quarta-feira, setembro 6

O fracasso da negociação (I)

Existem normalmente duas razões, muito gerais, para uma negociação fracassar: 1) a proposta em cima da mesa é pior do que a alternativa de uma ou de ambas as partes ou 2) a proposta em cima da mesa é melhor do que a alternativa mas outros factores (orgulho, impacto mediático, etc.) fazem com que uma das partes a rejeite. Se na primeira situação a rejeição faz sentido, na segunda não. Em conclusão, também geral, há algo de impreterível nestas coisas da negociação: a alternativa.

No caso específico da Azambuja, certamente que a GM já fez todas as contas. A GM tem de pagar pagar aquilo a que é legalmente obrigada (salários até ao final do ano) mais os custos normais associados à produção de componentes necessários para a deslocalização (inseridos no processo de trabalho normal actual da fábrica).

Assim sendo, e admitindo que a paralização se mantém até à data da deslocalização, um não-acordo significa, além dos custos legais com salários (que podem ser atenuados pela greve): 1) perda de produção (lucros previstos cessantes, por exemplo) e 2) custos anormais (decorrentes da greve) para produzir os componentes necessários para a transferência de produção para Saragoça. Como é óbvio, qualquer proposta dos trabalhadores cujo custo seja superior a este 1) + 2) será rejeitada pela administração.

malta com binóculos

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