terça-feira, setembro 5

A desagregação do fio da tomada local

Parece que o mercado de electricidade já funciona no papel. É, convenhamos, um bom avanço, dados os constantes atrasos e peripécias. No terreno, como é óbvio, a coisa ainda não funciona. Será muito complicado a qualquer outro fornecedor de electricidade fazer a sua corrente chegar às nossas habitações. A EDP tem todo um conjunto de infra-estruturas, construído e solidificado durante anos de monopólio protegido pelo Estado. Esta rede permite-lhe aceder com facilidade aos nossos contadores, provavelmente com custos médios decrescentes, o que lhe dá uma vantagem enorme em relação às restantes empresas e lhe permite arrancar com muito mais força para esta nova era de concorrência.

Assim, e embora não nos devamos esquecer que foram (pelo menos em parte) o esforço e os euros da EDP que sustentaram o crescimento da estrutura, é tempo desta servir de igual modo todos os fornecedores. Deste modo, em analogia com o famoso processo de desagregação do lacete local, em prática nas redes da PT desde a revolução da banda larga, proponho que se desagreguem os fios da tomada de todos os lares domésticos, de modo a facilitar a concorrência. Uma operação que poderia ser subsidiada pelo Estado, como forma de compensar os consumidores pelos anos de preços altos e de inexistência de evoluções.

malta com binóculos

  • E o que é que as nova energias do mercado eléctrico me vêm oferecer? Saquinhos de energia? Folhetos a dizer-me como poupar enegergia? é essa a oferta da Iberdrola por exemplo?

    Com esta liberalização, os factos práticos são: o preço da electricidade vai aumentar, sim e não vale a pena fazer da EDP o papão.

    Isto prova que as novas concorrentes não trazem nada de ganho para o consumidor nem para o mercado social mais baixo, pelo contrário já ousaram ao aumento da factura para que elas possam ter lucro... pagando claro o consumidor, portanto comingo não contam como cliente.

    By Anonymous Pedro Cavaco, at 5:21 da tarde  

  • Eu tendencialmente prefiro pagar como consumidor do que como contribuinte.

    By Blogger Manuel Câmara, at 5:23 da tarde  

  • Pedro,

    Se os preços aumentam é porque é esse o verdadeiro preço da electricidade. Preços artificialmente baixos são conseguidos com subsidios do Estado - com os teus impostos, os meus, os do Manuel e de todos nós. Como para subsidiar em 10 o Estado tem de tirar 20 (os restantes 10 perdem-se na máquina), o processo é claramente ineficiente.

    Os consumidores podem, concordo, ficar pior no curto prazo, no regime de transição. Mas todo e qualquer dano de curto prazo valerá a pena se no horizonte estiver um mercado concorrencial, onde o preço, fruto dessa mesma concorrência, tenderá a baixar. Quer devido a esforços da empresa (redução de lucro) para manter os clientes ou através de inovações que permitam melhorar a tecnologia (outro factor que irá criar melhorar o bem estar dos consumidores). No medio prazo a concorrencia cria condições para um melhoramento da oferta e, consequentemente, melhoria da situação do consumidor. Porque essa é a unica maneira de sobreviver.

    Mais, e muito importante: escolha. Se quiseres ficar com a EDP podes ficar, Pedro. Mas e quem não quiser, e estiver insatisfeito, como fará num mercado monopolístico e estatizado?

    (comentário editado)

    By Blogger Tiago Alves, at 9:24 da tarde  

  • Caro Tiago as coisas não são com as pintas, ora vejamos:

    1)O que é para ti evolução tecnológica no mercado electrico? Ao vir argumentar dessa forma parece que estamos a falar de dois supermercados em que um já lê códigos de barras e outro ainda usa etiquetas e caso não o conhecas podes sempre consultar na página da EDP a estrutura tecnologica da mesma, que só para pouca felecidade do comentário é bastante coerente tecnologicamente, compara com as da Endesa e Iberdrola e depois diz-me.

