quinta-feira, abril 20

Para que nunca mais votes em branco!

Não creio que nos dias de hoje seja possível surgir um novo partido político que consiga crescer de forma sustentada e rivalizar com os grandes partidos nacionais. O número de tentativas frustradas é grande, umas vezes por falta de conteúdo e clareza de ideias e dificuldade de publicitar a sua imagem, outras vezes pela dificuldade de levar as pessoas a aderirem a um novo projecto.

Ainda assim, destaco um novo movimento político que aspira ser partido. Intitulado Movimento Social Liberal, surgiu nas ruas de Lisboa e pretende cruzar causas da esquerda e da direita. Nas palavras do seu presidente, Miguel Duarte, “Não nos identificamos com nenhum partido político existente em Portugal. Somos mais liberais que o PS, sobretudo a nível de liberdades individuais (...). Discordamos do BE a nível da política económica e achamos que se a do BE fosse posta em prática era o caos. Estamos mais à direita que o PCP, somos mesmo o oposto, além de sermos muito europeístas. Consideramos o PSD e o CDS muito conservadores e o PND o mais conservador”. A maioria dos activistas está na casa dos vinte, trinta anos, sendo que todo o movimento começou com uma troca de emails na internet.

Das causas que defendem irei salientar apenas algumas, mas toda a informação pode ser obtida em http://www.liberal-social.org/. Aqui vão algumas:

- Redução do peso do Estado na economia e rigor nas contas públicas;

- Legalização da eutanásia e das drogas leves;

- Regulamentação da prostituição;

- Simplificação do modelo tributário;

- Legalização do casamento entre homossexuais e do aborto até às 12 semanas;

- Cuidados básicos de saúde acessíveis a todos, etc.

Para finalizar, saliente-se o mote escolhido: “Para que nunca mais tenhas que votar em branco”

O surgimento destes movimentos demonstra a preocupação pela vida democrática em Portugal da parte de alguns, e mesmo que não tenham sucesso, aplauda-se a iniciativa de tentar mudar as coisas.

malta com binóculos

  • nao fui ler o site... pelo o que comento deriva apenas do que relatas-te..
    sincermnt acho k n terão sucesso:
    1º algumas propostas parecem mais uma sondagem a jovens idílicos sobre as questões fracturantes..
    2º outras propostas nao sao mais que generalidades ou verdades feitas:"redução do peso do estado","rigor das contas","saúde para todos". Há alguém que não enuncie isso?
    a meu ver se quiserem ser fracturantes e credíveis, deviam preocupar-se em anunciar não so os bbjectivos que pretendem(muito menos estes tão generalistas), mas acima de tudo, enunciarem o desprendimento às ideias de esquerda e de direita; numa tentativa de demonstarem que actuariam de forma livre e sem predefinições face aos problemas da sociedade. So teriam a ganhar com slogans como partido moderno, racionalista ou "conjecturista", aproveitando a fraca imagem dos partidos. Mostrem se profissionais credíveis e pensadores ambiciosos mas dentro da “executabilidade”.
    Políticos restringidos por filosofias já temos, sonhadores tb. Fujam a isso e talvez ganhem mais apoio.

    By Blogger Malvado, at 12:39 da manhã  

  • Eu acho que o que é preciso é encontrarmos o espaço nos partidos que existem para se conseguir mudar o estado das coisas. Não sou de esquerda e defendo a legalização da prostituição, sou a favor da legalização do consumo de drogas (e não sei até que ponto só as leves), sou a favor da eutanásia e do aborto até às 12 semanas, o que parece contraditório mas eu não acho. O que acho que é não pode haver um "tabelamento" das mentalidades, tipo "Agora sou de direita. Então Avé Maria cheia de graça, contra os abortos e capital para gerar mais capital". Não tem que ser assim...

    By Blogger JP, at 1:03 da manhã  

  • Isto no inicio é tudo muito bonito e muito belo. Todos têm como objectivo o que o povo mais quer ouvir e etc. Quando chegam lá é que se vê que não passavam de simples promessas eleitorais. Contudo, o facto de ver algumas junções de ideias de direita e de esquerda no mesmo partido chamou-me a atenção e sem dúvida que é algo que não se vê todos os dias. Prometo estar atento.


    PS: Tens o novo trocado em relação ao que está no site.
    PS 2: Tu, um militante do PSD, não será "traição" esta propaganda a um outro partido? Se é que já é considerado partido.

    By Blogger Miguel da Silva, at 3:22 da manhã  

  • Caro Miguel,

    1) o post não é meu >)
    2) Mesmo que fosse, qual era o problema? Já conheço o projecto MLS há um tempinho e já lhe havia feito referencia aqui (embora de uma forma menos explicita). Nunca considerarei traição ao meu partido falar bem ou publicitar outro. Uma traição (e a mim mesmo) seria auto censurar-me nestes assuntos por ser militante.

    By Blogger Tiago Alves, at 8:06 da manhã  

  • Se eu olhasse só para as propostas, diria que se tratava do bloco de esquerda. Para quem critica as ideias e as convicções do bloco de esquerda e aqui demonstra alguma esperança neste novo movimento...acho no mínimo estranho.
    De qualquer maneira, apoio a divulgação destes movimentos que timidamente vão aparecendo.

