terça-feira, fevereiro 28

Carnaval em números

O Carnaval custa ao país cerca de 644 944 514 [185 091 000 000 (PIB de 2004, em dólares) * 0.9 (taxa de câmbio nominal do dólar) * 1.008 (previsão de crescimento do PIB nacional no ano passado = 0.8%) * 1.014 (previsão de crescimento do PIB nacional neste ano = 1.4%) / 360 (dias comerciais do ano) * 1.5 (que simboliza o dia de Carnaval e o meio gás de Segunda feira), tudo deflacionado por um estimado 1.10, para efeitos de correcção do ciclo trimestral] + 1 822 500 (12 150 (valor médio de subsídios atribuídos pelas Câmaras Municipais) * 150 (número estimado de municípios) ) = € 646767041

Agora temos de esperar que a soma do [ aumento da caixa do comércio devido ao afluxo de gente aos desfiles mais mediáticos ou a receita da venda de artigos carnavalescos, o aumento da procura de hotéis no Sul e na Serra da Estrela, o aumento das viagens para o Brasil e arredores, tudo deflacionado pelo recurso ao crédito (é bom não esquecer que estamos em crise) ] mais o factor a (de alegria, aquele factor não monetário que expressa o sentimento positivo criado pelo descanso, pelo passeio, pela folia, pelo convívio, pela viagem, etc.) cubram o custo de oportunidade de não produzir.

Não quero tirar conclusões. Apenas apresento números. E os números, quando usados de forma cega, têm alcance limitado. Mas ajudam.

Nota metodológica: as contas foram, como é óbvio, feitas muitíssimo por alto. Foi numa de passar o tempo. A perda de 1 dia e meio de PIB está explicada em cima, tendo sido calculada a partir do valor fornecido pela wikipedia. Os subsídios já é mais complicado. Pesquisei no google e apontei os valores dos subsídios atribuídos por mais de três dezenas de concelhos. Fiz a média dos valores e multipliquei apenas por 150 (existem 308 concelhos) com a noção de que nem em todos há desfiles e também para corrigir (por defeito) potenciais sobrestimações dos valores.

Não sei se alguém reparou...

..mas mudei o display name. A partir de hoje todas as postas e comentários da minha autoria passam a ser assinados com o primeiro e último nomes que constam no meu BI.

O asriel, espécie de nickname, acompanhou estes primeiros meses de blogue, assim como me acompanha enquanto username em mais de uma dezena de registos por aí. Não é nome de menina. É o nome do homem que fez guerra a Deus na (famosa e milhares de vezes aqui citada) trilogia do sr. Pullman. Seja como for, o tempo da associação do seu nome à minha pessoa na blogoesfera acabou.

Divagação: a questão dos anónimos pode ser muito discutida mas dificilmente se chegará (e penso até que não seria desejável) a nenhuma espécie de código de conduta. É usual começar por não revelar o nome e adoptar pseudónimos com os quais mais ou menos nos identificamos. Até fica engraçado, principalmente se mantém alguma relação com o título e linha editorial do blogue (como é o meu caso). Tem depois o tal problema da identidade. Apesar das guerras que se têm feito a alguns anónimos e das birras por causa dos seus comentários, a decisão de ser anónimo é individual e não deve ser influenciada, assim como as consequências, que passam por uma menor consideração e atenção pela sua opinião ou por dificuldades de citação. Mesmo assim, a existência de um nickname é sempre preferível ao uso do anónimo. Embora possa haver grandes curiosidades acerca da identidade de muita gente, o máximo que podemos (e devemos) fazer é tentar descobri-los, sem os prejudicar ou atacar. Por nossa conta e risco, e sob pena do mistério (e a mística) acabarem.

p.s. Vou deixar de escrever Tiago Alves no canto inferior esquerdo. Acho que faz sentido.

Momento "Fada do Lar"

Hoje descobri, quase por acaso, que a franjinhas também responde pelo nome de mopa.
Tiago Alves

segunda-feira, fevereiro 27

E não pára!

Hoje músicas, amanhã videos. Está quase, mais_linda.
Tiago Alves

Carruagens de Fogo

(clicar para ouvir)
Chariots of Fire
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Choque Tecnológico n'O Telescópio.
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Começo com um grande épico, que a maioria das pessoas associa ao filme Momentos de Glória (tradução portuguesa), outra grande produção, vencedora do Óscar de Melhor Filme em 1982, e que conta a história de um atleta olímpico escocês, pouco conhecido, que deixa de correr na sua prova preferida (os 100m) e para a qual se havia treinado arduamente desde sempre devido a esta se realizar num Domingo, dia sagrado para um cristão devoto, como ele era. Acaba por correr numa outra prova (os 400m) para a qual não se tinha preparado condignamente, e acaba por ganhá-la, conseguindo aqui o seu momento de glória ao bater o recorde mundial. A acção passa-se nos jogos de Paris, em 1924.
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A música é dedicada ao AA e ao AMN, que me facultaram, numa atitude bem liberal, os códigos para as músicas. Mais uma vez a apoiarem os pequenos e médios bloggers. Obrigado. Que os momentos de glória nunca vos abandonem.
Tiago Alves

Debate Ideológico

Quando alguém me diz que as ideologias não interessam e que se vota é em pessoas eu tenho sempre tendência para discordar. É óbvio que há pessoas boas e más, competentes e desajeitadas em todas as forças políticas, mas isso não quer dizer que se deixe o combate ideológico de fora da discussão.

Em Portugal, esta inexistência de debate deve-se, primeiro, ao esfumar da barreira que separa a ideologia do PS com a do PSD. Quando, referindo estes dois partidos, dizemos que é tudo a mesma coisa, talvez não estejamos tão errados quanto isso. Além desta contigência ainda se pode apontar a intolerância para com pensamentos de direita (mais cá para o Sul) e de esquerda (lá mais para o Norte) que, embora se comece a esfumar, tem contribuído para impedir uma saudável discussão, criando uma espécie de barreira à entrada e uma auto-censura para com ideais desviantes; isto para não falar de medo.

