sábado, março 4

Movimento 560 revisited (II)

Realmente, e mais uma vez pegando nas afirmações do Dos Santos, Portugal é "um país constituído por milhões de pessoas que pensam e agem de forma diferente, possuem necessidades distintas umas das outras e se deparam com uma diversidade enorme de situações e condições", pelo que "a escolha [das pessoas] é sua e é necessário recordar que Portugal são os portugueses e, portanto, o que as beneficiar, estará a beneficiar directamente Portugal". E assim a preferência por produtos estrangeiros sinaliza que alguns produtos portugueses não conseguem satisfazer as necessidades dos portugueses. As consequências não são automáticas. O desemprego e as falências só acontecem se os empresários portugueses não reafectarem os seus recursos em tempo útil e assim irem ao encontro do procurado.

Porém, além da liberdade de escolha, a concorrência perfeita tem outros pilares, entre eles um muito importante e às vezes ignorado: a informação. Antes do aparecimento do Movimento 560 pouca gente conseguia identificar os produtos com origem nacional. Sendo os portugueses, como já se disse e muito bem, todos diferentes, haverão com certeza muitos para quem a nacionalidade do produto ou da mão de obra serão factores de peso nas escolha por este ou aquele artigo. Se muita gente não está diposta a pagar mais por algo nacional, outros certamente estarão, pelo que a iniciativa, embora tenha alguns tiques intervencionistas (o mude de atitude ou o tome a decisão correcta), tem esse grande mérito que é o expandir o conhecimento dos consumidores. E esse mérito, apesar de todos os aproveitamentos meio enganosos feitos (como é o caso do do grupo Auchan), ninguém o tira. Este movimento e todas as campanhas com ele relacionadas contribuíram para uma melhor escolha. Escolha essa que, para todos os efeitos, visto não haver qualquer coerção, continua tão livre como dantes.

malta com binóculos

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