sexta-feira, abril 14

Comercial ou não, será essa a questão?

Conversa entre amigos:
- Então o que é que achas da última música do Bob Sinclair (ou Sinclar, já não sei bem)?
- Epá, uma porcaria. O gajo estragou-se completamente, tá tão comercial...
- Tás a falar da Love Generation? Eu até gosto...
- Eu não, toda a gente a ouve!


No outro dia tive esta conversa com um amigo meu. Eu sou daquelas pessoas cujo gosto pela música foi uma herança de família. O meu pai ensinou-me a gostar de música e esse gosto perdura. A partir do momento em que me identifico com aquela música ela também é um bocado minha e o seu significado é aquele que eu lhe dou. Por isto é-me difícil compreender porque é que uma música considerada comercial tem menos valor que outra, porque é que se for comercial ela se torna diferente.
Então porquê o sentido depreciativo do que é comercial?
  • Será porque numa sociedade massificada como a nossa cada vez mais se valoriza o alternativo, o que poucos conhecem?
  • Será porque se considera que a música foi feita com o principal objectivo de agradar ao público? (olha que bom, resultou comigo!)
  • Será que isso significa menos conteúdo, menos qualidade?

Acho que vai depender do peso que conferirmos a cada um dos nossos parâmetros de avaliação. Eu cá continuo a gostar de música, acima de tudo.

malta com binóculos

  • Feel the love generation!!! (comercial ou não!)

    By Blogger JP, at 8:05 da tarde  

  • Eu concordo contigo. :)
    O Mundo hoje é massificado e há coisas que apelam a todos mas mtas delas têm qualidade.
    Senão, o que seria daquelas composições clássicas geniais que qualquer um sabe traulitar (mtas das vezes sem saberem quem é o compositor)? Como muitos sabem músicas de Mozart, Mozart deixava de ser o que é?
    Música acima de tudo. :)

    By Blogger Sara, at 9:34 da tarde  

  • tb concordo...acho q a questão como disses t é q gostar d uma música "comercial" (o mesmo se passa com cinema), é como q caír numa armadilha do mercado, tipo fazer aquilo q se espera de nós, daí a procura de algo q se destaque por ser desconhecido...mas boa música será sempre boa, essencialmente pelas emoções q nos transmite, e isso cada um sente d maneira diferente.

    By Blogger a_mais_linda, at 11:38 da manhã  

  • Sara tens toda a razão! Afinal Mozart também é "comercial", quem não o conhece? E não é por isso que deixa de ser admirado ou apreciado!
    Mais linda, como tu disseste o mesmo se passa com o cinema e até com a literatura. Quantos autores não são acusados de serem demasiado comerciais e por isso aquilo que escrevem não tem valor? Para mim não faz muito sentido este tipo de crítica. Às vezes não me apetece pensar muito e gosto de ler algumas coisas mais "light". É certo que não são obras-primas, mas a história prende-me e não consigo parar de ler. Por momentos esqueço o resto. Não é isso também que é um bom livro?

    By Blogger Ana Sanches, at 12:40 da tarde  

  • Eu acho deve ser uma mistura de todos os topicos que puseste. Talvez o segundo seja aquele que mais contribui para o sentido prejorativo: a ideia pre-determinada de agradar as massas.

    Porém, não posso pensar que isto seja mau.. É uma questão de targeting >)

    By Blogger Tiago Alves, at 1:42 da tarde  

  • Não acho Bob Sinclar comercial.
    Imaginando que eu conhecia uma prainha, eu e mais alguns, isolada e deserta. Sentia-me bem lá, não só por ter o descanso que queria, mas porque era "minha". No entanto, no ano a seguir os mais alguns levaram os amigos, a seguir foram os amigos dos amigos. Algum tempo depois veio alguém investir num barzinho, o barzinho virou restaurante e com ele veio o nadador-salvador. Uns chuveiros aqui, umas mesas de piquenique ali, e hoje mal consigo ter espaço para por a toalha. A magia perdeu-se e deixou de ser a "minha" prainha. É esta a comparação que eu faço de comercial, não é só por toda a gente conhecer o produto, que mal isso tem?! É que ao tornar-se comercial estraga-se! Eu não tenho nada contra o que NASCE comercial, não gosto é de ver as coisas tornarem-se comerciais(ainda mais quando eu conhecia o antes).
    Mozart? Claro que não! Assim como Camões e Pessoa não o são. É preciso perceber que o que faz uma coisa comercial não é a quantidade de pessoas que têm acesso, talvez a qualidade.
    E sim há um certo egoísmo neste meu pensamento.

    By Anonymous kimas, at 1:37 da manhã  

  • Kimas acho que o teu pensamento fica incompleto quando pegas no exemplo da praia. Eu percebo que a praia deixe de ter os seus encantos por se tornar mais popular e explorada. Já não consegues descansar tão bem, há mais barulho, mais pessoas a chatear, a água já não é só tua. Agora uma música ou um livro não têm esse tipo de problemas. Tanto um como outro podem ser disfrutados na companhia que quiseres (inclusive sozinha), e podem ser mostrados e comentados com quem quiseres.
    A verdade é que se volta sempre às pessoas (e o teu exemplo da praia fala disso). O que estou a tentar dizer é que o conceito de comercial não tem que se ligar directamente à qualidade.
    Contrariamente a uma praia que se pode alterar pelas mãos das pessoas, as músicas e os livros mantêm-se os mesmo, não se tornam diferentes. O que muda é a nossa maneira de os ver.
    De qualquer forma compreendo a tua ideia de qualidade. E se quantidade não é a verdadeira razão para uma música se tornar comercial então ainda há muita gente que a usa como desculpa!

    By Blogger Ana Sanches, at 10:55 da manhã  

  • Citando: (...)Contrariamente a uma praia que se pode alterar pelas mãos das pessoas, as músicas e os livros mantêm-se os mesmo, não se tornam diferentes.(...)

    Os clientes nestes casos não alteram nada, mas os produtores podem cair no erro de alterar a sua filosofia inicial, querendo abranger mais público. E o público do ínicio, aquele que os fez subir, muito provavelmente não se vai sentir identificado(mas é só isso!). O que é diferente de quando um projecto nasce para agradar meio mundo. Agora, mudar filosofias, tornar as coisas diferentes como tu dizes isso não. Embora não condene quem o faça, afinal é o seu Trabalho, aquilo com que ganha a vida. Mas se eu vejo que se desviou do que eu gosto de encontrar no produto, simplesmente parto para outra.
    Por isso é que nenhum génio, que é admirado e venerado por milhões é comercial, evoluiu mas sempre no seu estilo.
    Convém aqui sublinhar que não sou contra as coisas comerciais (até sou consumidor de algumas), mas desgosto um pouco :P

    By Anonymous kimas, at 10:47 da tarde  

  • E eu percebo porque é que desgostas um pouco. Afinal aquela "praia" era bem melhor quando ninguém a conhecia/explorava ;)

    By Blogger Ana Sanches, at 12:47 da manhã  

  • lol =)

    By Anonymous kimas, at 1:41 da tarde  

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