sexta-feira, março 31

Regionalizar

A regionalização está de novo na ordem do dia. No Dolo Eventual, o Pedro Santos Cardoso faz uma pequena apologia da dita, invocando argumentos que passam pela coordenação supra-municipal e pela descentralização de competências. Tem toda a razão. A regionalização pode ser considerada como a reestruturação da entidade Portugal em pequenas unidades estratégicas de negócio. Unidades mais pequenas e próximas da população. Mais conscientes dos seus problemas e com um teórico menor tempo de reacção e actuação. O princípio da subsidariedade em todo o seu esplendor.

Porém, um pequeno pormenor faz-me vacilar. Gosto de pensar que este pormenor é um sinal de altruísmo. Porém, bem lá no fundo, admito que é mais um preconceito ideológico do que outra coisa. A questão é que com o mapa actual teremos a região do Alentejo (que engloba boa parte do distrito de Setúbal) ainda mais pintada de vermelho...

Eu sei que o povo é quem mais ordena (sem ironia) e se o povo escolher para seu governante um dirigente comunista então comunistas deverão ser as políticas. Mas também não posso deixar de olhar para toda esta região e pensar na quantidade de miséria que em 30 anos aqui foi criada por essas forças. Se no Alentejo profundo o mal pode vir de muitos outros factores, já a península de Setubal e o litoral alentejano são casos reais de claro desastre esquerdista. E o novo sistema, ao dar mais poder aos governantes das regiões, poderá criar mais obstáculos ao desenvolvimento, destruindo os potenciais benefícios da medida.

Este pormenor faz-me vacilar. Porém, certamente não será o suficiente para me impedir de, caso seja chamado a decidir, decidir-me pelo sim.

malta com binóculos

  • Tiago,

    a regionalização é, de facto, o melhor caminho. Quanto à questão do Alentejo, é uma falsa questão: a final de contas, em qualquer outro ponto do país se pode votar na esquerda mais ortodoxa. Se essa região assim o votar, terá oportunidade de julgar os órgãos de poder em eleições futuras. O que não deve acontecer é haver centros de decisão afastados das populações afectadas pelas respectivas decisões.

    By Blogger Pedro Santos Cardoso, at 1:29 da manhã  

  • Pedro,

    eu sei que em qualquer outro ponto do país se pode votar e depois julgar. Acontece que o julgamento aqui parece meio viciado (com os moldes actuais; não sei se com a regionalização haveria uma percepção de maior responsabilidade..) Seja como for, e como já estava implícito no post, concordo na generalidade com o teu comentário.

    By Blogger Tiago Alves, at 10:05 da manhã  

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