quinta-feira, abril 20

Teoria do Produtor

Na lista das 25 melhores empresas para trabalhar, publicada na Dia D de quarta-feira, é frequentemente apontado, na análise das empresas, a "não distribuição de lucros" pelos trabalhadores como um ponto fraco da empresa.

O conceito de partilha dos lucros com os trabalhadores é bem antigo. Assenta no pressuposto de que se os trabalhadores percepcionarem que são tão mais recompensados quanto melhor é o desempenho da empresa, provavelmente estarão dispostos a contribuir mais para que tal aconteça. Nada mais verdade.

Porém, daqui até à partilha dos lucros vai uma enorme distância. Como se sabe, a cada um dos agentes económicos cabe uma remuneração. Se a renda é a remuneração devida aos donos da terra e o juro aos do capital, o salário é o devido aos trabalhadores. Quem paga tudo isto? O lucro. Assim sendo, parte dos lucros, já é para os trabalhadores. Somente o restante (o lucro limpo), chega ao dono da empresa, ao empreendedor, ao empresário, ao investidor. Dever-se-á retirar ao responsável pela existência de toda a estrutura produtiva mais uma parte da sua (justa) remuneração? Não creio.

O pressuposto anterior poderá ser cumprido na mesma se criados os incentivos certos. Prémios por objectivos individuais e colectivos, respectivamente distribuídos pelo trabalhador de forma diferenciada ou divididos irmamente por todos. Extras, comparticipações, fringe benefits ou, no limite, incentivos à compra de acções. A verificar-se esta última acção então aí sim, como donos da empresa, os trabalhadores teriam direito a mais uma justa remuneração: o lucro, limpo.

malta com binóculos

  • concordo contigo.. contudo aacho que a revista fala mais da teoria do trabalhador... e estando a restringir a apenas 25empresas o "concurso" acho que ate pode ser considerado como criterio... afinal de contas qual o trabalhador que não se sentiria bem, em receber Mais uma parte daquilo que ajudou a criar(seja por egocentrismo seja por sentimento do reconhecimento da importancia dos "camaradas"/colaboradores)

    By Blogger Malvado, at 9:50 da tarde  

  • Esta é uma questão interessante.
    Concordo quando achas que o salario por si só será justo.
    A questão da distribuição de lucros pelos trabalhadores, bem como, a recompra de acções (acho que é disso que falas no fim do texto), para mim, incentiva sim, a falta de ética empresarial e provavelmente à corrupção. Os casos de trabalhadores que tentam manipular os resultados contabilisticos são significativos.

    By Blogger smanel, at 9:51 da tarde  

  • Tiago há um pequeno senão é que na maior parte das empresas, pelo menos nas portuguesas, o valor dístribuido pela mão-de-obra não chega a 50% do que foi efectivamente produzido pela mesma.
    Dou-te um pequeno exemplo: O João trabalha num escritório de contabilidade, e a empresa factura com os seus clientes e respectivo trabalho 5000€. A mesma paga somente 600€ ao João; sendo que depois existem mais ou menos 250€ com Seg.Social e IRS. No fundo a empresa não gastou 20% do que o João os ajudou a ganhar. Isto é uma boa repartição da riqueza criada?

    Um Abraço,

    Pedro Gonçalves.

    By Blogger Pete, at 1:46 da manhã  

  • Pedro,

    Compreendo o teu ponto mas, e daí? O dono da empresa é que decide o valor a pagar aos empregados. Além disso, num mercado laboral livre, concorrencial e flexivel, quando tal coisa se verifica, os quadros, apercebendo-se do valor que ajudam a criar e da fraca compensação, reclamam e podem mesmo abandonar a empresa. Certamente haverão outras companhias dispostas a pagar mais para ter tao valorosos quadros.
    Obrigado pelo comment :)

    By Blogger Tiago Alves, at 3:30 da tarde  

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