Greve aos professores
Após tomar conhecimento da greve dos professores, andei-me a inteirar de como funciona esse verdadeiro milagre de Maria de Lurdes Rodrigues quanto às aulas de substituição, um esquema agora em vigor em bastantes escolas básicas e que promete "colocar os alunos e os professores na escola, em aulas". Ao que parece, era um dos principais motivos para a greve de hoje.
Em traços gerais, o programa prevê que, numa proporção que eu não conheço, por cada x aulas que estejam previstas para determinada hora, esteja um número y de professores de quarentena prontos para, em caso de falta do professor, avançarem para as salas, de livro de ponto na mão (com ordem para marcar falta) e manterem os alunos entretidos com jogos, debates ou outras coisas que tais. Em suma, o objectivo é mantê-los nas salas; impedindo-os de andarem sem rumo ou a dedicarem-se a outras actividades menos lícitas ou pedagógicas. Com isto conseguir-se-ia, em sentido lato, acabar com os furos, tão criticados pelos pais.
O que é certo é que tal coisa não tem resultado lá muito bem por várias e independentes razões:
1) as escalas não têm em conta alguma ponderação quanto a que professor vai substituir em qual turma, o que impede uma melhor adequação de recursos e um verdadeiro aproveitamento das horas mortas. Além disso, não há uma estratégia integrada sobre o que fazer nessas horas, estando essa tarefa entregue à imaginação dos professores. A única directiva é: mantenham-nos nas salas!
2) eu já andei na escola e sei a festa que era ter um furo. É ter o campo da bola só para nós, poder ficar a conversar uns com os outros ou até aproveitar para fazer alguma coisa (comer, ir à reprografia, um tpc). Mais do que isto, era poder conviver mais um pouco, conhecer os colegas e estabelecer laços mais profundos do que os conseguidos em 10 minutos de intervalo. Tudo isto foi agora tirado aos alunos. Ainda para estarem a fazer uns joguinhos repetidos (pois os trunfos do professor acabaram) visto não poderem ir para a biblioteca (pequena) nem para os computadores (poucos) ou para o pavilhão (ocupado). O resultado é uma grande desmotivação para qualquer actividade praticada nesss horas e um aborrecimentozito em relação ao professor que lhes vem roubar a liberdade. Este sentimento tende a aumentar e a extravassar para outros momentos.
3) os professores podem chegar a estar horas sentados, à espera de serem chamados...e nunca o serem! Parece óbvio, mas será assim tão óbvio estar a impôr esta prisão aos professores, sobretudo quando as escolas dispõe de salas de professores pequenas e sem espaço nem sossego para trabalhar. Resumindo, os professores perdem e sentem-se, além de insatisfeitos, desmotivados com a situação e começam a desaparecer aquelas iniciativas muito engraçadas como os Clubes de Matemática ou de Xadrez. Os professores andam mais cansados e não se dedicam a essa actividade pois, além de não terem qualquer tipo de recompensa para tal, ganharam agora mais um desincentivo: a falta de tempo para tal.
Até parecia que, pela primeira vez em muitos anos, eu iria apoiar esta greve! Depois li o DN e mudei de ideias. Pode ser uma medida extrema ou radical do ME mas, a tomar como verdadeiros números como 9 milhões de aulas não dadas por ano e uma média de 3 furos por semana por aluno, além da quantidade de desculpas que se arranjam para faltar mostra-nos que talvez se tivesse de começar por abanar com força para poder colocar alguma disciplina nos senhores que educam os nossos (salvo seja) filhos. É que a história do professor coitadinho que é licenciado e não arranja emprego, que atura os vândalos dos alunos e que não tem condições começa a não pegar quando a realidade nos é apresentada assim, nua e crua, como o foi no DN.
Em traços gerais, o programa prevê que, numa proporção que eu não conheço, por cada x aulas que estejam previstas para determinada hora, esteja um número y de professores de quarentena prontos para, em caso de falta do professor, avançarem para as salas, de livro de ponto na mão (com ordem para marcar falta) e manterem os alunos entretidos com jogos, debates ou outras coisas que tais. Em suma, o objectivo é mantê-los nas salas; impedindo-os de andarem sem rumo ou a dedicarem-se a outras actividades menos lícitas ou pedagógicas. Com isto conseguir-se-ia, em sentido lato, acabar com os furos, tão criticados pelos pais.
O que é certo é que tal coisa não tem resultado lá muito bem por várias e independentes razões:
1) as escalas não têm em conta alguma ponderação quanto a que professor vai substituir em qual turma, o que impede uma melhor adequação de recursos e um verdadeiro aproveitamento das horas mortas. Além disso, não há uma estratégia integrada sobre o que fazer nessas horas, estando essa tarefa entregue à imaginação dos professores. A única directiva é: mantenham-nos nas salas!
2) eu já andei na escola e sei a festa que era ter um furo. É ter o campo da bola só para nós, poder ficar a conversar uns com os outros ou até aproveitar para fazer alguma coisa (comer, ir à reprografia, um tpc). Mais do que isto, era poder conviver mais um pouco, conhecer os colegas e estabelecer laços mais profundos do que os conseguidos em 10 minutos de intervalo. Tudo isto foi agora tirado aos alunos. Ainda para estarem a fazer uns joguinhos repetidos (pois os trunfos do professor acabaram) visto não poderem ir para a biblioteca (pequena) nem para os computadores (poucos) ou para o pavilhão (ocupado). O resultado é uma grande desmotivação para qualquer actividade praticada nesss horas e um aborrecimentozito em relação ao professor que lhes vem roubar a liberdade. Este sentimento tende a aumentar e a extravassar para outros momentos.
3) os professores podem chegar a estar horas sentados, à espera de serem chamados...e nunca o serem! Parece óbvio, mas será assim tão óbvio estar a impôr esta prisão aos professores, sobretudo quando as escolas dispõe de salas de professores pequenas e sem espaço nem sossego para trabalhar. Resumindo, os professores perdem e sentem-se, além de insatisfeitos, desmotivados com a situação e começam a desaparecer aquelas iniciativas muito engraçadas como os Clubes de Matemática ou de Xadrez. Os professores andam mais cansados e não se dedicam a essa actividade pois, além de não terem qualquer tipo de recompensa para tal, ganharam agora mais um desincentivo: a falta de tempo para tal.
Até parecia que, pela primeira vez em muitos anos, eu iria apoiar esta greve! Depois li o DN e mudei de ideias. Pode ser uma medida extrema ou radical do ME mas, a tomar como verdadeiros números como 9 milhões de aulas não dadas por ano e uma média de 3 furos por semana por aluno, além da quantidade de desculpas que se arranjam para faltar mostra-nos que talvez se tivesse de começar por abanar com força para poder colocar alguma disciplina nos senhores que educam os nossos (salvo seja) filhos. É que a história do professor coitadinho que é licenciado e não arranja emprego, que atura os vândalos dos alunos e que não tem condições começa a não pegar quando a realidade nos é apresentada assim, nua e crua, como o foi no DN.
Tiago Alves

malta com binóculos
Palminhas... e eu que estava tão tristinho só de te imaginar a apoiar uma greve!!!
quanto aos professores, prefiro falar-te pessoalmente
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JP, at 12:29 da manhã
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