quinta-feira, junho 22

Centros de Alto Rendimento - parte 1 - Introdução

Quem está ligado ao desporto, seja em que modalidade for, sabe que existem potências nessa modalidade. As primeiras potências de cada evento surgiram, muito provavelmente, de características fisicas de determinados povos ou raças, não tendo agora relevância para o tema. Como nasceram as novas potências ou como se mantiveram as antigas é o que se pergunta neste momento. Não surpreendentemente, os aficcionados do desporto “deitam as culpas” para certas instituições que apareceram ou que existiam nas “potências” – os Centros de Alto Rendimento.

Se olharmos para trás e ainda no presente, embora com menos relevo, vemos a ex-URSS e a China, por exemplo, com as faladas instituições. Afinal, o desporto sempre foi “um embaixador de uma nação no estrangeiro” e os atleta destes países participavam nuns Mundiais ou nos Jogos Olímpicos para ganhar, mostrando, deste modo, a sua superioridade. No presente vemos vários países europeus com o seu próprio sistema desportivo. Países como a Espanha, os Países Baixos ou a França, sem esquecer, já fora da Europa, os Estados Unidos, entre sistemas públicos e privados, ajustam-se, criando um nível de competitividade que deixa qualquer adepto em suspenso até se sagrar o campeão.

É no Jamor que Portugal tem o seu Centro de Alto Rendimento. É lá que treinam promessas do judo, do basquetebol, entre outras. É lá que treina a promessa Vanessa Fernandes, do triatlo. Surpreendentemente, apesar de estarem lá alguns dos futuros desportistas de alta competição portugueses, pouco se sabe e a informação disponível sobre este centro é escassa.

Para além deste, temos esse pequeno grande exemplo a Academia de Alcochete. Num país onde o futebol é o desporto-rei outra coisa não seria de esperar, pelo que temos um centro inteiramente dedicado a esta modalidade, a mais falada e mais vista do país. A Academia de Alcochete acolhe, tanto em sistema de internato como de externato, candidatos a futuras vedetas do mundo futebolístico. Estes jovens têm treinos bidiários e a sua escolaridade é adaptada à sua condição de atletas.

No entanto e sem desprimorar o que já existe em Portugal, talvez seja possível fazer um pouco mais. Por vezes nem tanto o apoio financeiro mas um apoio aos atletas que estudam e que necessitam de treinos bidiários, de modalidades que ainda não estão representadas no CAR. Atletas que trabalham, pois não podem viver do ar, e que treinam horas a fio para no final representarem Portugal.

Afinal, se outros países tiveram resultados será que podemos esperar o mesmo de Portugal?

Na próxima coluna: Centros de Alto Rendimento – parte 2 – Como, Porquê e Para Quê?

malta com binóculos

  • Os CAR são essenciais na política desportiva de um país, quando um país tem essa política o que não parece ser o caso do nosso, pelo menos não é uma política visível. Nos JO todo o povo Português anseia por medalhas mas a maior parte das vezes essas medalhas não aparecem em grande parte porque os nossos ateltas têm menos condições de treino que atletas de outros países porque em termos de condição atlética estamos em igualdade com quase todos os atletas de outros países. Veja-se no futebol que quando criadas condições Portugal pode mostrar que pode competir com qualquer outro país. Precisamos de CAR que abrangam todas as modalidades, olímpicas ou não. Precisamos também de uma política desportiva que se adapte às necessidades de treino e de cultura dos nossos jovens, e menos jovens, atletas. Não basta subsidiar os que conseguiram finais olímpicas e os medalhados.

    By Anonymous Filipe, at 11:23 da tarde  

  • Basquetebol no Jamor??? n sabia.

    By Anonymous Anónimo, at 12:15 da tarde  

  • Pois eu também não! Parece que tiveram lá uns cadetes, sinceramente não sei se ainda estão lá, mas fica a referência.

