quinta-feira, junho 8

Manifestações políticas

A organização - a Comissão Coordenadora Permanente de Sindicatos e Associações das Forças e Serviços de Segurança (que nome!) - decidiu convocar a manifestação para protestar contra as alterações ao serviço de saúde e às regras de aposentação. Os agentes compareceram. Apareceram também militantes do PNR que decidiram, como homens livres, apoiar a autoridade nesta sua luta. Algo que é totalmente coerente com as suas convicções. Quem não gostou nada foi a organização, que se propôs a cancelar o desfile. Será válido o argumento de que um desfile conjunto significaria um aliar de forças? Uma manifestação conjunta? Não. Significaria apenas que ambos defendem a mesma coisa.

Se a manifestação apenas pretendia lutar pelos direitos dos agentes, então o facto de ter pessoas extra-organização a apoiá-las deveria ser motivo de orgulho. Afinal, há gente que não vive a situação por dentro mas que compreende e apoia, estando disposta a manifestar-se, lado a lado, com os prejudicados. Mas tal não aconteceu. Porque a manifestação (como a esmagadora maioria de todas as manifestações que se fazem por aí) era política e tinha interesses desestabilizadores. E por isso os organizadores não pretendiam que as suas ideias fossem também defendidas por quem se situa no outro lado do espectro político. Querem para si a exclusividade da reivindicação - os agentes que supostamente representam e defendem são secundários; são meros peões.

Os manifestantes, que sentem na pele as alterações (não se discute aqui a sua legitimidade ou não), estão verdadeiramente a defender as suas exigências. E assim, ignorando as jogadas e ignorando as ordens da organização, decidiram desfilar na mesma. Obviamente.

malta com binóculos

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