terça-feira, abril 25

Reacção a quente

O discurso de Cavaco Silva assustou os homens da extrema-esquerda. Tanto, que nem conseguiram bater palmas. Sem cravo (ah! Grande homem!), preferiu centrar as atenções na exclusão social, falando de um "Portugal a duas velocidades". Propôs um compromisso alargado, dizendo que estava na altura de definir prioridades: o eterno combate ideológico ou a acção no que é consensual.

Embora neste caso a acção consensual seja algo urgente, talvez a ideologia possa ser um bom meio de discussão para decidir que meios usar para a perpretar. Acredito que, exceptuando os extremistas da nossa quadratura, todos queiramos uma sociedade mais justa e equitativa. Porém, quando se desce ao terreno, quando se discutem caminhos e medidas concretas, nem dentro de cada grupo parlamentar encontraremos consensos. Se aceitarmos este facto, somos forçados a concluir que, afinal, apenas o problema da exclusão social é consensual. A solução para o mesmo é, pelo contrário, passível de gerar fracturas e discussões bem acaloradas. Discussões onde as ideologias serão a base argumentativa para a tomada de posição. Discussões de onde, espera-se, nasça alguma luz.

P.S. Ressalvo ainda a pergunta marcante do discurso. "A criança do cartaz [no post anterior](...) como terá ela crescido?"

malta com binóculos

  • « Sem cravo (ah! Grande homem!)», tiago, nãpo compreendo bem esta observação... consideras que seria um homem desprezível que usasse na lapela do casaco o cravo [como manda o protocolo não-escrito??]

    By Blogger aL, at 1:25 da manhã  

  • Não, aL. Nunca será desprezível alguém usar o cravo na lapela. Mas Cavaco, enquanto Primeiro Ministro, nunca o usou. Agora, como PR, falava-se que Cavaco poderia colocar o cravo para não importunar os teóricos do golpe de Estado. Não o fez, e por isso acho que merece o comentário.

    By Blogger Tiago Alves, at 10:43 da manhã  

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