    2)Preços subsidiados pelo estado? Fico á espera para saber de onde retiras-te essa informação. O estado tem na ordem dos 20%, de capital da EDP, a empresa apresentou margem de lucro quero mesmo saber onde retiras-te essa fonte de prejuizo para o estado.

    Tiago mesmo que "talvez" (pode variar embora pc provavel) não o quisese, o teu contador tal como o meu é na ordem até a um máximo potêncial de 6.9, o que o teu "aplaudido" mercado vai trazer é para um cliente de potência superior, por outras palavras não é para o consumidor comum, mas sim para o consumidor empresarial, mas se tens dúvidas, vai ver o potêncial do teu contador electrico. Além do mais aconselho-te vivamente a ler: http://www.edp.pt/EDPI/Internet/PT/Group/Sustainability/Principles/PDS.htm

    Resumindo, não inventemos factos onde eles não existem.

    Embora seja irreal: mas segundo essa prespectiva que se a edp "tivesse preuizo" o estado também teria, então tu terias ainda mais, e a partir de agora pagarás mais que os 2% de aumento que pagas-te de factura por inflação, para que a iluminada concorrência tenha lucro, não acredito que defendas tantos penaltis como consumidor simplesmente, para dizer que tens um mercado aberto, caso contrário tens uma grande bolsa para esbanjar.

    By Anonymous Pedro Cavaco, at 9:35 da tarde  

  • Por pontos:

    1) Evolução é o processo que permite melhorar a oferta, tanto a nivel d preço como qualidade, disponibilidade, etc. A EDP começou a evoluir há uns pares de anos, quando se começou a falar de concorrencia. Deixou de ser um monstro pesado, melhorou as redes, arranjou um novo logotipo e colocou em pratica programas de eficiencia (despediu milhares de pessoas e cortou nos custos, lembras-te?) porque só assim estaria preparada para enfrentar a concorrencia. Daí os lucros. Mesmo assim, não é anormal ouvirmos no Telejornal notícias de apagões..

    Assim, muita da "bagagem" tecnológica actual da EDP existe devido a João Talone e à ameaça de mercado livre! Um monopolista protegido não se preocupa em evoluir! (By the way, estive a ver os sites da Endesa e da Iberdrola. Dizem todos o mesmo que aquela pagina da EDP, mas em espanhol. A Iberdrola até esta muito bem posicionada nos rankings de sustentabilidade.

    2) Não andamos a pagar o que deviamos pela electricidade. Há algo que se chama custo de produção e que está altamente dependente do petróleo. Os custos para os consumidores só não são maiores porque o Estado limitou as subidas à inflação! E como o fez?

    Alguém tem de pagar. A EDP continua a receber o mesmo (não tem culpa que o Executivo seja socialista e goste de distorcer o mercado). Se nós não pagamos na factura, pagamos na declaração de IRS, o que é muito ineficiente, como já disse no post anterior.

    Quanto ao contador, tens razão. Mas isto é o início. Dentro de algum tempo chegará a mais gente. Vai demorar. Lembro-me de ter lido algures que a EDP tem concessões até 2020 (!) na distribuição, o que é uma vergonha. Provavelmente até lá não vai haver mercado livre. Vai haver uma rédea mais larga..

    Quanto à bolsa por esbanjar, penso já ter respondido. Paga-se na mesma. O preço efectivo em concorrencia é sempre menor do que em monopólio. Mas o preço actual não é o efectivo: é uma ilusão. Que além de distorcer o mercado e as mentes dos consumidores, contribui para um consumo maior do que o "devido". Por isso, sim, as facturas vão subir. Mas logo que esta alta do petroleo passar (e se não passar teremos mais um incentivo para progressos tecnológicos) e o mercado for verdadeiramente livre, ai teremos as consequencias. E eu penso que serão boas.

    By Blogger Tiago Alves, at 1:14 da manhã  

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