso nas escolha por este ou aquele artigo. Se muita gente não está diposta a pagar mais por algo nacional, outros certamente estarão, pelo que a iniciativa, embora tenha alguns tiques intervencionistas (o mude de atitude ou o tome a decisão correcta), tem esse grande mérito que é o expandir o conhecimento dos consumidores. E esse mérito, apesar de todos os aproveitamentos meio enganosos feitos (como é o caso do do grupo Auchan), ninguém o tira. Este movimento e todas as campanhas com ele relacionadas contribuíram para uma melhor escolha. Escolha essa que, para todos os efeitos, visto não haver qualquer coerção, continua tão livre como dantes.

Movimento 560 revisited (I)

Relativamente a este post do Dos Santos cabe-me, já que nenhum dos mentores do projecto o fez, esquematizar umas coisas.
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O Movimento 560 surgiu, como se pode
ler numa lógica de apoio à produção nacional, uma ideia de um grupo de três amigos meus (o Pedro, a Cátia e o Bruno). A grande ideia, especulo, terá surgido com a descoberta de que os códigos de barras dos produtos fabricados em Portugal ou por marcas nacionais começavam por 560. Admito que, se ao princípio me pareceu uma mega ideia (sensibilizar as pessoas, apoiar a produção nacional), rapidamente o mesmo raciocínio aqui explicitado (últimos parágrafos) imperou e comecei a interpretar este movimento como uma pequena deriva proteccionista/nacionalista, ainda para mais conhecendo as tendências ideológicas de alguns dos meus amigos.
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Depois de algumas conversas com o Pedro e também atendendo a outras opiniões de que tenho tido conhecimento parece-me que a principal mensagem tem vindo, de facto, a ser um pouco deturpada, na medida em que a comunicação social, que deu uma grande notoriedade ao projecto, tem-lo apresentado como uma ideia para ajudar a produção nacional ou a preocupação de três jovens para com a economia portuguesa, aproveitando e explorando a tal crença (errada) de que comprando o tal produto nacional se ajuda a economia e o País.

Destak e Metro - mass marketing

Os jornais gratuitos foram o aproveitar de uma das melhores oportunidades de negócio de sempre. Apesar de serem ideias importadas do estrangeiro, o bom trabalho de campo realizado previamente pelos responsáveis pelo lançamento dos produtos está a ter resultados visíveis. É raro encontrar, nos espaço-alvo, um indivíduo que não tenha um exemplar de um, de outro, ou dos dois (estes jornais parecem não ser entendidos como concorrentes; será o factor preço?). Porém, para manter a sutentabilidade da coisa, havia que conseguir receitas para remunerar o pessoal (que não é assim tão pouco) e toda a logística, visto não haver pagamento directo por parte do consumidor.

A aposta na captação de publicidade tinha de ser grande e está a ser ganha. A tendência de crescimento do número de páginas destinadas à publicidade é óbvia, assim como a regularidade com que se recebe um exemplar cuja primeira página é exclusivamente publicitária (a história da vaca), algo que não deve ser nada mal pago.

Mais do que chegar a um sem número de pessoas, ambos os jornais conseguiram que se reconhecesse que, realmente, chegam a esse sem número de pessoas. As agências de publicidade sempre estiveram atentas a este fenómeno e neste momento assiste-se a uma sinergia importantíssima, pois se os departamentos financeiros dos jornais se regozijam com o aumento de receitas as agências conseguem, com uma só campanha ou anúncio, atingir um elevado target de potenciais clientes, bem heterogéneo. O último fôlego do mass marketing.

sexta-feira, março 3

Episódios por Lisboa

Hoje fui renovar o BI. Não fazia a ideia de como chegar ao Arquivo de Identificação mas com as preciosas ajudas da mãe do namorado da Ana (!) e do senhor Joaquim, segurança da estação de Metro do Areeiro, lá consegui encontrar o dito.

Não tinha fotografias, mas a consciência de que o ser humano é inteligente, tem espírito capitalista e aproveita as oportunidades dava-me a certeza de que encontraria uma loja de fotografias nas imediações. Quando cheguei não pude deixar de sorrir. É mesmo a loja ao lado. Entrei e deparei-me com uma fila de cerca de meia dúzia de pessoas. Olhei para o preço. Seis euros por seis fotografias.

