terça-feira, setembro 12

One way

Quando todos pensam igual, é porque ninguém está a pensar. Walter Lippman

Sim, os consensos e os pactos de regime são, por vezes, necessários. Talvez a justiça até seja uma dessas áreas. Assim sendo, talvez este pacto seja uma coisa boa. Talvez permita atenuar o normal (mas sempre incómodo) ruído, dado o peso dos subscritores do acordo.

Porém, consensos alargados sobre várias áreas não devem ser incentivados. Porque a primeira consequência de um pacto entre os dois maiores partidos portugueses é a inexistência de alternativas. É a ditadura do one way. E eu, como cidadão residente numa democracia, não gosto de não ter alternativas. E num país onde os dois maiores partidos repetidamente caem no mesmo espaço ideológico, uma onda de pactos de regime não é propriamente o cenário mais desejado para assegurar o debate e a pluralidade de opiniões.

malta com binóculos

  • Mas houve alguma vez debate de ideias no Parlamento? Pelo menos, vai terminar o debate das cores políticas...

    By Blogger Sónia Monteiro, at 4:26 da tarde  

  • Acho que também devia haver um pacto sobre a Segurança Social.

    By Blogger peixe, at 1:54 da tarde  

  • Porquê, peixe?

    By Blogger Tiago Alves, at 6:01 da tarde  

  • Porque senão não vamos lá. Só com um acordo entre os dois grandes partidos portugueses, que já tiveram assento no Governo e sabem portanto qual a realidade das Finanças portuguesas é que se pode chegar a algum lado em questões essencias como esta. Se cada um puxar para seu lado e não houver cedências de parte a parte, ntão vamos continuar na mesma discussão de "ideias" durante tempo a mais, com a situação das reformas a deteriorar-se cada vez mais. Não concordas? Acho que marques Mendes tem estado muito bem em promover este tipo de acordos nas quet~eos essencias do país.

    By Blogger peixe, at 1:22 da tarde  

  • É um óptimo ponto. É também por essa razão (e provavelmente só por essa) que estes pactos não me desagradam totalmente. Porém, haverá sempre hipótese de se "andar para a frente" de outras maneiras. Nomeadamente através de maiorias absolutas ou de coligações "não centrais".

    Penso isto porque uma coligação central tenderá sempre a tentar esvaziar todas as rupturas e a optar por soluções conservadoras ou "do agrado de todos". As "soluções intermédias" costumam ser sempre más, o que é normal se pensarmos que cada partido tem as suas ideias e não abdica de uma sem o outro abdicar da sua. E a consequência é que se perde muita coisa pelo caminho. Pior, certas coisas podem deixar de funcionar porque não acompanhadas por medidas mais radicais. Daí talvez fosse melhor ser um único partido a mexer-se ou então uma coligação de direita ou esquerda.

    By Blogger Tiago Alves, at 8:33 da tarde  

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