sexta-feira, maio 26

Intervenções Ocidentais

Neste momento, na maioria dos países do Sul, o único modo de manter a ordem é através de ditaduras militares, religiosas ou de outros sistemas totalitários. O povo assim foi habituado durante séculos de colonização. Qualquer intervenção por parte das forças ocidentais terá de enveredar por um sistema parecido, ao início, e de permanecer no terreno o tempo suficiente (não menos de dez anos) para desenvolver um sistema democrático credível, capaz de aguentar o barco e impedir o rebentar de nova guerra.

A questão que se coloca é a da legitimidade. Deverão as potências europeias voltar às antigas colónias ou a outros países para libertar as populações dos seus ditadores? Mesmo que elas queiram ser libertadas, é certo que não tardarão a clamar de novo pela partida do diabo branco e pela independência da sua terra. Valerá a pena o esforço quando a segurança internacional não está em risco, quando não há petróleo ou quando a situação envolve apenas uns quantos milhões de deslocados, de presos ou de mortos?

malta com binóculos

  • Deverão as potências europeias voltar às antigas colónias ou a outros países para libertar as populações dos seus ditadores?

    Não. A liberdade não se ensina, conquista-se.

    Isto não significa que não se possa ajudar na pacificação do país e na logística numa fase pós-revolucionária.

    By Blogger Francisco Miguel Pires, at 11:35 da tarde  

  • No outro dia estava a pensar neste mesmo assunto. Acho, sinceramente, que são essas civilizações que têm de passar por tudo isso e aperceberem-se (crescerem) e conquistarem a sua liberdade como o Francisco Pires referiu. No fundo, o Ocidente tem a mentalidade actual pelo que passou no Passado. É essencial que eles façam a sua história, sem intervenções precoces do Mundo Ocidental.

    Imagina pormos um bebé de 6 meses a aprender a andar. Esse bebé um dia andará (sem intervenções de outros) mas só quando tiver mais músculos...

    By Blogger Inex, at 4:15 da tarde  

  • A vossa opinião é absoluta, ou seja, mesmo quando se verificam situações como os milhões de deslocados ou riscos para a segurança internacional (leia-se nossa segurança), não deve haver nenhuma intervenção?
    (o petróleo era mais uma provocação, embora tenha contornos bem reais..)

    Ines Maria: a metáfora até está gira mas e esse bebé demorar vários anos até conseguir andar e entretanto andar a cair e a aleijar-se ou a destruir a casa?

    p.s. Não entendam este comentário como uma defesa da intervenção. Só estou numa de advogado do Diabo, a ver se consigo formar uma opinião mais firme.

    By Blogger Tiago Alves, at 6:40 da tarde  

  • Claro que concordo com a cena de intervir quando eles são "malucos da cabeça" e querem nucleariar isto tudo! Mas mais uma vez e se percebeste onde eu quero chegar, eu defendia uma cena de desmantelamento das armas nucleares mas não o que fizeram no Iraque depois...

    By Blogger Inex, at 9:04 da tarde  

  • "But where? The danger of democratic globalism is its universalism, its open-ended commitment to human freedom, its temptation to plant the flag of democracy everywhere. It must learn to say no. And indeed, it does say no. But when it says no to Liberia, or Congo, or Burma, or countenances alliances with authoritarian rulers in places like Pakistan or, for that matter, Russia, it stands accused of hypocrisy. Which is why we must articulate criteria for saying yes.
    Where to intervene? Where to bring democracy? Where to nation-build? I propose a single criterion: where it counts.

    Call it democratic realism. And this is its axiom: We will support democracy everywhere, but we will commit blood and treasure only in places where there is a strategic necessity--meaning, places central to the larger war against the existential enemy, the enemy that poses a global mortal threat to freedom.

    Where does it count? Fifty years ago, Germany and Japan counted. Why? Because they were the seeds of the greatest global threat to freedom in midcentury--fascism--and then were turned, by nation building, into bulwarks against the next great threat to freedom, Soviet communism.

    Where does it count today? Where the overthrow of radicalism and the beginnings of democracy can have a decisive effect in the war against the new global threat to freedom, the new existential enemy, the Arab-Islamic totalitarianism that has threatened us in both its secular and religious forms for the quarter-century since the Khomeini revolution of 1979.

    Establishing civilized, decent, nonbelligerent, pro-Western polities in Afghanistan and Iraq and ultimately their key neighbors would, like the flipping of Germany and Japan in the 1940s, change the strategic balance in the fight against Arab-Islamic radicalism. "

    Charles Krauthammer

    não bastam as intervenções militares, como é lógico. depois é preciso (re)educar as pessoas.

    By Blogger Elise, at 12:29 da tarde  

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