É muito mau não utilizarmos as ideologias, os valores, as convicções na política porque elas são parte da nossa identidade individual. São um modo de vida, um modo de ser e de actuar. E talvez a aproximação dos actores políticos aos cidadãos, ao invés de ser feita por os muito na moda corte com a ideologia e centralização no líder, devesse passar por um desenhar de um mapa de valores e de ideias abstractas, que depois serviriam de base para as decisões políticas. Este reconhecimento no código dos partidos levaria a um maior interesse pelo paradigam cívico e faria do reconhecimento no líder mais um factor de escolha, e não o único. Não é saudável, nem para o aparelho nem para o povo, que um rosto se confunda com um partido.
Tiago Alves

Profissionalização

AA e AMN escrevem, a partir de hoje, n'O Insurgente (a propósito, feliz aniversário!). D'O Telescópio partem, além dos parabéns e votos de óptimas postas, o desejo (que certamente será cumprido) de continuar a vê-los no outro blogue azul.
Tiago Alves

Gripe das Aves


Não fomos nós que trouxemos o frango. Nada de novo. A diferença é que desta vez o frango valeu golo. Há um ano e tal saltou da capoeira.
Tiago Alves

domingo, fevereiro 26

O Carnaval e o Fascismo

Quando disse que, por mim, não havia Carnaval e havia aulas na Segunda, na Terça e na Quarta, chamaram-me fascista. Perguntei porquê. "Porque só queres é que todos trabalhem e ninguém se divirta". Eu disse que não. Disse que achava mal que um dia que não é feriado nem nada que se pareça seja desperdiçado, isto para além da Segunda, onde se trabalha a meio gás, e da Quarta, no caso das escolas, que também é perdida. Por mim, repliquei, só ia brincar ao Carnaval quem quisesse. Os outros ficavam a trabalhar.

Responderam-me que só eu é que era assim. Que o resto das pessoas queriam todas ir brincar ao Carnaval e não queriam trabalhar. Eu perguntei quem estava a ser fascista agora.
Tiago Alves

Hoje contamos com todos

com os artistas

com os que comem a relva
com os que arrancam olhos
Tiago Alves

Conversas de Café: O Português*

Entre mim e um amigo identificado, depois de termos constatado que o que pensávamos ser um maço de cigarros abandonado na máquina do tabaco era afinal um simples papel:

T.A. - Então mas tu ias mesmo lá buscar se fosse um maço?
A.I. - Claro! Porque não?
T.A. - Mas tu não fumas!
A.I. - Epá, é o típico português e eu sou português. Se uma cena é grátis nós levamos.
T.A. - 'Tás a gozar!
A.I. - Não. Por exemplo, nos cafés, o pau de canela que às vezes está lá para tirar. Mesmo que não queiras usar, tiras e levas não é?
T.A. - Vou postar isto.

*com a devida vénia
Tiago Alves

sábado, fevereiro 25

As negociações com a ETA

Teve hoje lugar uma manifestação em Espanha contra a postura do Governo Socialista face à ETA. Contrariando as últimas posições do PP de Aznar, que sempre se caracterizaram pela dureza e repúdio da acção basca, e a quem se devem algumas das principais capturas e golpes na estrutura, o executivo de Zapatero pretende dialogar com a organização, com o objectivo expresso de "acabar com 35 anos de violência". Este diálogo só avança caso a ETA se comprometa, de forma clara, a depôr as armas, o que parece estar para acontecer.

É de notar que esta intenção governamental foi aprovada em Maior do ano passado, e o texto final do documento não inclui a palavra "negociação" mas sim "diálogo" e frisa que a "democracia e o terrorismo são totalmente incompatíveis". Esta jogada de Zapatero parece-me ter toda a razão de ser. Apesar de ser da opinião que não se negoceia (ou dialoga) com terroristas, realço que 1) o diálogo só avança se a ETA abandonar a violência e 2) a ETA já não é a ETA de há vinte anos.

Pegando na segunda razão e desenvolvendo, é de notar que após anos de intensa actividade, a ETA tem vindo a perder partidários e simpatias, mesmo dentro do próprio País Basco. Além disso, como foi referido atrás, a acção impiedosa de Aznar contribuiu e muito para o colapso organizacional de muitos tentáculos e líderes radicais da organização. Neste momento, a parte forte é o Governo (apoiado na legitimidade e capacidade de acção demonstrada, economia pujante e poucos problemas externos) e a parte fraca a ETA. É uma óptima altura para iniciar conversações.

Por tudo isto a atitude não deve ser alvo de críticas, pelo menos no momento. Deve-se esperar e ver o que se passa na mesa do diálogo. O objectivo da ETA é a independência do País Basco. Certamente ninguém espera que Zapatero assine o desmembramento do país vizinho pelo que, provavelmente, será do lado de lá que virão as maiores cedências, além da paz.
Tiago Alves

O Livro de Reclamações

Os portugueses são conhecidos por se queixarem por tudo e por nada. Talvez. Porém, na hora da verdade, ninguém está disposto a dar-se ao trabalho de contribuir para a melhoria de um qualquer serviço ou para o esclarecimento de uma qualquer situação. Queixamo-nos do senhor do café, do funcionário da repartição, do motorista do autocarro e de muitos outros indivíduos ao vizinho, ao amigo ou mesmo a um qualquer desconhcido que encontramos na fila para o Centro de Saúde! Mas a sugestão de solicitação às autoridades competentes é sempre recebida com um "Para quê estar-me a chatear? Além disso não fazem nada!".

O conhecido Livro de Reclamações, cuja existência é agora obrigatória em quase "cada canto do País", é um meio que não promove muitas chatices e que garante que a nossa reclamação é, pelo menos, ouvida e apreciada. Embora não seja certo que haja uma acção penal ou uma intervenção coactiva sobre o responsável pelo serviço alvo de reclamção, certamente o facto de alguém levantar a caneta e produzir um texto crítico servirá sempre para alertar e para colocar alguma pressão, mesmo interna, para a correcção da situação.

Talvez também não seja boa ideia uma banalização da reclamação. Isto é, protestar por tudo e por nada. No entanto, de momento, e dada a escassez de quaisquer sugestões ou críticas, certamente qualquer uma será alvo de atenção e interesse. E um cidadão informado e disposto a tentar melhorar aquilo de que se queixa será sem dúvida uma mais valia para a sociedade, e um agente activo de mudança.

Mais informações aqui, no site da Deco.
Tiago Alves

Part of the Generation


Hoje chove cats and dogs. Dá para ver da minha janela, orgulhosamente virada para o Norte. Porém, durante umas escassas dezenas de segundos, o sol apareceu, meio tímido, por entre as nuvens, e fez companhia à água que teimava em cair. Momento certo, altura ideal: o arco íris aparece, meio de repente, e todo o quadro ganha uma beleza enorme. Durante esses escassos segundos olhei para ele e senti que o sun will shine.. 'till eternity.
Ele há momentos..
Tiago Alves

sexta-feira, fevereiro 24

Dinâmica de Conjunto (II)

Aqueles que ou são uns dos tais "profissionais" da coisa ou outros que já estão em conversa amena com alguns outros membros sentem-se à vontade para, a dada altura, irem beber um café. A sua cara é conhecida, deixam lá amigos e valem-se do seu estatuto para poderem abandonar o local sem receio do seu lugar ser ocupado.

