quinta-feira, abril 6

Os dois lados da moeda

"Euclides Dâmaso garante que têm sido detectados cada vez mais casos de corrupção (...) boa parte da economia portuguesa é sustentada por um mercado paralelo."

na SIC online
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A corrupção é um mal. Ponto final. Com corrupção o mercado não funciona devido a distorções nas transacções. Com corrupção a coincidência de intenções entre a procura e a oferta são substituídas por critérios de arbitrariedade e de poder. A informação passa a circular de forma imperfeita e a destruição de valor, nomeadamente através da incorrecta rejeição ou tomada de bons e maus projectos, respectivamente, torna-se mais frequente. Ao contrário do que muitos dizem, não é por fugir ao controle do Estado (nomeadamente pela não cobrança de impostos) que a economia paralela corrói o País. É, principalmente, por fugir ao controle dos mecanismos de preços e das preferências dos consumidores. É, principalmente, por ser a grande inimiga da verdade no mercado.

Porém, há que ver os dois lados da moeda. Porque é que há corrupção? Há quem diga que haverá sempre. Concordo. Porém, a melhor maneira de a eliminar não é aumentando as fiscalizações e as coimas e penas. Isso é combater os sintomas, não as causas. As causas estão na falta de óleo da máquina económica. Nos inúmeros pontos de estrangulamento que pululam pelo sector empresarial nacional e desmotivam qualquer iniciativa. No monstro burocrático que se enfrenta de cada vez que se tenta abrir ou expandir um negócio. Na autêntica teia de licanciamentos e de autorizações que se tem de cruzar para chegar ao lucro.

Talvez por isto muitos recorram a meios pouco lícitos para fazer seguir os seus projectos. Que, mesmo com qualidade, acabam por se concretizar num ponto àquem do seu valor potencial. Neste momento, para que a economia avance, ainda que pouco, é necessário haver corrupção. Talvez começar por tornar esta afirmação falsa fosse um melhor caminho a seguir, ao invés de marcar conferências de imprensa para se dizer o que todos sabemos.

malta com binóculos

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