terça-feira, abril 18

A matança de Lisboa (1506-2006) (II)

(continuação do post anterior)

Fruto deste incidente, cuja notícia correu o país, os judeus iniciaram a sua fuga de Portugal. Em poucos anos, nomeadamente até 1536 (data de estabelecimento da Inquisição), parte importante da elite nacional emigrou para terras mais liberais. Entre esta estavam por exemplo os pais de Bento Espinosa, um dos mais importantes filósofos de sempre. Nestes quatro dias, Portugal rompeu com parte importante do seu futuro. Com uma parte de muito boa qualidade: astrónomos, matemáticos, homens de leis. Todos trocados pelo fanatismo religioso. A intolerância nunca levou a lado nenhum. O fanatismo e o radicalismo não são bons conselheiros. A religião, permitam-me o abuso, foi e será a mais provável causa da destruição da Paz.

Tenho acompanhado com interesse toda a informação que o Nuno Guerreiro tem disponibilizado sobre a efeméride no Rua da Judiária. Amanhã, respondendo ao seu apelo, vou dar um salto ao Rossio. E se encontrar uma vela pelo caminho, não deixarei de a acender e lá deixar. Não tenciono pedir desculpa nem meditar, de uma forma um pouco egoísta, sobre as consequências do episódio acima mencionadas.

Vou lá para homenagear pessoas, juntando o meu gesto contra o esquecimento. Homenageio pessoas que foram mortas por simplesmente acreditarem noutro Deus, ou por não acreditarem em nenhum, ou por simplesmente não se submeterem ao antigo (e actual) discurso manipulador da Igreja Católica. Vou lá como defensor da tolerância e a convivência entre os povos. Como defensor do predomínio da consciência sobre a religião.

[revisto 22.20]

malta com binóculos

  • Gostei muito de ler este post em 2 bocados!

    Penso que a minha opinião é parecida à tua: se juntarmos pessoas diferentes poderemos ter um grupo melhor e mais completo. Não nos julguemos superiores, não olhemos somente para o nosso umbigo, aprendamos com os diferentes pois eles terão sempre algo para nos ensinar.

    Ontem ía no autocarro e ouvia um casal com um bebé a falar uma lingua asiática.
    Uns bancos mais atrás íam duas mulheres claramente de leste a falar a sua lingua.
    Pessoalmente gosto, gosto desta Lisboa que se torna cosmopolita. Gosto das diferenças, gosto das igualdades, gosto de aprender sobre outras gentes.

    Só tenho pena que não saibamos aproveitar o bom desses imigrantes...

    By Blogger Inex, at 11:21 da manhã  

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