À medida que o tempo passa as chegadas acalmam. Aliás, é normal a maioria das chegadas ocorrer entre as 7h00 e as 7h20, verificando-se uma acalmia até perto das oito, onde se verifica alguma confusão. Nada porém que desoriente os tais líderes, que sabem praticamente de cor todas as pessoas que lá estão (incluíndo as que foram beber café), para que médico vão e a ordem de chegada. Os restantes membros reconhecem esta autoridade informal de uma forma natural.

O conhecimento deste conjunto de normas, sumariamente descritas, é indispensável para sermos aceites no grupo e, consequentemente, vermos assegurado o nosso direito à consulta. Porque se lá chegarmos e não os cumprirmos, mesmo depois de alguém (normalmente algum dos líderes) nos perguntar quem somos e para onde vamos, logo seremos postos de parte. E não será estranho que, ao chegarmos à fase de alcance do objectivo, não o consigamos fazer, porque a alguém não foi dito que havia alguém (nós) à frente e a pessoa não reconhece a nossa autoridade e argumenta que "não se lembra de nos ver lá".

É incrível a quantidade de coisas que dá para pensar em uma hora e quinze minutos de imobilismo junto ao Centro de Saúde. Tudo por um atestado médico..

Tiago Alves

Dinâmica de Conjunto (I)

Para apanhar uma consulta no Centro de Saúde da Baixa da Banheira (Moita), é preciso ir para a porta cerca de 1 hora antes da abertura do mesmo e consequente início das marcações. Não vou teorizar sobre isto. Debruço-me sobre um tema bem mais interessante.
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Podemos considerar o conjunto de indivíduos localizados naquele espaço como um grupo de formação espontânea, sendo a sua constituição motivada pelo objectivo comum que a todos move: a consulta. Porém, e como muita gente se lá desloca com uma certa regularidade e há também os "profissionais", que apanham consulta para outras pessoas, quem sabe em troca de alguma remuneração, terão começado a desenvolver-se alguns costumes que rapidamente se enraizaram na memória colectiva. Temos hoje assim uma certa normalização de procedimentos a que muito pomposamente chamarei de cultura do centro de saúde.
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Assim, é costume quando se chega dizer, além do bom dia, qual o médico para que se vai e perguntar quem está lá para o mesmo médico. A resposta é pode variar. Ou é a última pessoa desse médico a ter chegado que responde "eu sou a última para esse médico; você é o quarto" ou então um dos "profissionais" chega-se à frente e diz que está este, aquele e o outro, pelo que "o senhor é o quarto". O sistema repete-se indefinidamente.
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Além disso, é normal reunirem-se em grupos de três, comentando a grande "afluência de hoje ao Centro", discutindo o que os aflige e o tratamento que segue ou dissertando sobre a situação política presente ou passada (hoje apanhei uma conversa sobre o desmembramento da Lisnave..). É comum estes grupos serem compostos por velhos conhecidos mas também ninguém leva a mal se alguém com uma boa história se intrometer na conversa do nada.
Tiago Alves

Erasmus

Acaba hoje o prazo de candidaturas para o Concurso Erasmus 06-07 da FE-UNL. Fim da semana louca para as senhoras do Gabinete. Nos últimos dias, todos os corredores iam dar àquele espaço, pequenino para tantos interessados. Todas as conversas assentavam na escolha do País, da Universidade, das cadeiras, na discussão do clima, dos créditos, dos custos...

Pelo meio circulavam informações sobre as candidaturas deste e daquele; muitos faziam contas à vida e à média para tentar perceber se conseguiriam entrar. Pelas mesas preenchiam-se boletins, escreviam-se cartas de intenções, tiravam-se dúvidas; nos computadores procuravam-se cadeiras, escolhiam-se programas, mandavam-se e-mails para colegas que já tiveram a experiência.

Entreguei a minha na quarta. A Vienna University of Economics and Business Administration será, espero, o destino. Se alguém quiser deixar alguma recomendação, comentário ou outro afim sobre a questão, a caixa de comentários e o mail estão à disposição. Entretanto, já estou ansioso por conhecê-los:

Tiago Alves

quinta-feira, fevereiro 23

Publicidade propriamente minha

O amigo Technorati (sim, também o consulto com uma certa frequência; gosto de saber o que dizem de mim) fez-me descobrir que os meus textos sobre a profissionalização da blogoesfera I e II estão entre os artigos portugueses mais votados no ranking do Blogmemes. Ainda não percebi bem como aquilo funciona, mas não resisti a compartilhar a notícia. Ao jpt, que ao que parece é o responsável pela divulgação, o meu obrigado.
Tiago Alves

Marketing Mix (em directo da FEUNL)

Hoje, à entrada do Metro da Baixa/Chiado, quando cheguei ao pé da senhora do Destak e pedi um exemplar, ela deu-me isto:


Tiago Alves

quarta-feira, fevereiro 22

Sobre a edge e a sua perda

Este espaço tem andado bem longe do monstro político-económico que já foi. Culpa de todos aqueles que me andaram a meter na cabeça que o blogue deveria ser mais intimista..

Não sei se estou a perder a minha edge, como diz o António, ou não. Mas já agora confesso que as tiradas políticas não têm aparecido porque ando mesmo desinspirado e absorvido por outras coisas. Fases. Que me obrigam a postar fotos da Ariel e a fazer o que não fazia há mais de cinco anos: divertir-me a inventar guerras e tropas, movimentações e batalhas.

Há-de passar. E quando passar, me aguardem.
Tiago Alves

Second Round


Hoje, pelas 11h00 da manhã, travou-se, no local habitual, a batalha que deu início à Segunda Guerra Guimarães-Barreiro. Sangue, muito sangue, é o que se espera deste confronto.

Para quem não sabe ou não se lembra, a Primeira Guerra, no semestre passado, começou com um avanço quase imparável das tropas do general Guimarães pelas ruas da cidade vermelha. As batalhas de Kafka e Fonda, duas importantes jogadas, foram tidas como um quase certo prenúncio de derrota para as hostes da Margem Sul. Porém, nas decisivas batalhas das "Pessoas Difíceis" (que por pouco não foi perdida por falta de comparência) e, principalmente, no derradeiro confronto, em pleno A14, durante o exame final, as valentes tropas do Barreiro lograram levar a melhor, após 18,1 investidas brutais, que acabaram com a resistência vimaranense.

Há cerca de dois dias, quiçá já preparando o terreno para a guerra que se avizinhava, o general Guimarães, num encontro casual com o general Alves, confessou-lhe o terror que o invadiu enquanto via as suas defesas, apelidadas de critérios de correcção, serem destruídas impiedosamente pelas tropas do seu adversário. Até parecia um pedido de trégua, sobretudo depois daquele aperto de mão inicial. Mas não era.

