sexta-feira, fevereiro 24

Dinâmica de Conjunto (I)

Para apanhar uma consulta no Centro de Saúde da Baixa da Banheira (Moita), é preciso ir para a porta cerca de 1 hora antes da abertura do mesmo e consequente início das marcações. Não vou teorizar sobre isto. Debruço-me sobre um tema bem mais interessante.
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Podemos considerar o conjunto de indivíduos localizados naquele espaço como um grupo de formação espontânea, sendo a sua constituição motivada pelo objectivo comum que a todos move: a consulta. Porém, e como muita gente se lá desloca com uma certa regularidade e há também os "profissionais", que apanham consulta para outras pessoas, quem sabe em troca de alguma remuneração, terão começado a desenvolver-se alguns costumes que rapidamente se enraizaram na memória colectiva. Temos hoje assim uma certa normalização de procedimentos a que muito pomposamente chamarei de cultura do centro de saúde.
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Assim, é costume quando se chega dizer, além do bom dia, qual o médico para que se vai e perguntar quem está lá para o mesmo médico. A resposta é pode variar. Ou é a última pessoa desse médico a ter chegado que responde "eu sou a última para esse médico; você é o quarto" ou então um dos "profissionais" chega-se à frente e diz que está este, aquele e o outro, pelo que "o senhor é o quarto". O sistema repete-se indefinidamente.
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Além disso, é normal reunirem-se em grupos de três, comentando a grande "afluência de hoje ao Centro", discutindo o que os aflige e o tratamento que segue ou dissertando sobre a situação política presente ou passada (hoje apanhei uma conversa sobre o desmembramento da Lisnave..). É comum estes grupos serem compostos por velhos conhecidos mas também ninguém leva a mal se alguém com uma boa história se intrometer na conversa do nada.
Tiago Alves

malta com binóculos

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