terça-feira, setembro 12

A ler, com atenção

"Entrei no PCP para atingir o paraíso. Com o sacrifício da minha própria liberdade, se fosse caso disso (...) Tinha 17 anos. Rebeldes. Adorava fazer perguntas, algo que muitos dos meus controleiros do PCP nem sempre apreciavam (...) "Porque entraram os tanques soviéticos em Praga para esmagar os contra-revolucionários, se o povo está na rua defendendo as mudanças do 'seu' partido comunista?" Resposta longa, cassete e olhar desconfiado.

"Aprendi, também, depois do 25 de Abril, que os anti-salazaristas que odeiam o dr. Salazar, mas desculpam ou "esquecem" os crimes de Estaline e de Mao, são democratas.

"Lembrei-me deste pedaço da minha vida e do que aprendi nele quando li algumas críticas ao Prémio Nobel da Literatura Günter Grass, por, aos 17 anos, ter pertencido ao temível corpo de elite hitleriano Waffen-SS e algumas das explicações do grande escritor ("Era jovem e, no fundo, estava de acordo"), que só muito tempo depois se deu conta dos crimes das Waffen-SS.

"Nem todas as explicações de Grass são aceitáveis sem questionamento. Não sei, no entanto, se alguns dos críticos perguntaram a Saramago ou a García Márquez, por exemplo, porque, sendo já adultos, aprovaram outros totalitarismos, sem uma confissão de vergonha ou de arrependimento, como fez Grass."

José Manuel Barroso (destaques meus), no DN de hoje.

malta com binóculos

  • Não há seres humanos perfeitos, por isso os pseudo-moralistas que se deixem de tretas e deixem o Grass em paz.

    Um Abraço.

    By Blogger Pete, at 10:20 da manhã  

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