Hoje, logo no início da primeira batalha, o general Guimarães deu a entender que não estava ali para brincar. Para além de lançar avisos sobre a dureza da Guerra que se avizinhava, assegurou que, após a surpreendente derrota, espera agora "muito mais" do seu adversário, iniciando desde já o jogo psicológico, na tentativa de intimidar o general Alves. A genial dissertação sobre o esconder do verdadeiro potencial poderia estar presente no "A Arte da Guerra". Infelizmente, o seu adversário já leu o Maquiavel; e não se deixa levar pela conversa.

Embora não seja um simpatizante do Bloco nem um extremista, o general Alves sabe fazer guerra. E a motivação (quiçá negativa) que o levou, no passado, a vencer o seu opositor, deu lugar a uma cada vez maior vontade de ultrapassar os tais "limites". Porque ao contrário do que se possa pensar, as tropas barreirenses não utilizaram todo o seu arsenal. Se ele é poderoso, não se sabe ao certo. O segredo é a alma do negócio. Mas avizinham-se tempos difíceis. Para ambos.
Tiago Alves

terça-feira, fevereiro 21

Hoje, às 19h45, na Catedral

Tiago Alves

segunda-feira, fevereiro 20

E é vê-la passar, deslizando. Ou é estar sentado junto dela

Eu quero estar, onde você está,
Quero ficar, bem aqui ao seu lado.
Quero também ver você sorrir pra mim.

Vamos andar, vamos passear,
E você vai-me ensinar a amar
Amor profundo, e no seu mundo
Quero morar...
Tiago Alves

Descubra as diferenças..

Ministro das Finanças: Governo vai adoptar "as medidas correctivas que forem necessárias" O ministro das Finanças afirmou hoje que o Governo adoptará "as medidas correctivas que forem necessárias" para reduzir o défice orçamental e que a Comissão Europeia fez uma "apreciação global muito positiva" das medidas de correcção propostas pelo Executivo.

Comissão Europeia considera "insuficiente" correcção do défice.

Para os desatentos, ambas as notícias são do Público.
Tiago Alves

Leitura recomendada

"Em vésperas da invasão do Iraque, muito se discutiu a dicotomia entre a “Nova Europa” – supostamente mais liberal, mais aberta à globalização e mais próxima dos Estados Unidos – e a “Velha Europa” – representada pela França de Jacques Chirac e pela Alemanha de Gerhard Schröder, com maior dificuldade em admitir que a Europa há muito deixou de ser o centro do mundo (...)"

"A discussão, na altura, centrava-se no campo político. Mas a divisão é a mesma, e talvez ainda mais acentuada, no campo económico. Uma “Velha Europa” continua a opor-se às medidas que podem tornar o continente mais competitivo, como ficou demonstrado na discussão da directiva dos serviços, conhecida por “directiva Bolkestein” entre os membros da “Nova Europa” e por “directiva Frankenstein” entre os da “Velha Europa”. Como de costume, chegou-se a um compromisso que dilui os objectivos que se pretendiam alcançar – liberalizar um sector responsável por 70% do PIB num mercado que era suposto ser único."
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O editorial de hoje do DE, por Pedro Marques Pereira.
Tiago Alves

domingo, fevereiro 19

A transmissão da SIC e os convidados

Há, porém, sempre certas coisas que me escapam...

Tiago Alves

A Fé dos outros


Hoje não há escolha. É daqueles dias em que sinto falta da TV Cabo. Não deixa, porém, de ser belo observar a Fé dos outros.
Tiago Alves

sábado, fevereiro 18

Barreiras à Entrada?

Após o início do processo de aderência à TELE 2, há um periodo de tempo em que, apesar de já nos podermos considerar clientes da dita, as nossas chamadas ainda se efectuam através da rede PT. Porém, durante este periodo, podemos ligar usando o tarifário da TELE 2 se marcarmos o prefixo 1073.

Acontece que nunca dá à primeira. Sempre que tenciono fazer uma chamada e disco o 1073 seguido do número a voz que me aparece é a de uma senhora que se identifica como sendo da PT Comunicações e que me diz que "no momento, não é possível efectuar a sua chamada" Convida-me a tentar mais tarde. Eu sou uma pessoa teimosa e tento no momento seguinte e já funciona. Mas muitas pessoas, para quem esta coisa de outra rede que não a PT ainda assusta, provavelmente pousarão o telefone, pensarão um pouco e marcarão o número apenas uns minutos depois, sem o prefixo. E a PT ganha.
Tiago Alves

sexta-feira, fevereiro 17

Errata

A capa de hoje do JN contém alguns erros. Ou melhor, algumas omissões. Aqui fica o reparo.



Tiago Alves

Reengenharia

Andei a dar uma volta ali pela lista de colegas e fiz alguns acertos. Caíram lá para baixo os blogtoons, o Tau Tau (parece que está mesmo terminado) e o Semiramis. Este último, dadas as razões do seu término e como uma última palavra de tristeza, ficará lá em cima em destaque durante uns tempos.
Tiago Alves

quinta-feira, fevereiro 16

Inimigo Público



Além de andarem a 90 pelas ruas de Lisboa, de entrarem para as transversais da Rua do Ouro sem discernirem o verde para os peões, de buzinarem segundos antes dos sinais abrirem e de atentarem contra vidas humanas nas passadeiras do Terreiro do Paço, ainda andam a bater nos carros de inocentes raparigas. São levados do Diabo!
Tiago Alves

A Gestão Pública

Ainda há pouco tempo aplaudi aqui o discurso de Sócrates aquando da sua aparente inclinação para privatizar as empresas de transportes. Hoje, ao ler o DE (eterno companheiro de barco e jornal oficial da FE-UNL), vi que, afinal, além das já esperadas Galp, Portucel, EDP e da meio-surpresa TAP, de novo se deixaram de fora as empresas de transportes terrestre e fluvial. Ao princípio lá praguejei, tal como fez o PSD. Mas depois, com um pouco mais de ponderação (que infelizmente parece andar a faltar lá para os lados de São Caetano), reconheci que o eng. Sócrates tem toda a razão. A dívida daquelas empresas é inconcebível e a venda aos privados iria sempre ser feita a um preço manifestamente inferior a todo o potencial que estes negócios, se geridos numa lógica de mercado, possuem.

