sexta-feira, janeiro 27

A Democracia e o Hamas (II)

Generalizando.

Parece haver uma grande similariedade entre os movimentos terroristas e o Estado (no geral, enquanto instituição). Ambos prometem certos benefícios (segurança, ordem, saúde - os chamados bens públicos) em troca de alguns sacrifícios (impostos e alguma forma de dedicação), havendo sempre a presunção geral de que os primeiros cobrirão os últimos.

Assim, e numa lógica bem económica, os movimentos terroristas obtém a aderência da população por corresponderem às suas expectativas (de segurança, por exemplo). Não é por acaso que a maioria dos movimentos terroristas nascem em países com especiais carências em termos institucionais (lembro-me dos Taliban no Afeganistão ou das FARC colombianas). A população vê assim enormes vantagens em aderir e em apoiar estes movimentos e chega até a aceitar como correctos e/ou necessários os actos terroristas, quer por serem influenciadas ideologicamente ou, no limite, por os considerarem um mal necessário para conseguirem a tal protecção que anseiam.

E assim, tomando como verdadeiras estas premissas, até parece fácil acabar com os extremistas. Basta dar às populações um Estado que cumpra as suas funções essenciais (que por alguma razão são chamadas de públicas). Porque à medida que vão possuindo alternativas que conseguem satisfazer as suas necessidades mais básicas a população em geral tenderá a abandonar os movimentos radicais pois ela não gosta, em última análise, de terroristas (esta é uma hipótese crítica. Eu acredito nela, sinceramente). E por isso, quanto mais fortes forem as instituições estatais menos incentivos terão as pessoas para suportar (qual mal económico) os actos terroristas, pois agora há outro caminho para a sobrevivência.

Assim, caro Bruno Pais, talvez Israel não tenha toda a culpa. Mas certamente terá alguma ao, com a guerra, muitas vezes injustificada e desrespeitando algumas recomendações internacionais, ter destruído as poucas estruturas que a Palestina tinha. E contribuindo com mais factores (inimigo externo comum, por exemplo) para o fortalecimento do Hamas.

Adenda:Também não sei, caro Henrique, se será o Arafat o grande culpado. E também acho que chamar tudo isto de ódio é muito simplista.
Tiago Alves

malta com binóculos

  • Concordo plenamente com todas as ideias que expuseste neste texto. Essencialmente as populações encontram nestes movimentos extremistas aquilo que o Estado não lhes consegue fornecer. Fartas da instabilidade económica, política, social, vão procurar noutra entidade a garantia de estabilidade (mesmo que, paradoxalmente, o extremismo pareça provocar o contrário).
    Que saudades de Introdução à Macroeconomia...Devias dar algum crédito ao senhor que te permitiu ter essas conclusões!

    By Anonymous anachina, at 5:46 da tarde  

  • Adenda: Não li o texto anterior, o crédito está lá!!!! Peço desculpa...

    By Anonymous anachina, at 5:47 da tarde  

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