quinta-feira, setembro 28

Remédios

A AdC não se opõe à OPA da SonaeCOM mas aponta vários remédios. É isto uma derrota para Paulo de Azevedo? A resposta, simples, é não!

Dois deles prendem-se a venda de uma das redes e com a sepração das actividades de retalhista e grossista. O primeiro é algo que Paulo de Azevedo sempre defendeu, como forma de imprimir concorrência ao sector, permitindo à nova Sonae concentrar-se, como a PT nunca pôde fazer, numa verdadeira e competitiva oferta de triple pay. Mais do que isso, abre caminho a um mais pacífico desmantelamento do grupo PT, algo necessário para amortizar o volumoso empréstimo necessário para pagar aos accionistas da Telecom nacional. O segundo segue a mesma linha. Não há concorrência com a distribuição nas mãos do player mais forte do mercado.

A atribuição de uma nova licença é um remédio que me escapa. Apesar de ir "ter tudo aquilo que a Optimus não teve", nas palavras de Paulo de Azevedo, quem quererá tentar entrar num mercado dominado pelo operador histórico, agora revitalizado, e pelo gigante mundial Vodafone? Seja como for, a Sonae não tem de se preocupar com tal coisa, restando apenas a obrigatoriedade de facilitação de entrada de operadores virtuais, através da prática de preços fixados na cedência de redes. Algo que já vinha sido imposto à PT e que faz todo o sentido continuar a ser. Paulo de Azevedo sabe-o.

Já a alienação das participações nos vários braços da PT Multimédia parece ter surpreendido Paulo de Azevedo. Se a alienação de mais participações seria sempre necessária para financiar a compra, já a escolha de quais a vender seria algo que Paulo de Azevedo esperaria poder fazer. Este remédio vem no entanto potenciar o crescimento de outros grupos nacionais ou internacionais, que certamente abrirão uma renhida corrida a activos como a Sport TV, Lusomundo Filmes, SiC Notícias.

malta com binóculos

  • Concorde-se ou não com o que escreves a análise está correcta :)
    E como é em relações aos investimentos que a PT tem no estrangeiro?

    By Blogger José Raposo, at 1:52 da tarde  

  • A nova PT vai ter de reduzir aquele passivo de alguma maneira. Não discordo da ideia de Paulo de Azevedo de ficar apenas com os investrimentos em que detém o controle. Afinal de contas, queremos um grupo forte ou um que investe aqui e ali?

    Porém, com a venda das redes e destes activos, talvez não seja imperioso, por motivos contabilisticos, vender as participações no estrangeiro. Pelo que Paulo de Azevedo poderá ter mais tempo para pensar.

    By Blogger Tiago Alves, at 12:54 da tarde  

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