terça-feira, março 21

Apologia do CPE (II)

(continuação do post anterior)

O CPE vem exactamente tentar baixar a rigidez laboral e, consequentemente, os custos associados à contratação. De acordo com os números do desemprego jovem em França, é razoável pensar que inúmeras empresas não contratam porque os custos de o fazer são demasiado altos tendo em conta o benefício esperado associado.

Com esta pequena flexibilização do mercado laboral aumentam os incentivos às empresas para a contratação de jovens desempregados. A diminuição do tecto mínimo de compromissos impostos centralmente vem possibilitar um maior número de contratos, pois incrementa o espaço possível de entendimento entre as intenções da oferta e da procura, diminuindo a ineficiente carga excedente.

O trabalho fica mais precário? Fica, claramente. Mas aumenta a competitividade. Os jovens licenciados têm dois anos para mostrar o que valem, sob pena de serem, a qualquer momento, postos a andar. Não é de todo razoável pensar que as empresas comecem a contratar e a despedir sistematicamente os jovens com menos de 26 anos, abusando da facilidade. Porém, e mesmo que o façam, o jovem não fica necessariamente prejudicado pois a rotatividade do emprego aumentará. Provavelmente, muito mais cedo do que na actualidade, receberá uma nova proposta de emprego. Mais do que isso, a essa e a outras futuras propostas de emprego concorrerá com um currículo muito mais rico, diminuindo assim uma parcela importante dos riscos de contratação referidos no post anterior.

O CPE ajudará a criar uma nova geração de quadros competitivos e experientes que, a cada emprego, servirão melhor a empresa contratante. Por contraste à actual, também qualificada mas virgem de mercado, afundada em subsídios. De forma agregada, a adequação empregado-empregador melhorará substancialmente, decorrente de uma maior mobilidade humana. Com uma melhor adequação aumentará a produtividade e a qualidade dos serviços prestados pelas empresas. E daqui se segue, mais rápida ou lentamente, para a retoma.

malta com binóculos

  • "Os jovens licenciados têm dois anos para mostrar o que valem, sob pena de serem, a qualquer momento, postos a andar"

    é isso que assusta os jovens. ter de provar diariamente que estão no emprego certo.enfim...

    By Blogger Elise, at 3:15 da tarde  

  • Caro Tiago ao teus posts acerca do CPE são explicativos daquilo que é o CPE, bem como, do porque de acreditares no mesmo (pelo menos parece)
    Gostava que fizesses uma pesquisa acerca da forma como o CPE foi aprovado e que escrevesses acerca disso. Alguma da indignação pode partir deste factor. O CPE não me agrada, não conheço a realidade francesa mas a ideia em si parece-me descabida. Se tivesse algum critério optativo (devido ao proteccionismo francês) talvez fosse mais positivo. A ideia de poder ser despedido amanhã, terá que ser mais bem paga, e o CPE não prevê isso, no caso de ser optativo a empresa pode negociar com o jovem as condições, sem aumentar a precariedade laboral de uma forma exponencial.
    Espero ter sido conciso. Parabéns pelo rigor. Passa pelo Absorto.

    By Blogger smanel, at 4:54 da tarde  

  • Não sei se é pelo aspecto negativo que os media estão a dar ao CPE, a verdade é que eu também não gostava nada de que amanhã o meu patrão me dissesse: "Olhe Jota, a gente até o curte mas do outro lado da porta é que está bem!". Quem é bom não tem de se preocupar porque para esses haverá sempre emprego. O chato é que nem todos nasceram para ser bons, seja porque não aproveitaram as oportunidades seja porque não tiveram oportunidades, seja porque são limitados. Mas curiosamente são esses mesmos que aos 26 já contam mais com uma vida estável, família e tal. São esses que não continuam os estudos e começam a trabalhar mais cedo. Se pensarmos que em Portugal se tem de estudar até aos 15/16 percebemos que são 10 anos que o CPE está a negar à partida a quem não tem outra alternativa que não estudar. Pesem-se os prós e os contras...

    By Blogger JP, at 8:07 da tarde  

  • Sérgio,

    O CPE foi aprovado no Parlamento, como qualquer outra lei. Penso que te estarás a referir ao facto de ter passado sem antes ter sido discutida na concertação social ou mesmo pela sociedade. É um argumento válido. Se o tivesse sido talvez agora não houvesse tanto desconhecimento e/ou rejeição.

    Porém, para além de não ser obrigatorio que as leis, antes de aprovadas, sejam sujeitas a consultas publicas (o governo foi eleito e tem legitimidade para legislar), talvez a colocação da lei a discussão só servisse para tornar a resistencia ainda mais forte na tentativa de pressionar e impedir a sua promulgação. Ou então de pedir cedências maiores do que aquelas que, provavelmente, irão ocorrer (fala-se do periodo de expriencia ser reduzido para apenas um ano).

    Não sei, sinceramente, se a opção tomada terá sido errada.

    By Blogger Tiago Alves, at 10:23 da tarde  

  • Jota,

    A questão nem se coloca bem nos "bons" e "não bons" mas na adequaçao. Decerto existirão poucos licenciados que não serão bons a nada! Poderá haver é problemas para encontrar o local adequado para eles trabalharem. Por adequado entenda-se contentamento de AMBAS as partes.

    O CPE, ao permitir uma maior flexibilização e rotatividade nos empregos, vai proporcionar um maior numero de experiencias de emprego (ao invés de um primeiro emprego para toda a vida) que aumentará certamente as probabilidades (estatistica a bombar!) de AMBAS as partes encontrarem o ponto de intersecção das intenções.

    By Blogger Tiago Alves, at 10:26 da tarde  

  • China man, e pensar que alguém com tanto conhecimento consegue nadar tão mal...

    By Blogger Tigas, at 7:56 da tarde  

  • lol!

    By Blogger Tiago Alves, at 9:28 da tarde  

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