Ainda me ia saindo um Safa! mas não saiu. Pensei melhor. Certamente a disponibilidade a pagar dos clientes daquela casa é bem elevada. Provavelmente, até a dois euros a foto a loja rendia. Claro que aumentariam os incentivos para tirar as fotos ao pé de casa ou, caso extremo, para a abertura de uma outra loja de fotos, assim se apercebesse dos preços monopolistas. A beleza está no equilíbrio. E no mercado livre.

Subsídios Mínimos

Daniel Bessa, em entrevista ao Semanário Económico (ainda não está online), defende o fim do salário mínimo e do subsídio de desemprego:

Daniel Bessa: Parece-me racional [a discussão na Alemanha sobre esta temática], as pessoas têm que trabalhar e têm que o fazer enquanto o mercado tiver condições de lhes pagar e se isso as põe abaixo de mínimos considerados indispensáveis, o Estado tem que acudir (...)

SE: Isso não é uma visão muito liberal?

Daniel Bessa: Não, imagine um caso em que alguém tem um vencimento de 5 mil euros e (...) fica desempregado. A solução que temos diz-nos que esse senhor vai à procura de um emprego compatível e que enquanto não arranjar 5 mil euros por mês está no subsídio de desemprego. Não sei se podemos pedir a uma sociedade inteira - e estou a dar um exemplo extremo - que suporte isto. Porque a pessoa talvez (...) consiga 3 ou 4 mil euros. E pode ter um modo de vida decente. (...) Se estiver abaixo do mínimo cá estaremos para acudir (...)

O nosso homem na Europa


José Manuel Durão Barroso, o presidente da Comissão Europeia, recomendou aos políticos terminarem com a «retórica nacionalista» e prometeu defender as leis contra o proteccionismo, na sequência da disputa entre a França e a Itália sobre as fusões e aquisições no mercado energético.
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via Acidental (não acho, caro FMS, que se tenha, apesar de tudo, perdido um mau PM), via Jornal de Negócios
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A única explicação para o facto de José Manuel Barroso não ser, quase todas as semanas, capa de algum jornal ou notícia de abertura dos telejornais, é ser oriundo do espaço do centro-direita. Porque, e tendo em conta o ambiente soturno em que anda mergulhada a Europa e com todos os fantasmas que pululam pelos corredores de Bruxelas, produzir afirmações deste calibre é algo de espantoso. Daqui a uns anos, talvez, nos apercebamos que José Barroso anda a escrever a sua página na História.

quinta-feira, março 2

A propósito

Ainda a propósito dos cartoons, a bancada municipal do PSD Barreiro apresentou, na última sessão municipal, a moção "Liberdades", relacionada com a polémica e apelando a um voto de repúdio pelos atentados à liberdade de expressão, religião e informação. O texto, apresentado por Pedro Gomes, líder da JSD local, foi chumbado pela maioria comunista.

Não deixa de ser engraçado que uma bancada que, como disse o Pedro Gomes, "está sempre a defender a liberdade, a democracia e a Constituição da República", vote contra uma moção deste género. Além disso, os deputados da CDU ainda entenderam chumbar o voto de congratulação e de votos de bom trabalho a Cavaco Silva, também apresentado pelos sociais democratas, que contou com a abstenção das outras forças (o Bloco e o PS). São definições de democracia bem estranhas, as destes deputados.

Mais informações aqui

O melhor cartoon

Já é um pouco velhote, visto os Jogos Olímpicos até já terem acabado. Não sem antes terem contribuído para uma grande tristeza minha, ao saber do escândalo de doping que atingiu a equipa austríaca.
Seja como for, aqui fica o cartoon. Numa palavra, excelente!


via O Número Primo

The Best

Watch Videos:




The best, the best, the best, the best, the best, the best, the best, the best, the best, the best, the best, the best, the best, the best, the best, the best, the best, the best, the best, the best, the best, the best, the best, the best, the best, the best, the best, the best, the best, the best, the best, the best, the best, the best, the best, the best, the best, the best, the best, the best, the best, the best, the best, the best, the best, the best, the best, the best, the best, the best, the best, the best, the best, the best, the best, the best, the best, the best, the best, the best, the best, the best, the best, the best, the best, the best, the best, the best, the best, the best, the best, the best, the best, the best, the best, the best, the best, the best, the best, the best, the best, the best, the best, the best, the best, the best, the best, the best, the best, the best, the best, the best, the best, the best, the best, the best, the best of you
Mais um Choque Tecnológico, logo pela manhã.