Por isso mesmo, porque não lançar um plano alargado de reestruturação destas empresas? Porque não pegar em meia dúzia de bons gestores, pagar-lhes um bom ordenado e dar-lhes um objectivo bem SMART - equilibrar as contas, ie, acabar com a dívida e colocar a empresa a dar lucro, atribuindo-lhes plenos poderes para o mexer com a orgânica da coisa, de modo a dentro de um prazo de dois-três anos termos essas empresas com uma estrutura de capital minimamente sustentável e capaz de suportar os desafios que o mercado concorrencial enfrenta? Em suma, torná-la atractiva.

Atractiva, leia-se, de modo a que os investidores privados acreditem que há condições para colocar aquelas empresas a render elevadas somas, colocando-os na disposição de dispender uma elevada soma pelas mesmas. E se a empresa rende elevadas somas, em concorrência (característica sempre presente nestas análises, embora eu às vezes me esqueça de a referir), é porque está a prestar um bom serviço. E se presta um bom serviço, nós agradecemos.
Tiago Alves

quarta-feira, fevereiro 15

De Maquiavel a Annan

Hoje em dia, como no final da I Guerra, a Europa tem medo. O Islão faz as suas exigências, como o fez Hitler. Mas a Europa quer acreditar que pode resolver o problema e faz as suas cedências (Solana, Annan, Freitas), como acreditaram Daladier e Chamberlain.

"Nota: Churchill, aquando do Blitz sobre a Inglaterra, e perante a impossibilidade de a Alemanha consumar uma invasão da Grã Bretanha, podia ter negociado a paz, e manter as suas colónias intactas. Mas Churchill não era "sensato" no sentido que Freitas do Amaral dá ao termo. Ele sabia que só com a completa destruição do Nazismo o seu medo desapareceria. Ele enfrentou o problema."

Pequeno resumo d'O Medo Ocidental, posta do Salvador, publicada na sua Biblioteca
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Nem de propósito, passei ontem por este parágrafo d'O Príncipe, de Maquiavel, o meu actual livro de barco. Achei engraçada a aparente relação entre as duas opiniões.

"Isto tudo [a conquista da Grécia] ocorreu porque os Romanos fizeram nestes casos tudo aquilo que um príncipe inteligente deve fazer: não somente vigiar e ter cuidado com as desordens presentes, como também com as futuras, evitando-as com toda a cautela porque, previstas a tempo, facilmente se lhes pode opor corrctivo; mas esperando que se avizinhem, o remédio não chega a tempo.

Os Romanos, prevendo as perturbações, sempre as tolheram e, jamais, para fugir à guerra, permitiram que as mesmas seguissem o seu curso, pois sabiam que a guerra não se evita mas apenas se adia em benefício dos outros; (...) promoveram uma guerra contra Felipe [Felipe V da Macedónia, derrotado pelos Romanos em 197 a.C.] (...) para evitar terem de fazê-lo na Itália e, no entanto, podiam ter evitado a luta naquele momento, se o quisessem."
Tiago Alves

Ter a mania

Respondendo ao desafio do Bruno (desculpa a demora, só vi ontem ou anteontem e tive de pensar nas manias..), aqui ficam as minhas 5 manias que me distinguem dos restantes mortais, e que deverão servir como pequeno contributo para a corrente que irá ajudar a humanizar a nossa blogoesfera, segundo o um outro blogger já acorrentado.

1. Além de comer rápido (pelo menos para os padrões habituais), odeio ter de repetir o prato porque a pausa necessária para concretizar esta acção faz com que a comida que seguidamente consumo não me saiba bem. Normalmente, aliás, acaba mesmo por me cair mal; por esta razão já disse que na minha futura casa irei ter pratos grandes, bem grandes!

2. Quando me perguntam as horas ou quando se combina algo comecei, por gozo, a dizer sempre algo como "às 15.32, mais coisa menos coisa" ou "por volta das 10.47". E com o tempo o gozo virou mania.

3. Sempre que vou na rua a ouvir música começo a imaginar como faria, no local onde estou, um clip para as várias canções que vou ouvindo.

4. Sei de cor todos os diálogos do Rei Leão e a esmagadora maioria dos da Bela e o Monstro. Além disso, quando tomo o pequeno almoço tarde (depois das 10 a.m.) e só me aparecem os programas da manhã, vou sempre buscar um dos clássicos da Disney (Pequena Sereia, Corcunda de Notre Damme, 101 Dálmatas, Pocahontas, Papuça e Dentuça...) para me fazer companhia.

5. Fico sempre com uma terrível comichão na garganta sempre que a imagem do Carvalho da Silva aparece na TV, sobretudo se rodeado de bandeiras da CGTP, especialmente quando começa a falar. Só me dá para insultá-lo.. (ok, esta foi meio no gozo, visto não me lembrar de mais nenhuma mania relevante..)
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Aqui fica o regulamento:

"Cada bloguista participante tem de enumerar cinco manias suas, hábitos muito pessoais que os diferenciem do comum dos mortais. E além de dar ao público conhecimento dessas particularidades, tem de escolher cinco outros bloguistas para entrarem, igualmente, no jogo, não se esquecendo de deixar nos respectivos blogues aviso do "recrutamento". Além disso, cada participante deve reproduzir este "regulamento" no seu blogue."

E os colegas a quem passo a corrente:

Jotinha
A Arte da Fuga (mais um momento intimista, Adolfo)
O Teu Sítio
Dolo Eventual
Lisboa e os Amigos (não vale repetir, Jota)

Tiago Alves
p.s. ok, aquela do Carvalho da Silva não era bem no gozo..

terça-feira, fevereiro 14

Relativismo Ético?


Dear Clients
We express solidarity with the Islamic & Egyptian Community.
Carrefour don't carry Danish products.

via Mão Invisível






adenda:
E que tal boicotar o Carrefour?

Ideia do insurgente André Azevedo Alves.



Tiago Alves

segunda-feira, fevereiro 13

Desabafo intimista


Há pouco lembrei-me que amanhã é dia dos namorados e ainda não comprei nada para ninguém. Depois pensei mais uns minutos e concluí que tem toda a lógica que não o tenha feito. Contentar-me-ei em vê-la. Afinal de contas, amanhã tenho 3 teóricas...
Tiago Alves

Momentos que me fazem sorrir

Quando, na estação do Terreiro do Paço, na sala de embarque para o Barreiro, toda a gente, ao avistar o barco, se desloca para uma das portas de acesso e eu, calculando o ângulo de aproximação do barco, a velocidade do vento e avistando o senhor da Soflusa a deslocar-se em sentido inverso, me dirijo para a outra porta e entro, a sorrir, primeiro que toda a gente.
Tiago Alves

domingo, fevereiro 12

Xelente! (o momento)

- Ah, eu gosto muito destes sumos, os Bongos!
- A sério? Eu tenho um amigo meu que também gosta muito... Por falar nisso, tens namorado?
Tiago Alves

Xelente!

