sexta-feira, setembro 8

Road to Serfdom

O Ministério da Educação vai definir orientações relativamente aos produtos que os estabelecimentos devem disponibilizar nos bares e máquinas de venda automática. As novas regras para uma alimentação saudável excluem fritos, batatas de pacote ou rebuçados e condicionam a oferta de chocolates, bolos e gelados. Numa segunda fase, surgirão recomendações para as ementas das cantinas.

DN

Um pacote de batatas fritas a acompanhar o almoço ou como puro capricho não faz mal. Um chocolate ajuda a dar energia e é amplamente aceite como um produto que ajuda a melhorar o estado de espírito. Um rebuçado para adoçar a boca é fixe e até combate o mau hálito. Um bolo (nem sempre apetece uma sandes, às vezes de pão rijo e com fiambre com 1cm de espessura!) de vez em quando não faz mal e gelados no Verão (mesmo e quem sabe especialmente os que são só água [penúltimo parágrafo]) são do melhor que há.

Por outro lado, políticas destas são, claramente, más para a saúde. Mais uma ideia para o tal socialismo em forma legal. Neste caso, excepcionalmente e para enfatizar, a lei bem que podia ser apelidada de totalitária.

malta com binóculos

  • É o Nanny State em acção.Mas os imbecis dos burocratas ainda não entenderam que a obesidade está relacionada com um estilo de vida (que qualquer dia serão legislados) e não somente com a alimentação, e que demonizar certos alimentos tem consequências contraproducentes.

    Esta obsessão com o peso vai também ajudar a disparar os casos de bulimia e anorexia (é assustador constatar como uma boa parte das raparigas com 11, 12 anos vivem obcecadas com o peso).Mas isso não interessa nada, vamos "matar o gordo", como diz o AA.

    Ironia no meio disto tudo: o estado obeso vai lutar contra a obesidade.

    By Blogger Elise, at 11:20 da tarde  

  • Eu não acho propriamente mal, desde que digam que é por uma questão saudável! Por exemplo se calhar devia-se estudar a roda dos alimentos em todos os anos escolares em vez de só no 6º ano ou lá quando é! Tal como fazem com a Sida e quando eu era mais nova com a Droga! Estão a perceber a ideia? Incutir mais o espiríto da alimentação saudável!

    Neste momento provavelmente é mais fácil abolir os alimentos "maus" que fazer campanhas alimentares.

    De qualquer modo acho a ideia correcta! Como já disse não pela questão da obesidade infantil mas pela "educação alimentar", e afinal onde é que se aprende? Na escola...

    Por isso mesmo, acho que na escola se deve começar esses alimentos que estarão disponíveis certamente em bares ao pé da escola, mas pelo menos a escola não os fomenta (e usa os subsídios do Estado com alimentos prejudiciais)!

    By Blogger Inês Joaquim, at 11:39 da tarde  

  • atenção: hipocrisia à solta!

    é lógico que uma pessoa de bem só pode estar contra estas proibições completamente arbitrárias do Estado-Nós-É-Que-Sabemos-O-Que-É-Melhor-Para-Ti, mas pensemos nas vantagens.

    Estas proibições só poderão ter efeito nos bares das escolas, onde muitos produtos são vendidos abaixo do preço de mercado (onde se subsidia o consumo portanto), de maneira que esta medida apenas irá estimular as lojas de guloseimas, cafés, pastelarias e afins que abundam nas redondezas das escolas.

    By Blogger Salvador, at 5:24 da manhã  

  • A minha escola secundária não vendia Coca-Cola nem pastilhas e os únicos rebuçados (que até serviam muitas vezes de troco) eram aqueles bombons de mentol da treta... Acho que cada um sabe de si e tomará a decisão certa quanto à sua alimentação, desde que haja informação - estou a recordar-me do documentário "Supersize Me" em que uma jovem comia todos os dias as suas batatas fritas porque deste modo os "vegetais" também constavam na sua alimentação LOL

    By Blogger Fixe, at 1:16 da manhã  

  • A servidão já existia no reduzido poder de escolha sobre as escolas que os pais tinham. O problema está na falta de escolha dos pais, não na dos putos que, como menores, não têm idade para "saber de si".

    By Blogger Manuel Câmara, at 5:04 da tarde  

  • Eu acho muito bem! Porque num ginásio do Redonda, pacata vila alentejana, os putos tinham à porta de saída uma máquina automática que não vendia uma única coisa que possa ser considerada saudável. Isto é tudo muito bonita da escolha e de não sei o quê, mas quando falamos de miúdos não me parece que possamos achar que eles sejam racionais no seu consumo e, estando à mão de semear, não consumam algo que lhes dá muito mais prazer do que uma saladinha! Ainda por cima quando é muito mais fácil comprar um chocolate numa escola do que uma tijela de sopa!

