sexta-feira, agosto 4

Incompreensivel

Uma obsessão incompreensível esta do Paulo Pinto Mascarenhas pela MFM

Karloos, no Licenciosidades


Relembro, para memoria futura, que ainda nao li o artigo sobre os MCA. Porem, por tudo aquilo que ja li na blogosfera, e conhecendo o estilo usual de MFM, posso juntar a minha voz a todos aqueles que reclamam uma maior ponderaCao na escolha dos escribas e do autor do "tema de capa".

E de facto incompreensivel esta obsessao do director pelos textos da sociologa. Lembro-me que logo no primeiro numero da Atlantico pos-PPM fez-se questAo de deixar a ultima pAgina em branco e de colocar la um "reservado". No defunto Acidental, o caro PPM fez questAo de dizer que o seu maior desgosto era nAo poder contar, logo na estreia, com a arte de MFM. Foi criado um efeito de marketing fantastico que fez MFM aparecer como uma especie de super-contrataCAo, uma especie de Rui Costa que viria dar um brilho decisivo A nova etapa. Muitas pessoas jA conheciam MFM. Eu nAo. E foi por isso que esperei com expectativa os seus primeiros trabalhos. Hoje, seis ou sete nUmeros depois, estou desiludido.

Os seus textos de ultima pAgina nAo trazem nada de novo. Basicamente sAo descriCoes de ideias feitas, apimentadas aqui ou ali com alguma experiencia pessoal e um pouco de envaidecimento. As vezes parece atE auto-convencimento, signifique la isso o que significar... O percurso pelos "valores" E um tema muito recorrente, gasto, batido. Esperava-se mais de alguem anunciado com tanto vigor.

Depois, os "temas de capa". PArece que o PPM nAo descansou enquanto nAo arranjou um tema de capa para a sua protegida. A escolha da Casa da Musica foi, como nos lembramos, bem infeliz. AlEm do artigo nAo justificar uma capa "arrasadora" como aquela, conseguiu a proeza de ser criticado, ainda que de mansinho, na prOpria revista, por Paulo Tunhas.

Obviamente que a escolha dos colunistas cabe sO e apenas ao Director, Conselho Executivo ou Editorial ou outros que tais. Mas numa revista Atlantica como a AtlAntico pretende ser, e onde a primeira preocupaCAo deveria ser o publico, hA-que dar ouvidos ao que se diz por ai. Numa revista que se auto proclama pro-liberal, alguem com tanta pureza como MFM destoa. E destoa pelos piores motivos.

malta com binóculos

  • Supor que o artigo da MFM é descabido numa revista "pro-liberal" só revela falta de leitura de quem supõe.

    Karl Popper fez da televisão e dos maleficios que ela poderia provocar nas sociedades liberais o principal tema do seu trabalho na última década de vida. Elegeu a televisão - a sua enorme influência e a indigente qualidade de muito que produz - como o principal inimigo da sociedade aberta nestes tempos.

    Idem quanto aos valores: o debate entre virtude e liberdade - desde Hume e a questão do "é" e do "devia ser" até hoje - sempre foi central no liberalismo. E mais "atlântico" não poderia ser, pois tem constituido o foco dos debates doutrinários nos EUA nas últimas décadas.

    Também não vejo que destoe do conjunto da revista. Os dois plumitivos atlânticos que mais gosto de ler são o JPC e o Marques de Almeida. O JPC discorre frequentemente sobre estes assuntos, e normalmente com posições similares às da MFM - em particular o pessimismo cultural. O JMA neste número aponta a "praia" como sintoma de um grave retrocesso civilizacional e de barbárie - pessoalmente, não poderia estar mais de acordo. E por exemplo o ASS usa num parágrafo doses de pedantismo, experiências pessoais e "auto-convencimento" que obrigariam à leitura de centenas de crónicas da MFM.

    Assim, é legítimo que não te interesse conversa sobre os malefícios da televisão, a qualidade do entretenimento que se oferece à infância ou valores morais. Mas não pretendas que são temas deslocados numa revista "pro-liberal". No caso, quem está deslocado és tu.

    By Blogger c., at 9:16 da tarde  

  • Estava o Tiago Alves todo entretidinho a pensar que era desta que bicava no PPM e na Atlântico e leva com o Karl Popper pelas ventas (nota-se um ódiozinho de estimação, será mesmo?).

    Tiaguinho, vá lá mudar os cueiros está bem! E não troque o queijo ralado pelo pó de talco! (para perceber esta piada é preciso ter idade para ter ouvido Raul Solnado no seu humor na década de 60).

    By Anonymous Anónimo, at 12:36 da tarde  

  • Caro anonimo,

    E muito redutor pensar que toda a gente usa os blogs (ou, no seu caso, as caixas de comentario) para bicar nos outros.. Eu uso o meu blogue e as caixas de comentarios para expressar a minha opiniao, tentando fundamenta-la.

    O senhor nao. Quanto ao PPM e a revista, fique sabendo que sempre fui apoiante de ambos e continuo a ser. Tal nAo me impede, porem, de exprimir as minhas criticas quando as acho pertinentes. Se o caro anonimo nAo as acha faz muito bem em dizer. FaCa-o, porem, de forma civilizada. Ou ao menos revele-se, para assim termos um nome para associar a tanta estupidez.

    By Blogger Tiago Alves, at 10:25 da manhã  

  • Caro c.

    Provavelmente nAo terei lido tanto como deveria ou gostaria. Porem, penso poder dizer que o liberalismo tem diversas correntes. Se a corrente de Popper era essa, entao a corrente da Atlantico nAo tem sido essa.

    Nao conheco os termos tecnicos nem alguns gurus. Mas sei ler textos e perceber a sua mensagem. E enquanto a maioria dos textos "atlanticos" ou escritos por "altanticos" noutros locais apelam a liberdade de escolha, A modernidade, a informaCao, as preferencias individuais e a afirmaCao pessoal. MFM revela, no conjunto dos seus artigos, paternalismo, conservadorismo e autoritarismo, sem esquecer a religiao. Aqui reside o cerne da minha critica.

    Posso tambem estar deslocado. Afinal, e complicado (e ainda bem) concordarmos todos uns com os outros durnte um largo periodo de tempo. Porem, dizer que textos que apelam Aqueles tres valores se adequam a uma revista como a Atlantico parece-me "heretico".

    By Blogger Tiago Alves, at 10:35 da manhã  

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