terça-feira, maio 9

Europa

Hoje, depois da realização do seminário comemorativo do Dia da Europa, multiplicam-se pelos jornais os artigos sobre a crise europeia e as suas causas. A maioria delas perder-se-á em questões laterais .

Os grandes responsáveis pela crise europeia são a moeda única e o BCE, que acabaram com a regularidade das políticas monetárias e orçamentais expansionistas. No fundo no fundo, toda a crise se resume a um problema: a impossibilidade de imprimir moeda.

malta com binóculos

  • Havendo um "problema" ele tem várias frentes.

    Suponho que para uns a "crise" se traduza pelo falhanço da constituição e o sentimento de distância entre os cidadãos e os seus representantes em Bruxelas. Esse "problema" pouco tem a ver com o Euro.

    Outra frente da crise europeia pode ser também a falta de poder de afirmação da Europa na politica internacional. Também aqui, o Euro não entra.

    Para outros o problema é a falta de competitividade e dinamismo das economias europeias. Dificilmente se podem atribuir culpas ao Euro.

    Certamente que se criam ineficiencias quando há uma série de economias distintas sob a mesma moeda, mas não julgo que os custos sejam tão grandes que possam ser a explicação de todos os males.

    Além de que os principais criticos do Euro até agora foram políticos que precisavam de um bom bode expiatório.

    By Blogger Manuel Câmara, at 12:57 da manhã  

  • Caro msc,

    Todos esses problemas possuem com o euro uma relaçao de causa ou consequencia.

    O chumbo à Constituição resultou principalmente do mau momento economico/social, impossivel de ultrapassar com choques expansionistas (devido ao euro).

    A Europa não se afirma porque estrá sem poder economico; porque os maus momentos internos fazem os politicos adoptar proteccionismos e a "olhar mais para o seu umbigo", a politica externa sofre. Alias, ainda ha pouco tempo, na discussão dos Orçamento para o proximo quinquénio, houve neociaçoes que envolveram cedencias bilaterais nestes dois pontos.

    A falta de competitividade já existe ha muito tempo, mas nunca foi um problema: havia máquinas de imprimir dinheiro no gabinete do Primeiro Ministro. Agora só há nos corredores do BCE, e aqui nasce o problema.

    Em suma, o que eu quis dizer é que as maioria dos factores existentes ou têm origem na crise economica (devido a introduçao do euro) ou foram factores que sempre existiram mas que com a entrada do euro começaram a tornar-se problemas. Ah, e não uso como bode expiatório. Não teci qualquer juizo de valor em relaçao a moeda unica :)

    By Blogger Tiago Alves, at 7:35 da manhã  

  • Fiquei um pouco surpreendido com este post. Com tantos factores que possam ter contribuido para a crise europeia, o BCE e o euro não seriam certamente aqueles que destacava...

    By Blogger Bruno Gonçalves, at 11:24 da manhã  

  • Bruno, compreendo a surpresa mas reafirmo o que tentei explicitar na resposta acima. Não teci juízo de valor nem sobre a crise nem sobre o Euro. Penso que esta crise acontece (e se mantém) porque a Europa vivia numa ilusão monetária, com as despesas a serem financiadas sem controlo. Pelo que a crise até é pode ter um lado positivo.

    Quando o controlo (o BCE, os cambios fixos, etc.) apareceu, as economias não conseguiram responder, tal era o vicio de recorrer à fotocopiadora. Claro que para o vicio existir muitos factores concorrem na explicação. Mas tais factores só se tornaram sinonimo de crise agora, apenas devido a esse pequeno pormenor: o fim das politicas monetarias expansionistas.

    By Blogger Tiago Alves, at 4:48 da tarde  

  • Tiago,

    Acho que exageras imensamente o efeito da politica monetária sobre a economia. Tudo bem que pode resolver algumas depressões especificas. Mas o problema economico da "Europa Velha" é de uma escala que ultrapassa a politica monetária.

