segunda-feira, fevereiro 6

Sob o céu do Ocidente

"Há desculpas para tudo, nenhuma vergonha nos escapa. Esta ideia de tolerar os energúmenos que, em público, queimam livros, bandeiras, jornais e efígies de cada vez que alguém brinca com o profeta, parece-me absurda. Tolerável; mas absurda. Tolerável, porque nós somos tolerantes; mas absurda porque instaura nas nossas ruas, nas nossas casas e nas nossas cabeças uma insuportável aura de medo e de covardia. Não se trata apenas de falar de um Deus que não ri nem quer ser objecto de riso (essa é outra matéria que, se quiserem, se discute a seguir); trata-se do medo e da submissão. O editor do "Jyllands-Posten" agiu bem não pediu desculpas. Disse, além disso (que não pedia desculpas), que não se trata de "um assunto de cartoons", mas de valores mais gerais - os da liberdade, os do riso, os da palavra. O Ocidente permite que se publiquem alarvidades anti-semitas ou trapalhices anticatólicas; mas uma parte dele treme de pavor quando vê os "mullahs" incitarem multidões a queimar bandeiras dinamarquesas por causa de uns cartoons. Eu acho bem que queimem, se lhes apetecer. Mas não aceito que as queimem em minha casa, na minha rua, sob o céu do Ocidente."

A expressão sob o céu do Ocidente é uma das mais felizes e interessantes que li nestes últimos tempos. Faz-me lembrar um célebre discurso do Aragorn, que pode ser relido aqui. Embora com outras palavras, ele apela a algo muito parecido: ao espírito, aos valores e à união deste grupo de pessoas que partilham muito mais do que um espaço geográfico.

Adenda (para ouvir e sentir)
By all that you hold dear on this good Earth,
I bid you stand, Men of the West!!!

Tiago Alves

malta com binóculos

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