sábado, abril 8

O fim de Il Cavaliere?

Itália vai a votos este fim-de-semana. A campanha eleitoral focalizou-se na difícil situação económica do país, mas ficou sobretudo marcada pelos impropérios lançados pelas partes envolvidas, sobretudo da parte de Berlusconi, que muito possivelmente vê o seu reinado chegar ao fim. Em cinco anos de governação, Berlusconi conseguiu tornar a indústria menos competitiva, o desemprego aumentou (mais de 100 mil desempregados), a dívida pública subiu, a poupança e o consumo baixaram drasticamente e o endividamento das famílias aumentou.

Duas concepções de democracia estão em jogo. Berlusconi apoia o neoliberalismo, concebe a sociedade como uma empresa, enquanto que Romano Prodi, líder da União, se centraliza mais nas questões sociais, adoptando uma postura mais tradicional.

O que me causa mais curiosidade é como é possível, no início do século XXI, e depois de todas as lições que a História nos ensinou, alguém como Berlusconi não só chegar ao poder, como governar da forma como o fez. Subornou testemunhas, desviou fundos para offshores, foi diversas vezes indiciado por crimes de fraude fiscal e corrupção. Ironia das ironias, nunca cumpriu pena e as sentenças foram sempre revogadas. A máfia pode ter acabado em Itália, mas o abuso de poder continua patente nos círculos políticos.

Detentor de várias cadeias de televisão, pertencentes ao seu grupo Mediaset, Berlusconi teve bastante mais tempo de antena que o seu adversário. Apesar das multas que as suas estações televisivas tiveram que pagar (a Rete 4 foi esta semana multada em 250 mil euros), Berlusconi sabe como é importante a projecção mediática. Como ele próprio referiu, “Quem está na televisão existe, quem não está, não existe”.

Um homem como Berlusconi não chega ao poder por acaso. Independentemente dos esquemas políticos, das alianças formadas com os empresários, das promessas feitas ao povo simples que não quer entender mas sim acreditar, a verdade é que milhões de pessoas votam nele, sabendo quem ele é e como pensa. “É melhor ser fascista do que maricas” disse Berlusconi.

Creio que uma reeleição de Berlusconi é continuar a caminhar num sentido muito perigoso, para a Itália, mas também para a Europa.

malta com binóculos

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