quinta-feira, setembro 14

Debunking bs

João Miranda escreve no Blasfémias:

Tentar refutar teorias da conspiração acaba quase sempre por ser perda de tempo. Os argumentos contra as teorias da conspiração nunca são credíveis. Como qualquer adepto das teorias da conspiração nos poderá explicar, existe sempre uma sub-conspiração cujo objectivo é encobrir a conspiração principal com argumentos aparentemente racionais.
(...)
O melhor antídoto contra uma teoria da conspiração nunca é a refutação racional. Qualquer tentiva de refutação será vista como prova da conspiração e só servirá para alimentar a teoria da conspiração. Devem ser consideradas outras alternativas mais eficazes: "He knew all the tricks, dramatic irony, metaphor, bathos, puns, parody, litotes and... satire." (Monthy Python).

Eu concordaria em maior parte dos casos. Discutir seriamente com um fanático conspiracionista é muito frustrante. Mas as conspirações sobre o 11 de setembro são um fenómeno de uma dimensão para além dos paranóicos do costume. Mais de 10 milhões de pessoas fizeram o download do "documentário" Loose Change. Este já foi transmitido na televisão em mais de uma dezena de países, incluindo Portugal.
Quando uma má ideia tem já suficiente credibilidade para ameaçar entrar no mainstream, não é ridicularizando-a que ela se vai embora. É altura de a pôr à prova no mercado de ideias, num debate sério.
Bom, isto tudo a propósito de um debate no Democracy Now! entre dois realizadores do Loose Change e dois responsáveis da revista Popular Mechanics, que também já há algum tempo vêm a destruír as teorias sobre o 9/11. Podem ver o vídeo aqui (41m 52s), ou ler aqui.

É engraçado ver como cai aos bocados a credibilidade dos conspiracionistas quando confrontados de forma séria. O comportamento juvenil dos conspiracionistas certamente não ajuda, agem de um modo histérico e não têm problemas em chamar mentiroso a todo aquele remotamente ligado ao "sistema". A certo ponto um deles tem de pedir ao seu colega para se acalmar.

O recurso à ridicularização dos argumentos dos editores da Popular Mechanics para evitar a discussão a sério também não conquista grandes simpatias entre os espectadores. A óbvia motivação política dos criadores do documentário muito menos. O público (pelo menos o público que interessa) geralmente percebe que as agendas políticas costumam impor-se no caminho da busca pela verdade.

Em suma, tentar refutar teorias da conspiração em debates públicos pode ser bastante frutífero porque não é difícil transmitir mais credibilidade que os loonies que as defendem. E é necessário porque não é saudável para a sociedade que este tipo de ideias alastrem sem a oposição da verdade.

EDIT: N'O Insurgente o debate já havia sido postado ontem.

malta com binóculos

  • Tiago explica-me a diferênça entre os dois tipos de paranoias, a pró-americana e a inversa.

    Não me vou prolongar no debate dos factos do LC que foram refutados? (mas tal como os dois jovens quem são aqueles dois senhores? porque é que os argumentos/factos deles valem mais que os outros... passados todos estes anos?).
    Espanta o facto de coisas sem sentido incomodarem tanta gente, será porque não existe uma base sólida para refutar certos argumentos, ou porque realmente a bengala de suporte pro-americano tem o cabo raso neste caso?

    Mas não quero entrar por esse campo, so quero frisar que quem devia dar respostas nuncas as deu e se o caso é tão lógico e a verdade é tão facil de ser percebida, porque não a mostram no seu todo. O LC sofre do mesmo mal de algo que quando não podemos controlar a sua expansão (graças à internet) tentamos a secunda via, ridiculizar, foi assim com os K Kux Klan entre tantas outras coisas e funcionou e esta será somente mais uma. Não me interessam documentários, contra comentários ou séries. Interessam-me factos, respostas dadas pela administração, aquelas que até hoje ninguém viu e ao contrário do que possas pensar, nem tu.

    By Anonymous Pedro Cavaco, at 2:13 da manhã  

  • "Não me vou prolongar no debate dos factos do LC que foram refutados? (mas tal como os dois jovens quem são aqueles dois senhores? porque é que os argumentos/factos deles valem mais que os outros... passados todos estes anos?)."

    O meu post não pretendia ser uma análise sobre a validade dos argumentos de cada um. Pretendia sim criticar a ideia que não vale a pena discutir seriamente com teorias da conspiração, mesmo que estas se propagem para a mainstream.

    O formato do debate não permitia analisar detalhadamente os argumentos, daí que fosse um jogo de credibilidade. Os argumentos deles são mais credíveis e o seu comportamento no debate corresponde. Os realizadores do Loose Change comportam-se juvenil e histericamente, o que prejudica os seus argumentos.

    Não estou muito bem a ver que respostas é que pretendes que a Casa Branca dê, nem porque deve ser esta a dar. Se procuras debunking das teorias da conspiração podes ver os links destes posts no Insurgente:

    http://oinsurgente.blogspot.com/2006/09/uma-imagem-vale-mil-palavras.html
    http://oinsurgente.blogspot.com/2006/09/conspirao-no-pra-2-loose-change.html

    By Blogger Manuel Câmara, at 2:48 da manhã  

  • Os argumentos deles são mais credíveis e o seu comportamento no debate corresponde. Os realizadores do Loose Change comportam-se juvenil e histericamente, o que prejudica os seus argumentos.

    - Concordo

    Não estou muito bem a ver que respostas é que pretendes que a Casa Branca dê, nem porque deve ser esta a dar.

    - A resposta que eu esperava passam por exemplo pelos videos do pentagono que mostram realmente o que embateu no edificio, os videos que na orla foram confiscados entre outros aspectos da desmontagem do 11 de Set que sendo verdade não precisam de estar ocultos passados 5 anos. Gostava de explcações da caça ao terrorismo feita em nome do 11 de Set e de todos os desenvolvimentos seguidos após o mesmo.

    Não leves a mal, mas este é um lego que nao encaixa muito bem, mas isso sou só eu a ver as coisas

    :) cump

    By Anonymous Pedro Cavaco, at 12:37 da tarde  

  • vejam 24, lol

    By Anonymous Anónimo, at 1:49 da manhã  

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