sexta-feira, março 10

A informação não é objectiva

O facto: A economia portuguesa cresceu 0.3% no ano passado. No último trimestre, o crescimento foi de 0.7%.


Abertura do Jornal Nacional, da TVI (de memória): "Os piores receios confirmam-se. A economia nacional esteve próxima da estagnaçao no ano passado".

Abertura do Jornal da Noite, da SIC (de memória): "A economia mostra sinais de retoma tendo crescido, no ultimo trimestre, mais do que o dobro da média anual".

malta com binóculos

  • Para isso só tenho 3 tristes palavras, Tê Vê Í. A trsiteza nacional =)

    By Blogger Miguel da Silva, at 9:29 da tarde  

  • Claro que é objectiva. Desde que defina - objectivamente, claro - o significado de «estagnação» e «retoma». É uma questão de polissemia.

    P.S.- Boa descoberta, o vosso blogue

    By Blogger pedroromano, at 12:50 da manhã  

  • O objectivo não era criticar nenhum dos canais, visto ambas as aberturas serem coincidentes com o facto.

    O realce era realmente o facto de a partir de um facto (objectivo) diferentes estações conseguirem transmitir a informação de uma forma tao diferente. Criando no telespectador percepções completamente opostas a partir de uma mesma verdade.

    Caro Pedro, polissemia parece-me um termo demasiado pequeno para classificar a situação. Polissemia refere-se a UMA palavra. Aqui podemos dividir o facto em duas partes, ambas verdadeiras, discutir a importancia relativa de cada um e o que advém da sua junção. O que penso que nenhuma fez, não porque não o devesse, mas porque talvez a mensagem ("estamos na retoma"!! ou "continuamos parados"!!) perderia impacto.

    Porém, como nenhuma apresentou mentiras nem manipulações, pensei poder concluir que, afinal, é possivel "subjectivar" a informação.

    By Blogger Tiago Alves, at 11:07 da manhã  

  • Caro Tiago

    Tem razão; talvez polissemia não seja o melhor termo para classificar a situação.

    Alternativamente, ambas as estações poderiam simplesmente ter transmitido os dados (crescimento económico de 0,3% no ano passado e de 0,7% no último trimestre) e deixar o julgamento valorativo ao cargo do receptor. Acontece que a maior parte do público percebe tanto de economia quanto eu de cebolas, e torna-se necessário qualificar os dados. Agora depende dos parâmetros através dos quais a qualificação é feita. E depende também do que entende por «subjectiva». E isto sim, já é um problema de polissemia :)

    By Blogger pedroromano, at 1:29 da tarde  

  • Concordo :) Poderiam mas talvez assim também não tenha sido "errado". É por coisas destas que eu gosto de ouvir o Ricardo Costa ou o José Gomes Ferreira de vez em quando. Obrigado pelos comentarios

    By Blogger Tiago Alves, at 3:58 da tarde  

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