    By Blogger JP, at 10:00 da tarde  

  • Há um ponto importante: as escolas onde a medida se vai aplicar são estatais (corrijam-se se estiver enganado). Os alimentos (cantina, bar, etc.) são subvencionados - parcial ou totalmente, no caso de alunos com Escalão A/B (era este o nome que se lhe dava no meu tempo; não sei se a designação mudou entretanto), ou seja, os preços pagos pelas ementas, bolos, etc., são bastante mais baixos do que os preços de produtos idênticos determinados num mercado («vendidos abaixo do preço de mercado», como disse o Salvador).

    Assim, podemos ver esta medida como uma forma de limitar as subvenções (o que, neste contexto, não deixa de ter um certo sentido): o Estado garante preços baixos para a alimentação escolar na medida em que esta seja saudável. Não há nenhuma imposição: se o aluno não gosta, sai da escola e alimenta-se noutro local qualquer. Se quer estar a potenciar um enfarte (tratado em hospitais PÚBLICOS, ou seja, pagos pelo contribuinte), paciência, faça isso às suas custas.

    Dizer que é socialismo em forma legal parece-me excessivo (e «totalitário» é hiperbólico). É como a questão da promoção do desporto nas escolas: faz sentido o Estado taxar os contribuintes para promover a boa forma das crianças? É uma situação em todo análoga a esta.

    P.S.- Em relação a esta questão seria interessante debater a questão que o Manuel Câmara levanta - «reduzido poder de escolha sobre as escolas que os pais tinham»; mas num sistema de ensino público como o actualmente vigente, a medida parece-me não apenas aceitável como até acertada.

    By Blogger pedroromano, at 10:53 da tarde  

  • "Isto é tudo muito bonita da escolha e de não sei o quê, mas quando falamos de miúdos não me parece que possamos achar que eles sejam racionais no seu consumo e, estando à mão de semear, não consumam algo que lhes dá muito mais prazer do que uma saladinha!"

    JP

    Concordo em absoluto. Mas será que proibir é a solução? Não se estará a sacrificar demasiado para o bem que se faz? Impedir o consumo de um pacote de batata frita ou de um chocolate devido à boa forma não me parece acertado.

    "Não há nenhuma imposição: se o aluno não gosta, sai da escola e alimenta-se noutro local qualquer"
    Pedro Romano

    No meu tempo, só se podia sair da escola quando quiséssemos a partir do 10º ano (e mesmo assim, dependia das escolas!). Há alunos que hegam a estar na escola desde as 8 às 6 da tarde, sem alternativa que não o bar ou o refeitório. Não há imposição?

    E se chamar a tal coisa de totalitária é hiperbólica, o que dizer da correlação que o Pedro estabelece entre esta alimentação e um enfarte?

    By Blogger Tiago Alves, at 6:51 da tarde  

  • "No meu tempo, só se podia sair da escola quando quiséssemos a partir do 10º ano (e mesmo assim, dependia das escolas!). (...) Não há imposição?"

    De acordo. Mas e se limitarmos a medida às escolas em que a saída é permitida?

    "o que dizer da correlação que o Pedro estabelece entre esta alimentação e um enfarte?"

    Mas o Tiago duvida da correlação? É pouco controverso que, ceteris paribus, uma alimentação menos saudável aumenta a probabilidade de sofrer de problemas de saúde. Questão bem diferente é determinar em que medida isso acontece, ou seja, o grau da correlação. Comer 'má comida' (perdoem a tacanhez da expressão) a todas as refeições certamente que debilitará um pouco a saúde; comer de vez em quando terá um efeito pouco acentuado; e comer raramente será, provavelmente, perfeitamente irrelevante. Desde que a comida escolar não esteja a ser subvencionada de forma muito elevada (o que faria com que a diferença de preços entre a comida de dentro/fora da escola fosse muito grande), a medida até aqui é acertada: quem sai poucas vezes da escola para comprar um chocolate praticamente não sentirá a diferença nos custos alimentares ao fim da semana; quem sai de vez em quando sentirá uma diferença assim-assim; e apenas quem usa e abusa desse tipo alimentar sentirá um rombo maior no orçamento. No final, apenas os excessos são verdadeiramente desincentivados.

    By Blogger pedroromano, at 1:45 da tarde  

  • Mas afinal qual é esse sacrifício tão grande que se pede às crianças? Não comerem gomas quando lhes bem apetece?
    A escola é a 2ª instituição mais importante de educação de uma pessoa. A 1ª é a família. Tudo bem que nalgumas casa os putos não são educados nesse sentido, mas não me parece correcto que, tentando alguns pais proporcionar uma dieta equilibrada aos filhos, a escola venha subverter isso pondo-lhes à disposição alimentos cuja real necessidade é duvidosa. Por causa do lucro, que não sei se alguém referiu, mas a verdade é que as escolas ganham com os chocolatinhos e batatas fritas!

    By Blogger JP, at 1:06 da manhã  

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