sexta-feira, abril 14

Ídolo Sérgio

Hoje perdi uns quantos minutos a ver o Fátima, na SIC. Embora o programa não me seja claramente dirigido, algo me chamou a atenção. Aquele rapaz que faz parte dos cantores residentes. É o Sérgio não é? O que ganhou os Ídolos. Apesar de, ao que parece, não existir mercado discográfico para as suas capacidades, o seu talento não se perde. Ali fica, para quem quiser ouvir.

Lembro-me da primeira prova do Sérgio nos Ídolos. Apareceu todo vestido de preto, meio maltrapilho, e de guitarra ao ombro. Começou a tocar e a cantar uma música da sua autoria. Foi realmente mau. O Sérgio não se atinava bem a fazer as duas coisas, a voz não saía como deve de ser e a presença em palco era meio deplorável. Os júris franziram o nariz e pediram-lhe, com o seu reconhecido toque venenoso, para parar com aquilo. Ele parou, meio aborrecido, explicando que a música era dele e que não, não achava que se tivesse enganado no sítio.

O juri resolveu dar-lhe mais uma oportunidade, qual descargo de consciência. O Sérgio pousou então a guitarra e começou a cantar uma música mais apropriada ao concurso. Ainda me lembro da cara de espanto da rapariga e daquele mais mal encarado! Quando ele acabou, deram-lhe os parabéns, um pequeno sermão sobre escolha de músicas e passaram-no para a fase seguinte. Depois do Sérgio ter saído, todo contente, o mais gordo e de barbas desabafou: "Olhem-me para este gajo! Já estava riscado aqui no papel! Se ele não tem cantado a segunda vez eu mandava-o embora sem pensar duas vezes. Mas esta malta não se sabe mostrar?".

Como se sabe, o Sergio foi passando e acabou por ganhar. Depois de ter estado com mais do que um pé fora do caminho. Fica a lição. Não basta ser bom, é preciso saber demonstrá-lo.

malta com binóculos

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