Além do título, que serve para descrever, em traços gerais, o fim de semana, alguns outros momentos se destacam:

- Logo para começar, a trabalheira que foi encontrar a casa e o ouvir do "Rua Sésamo" no carro enquanto se esperava pela comida.
- Os tapetes maravilhosos que se desintegravam em coisas azuis que se espalhavam por toda a casa.
- As anedotas do Ruben, nomeadamente a do tubarão martelo que montou a mesa e a da gaivota que apanhou um peixe deste tamanho.
- O envelope com o elefante lá dentro que não passa por debaixo da porta porque... ganha volume.
- O papagaio e o jeitinho que alguns de nós demonstraram para o domar.
- A longa espera para comer as espetadas de carne e de lula que afinal eram espetadas de carne e espetada de lula.
- O Tigas a limpar a sala e a grunhir a todos os que lá entrassem no momento.
- O futuro nas cartas, pela cartomante Daniela, e o sexo triste..
- A filmagem à la National Geographic da conversa entre o Tigas e a Soraia, especialmente aquela cena dos braços...
- O Love Generation (como não podia deixar de ser), a extrema violência com que os seguranças das discotecas de Peniche resolvem as escaramuças e a senhora que, apesar de gordinha, passa muito bem.
- O Party & CO all night long e o barulho que não deixou o Jota dormir. (Desculpa, Jota...)
Tiago Alves

sexta-feira, fevereiro 10

Sabática

Visto o novo semestre estar quase a começar (isto é o agradável) e o Jotinha fazer anos (e isto é o útil) juntámos o útil ao agradável e decidimos ir conhecer essa terrinha balnear, de nome Peniche, que nas últimas Autárquicas virou vermelha (sim, Tigas, não podia faltar o toque de política), para mal dos nosssos pecados.

Um fim de semana em cheio, é o que se espera. E segunda cá estaremos de volta, certamente cheios de histórias para contar e de vontade de conhecer o nosso assistente de Marketing.
Tiago Alves

quinta-feira, fevereiro 9

Hi there!

Soube ontem que o meu blogue é lido por alguns professores meus. Não deixou de ser uma surpresa/choque, principalmente ao tomar conhecimento dos adjectivos ideológicos que me são atribuídos.

Seja como for, e para quem estiver desse lado, Hi there!


Tiago Alves

Desabafos avulso

Sou só eu que fico danado quando quero ver qual é o número e o destino do autocarro e a única coisa que vislumbro é "Carris Certificada"?
Tiago Alves

quarta-feira, fevereiro 8

Torre degli Angeli

Nasce hoje um novo blogue, meio irmão aqui d'O Telescópio.

O nome Torre degli Angeli não é ingénuo. Este é o nome da famosa torre onde, há cerca de trezentos anos, em Citagazze, foi forjada a Faca Subtil, instrumento fulcral (tal como o Aletiómetro e o Telescópio de Âmbar) no desenvolvimento e desenlace da mítica trilogia de Philip Pullman, que serve um pouco de guia moral e inspiracional deste vosso escriba. Aproveito para aconselhar de novo a leitura da obra.
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O espaço irá acolher, para memória futura, os textos da minha autoria publicados em qualquer sítio que não aqui, na blogoesfera. Os próximos tempos só deverão trazer crónicas jovens publicadas no Diário do Barreiro, mas espero um dia poder colocar lá um texto publicado no Diário Económico, como faz o Tiago Mendes, ou no Público, como faz o prof. Vital Moreira. Talvez um dia. O texto estreante foi publicado hoje, exactamente no DB, e tem como título M.I.T. - Mais uma Interessante Trapalhada.

As actualizações serão sempre anunciadas aqui, n'O Telescópio.
Tiago Alves

Pormenorzito

Quando Lobo Xavier, administrador da SonaeCOM disser (já disse, mas pronto..) na Quadratura do Círculo de hoje que a SONAE anda em conversações com o Governo desde Dezembro, e mesmo tendo em conta que as conversas devem ter sido mantidas por um número bem restrito de pessoas, todos nós devemos, nem que seja por um momento, sentirmo-nos agradavelmente surpreendidos por, durante este mês e meio, não ter transpirado nada cá para fora.

Porque é de louvar.
Tiago Alves

terça-feira, fevereiro 7

"Amor é..


...dar batatinhas fritas a ela mesmo sem ela pedir e sem esperar receber nada em troca"
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um qualquer rapaz de poucos anos de idade;
um testemunho do meu amigo Hugo.
Tiago Alves

Saber jogar

O eng. Paulo de Azevedo acabou de dar uma bela lição de pragmatismo empresarial, na SIC.

Face aos comentários aparentemente hostis de Horta e Costa, explicou ao Rodrigo Guedes de Carvalho que qualquer OPA não concertada é hostil, além do porquê da impossibilidade de lançar, num mercado aberto, uma OPA concertada.

Perante as acusações de falta de estratégia e visão a longo prazo, além do problema do financiamento, Paulo Azevedo sorriu e disse que eram dúvidas que se dissipariam com o tempo, assim o Conselho da PT conhecesse o plano (que, aliás, já foi meio desvendado e parece contemplar a venda de uma das redes: o que, por si só, é já bastante positivo!). Seguidamente, não se coibiu ainda de revelar que o primeiro banco contactado assegurou de imediato os fundos, uma enorme (enormíssima mesmo) prova de confiança na SONAE (um capital conquistado durante todos estes anos) mas também no projecto apresentado. Paulo de Azevedo sabe jogar.

Se bem que especulações sobre a participação da France Telecom tenham todo o sentido, o argumento dos centros de decisão nacional não faz qualquer tipo de sentido, tendo-se conseguido antecipar à Telefonica, que certamente esperaria lançar-se à conquista da operadora portuguesa assim a mesma fosse desblindada por imposição de Bruxelas. Como se isto não bastasse, Belmiro ainda colocou os relógios de São Bento a andar mais depressa, visto o final das golden shares estar previsto já para o próximo ano. Belmiro também sabe jogar.

Quanto ao desvairio que hoje tomou conta da Bolsa, é perfeitamente normal. Se alguns especulam sobre o número de acções que a Telefonica ou outros accionistas terão arrecadado hoje, pense-se também em quantas já estarão, directa ou indirectamente, controladas pela SONAE. O mercado é muito bonito, realmente. Sobretudo para quem sabe jogar. E eles sabem.
Tiago Alves

Exacto, é isso mesmo!

