segunda-feira, abril 17

A partilha da propriedade

"Durante anos, e trabalho na AFP há 17, não ouvi queixas relativamente ao preço dos CD. É curioso que só a partir do momento em que a internet massificou o acesso desregrado à música e correspondente reprodução é que começaram as queixas em relação aos preços."

Eduardo Simões, director da Associação Fonográfica Portuguesa, no Metro (pag.10)
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Certamente que os 17 anos de AFP não foram suficientes para Eduardo Simões aprender alguns princípios-base sobre o comportamento dos consumidores. É óbvio que só quando nasceu uma nova alternativa para conseguir músicas é que as queixas começaram. A compra de CD's aos preços anteriores tornou-se muito menos atractiva, dada a existência de uma muito mais favorável relação de custo-benefício nos downloads online ou na gravação de CD's por amigos. A indústria fonográfica nacional teima, porém, em não se adaptar. O caminho seria, ao invés de gritar "piratas!", melhorar o serviço oferecido ou reduzir o preço, de modo a equilibrar as coisas. Não é por acaso que as editoras apostam agora em edições especiais, com DVD's de concertos ou outras atracções. Chama-se "acompanhar a mudança".

Outra pérola de Eduardo Simões é não condenar o download mas a partilha. Mas afinal o que é o download senão uma partilha de ficheiros entre um site e um utilizador? É ainda referido que "a compra do disco físico não confere nenhum direito além da escuta e cópia privada do mesmo". Eu pensava que o disco passava a ser meu! E que eu, proprietário do disco, tinha o direito de o ouvir com amigos e de o emprestar a quem entender! Isto além de poder, caso entenda, colocar na Internet músicas avulso, para serem descarregadas por quem assim o entender. Se não, talvez seja bom, em nome da Lei, ir buscar ao quarto da minha irmã os CD's que, comprados por mim, são ouvidos por ela.

malta com binóculos

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