sexta-feira, janeiro 27

A Democracia e o Hamas (I)

A vitória do Hamas nas eleições palestinianas foi, provavelmente, um duro golpe para muita gente. Conquistado o direito a eleições livres e democráticas, o povo palestiniano optou pelo partido mais radical. Além disso, é um partido que não reconhece o estado israelita, o que lhe vale uma reduzida (senão inexistente) credibilidade a nível internacional. Têm sido dos principais entraves à paz, na medida em que não negoceiam e perpetram atentados contra Israel. Mesmo assim, garantiram a maioria absoluta.

Será este episódio o reflexo do falhanço democrático? Da paz? Quererá, com o seu voto, o povo palestiniano legitimar o terrorismo, a guerra e o conflito com Israel? Não creio. O povo é um conjunto de indivíduos com necessidades. E as necessidades do povo palestiniano encontram-se no limiar mais baixo: anseiam por comida e segurança, por justiça e união. E consideram (provavelmente bem) que o Hamas é quem mais lhes garante tal coisa.

Um Estado existe para garantir a satisfação destas necessidades. Mas para o conseguir terá de possuir instituições fortes e legitimadas, capazes de cumprir a lei e de fazer justiça; de garantir a segurança e a sobrevivência da população. Neste momento, o Estado palestiniano não possui nada disto nem consegue garantir coisa nenhuma. Há, porém, uma organização no País que já demonstrou ser forte, ter armas e determinação: o Hamas. Há uma organização que promete (e de forma credível) reconstruir estruturas e garantir a segurança da população: o Hamas. Há uma organização que promete equilíbrio, ordem e saúde: o Hamas. E é por isso que ganhou.

Nota: Este texto, assim como o seguinte, possuem Bibliografia: BERMAN, Eli; Hamas, Taliban and the Jewish Underground: An Economist's View of Radical Religious Militias; publicado no The Economist de 15 de Janeiro 2004.
Tiago Alves

malta com binóculos

  • Tão simples e no entanto tão complicado de perceber...

    By Anonymous anachina, at 5:49 da tarde  

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