sexta-feira, outubro 20

A cobertura mediática

Ruben de Carvalho, vereador comunista da CML, fala hoje no DN dessa que foi "a maior manifestação de iniciativa sindical das últimas décadas". Embora depois prefira ressalvar o carácter espectacular da mobilização, o vereador inicia o seu texto falando de um ponto bastante interessante: a cobertura mediática do evento. A manifestação não obteve nenhum dos dois pontos essenciais para ser considerada relevante: "ser repetida até à exaustão" ou "ser analisada pelos comentadores".

De facto, também eu tinha notado tal coisa. Aliás, tais coisas. Pois as greves têm-se sucedido, já desde o início do ano, consequências das diversas ofensivas que o Governo tem perpretado contra várias classes de trabalhadores sob a sua alçada. Porém, neste momento, a rua não parece ter poder. O PC e o Bloco não são destaque dois dias seguidos. Inactividade? Não. Falta de cobertura mediática. A imprensa nacional, imparcial ou não, é muito mais simpática para com Governos de esquerda. Nos tempos da coligação, as imagens dos milhares de trabalhadores na Liberdade ou na Praça do Comércio poderiam aparecer dois ou três dias seguidos, assim como as intervenções de Carvalho da Silva, Louçã ou Bernardino Soares mereciam sempre destaque. As trapalhadas eram alvo de comentários jocosos, embora pouca gente tenha comentado hoje (ou antes) o fim de algumas SCUT (ou o excesso de velocidade de Manuel Pinho).

É um fenómeno incompreensível, mas verdadeiro. E que leva, como hoje levou, muita gente simpatizante da direita a desejar que uma esquerda responsável ocupe o poder. Para se poder levar isto para a frente.

malta com binóculos

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