domingo, maio 21

O grande equívoco

Hoje, no Montenegro, referenda-se a independência face à Sérvia. Se tudo correr como previsto, e o "sim" alcançar os 55% necessários, o Montenegro tornar-se-á no mais novo estado independente da Europa. Com esta independência desaparece, quase um século depois, o que restava da grande Jugoslávia, um dos maiores equívocos de sempre da história europeia. Um erro que se deu algures no final da Primeira Guerra Mundial, quando se decidiu ignorar os avisos italianos e criou-se um estado hegemónico na turbulenta região balcânica. O objectivo de evitar novos conflitos foi suficiente para ignorar profundas diferenças religiosas, culturais e étnicas. Diferenças que iriam sempre marcar a história da região, e que só não fizeram eclodir a guerra civil mais cedo devido aos regimes ditatoriais (militar, primeiro, e soviético depois) que tomaram conta do país. A guerra, essa, começou em 1991, só terminando com a intervenção da Aliança Atlântica.

Depois de alguns anos de guerra e de vidas ceifadas, a Jugoslávia dividiu-se e quase regressou às fronteiras originais, definidas por uma história comum de dezenas de anos. Estes povos, ao contrário da Sérvia de 1914 e de 1990, não pretendem a terra do vizinho - querem apenas a sua. Hoje, com a provável vitória do movimento de independência do Montenegro, a História cumpre-se, quase 90 anos depois. Talvez valha a pena aprender alguma coisa com isto e pensar se, por esse Mundo fora, não se pretendem manter unidos Estados cujos povos não se sentem parte de uma história e civilização comuns. Talvez se estejam hoje a criar condições para futuras guerras civis. Dever-se-ia pensar se, nas terras onde o povo e o seu território se confundem, não faria sentido apostar na divisão e criar condições para um desenvolvimento sustentável. E em paz.

malta com binóculos

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