domingo, fevereiro 5

Ainda sobre o profeta

Hoje almocei a ver as embaixadas dinamarquesas a arder.
Parece que as ondas de choque criadas são grandes, é verdade, e talvez todas as consequências deste episódio ainda estejam para chegar. Mas, e como diz o JPH, não acho que isto seja totalmente mau.

Embora não concorde que se deva multiplicar o gesto por mil para eles perceberem que quanto mais chantagear e ameaçar mais ofendidos ficarão. Não. Mas acho que não nos devemos curvar perante esta fúria jihadista. Não acho que devamos abrir mão da nossa lei fundamental para cumprir a lei fundamental deles. Porque sim, existe um nós e um eles. Diferentes, e aí não há qualquer problema; mas radicalismos e fundamentalismos, aí sim, há um problema.

Num ponto mais complexo, e depois de ler a sempre oportuna análise do Rodrigo, eu também gosto de usar a liberdade com prudência e inteligência. E acho, muito sinceramente, que se os nossos vizinhos não gostam que representemos o seu profeta, nós não o devemos, de forma voluntária, fazer. Como dizes e muito bem, poderemos atravessar a rua, como forma de evitar um conflito que, na generalidade, prejudicaria as duas partes.

Porém, acho que, caso optemos (e podemos optar) por seguir em frente no passeio, isto é, representar o profeta, não devemos ser atacados por rottweillers ou vermos as nossas embaixadas incendiadas. Aqui, um dos nossos valores basilares foi quebrado. E isso eu não acho correcto. Aqui, não vale a pena optar. Porque quando a alternativa é o conflito, então não há alternativa.

E se colocamos as coisas nestes termos, se consideramos que para respeitar a vontade deles temos de restringir a nossa, por ausência de alternativa não pacífica, então poderemos ter problemas. Grandes. E este episódio poder ter servido para despertar boa parte do West. Despertar para um Mundo em que nem todos são iguais. E um Mundo em que, se não devemos ter as nossas regras morais como superiores, também não as devemos colocar no fundo, subservientes às outras.
Tiago Alves

malta com binóculos

  • Caro Tiago,
    Pensa comigo. Havia necessidade de publicar aqueles cartoons? Vamos ver qual é a orientação do jornal dinamarquês e da revista norueguesa, e concluimos: será que não há uma intenção deliberada de provocar um choque cultural, de uma forma ostensiva?
    Eu, neste momento, sou intransigente em relação à reacção muçulmana; mas seria assim tão necessário e essencial ter hostilizado gratuitamente toda uma civilização, que sabemos à saciedade que está crispada em relação ao Ocidente?
    São estas as minhas interrogações.
    Um abraço,
    Rodrigo Adão da Fonseca

    By Anonymous Anónimo, at 12:52 da manhã  

  • Os cartoons foram publicados nessa revista à meses...mas recentemente é que outras revistas o publicaram igualmente daí a polémica. E tal como o director dessa revista disse, em países militarizados como a Síria é inadmissível que uma embaixada seja atacada e não haja conivência por parte do governo local. Outra questão..segundo
    o Islão não é proibido matar? Então porque razão é que eles travam uma batalha em nome do seu Deus contra uns míseros cartoons, desta forma??

    By Anonymous Anónimo, at 9:58 da manhã  

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