sábado, abril 1

Interesse Nacional


Reestruturada há cerca de um ano, a Cerealis não conseguiu encontrar o caminho da expansão. Controlada pela família Amorim Lage, é composta pelas sub-holdings de produtos alimentares, moagens e internacional.

A primeira engloba as marcas Milaneza e Nacional. Líderes de mercado em Portugal, não têm conseguido galgar a fronteira. Por isto mesmo, foram colocadas à venda. Com uma base de licitação de 100 milhões de euros, as negociações desenrolam-se com a Gallo e a Ebro Puleva, líderes no mercado espanhol.

Resta saber se, em defesa do famoso slogan "o que é Nacional é bom", a CGD interfere na operação. Explorando o precedente criado há uns meses com o salvamento da Compal, a CGD pode argumentar que os sectores das bolachas e das massas são estratégicos para o país!

malta com binóculos

  • Caro Tiaguinho:
    Conheço bem o teu horror à tentativa de que o mercado não se regule por outras regras que não sejam as do próprio mercado. Não admites portanto que uma empresa portuguesa, ainda por cima com um core business perfeitamente diferente do sector alimentar, admita entrar neste mercado com o intuito de salvar que uma marca portuguesa vá parar às mãos de estrangeiros.
    Permite-me discordar. Das várias vantagens de um país ter empresas interessa-me salientar duas: a da melhoria da economia pública, pela colecta de impostos, com vista à sua posterior repartição por aqueles que, seja consumindo, investindo, ou de uma maneira indirecta, permitem que a acção da empresa seja possível (os portugueses). A outra vantagem prende-se em ser dono das ditas empresas, porque os lucros que dessa exploração advêem poderão ser investidos, consumidos, seja onde for, mas com benefício para Portugal. Acontece que um empresário português, provavelmente, vai gastar e investir boa parte do seu rendimento em bens que, seja novamente pelos impostos ou pelo consumo, irão melhorar a economia. É nesta última parte que interessa que uma empresa portuguesa seja controlada por mãos portuguesas: é que os lucros da sua exploração advêem serão gastos em Portugal, ou noutro país, mas com benefício para um português. É esta última parte que não acontece quando uma empresa portuguesa vai parar a mãos estrangeiras: é que os lucros futuros da Cerealis serão gastos em restaurantes italianos ou espanhóis, em vez de num português. Os impostos vão para na mesma à máquina dos estado, mas os outros dois terços que não são abranjidos pelo IRC vão para onde? Porque é que interessa que a Sonae, a PT, o BES, o BCP, a Cerealis pertençam a portugueses? É porque estes irão "distribuir" maioritariamente os seus lucros pela Compal, pela CGD, pela EDP, pela Brisa, em vez de irem para à Endesa, à Compañía Concesionaria del Túnel de Sóller, à Caixa Galicia ou à SunnyDeligth (que toda a gente sabe que usa laranjas podres!).

    By Blogger JP, at 4:30 da tarde  

  • Caro Jotinha,

    A tua primeira razão está um pouco confusa. A Cerealis é líder em Portugal e não é por isso que tem conseguido, na óptica dos donos, bons resultados. Uma boa parte dos impostos, outra preocupação tua, continuarão por cá (eu não concordo com IRC..mas isso discutimos noutra altura..)

    Quanto aos lucros. Quem lucra é que decide o que fazer com o lucro! E não é de todo líquido que as marcas espanholas que possam vir a adquirir a cerealis não apostem no mercado nacional, melhorando o serviço ao consumidor. Sendo Portugal um conjunto de consumidores, uma melhoria para os consumidores será uma melhoria para o País, right?

    Neste momento, a familia Lage entende que não consegue fazer melhorar a Cerealis. Se há alguém disposto a comprar é porque entende que conseguirá aumentar o seu valor. E isso consegue-se aumentando o valor que vem para nós, consumidores. Ao mesmo tempo, a familia Lage concentra-se nos outros sectores.

    Quanto a CGD. Eu acho que o banco financiado por todos nós não deve entrar em negocios de rentabilidade duvidosa. Nada contra a CGD investir num negocio non-core, desde que se esperem beneficios.. Senão daqui a nada teremo-la como o cavaleiro branco do "interesse nacional", a empatar fundos para impedir que o mercado funcione. E se o mercado não funciona, quem acaba sempre por perder são os consumidores.

    p.s. desculpa la o tamanho :\ mas gostei das laranjas podres do sunny xD

    By Blogger Tiago Alves, at 6:13 da tarde  

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