Nada melhor para começar. Esta actuação ao vivo está espectacular. A música Best of you tem sido, nos últimos tempos, sinónimo de cabeça erguida e bola p'rá frente. Não é raro ser a primeira música do dia (como hoje, por exemplo), ouvida para acordar e para dar força. Dedicada, com um obrigado, à maravilhosa mais_linda, que me ajudou com os códigos.

quarta-feira, março 1

Várias heresias

O Blasfémias faz hoje dois anos. Foi dos últimos colossos que comecei a visitar com regularidade mas que rapidamente se tornou uma leitura assídua e interessante. Agora continua assídua mas com picos de desinteresse. A saída do Rui e do RAF foram perdas bem sentidas, na minha opinião. O Blasfémias afastou-se um pouco da realidade e tem criado muitos anti-corpos. Se é bom ou mau não sei. Mas é.

Porém, não deixo também de ver com agrado o ascendente do jcd, ao mesmo tempo que não consigo produzir opinião sobre o aparente crepúsculo do João Miranda. Podem ser fases, ou pode ser o início de uma fase. Seja como for, os meus parabéns.

A Escola Britânica

Escolas públicas britânicas vão poder ser geridas por pais, empresas ou grupos religiosos

A proposta de Blair prevê que as escolas possam escolher os seus alunos (...) A lei prevê ainda que pais, empresas e grupos confessionais possam gerir escolas que fazem parte do sistema de ensino público. Os estabelecimentos - que vão poder gerir o espaço e contratar pessoal - terão ainda autonomia para desenvolver parcerias com organizações exteriores e estabelecer "federações" com escolas secundárias vizinhas. O Governo acredita que esta autonomia vai servir para as escolas tomarem iniciativas próprias e, tal como os colégios privados, desenvolver programas educativos que as diferenciem umas das outras.

Problemas na aprovação

O texto, que deve começar a ser debatido a partir do dia 15 deste mês, conta com a oposição de dezenas de deputados rebeldes do Labour (cuja maioria ficou reduzida a 61 deputados em 2005). Blair, consciente da humilhação que seria aprovar a reforma da educação com o apoio dos Tories e votos contra no seu próprio partido, afirmou na segunda-feira que queria que esta fosse uma "lei do Labour".

via Público e DN

E por cá? Como seria se tivéssemos mais do que deputados marionetes? Como seria se tivéssemos deputados conscientes e verdadeiramente livres (e não comprados por queijos) de tomar as suas decisões de voto, mesmo contra a corrente do Partido? Teríamos talvez Manuel Alegre e mais alguns deputados rosa a votar contra e outros tantos deputados laranja a votar a favor das reformas de Sócrates. Seria engraçado ver tamanha maturidade. Por agora não há. Mas não se deve perder a esperança.

Burla ou LEGÍTIMA defesa?

Sonae vai utilizar empresa holandesa para lançar OPA sobre a Portugal Telecom

A Sonae vai lançar a Oferta Pública de Aquisição sobre a Portugal Telecom com recurso a uma empresa subsidiária na Holanda, para beneficiar da isenção do pagamento do imposto de selo. (...) o não pagamento do imposto de selo associado à garantia bancária do banco financiador da operação, o Santander, está avaliado em 57,5 milhões de euros.

Na Holanda as empresas estão isentas do pagamento deste tipo de imposto em operações financeiras, enquanto em Portugal o regime fiscal obriga ao pagamento de uma taxa de imposto de selo de 0,5 por cento.

via Público

A simpatia por assassinos


Vitor Hugo Mãe, no Da Literatura, dá-nos uma pequena lista de vítimas. Uma amostra da actividade de Che, de 1957 a 1959. Claro que são apenas nomes. Nomes de pessoas que são todos os dias desonradas cada vez que uma t-shirt com a face de Che é fabricada.

Como já havia sido falado aqui, também eu tenho um ódio de estimação a esta simpatia por assassinos.

Para quem tiver tempo e quiser saber um pouco mais sobre o assunto, aconselho vivamente o download do documentário. É melhor ir vendo aos bocados, já que tem mais de uma hora de duração e está em espanhol. Mas vale a pena. Vale mesmo.