sábado, fevereiro 25

As negociações com a ETA

Teve hoje lugar uma manifestação em Espanha contra a postura do Governo Socialista face à ETA. Contrariando as últimas posições do PP de Aznar, que sempre se caracterizaram pela dureza e repúdio da acção basca, e a quem se devem algumas das principais capturas e golpes na estrutura, o executivo de Zapatero pretende dialogar com a organização, com o objectivo expresso de "acabar com 35 anos de violência". Este diálogo só avança caso a ETA se comprometa, de forma clara, a depôr as armas, o que parece estar para acontecer.

É de notar que esta intenção governamental foi aprovada em Maior do ano passado, e o texto final do documento não inclui a palavra "negociação" mas sim "diálogo" e frisa que a "democracia e o terrorismo são totalmente incompatíveis". Esta jogada de Zapatero parece-me ter toda a razão de ser. Apesar de ser da opinião que não se negoceia (ou dialoga) com terroristas, realço que 1) o diálogo só avança se a ETA abandonar a violência e 2) a ETA já não é a ETA de há vinte anos.

Pegando na segunda razão e desenvolvendo, é de notar que após anos de intensa actividade, a ETA tem vindo a perder partidários e simpatias, mesmo dentro do próprio País Basco. Além disso, como foi referido atrás, a acção impiedosa de Aznar contribuiu e muito para o colapso organizacional de muitos tentáculos e líderes radicais da organização. Neste momento, a parte forte é o Governo (apoiado na legitimidade e capacidade de acção demonstrada, economia pujante e poucos problemas externos) e a parte fraca a ETA. É uma óptima altura para iniciar conversações.

Por tudo isto a atitude não deve ser alvo de críticas, pelo menos no momento. Deve-se esperar e ver o que se passa na mesa do diálogo. O objectivo da ETA é a independência do País Basco. Certamente ninguém espera que Zapatero assine o desmembramento do país vizinho pelo que, provavelmente, será do lado de lá que virão as maiores cedências, além da paz.
Tiago Alves

malta com binóculos

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