segunda-feira, abril 10

Poder na Rua

O CPE foi revogado.

Fala-se de "falta de condições de segurança e de serenidade, tanto da parte das empresas como dos jovens". Se o primeiro ministro francês já tinha pensado em ceder, que o tivesse feito logo. Não agora, quando a poeira começava a assentar. Para a história ficará não a imagem de um político convicto, mas a de um governante teimoso. Além disso, Villepin criou um precedente perigoso. Deu à Rua a imagem de que basta promover greves gerais e queimar uns veículos para fazer o governo legitimado pelo voto ganhar medo.

Este recuo só faria sentido se acompanhado de um pedido de demissão. Afinal, se o povo não está com Villepin, só se pode esperar do restantes anos do seu mandato estagnação ou contestação.

malta com binóculos

  • Não concordo nada com essa pesseguice de quando há muita contestação à volta de uma lei o governante se devia demitir. Então a competência (ou a falta dela...) depende de uma lei de que o povo não gostou, esquecendo, se calhar, todo o bom trablaho desenvolvido até então? Quanto ao poder estar na rua também não concordo mas enfim...

    By Blogger JP, at 12:06 da manhã  

  • Não foi bem isso que eu quis dizer.. Mas a revogação do CPE foi muito mais do que a revogaçao de uma simples lei. Foi o chumbo por parte da população de um projecto governativo de combate ao problema principal da França. Foi um projecto pessoal do PM, que o levou até ao limite da sustentabilidade.

    Acho, como digo no ultimo paragrafo, que Villepin perdeu toda a margem de manobra para reformar. Depois desta vitoria da Rua, qq medida menos popular será atacada pelos mms métodos. Villepin perdeu todo o credito para se dizer inflexivel e convicto. DAqui a contestação.

    Se Villepin optar por ficar quietinho, salvaguardando a sua imagem para as presidenciais do ano que vem, a estagnação está a vista. Qualquer uma das duas é, a meu ver, má para a França.

    By Blogger Tiago Alves, at 4:13 da tarde  

Enviar um comentário

<< Home