quinta-feira, dezembro 1

Série Liberal

1 A Ideologia

Estalou agora, há uns dias, a guerra do Liberalismo enquanto ideologia. Já li o João, o Tiago e o AAA pelo que me posso sentir habilitado a dizer, de modo simplista que, sendo o Liberalismo um conjunto de ideias, então é uma ideologia. A => B, como se gosta de fazer por . É o meu conceito de Liberalismo, é o meu conceito de ideologia. Lá por a ideologia Liberal não tocar em todos os pontos, não procurar ter posição em todas as matérias, não procurar vincular os seus seguidores a todas as suas posições (que não são assim tantas..), não deixa de ser uma ideologia, pelo menos no sentido wikipédio da palavra.

Não penso que se deva complicar o que é simples. O Liberalismo, pelo menos o vigente na nossa blogoesfera, parece continuar a carecer de algo como uma definição. É o velho problema de sempre. Não tenho a arte (nem a fuga) para tentar algo como isso, mas ainda me aventuro e consigo "bitaitar" algo como indivíduo, responsabilidade, iniciativa, equidade, diferença.

Considero o Socialismo (adenda: o totalitarismo) o inimigo público nº1 dos Liberais. E penso que ambas as ideologias partem de algo muito mais amplo e fortemente enraízado do que simples concepções económicas ou mesmo políticas. Parte de algo muito mais íntimo e muito mais presente. A própria concepção humana enquanto cidadão livre. As liberdades de agir e de escolher. O Socialismo, (adenda: como forma de totalitarismo) não as permite, o Liberalismo coloca-as como base e pilares fundamentais da sociedade.

Todas as implicações socialistas e/ou liberais na economia e na política devem ser vistas como consequências de um ideal muito mais profundo. Afinal, do que deriva a imposição do Plano nas economias socialistas? De que o ser humano não deve ter o poder de decidir o que é bom para ele, porque primeiro vem o grupo, a finalidade única, o vago bem comum; de que os indivíduos não devem ter poder de escolha, pois não são capazes de o fazer sem prejudicar ninguém;e assim facilmente se chega a uma entidade suprema e virtuosa que, candidamente, fará o que é melhor para o povo.

Parece bonito mas não é. Não só devido ao que a História diz. Mas porque a sociedade não é um simples somatório de xi's de igual valor esperado e identicamente distribuídos. Cada xi é muito diferente do xi anterior. E por isso é impossível alcançar o bem estar do povo obrigando-o a remar para determinado objectivo porque a felicidade humana depende de inúmeras coisas, que podem ser obtidas de inúmeras formas distintas; nunca sob a forma de objectivo único. É por isto que o Plano, base de toda a ideologia socialista, é cruel. Relembrando Hayek, em Road to Serfdom, "é impossível a qualquer intelecto abarcar a infinita gama de necessidades diferentes de diferentes indivíduos (...) e atribuir um peso definido a cada uma delas (...) cada pessoa só se pode ocupar de um campo limitado, só se dá conta de um determinado número limitado de necessidades"

Por isto, fundamentalmente, não pode existir um Plano, sob pena de se massacrarem as Preferências de cada um de nós. Tema para uma próxima posta.
Tiago Alves

malta com binóculos

  • DIria queo inimigo do liberalismo é o "totalitarismo", que tem como mais conhecidos exemplos o socialismo e o fascismo. Ambos não se centram no indivíduo mas no colectivo. Bom follow-up da animada discussão :)

    By Blogger Tiago Mendes, at 11:44 da tarde  

  • Obrigado pela correcção. Fica, de facto, mais correcto. Utilizei o socialismo talvez por ser um lugar mais comum e por me permitir pegar no exemplo; e penso que a mensagem segue na mesma.

    By Blogger Tiago Alves, at 10:56 da manhã  

  • Eu ofereço-me para arranjar uma definição única para liberalismo. Quem vota em mim? >)

    By Blogger AA, at 3:52 da tarde  

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