    By Blogger Inês Joaquim, at 12:47 da tarde  

  • Concordo que são importantes, embora não tenha a certeza se o indicado será um CAR em cada esquina que resolve o problema. Seja como for, no futebol criaram-se condições porque se esperava retorno (embora ele as xs nao apareça..) e porque é, como diz a Ines, o desporto-rei.

    Talvez fosse indicado aproveitar outros desportos tambem "queridos" entre nós e apostar aí em força. Afinal, não podemos (e penso que ninguém o é) potências em tudo ;)

    By Blogger Tiago Alves, at 4:29 da tarde  

  • "No entanto e sem desprimorar o que já existe em Portugal, talvez seja possível fazer um pouco mais"

    Acho muito bem. Acho muito mal. Mas não usem o meu dinheiro, está bem?

    By Blogger c., at 5:27 da tarde  

  • A questão "com que dinheiro" fica para as próximas semanas!

    By Blogger Inês Joaquim, at 10:29 da tarde  

  • Eu gosto muito de certas e determinadas individualidades que falam muito e que provavelmente se queixam por Portugal não ter mais jogadores medalhados no JO, mas depois não pode é ser com o dinheiro deles... enfim, acho que de uma vez por todas se devia perceber que lá porque um tem direito a treinador profissional por ser uma promessa para o desporto nacional, infraestruturas para alguns são infraestruturas para todos, porque nunca se contrói uma piscina olímpica só para um nadador utilizar, e com mais e melhores infraestruturas, sejam desportivas, culturais, educacionais ou que for, todos beneficiamos, directa ou indirectamente!

    P.S.- Inês, curtinho mas bom, espero pelo próximo post!

    By Blogger JP, at 3:00 da manhã  

  • "provavelmente se queixam por Portugal não ter mais jogadores medalhados no JO, mas depois não pode é ser com o dinheiro deles..."

    Eu não me queixo das medalhas. O dinheiro lamento lá isso é verdade. Como lamentaria na mesma se ganhassem 400 medalhas de ouro.

    "infraestruturas para alguns são infraestruturas para todos, porque nunca se contrói uma piscina olímpica só para um nadador utilizar"

    Não me importava de ir lá dar umas braçadas. Diga-me lá onde é que posso fazer a marcação?

    "sejam desportivas, culturais, educacionais ou que for, todos beneficiamos, directa ou indirectamente!"

    Vamos nacionalizar tudo, então. Fábricas, bancos, jornais, restaurantes, supermercados, quintas, sei lá, "o que for". Não sei como ainda ninguém se lembrou disto. Isto além de ser uma óptima ideia, deve funcionar belissimamente.

    "A questão "com que dinheiro" fica para as próximas semanas!"
    OK.

    By Blogger c., at 12:18 da manhã  

  • Uma pessoa que diz que não precisamos de infraestruturas desportivas, educacionais, culturais ou de outro cariz, ou não dizendo que não precisamos diz que não quer contribuir para nenhuma delas deve ou ter todas as que necessita e não pensa nos outros que poderam querer usufruir dessas estruturas ou então não quer que o país se desenvolva em todas as áreas e continue e ser um país do 2º mundo. Devemos gastar dinheiro em todo o tipo de infraestruturas.

    By Anonymous filipe, at 8:58 da tarde  

  • Eu nado na cidade universitária, provavelmente uma das melhores piscinas da cidade de Lisboa (tenho alguma experiência nesse campo) e vejo que a adesão de gente de todas as idades tem sido grande. A verdade é que devido àquela infraestrutura que promove o desporto a preços competitivos muitas pessoas puderam ter acesso ao desporto, o que de outra forma talvez não pudessem.
    E quem é que falou em nacionalizações? O Estado já não pode intervir em áreas que se calhar não interessem tanto à actividade privada? Ou só devemos ter colegiozinhos e clubezinhos de golfe para meninos ricos?

    By Blogger JP, at 8:44 da tarde  

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