"Isto é mais do que uma OPA à PT, é uma OPA ao próprio Estado, para desapossar o Estado do comando que ainda possui de um centro de decisão nacional, de uma empresa estratégica para o nosso país"

um qualquer deputado do PCP, cujo nome não me recordo, há uns minutos no Jornal da SIC
Tiago Alves

segunda-feira, fevereiro 6

Sob o céu do Ocidente (II)

Oportuno, também, ler o estatuto editorial da Atlântico, nomeadamente o último parágrafo, que pode ser encontrado no site lincado atrás ou na última página da edição impressa. Algo que os editores se propõe a defender.

Ocidente: Porque a civilização ocidental é aquela que maior prosperidade, direitos e liberdades conseguiu assegurar a um maior número de cidadãos. Porque o Ocidente é o nosso mundo.
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Não nos devemos, nunca, esquecer de quem somos. E por mais respeito que tenhamos por quem quer que seja, não nos devemos esquecer de o exigir também para nós, assim como garantir que nenhum dos nossos se sente ameaçado, ao ver colocados em causa os seus valores e convicções. Por mais que defendamos os valores de todos e os respeitemos; por mais tolerantes que sejamos, nunca devemos esquecer aquilo que pode ser considerado o deadline da nossa neutralidade: aquilo a que chamamos o Ocidente.
Tiago Alves

Sob o céu do Ocidente

"Há desculpas para tudo, nenhuma vergonha nos escapa. Esta ideia de tolerar os energúmenos que, em público, queimam livros, bandeiras, jornais e efígies de cada vez que alguém brinca com o profeta, parece-me absurda. Tolerável; mas absurda. Tolerável, porque nós somos tolerantes; mas absurda porque instaura nas nossas ruas, nas nossas casas e nas nossas cabeças uma insuportável aura de medo e de covardia. Não se trata apenas de falar de um Deus que não ri nem quer ser objecto de riso (essa é outra matéria que, se quiserem, se discute a seguir); trata-se do medo e da submissão. O editor do "Jyllands-Posten" agiu bem não pediu desculpas. Disse, além disso (que não pedia desculpas), que não se trata de "um assunto de cartoons", mas de valores mais gerais - os da liberdade, os do riso, os da palavra. O Ocidente permite que se publiquem alarvidades anti-semitas ou trapalhices anticatólicas; mas uma parte dele treme de pavor quando vê os "mullahs" incitarem multidões a queimar bandeiras dinamarquesas por causa de uns cartoons. Eu acho bem que queimem, se lhes apetecer. Mas não aceito que as queimem em minha casa, na minha rua, sob o céu do Ocidente."

A expressão sob o céu do Ocidente é uma das mais felizes e interessantes que li nestes últimos tempos. Faz-me lembrar um célebre discurso do Aragorn, que pode ser relido aqui. Embora com outras palavras, ele apela a algo muito parecido: ao espírito, aos valores e à união deste grupo de pessoas que partilham muito mais do que um espaço geográfico.

Adenda (para ouvir e sentir)
By all that you hold dear on this good Earth,
I bid you stand, Men of the West!!!

Tiago Alves

domingo, fevereiro 5

Equipa fantástica, és a nossa FÉ!


Depois de uma data de pontos perdidos e de um último lugar como prémio para uma falta de eficácia monumental, o Barreirense conseguiu hoje marcar quase tantos golos como os que já tinha e impôs-se aos homens de Portimão por uns expressivos 3-0. O "Goooooloo" que se ouviu quando eu ia a passar ao pé do estádio foi elucidativo. A dez pontos da linha de água, a equipa aposta o tudo por tudo para a ultrapassar.
Tiago Alves

Ainda sobre o profeta

Hoje almocei a ver as embaixadas dinamarquesas a arder.
Parece que as ondas de choque criadas são grandes, é verdade, e talvez todas as consequências deste episódio ainda estejam para chegar. Mas, e como diz o JPH, não acho que isto seja totalmente mau.

Embora não concorde que se deva multiplicar o gesto por mil para eles perceberem que quanto mais chantagear e ameaçar mais ofendidos ficarão. Não. Mas acho que não nos devemos curvar perante esta fúria jihadista. Não acho que devamos abrir mão da nossa lei fundamental para cumprir a lei fundamental deles. Porque sim, existe um nós e um eles. Diferentes, e aí não há qualquer problema; mas radicalismos e fundamentalismos, aí sim, há um problema.

Num ponto mais complexo, e depois de ler a sempre oportuna análise do Rodrigo, eu também gosto de usar a liberdade com prudência e inteligência. E acho, muito sinceramente, que se os nossos vizinhos não gostam que representemos o seu profeta, nós não o devemos, de forma voluntária, fazer. Como dizes e muito bem, poderemos atravessar a rua, como forma de evitar um conflito que, na generalidade, prejudicaria as duas partes.

Porém, acho que, caso optemos (e podemos optar) por seguir em frente no passeio, isto é, representar o profeta, não devemos ser atacados por rottweillers ou vermos as nossas embaixadas incendiadas. Aqui, um dos nossos valores basilares foi quebrado. E isso eu não acho correcto. Aqui, não vale a pena optar. Porque quando a alternativa é o conflito, então não há alternativa.

E se colocamos as coisas nestes termos, se consideramos que para respeitar a vontade deles temos de restringir a nossa, por ausência de alternativa não pacífica, então poderemos ter problemas. Grandes. E este episódio poder ter servido para despertar boa parte do West. Despertar para um Mundo em que nem todos são iguais. E um Mundo em que, se não devemos ter as nossas regras morais como superiores, também não as devemos colocar no fundo, subservientes às outras.
Tiago Alves

sábado, fevereiro 4

Momento TV da semana


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"They can take our lives..but they can never take our freedom"
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Braveheart, sem dúvida, o filme da tarde de hoje da TVI. Podia falar da excelente banda sonora, das paisagens, do profundo argumento ou de mais de uma dúzia de frases ou momentos da metragem que me marcam. Porém, falo apenas de um momento.
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Aquele em que Wallace, depois da segunda grande batalha, em que contava ter toda a Escócia unida, enfrenta Robert Bruce, sem o saber. Depois de traído pelos nobres, em quem nunca depositara grande confiança, Wallace descobre-se traído pelo homem que lhe deu a sua palavra em como o apoiaria. Naquele momento, mais do nos outros, sente-se não a raiva mas a tristeza, a decepção e a desilusão do líder, numa interpretação espantosa de Mel Gibson. Só por aqueles dois ou três minutos eu teria-lhe dado o Óscar de Melhor Actor que os senhores da Academia não lhe quiseram dar.
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Um filme sobre coragem e persistência mas também sobre decisões difíceis e grandes dilemas, sem esquecer o amor. No fundo, e como tantas vezes, é uma mulher a responsável pelos grandes feitos do homem. Não há-de ser por acaso.
Tiago Alves

sexta-feira, fevereiro 3

Dentro de momentos...

