sábado, julho 1

A Queda e os seus motivos

Longe de mim querer contrariar um profissional da área como o caro Paulo Mascarenhas, mas não deixa de ser um pouco redutor relacionar a queda generalizada das vendas da imprensa paga "à pobreza da democracia ou aos maus hábitos de leitura do povo ou das críticas das elites". Se pensarmos bem, e sem puxar para a conversa os galões de Vasco Pulido Valente, a propósito do Plano Nacional de Leitura, a verdade é que os portugueses lêem. Lêem quando a relação entre o que gastam para ler (tempo e dinheiro, principalmente) compensa o benefício que daí retiram. Pode partecer cartilha de introdução à Micro, mas não é.

Às pessoas sem muito tempo livre ou que não lêem por nenhuma necessidade de foro profissional (O conjunto de títulos de informação económica é a única excepção à regra [queda]) a relação não compensa. Os diários nacionais estão pesados, cinzentos e cheios de coisas que não interessam para nada. E por isso o preço, comparado com o benefício, é elevado. Depois, temos os diários gratuitos, sobretudo o Metro, que tem conseguido impôr-se, com uma dinâmica impressionante e com conteúdo de qualidade. Esta mercado é responsável por quase meio milhão de leitores (Os três gratuitos generalistas ultrapassaram com conforto a média dos 450 mil exemplares por edição), dos quais metade (no mínimo) não liam jornais há um ano e tal atrás. Para terminar, a internet. A generalização do acesso continua em crescendo, assim como a quantidade de conteúdos disponíveis nos sites dos jornais ou em outros (Sapo, DD, Lusa). Cada vez mais gente deixa de comprar o formato papel para, electronicamente, aceder de forma muito mais fácil (e barata) às notícias que realmente interessam.

Em suma, assiste-se a um défice de acompanhamento da mudança por parte dos jornais diarios. O consumidor mudou, o contexto mudou, mas os jornais mantém-se iguais ou, se diferentes, não tão diferente quanto o consumidor deseja.

malta com binóculos

  • Pessoalmente acho que há um grande défice de «fofoca» nos jornais portugueses. Por exemplo o tema Merche e Ronaldo está muito pouco explorado. Temos muito a aprender com os tabloides britânicos.

    By Blogger Manuel Câmara, at 7:46 da tarde  

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