    A falta de competitividade não é um problema novo, de facto. Desde a década de 80 que a europa velha tem perdido terreno face aos países anglosaxonicos. E desde essa altura que o descontentamento tem vindo a aumentar. Já antes do Euro haviam taxas de desemprego altas na França e Alemanha. Já antes do Euro haviam problemas de imigração na França, e o crescimento desse problema pouco tem a ver com o Euro.

    Não é a emissão de dinheiro que resolve a falta de competitividade. Quer-se queira quer não, não é a expansão da LM que muda o produto potencial.

    By Blogger Manuel Câmara, at 8:07 da tarde  

  • O que mais me impressiona é que resumas a crise da Europa, que abrange tanto aspectos culturais, como demográficos entre muitos outros a uma política de emissão de moeda e controle dos juros...

    By Blogger Bruno Gonçalves, at 9:47 da tarde  

  • Caros, penso que estamos de acordo nas várias causas. A unica coisa que eu defendi (e voces não) é que nada disto (nenhum de todos estes problemas culturais, demograficos, etc.) teria atingido tão grandes proporções se ainda houvesse politica monetária. Já estaríamos em expansão. Artificial e passageira, já que como dizes e bem (o msc) o potencial não mexe (ou se mexer tende para diminuir).

    By Blogger Tiago Alves, at 7:49 da manhã  

  • "A unica coisa que eu defendi (e voces não) é que nada disto (nenhum de todos estes problemas culturais, demograficos, etc.) teria atingido tão grandes proporções se ainda houvesse politica monetária."

    Estás a querer dizer que se os países conservassem o controle da emissão de moeda, o problema demográfico, o problema da imigração, o problema da identidade cultural europeia, o problema do nosso estado social, etc. não tinham assumido as proporções que se agora vê?

    By Blogger Bruno Gonçalves, at 1:32 da tarde  

  • Penso que sim Bruno. Afinal de contas, há quanto tempo esses problemas existem?

    Sempre que as coisas agudizavam bastava aumentar as despesas estatais para ajudar todos aqueles que poderiam ameaçar a paz social. Há poucas coisas que não se resolvam (temporariamente, claro) com uma expansão economica.

    Dos que apontaste, o problema da identidade cultural é capaz de ser aquele que menos se relaciona com tudo isto. Mas também nunca provocaria, sozinho, toda esta agitação.

    By Blogger Tiago Alves, at 3:17 da tarde  

  • "Sempre que as coisas agudizavam bastava aumentar as despesas estatais para ajudar todos aqueles que poderiam ameaçar a paz social."

    E consideras que essa seria a maneira para lidar com o problema? Aumentando a despesa do Estado?

    Eu não posso concordar de maneira algum contigo nesta questão. A crise da Europa tem diversos contornos, económicos, culturais, demográficos, etc. É impensável justificar tudo isto à luz de política económica. Achas mesmo que os imigrantes muçulmanos não teriam vindo para a Europa em busca de melhores condições, se os países ainda mantivessem o controle da moeda?

    By Blogger Bruno Gonçalves, at 3:28 da tarde  

  • Claro que não era a melhor maneira! Em nenhuma frase disse isso e acho que os imigrantes continuariam a vir, obviamente.
    As causas da crise já existiam mas não eram reconhecidas como tal, dada a manta de ilusão que as cobria.

    Neste momento, com o desaparecimento da manta, os factores viraram crise. O facto de eu dizer que se não houvesse moeda única a crise, tal como a definimos, não existiria, não quer dizer que considere como correctos os meios antes utilizados para a dissolver. Pelo contrário!

    Obriga a Europa a pensar os seus problemas estruturais e a procurar meios para ultrapssar os factores que enegrecem o futuro, dado não poder continuar a "tapá-los", no curto prazo, hipotecando cada vez mais a margem de quem vier a seguir.

    Não sei se estamos mesmo a entendermo-nos. Mas pelo que já li acho que não discordamos no essencial. As caixas de comentários têm destas coisas: é complicado clarear as ideias.

    By Blogger Tiago Alves, at 4:16 da tarde  

  • By Blogger 日月神教-任我行, at 3:02 da tarde  

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