183
Tiago Alves

Never Surrender (título plagiado do Blasfémias)


A propósito da enorme manifestação de liberdade que parece estar a varrer as redacções europeias. O contexto pode ser visto aqui e as imagens em baixo.
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p.s. A bandeira de Portugal ainda não consta neste site.

Tiago Alves

Mais profissional

Só para noticiar que, e como havia já antecipado num comentário aqui colocado, a Sílvia Guedes já escreve no tal blogue colectivo (que agora sabemos dar-se pelo nome de Geração Rasca) para o qual tinha sido convidada a colaborar. Depois de "voltas e mais voltas", parece que a Sílvia se decidiu a abraçar o projecto e a lançar-se na aventura. Não deixa de ser interessante ler a posta informativa que deixou aos leitores:

"Ora, aqui a remetente dos Postais da Província já vinha sendo assediada (salvo seja!) há algum tempo por alguns clubes... perdão, por alguns blogues. Tenho passado os últimos dias numa angústia terrível, indecisa entre os milhões do Abramovich e os gajos bons do Geração Rasca.

Por fim, os bíceps dos rapazes ali do lado levaram a melhor e já me mudei de armas e bagagens (mais armas do que bagagens, diga-se de passagem. Mas isso eles ainda não sabem. hehe).Continuarei a escrever aqui, porque esta é a minha casa na blogosfera. Só vou lá azucriná-los de vez em quando. Por isso, continuem a visitar-me aqui e "
Tiago Alves

quinta-feira, fevereiro 2

Dúvida existencial


Mais alguém sem ser eu acha que o tempo do relógio que aparece nos intervalos dos Morangos com Açúcar passa mais devagar do que na maioria dos relógios?
Tiago Alves

Esta agora!

Eu pensava que a Carla Quevedo fosse escrever uma coisa à séria sobre os blogues. Não sei bem o quê, mas esperava tudo menos publicidade à borla! E aquela história dos (não) linques para os blogues com comentários? E aquela da memória? Piquei-me? Pois claro que me piquei! Tudo bem que a dita já desmentiu metade das coisas e até colocou O Telescópio como um dos blogues em destaque. Por isso, e só por isso, eu desculpo.
Tiago Alves

Eu, que não sou nada de intrigas...

Acho que, e apesar de todo o Mundo ser composto de mudança e a Atlântico não ser excepção, aumentar o preço de capa para quatro euros já a partir de Março pode não ser totalmente benéfico para a gestão financeira da coisa.

Apesar de todo o reconhecimento que tem adquirido, a revista continua, um ano após o seu aparecimento, a ser objecto de leitura de poucas pessoas (a edição de papel, digo), ou não fosse a sua tiragem cerca de 10 000 exemplares, manifestamente pouco para uma revista mensal e tão completa.

Acrescentando a tudo isto, é bem possível que o público seja ainda demasiado elástico, isto é, um aumento do preço (e logo um euro; não podia ser só cinquenta cêntimos?), pode conduzir a uma redução da procura que mais que compense (negativamente, claro está) o acréscimo de receita.

É uma opinião. Seja como for, já me deu mais um incentivo para a assinar. Não sei se era o objectivo...
Tiago Alves

Angel to You, Devil to Me


When I saw her she looked my way
and I knew that I was over my head
ruby lips on a smile so sweet
with a rude attitude that could knock me dead
.
I heard a voice when she called my name
I knew my life was gonna change
.
well she's hotter than hell
and she's cool as they come
and she smiled and she's wild
all rolled into one
ya you say I'm the guy that you wish you could be
.
it's not easy to see
that she's an angel to you
but she's a devil to me
.
all my friends say you lucky guy
everyone wants to stand in your place
and so I give it another try
I'm not sure how much more my poor heart can take
I feel the blood pumpin' round my brain
I grab my bat and I'm back in the game
.
I don't know what to do
I don't know what to say
cause noone knows that she puts me through anyway
I'm awake in disaster
I can't seem to get past her
I try and I try but I can't get away
.
she's an angel to you
she's a devil to me
it's not easy to see
.
ya you say I'm the guy that you wish you could be
it's not easy to see
that she's an angel to you, but she's a devil to me
.
The Click Five - Angel To You (Devil to me)
Tiago Alves

quarta-feira, fevereiro 1

Alguns esclarecimentos

A pedra de toque dos meus textos era o facto de começar a poder-se falar de uma carreira blogoesférica, i.e., gente desconhecida reconhecida aqui pela qualidade dos seus textos e opiniões. A importância dos notáveis (quer os jornalistas reconhecidos quer os tais colossos) prende-se com o facto de serem lidos por um grande número de pessoas, de serem uma espécie de ponto de descoberta (um simples link num destes blogues faz, por exemplo, o número de visitas subir, nesse dia, para o dobro da média) e de serem a principal ponte para o mundo exterior. Importa aqui fazer um parêntesis e explicar que estes textos não tiveram nenhuma correlação nem pretenderam explicar a chegada de vpv ou de css, visto a sua reputação ter sido ganha lá fora. A minha análise recaiu sobre o processo de reconhecimento de dentro para fora.

Foi este o efeito que eu pretendi descrever. Os tais colossos fizeram a blogoesfera ganhar nomeada. Gerou-se um interesse externo que, além de ter atraído qualidade reconhecida lá fora (que fez ainda ganhar mais nomeada), aumentou a responsabilidade de muitos bloggers, principalmente dos mais lidos, os tais colossos. Esta responsabilização levou-os (e leva e levará) a procurar melhorar cada vez mais, nomeadamente através da contratação dos melhores. Aqui se explica, em parte, o fenómeno da concentração. A outra parte é o facto de, resultado da conjugação de todos estes factores, os bloggers e o seu talento serem cada vez mais reconhecidos cá dentro, e por isso aspirantes a um palco maior ou, pelo menos, a uma maior audiência (as tais expectativas) e cá dentro como meio para o lá fora (a instrumentalidade).

Todo este processo, que já se desencandeou, vai provavelmente intensificar-se. E a confirmar-se a minha análise, criará uma espiral difícil de parar, tal será a dinâmica. Uma dinâmica que, na minha opinião, irá melhorar ainda mais a qualidade da opinião produzida na blogoesfera.

p.s. Claro que há muitos projectos (a solo ou não) que não pretendem nada disto. Os blogues temáticos, os diários ou, se quisermos, a esmagadora maioria dos não-eminentemente políticos. Se são a maioria dos blogues, já não sei. Mas não era sobre eles que recaía, de forma central, a análise.
Tiago Alves