    By Anonymous , at 2:58 da tarde  

  • sou conservadora... :p

    By Blogger Elise, at 3:08 da tarde  

  • Caros amigos, repito o comentário que já fiz no Small-brother [comentários]:

    Situacionismo. Eis algo que faltava à política portuguesa!

    By Blogger AA, at 3:27 da tarde  

  • blablabla...o mote "para q nunca mais tenhas de votar em branco" é muito bem pensado e á partida, quer m identifique ou não com os objectivos desperta m logo interesse e curiosidade, porque eu sinto m obrigada a votar em branco pq não encontro o meu espaço no meio das ideologias politicas existentes...é a indecisão, ou não...

    By Blogger a_mais_linda, at 5:23 da tarde  

  • Tem sido muito interessante acompanhar os comentários nos vários blogues desde que saiu o artigo.

    Muito sinceramente, ninguém no MLS deseja ser um PS ou PSD (alguns até sairam do PSD para se juntar a nós). Quando fundámos o MLS foi, precisamente, porque não gostamos da falta de ideologia que existe nesses partidos, sendo que sabemos perfeitamente que dentro desses partidos existe muita gente que concorda connosco. Separa-nos uma diferença significativa sobre como pensamos que deve ser vivida a democracia.

    Quanto ao resto, critérios jornalísticos à parte (que colocaram em título causas que não são necessáriamente as nossas causas principais), o artigo estava muito bom em termos de que conseguiu resumir muito bem as causas e ideias que conduziram à fundação do MLS. Quem se juntar a nós, não se juntará certamente ao engano.

    A frase "Para que nunca mais tenhas de votar em branco", significa isso mesmo. Nós consideramos que não existe em Portugal, para quem é de direita e progressista socialmente, uma alternativa em quem votar e. Nós queremos ser essa alternativa, e a voz das pessoas que pensam dessa forma, mesmo que isso não nos dê muitos votos quando um dia eventualmente formos um partido.

    Quem for conservador e de direita que continue a votar PSD, PP ou PND, que já têm muito por onde escolher. Quem for progressista e de esquerda que vote no BE, PCP ou no PS.

    Não defendemos o que defendemos por querer ser diferentes, defendemos o que defendemos porque acreditamos convictamente na liberdade, quer económica, quer nas liberdades "sociais". Uma diferença muito significativa face a qualquer partido existente.

    By Blogger Miguel Duarte, at 5:56 da tarde  

  • 5 das 6 medidas são apresentadas pelo BE e consigo pensar em poucas expressões tão vagas e inócuas como "Redução do peso do Estado na economia e rigor nas contas públicas". Para além disso, mascavar tudo isto com pretenso conservadorismo, é falsear o lado da barricada onde se está, à procura de algo que não se entende. Para movimentos sem conteúdo, basta. Eu voto em branco.

    By Anonymous Tondichter, at 11:15 da tarde  

  • :) Talvez me tenha esquecido de dizer. Não pretendemos ser a solução para todos aqueles que querem votar em branco. Se não compreende a natureza de um partido liberal, a defesa da liberdade, claramente não somos um partido para si (nem o pretendemos ser).

    By Blogger Miguel Duarte, at 12:00 da manhã  

  • Mais um partido com banalidades e termos praticamente obsoletos. Aquela velha distinção de "esquerda" e "direita" já não é aplicável à realidade política actual e este novo "movimento", como todos os outros, não inspira confiança. Podem estar desiludidos com o PS e o PSD mas é preciso não esquecer que estes são os únicos partidos com vocação real para o poder. Por isso, têm responsabilidades acrescidas e não podem fazer promessas na oposição que, na chegada ao poder, se tornam impossiveís ou insustentáveis. Eu por exemplo, identifico-me com algumas das ideias aqui presentes, como a legalização da prostituição mas discordo com outras, como a legalização do aborto. Desagrada-me o estilo demasiado laisser-faire laisser-passer que eles parecem estar a tentar passar ao público.
    Slogans como "Para que nunca mais tenhas de votar em branco" por vezes têm alguma repercussão nas massas populares mas isso é simplesmente copiar o estilo populista, demagogo, e superficial do Bloco de Esquerda.
    É por estas e por outras que o sistema político em Portugal encontra-se num estado decadente e miserável.
    A este ritmo será votar em branco durante muitos longos anos. Ou em última análise, nem lá aparecer nas urnas para não lhes dar a errada ideia de que alguém os leva a sério.

    By Anonymous Anónimo, at 12:04 da manhã  

  • nós somos um partido que fica um bocadinho mais à direita do bloco...se dermos uma voltinha ligeira de 360 graus podemos ser confundidos com o partido comunista...se nos derem uma pancada na cabeça podemos agir como o psd..esses posicionamentos e situacismos são um pouco ridiculos.

    By Anonymous barros, at 12:07 da manhã  

  • Gostaria apenas de referir que me limitei a apresentar o movimento, e ao contrário do que foi aqui citado, não era minha intenção fazer qualquer tipo de propaganda a este. Posso desde já adiantar que sou independente, e tinha como mero objectivo dar a conhecer
    um novo projecto político.

    By Blogger Gonçalo Martins, at 7:35 da tarde  

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