sábado, maio 6

Enviesamentos autárquicos

Uma das grandes promessas da CDU aquando das Autárquicas no Barreiro foi criar incentivos e condições para o debate civil, fomentando a participação dos cidadãos. Um dos temas que mereceu mais destaque foi o do Barreiro Velho. Na iniciativa "Decisões Participadas", promovida pela Câmara, ficaram claros alguns dos anseios da população, alguns de bem fácil resolução com pequenas intervenções.

Sempre atentos a estas coisas, os deputados municipais do Bloco, do PSD e do PS logo transformaram os anseios em propostas, que viraram recomendações para serem aprovadas na Assembleia Municipal. A CDU fez uso da sua maioria para rejeitar todas, sob o argumento de que "a CDU foi a força que ganhou as eleições e como tal tem de cumprir o seu programa", acrescentando que não aceita que "se imponham medidas ao Executivo".

É um problema recorrente, para todas as forças autárquicas, esta coisa das medidas. Tudo o que aparece de novo é tido pela maioria da população como obra de quem está no poder. Mesmo que a ideia tenha saído do vereador desalinhado que só tem pelouro para haver governabilidade na Câmara ou por deputados oposicionistas na Assembleia. É por isso normal que muitas forças se coibam de fazer algumas propostas e, quando as fazem, venham cá para fora gritar que a ideia foi deles. Esta segunda hipótese é da mais elementar justiça, mas quem está na Câmara quer o contrário. E em Câmaras não mediáticas a informação não corre para o público. Daqui nasce, muitas vezes, um grande enviesamento no sistema democrático local, que vai ser responsável por ideias pré-concebidas e decisões de voto pouco informadas. O que, em democracia, não é de todo desejável que aconteça

malta com binóculos

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