quarta-feira, novembro 30
um Génio em Pessoa
Pessoa, o maior de sempre. Morreu há 70 anos. Tenho febre e escrevo.
Escrevo rangendo os dentes, fera para a beleza disto,
Para a beleza disto totalmente desconhecida dos antigos.
Ó rodas, ó engrenagens, r-r-r-r-r-r eterno!
Forte espasmo retido dos maquinismos em fúria!
Em fúria fora e dentro de mim,
Por todos os meus nervos dissecados fora,
Por todas as papilas fora de tudo com que eu sinto!
Tenho os lábios secos, ó grandes ruídos modernos,
De vos ouvir demasiadamente de perto,
E arde-me a cabeça de vos querer cantar com um excesso
De expressão de todas as minhas sensações,
Com um excesso contemporâneo de vós, ó máquinas!
(..)
E há Platão e Virgílio dentro das máquinas e das luzes eléctricas
Só porque houve outrora e foram humanos Virgílio e Platão,
E pedaços do Alexandre Magno do século talvez cinquenta,
Átomos que hão de ir ter febre para o cérebro do Ésquilo do século cem,
Andam por estas correias de transmissão e por estes êmbolos e por estes volantes,
Rugindo, rangendo, ciciando, estrugindo, ferreando,
Fazendo-me um excesso de carícias ao corpo numa só carícia à alma.
(..)Ah, poder exprimir-me todo como um motor se exprime!
Ser completo como uma máquina!
Poder ir na vida triunfante como um automóvel último-modelo!
Poder ao menos penetrar-me fisicamente de tudo isto,
Rasgar-me todo, abrir-me completamente, tornar-me passento
A todos os perfumes de óleos e calores e carvões
Desta flora estupenda, negra, artificial e insaciável!
Álvaro de Campos - Ode Triunfal (1923)
terça-feira, novembro 29
Porque alcool não rima com carro (recebido por e-mail)
Fui à festa, mãe. Fui a uma festa, e lembrei-me do que me disseste...
Pediste-me que eu não bebesse álcool, mãe... Então, bebi uma "Sprite". Senti orgulho de mim mesma, e do modo como me disseste que eu me sentiria e que não deveria beber e conduzir. Ao contrário do que alguns amigos me disseram.
Fiz uma escolha saudável, e o teu conselho foi correcto. E quando a festa finalmente acabou,e o pessoal começou a conduzir sem condições... Fui para o meu carro, na certeza de que iria para casa em paz...
Eu nunca poderia esperar... Agora estou deitada na rua, e ouvi o policia dizer: "O rapaz que causou este acidente estava bêbado", mãe, a voz parecia tão distante... O meu sangue está escorrido por todos os lados e eu estou a tentar com todas as minhas forças, não chorar...
Posso ouvir os paramédicos dizerem: "A rapariga vai morrer"... Tenho a certeza de que o rapaz não tinha a menor ideia, enquanto ele estava a toda velocidade, afinal, ele decidiu beber e conduzir e agora tenho que morrer...
Então por que as pessoas fazem isso, mãe? Sabendo que isto vai arruinar vidas? A dor está-me a cortar como uma centena de facas afiadas... Diz à minha irmã para não ficar assustada, mãe, diz ao papá que ele seja forte... E quando eu partir, escreva "Menina do Pai" na minha sepultura...
Alguém deveria ter dito aquele rapaz que é errado beber e conduzir... Talvez, se os seus pais tivessem dito, eu ainda estivesse viva... Minha respiração está a ficar mais fraca, mãe, e estou realmente a ficar com medo... Estes são os meus momentos finais e sinto-me tão desesperada... Eu gostaria que tu pudesses abraçar-me, mãe, enquanto estou esticada aqui a morrer, eu gostaria de poder dizer que te amo, mãe... Então... Amo-te e adeus..."
Estas palavras foram escritas por um repórter que presenciou o acidente. A jovem, enquanto agonizava, ia dizendo as palavras e o repórter ia anotando, chocado.
"A" compra
Chegou hoje, depois de 3 semanas de ansiosa espera, após a encomenda. É dos livros mais belos que já vi. Pequeno em tamanho (11cm x 17 cm) e com um cativante aroma a velho pergaminho, é sóbrio e tem apenas umas 50 páginas. Tem no seu interior um mapa desdobrável da Oxford de Lyra, aquele lugar que todos os seguidores da trilogia His Dark Materials conhecem e sentem como parte do seu mundo.domingo, novembro 27
Combatividade

Mesmo sem receberem há mais de um mês, e já com um longo historial de problemas ao nível da remuneração, os jogadores do Vitória de Setúbal levaram de vencida o Rio Ave. Foi a terceira vitória dos sadinos e o completar de mais de 400 minutos de inviolabilidade, que os torna na equipa menos batida da Europa. Estão em 4º lugar, a pouco mais de 5 pontos do líder.
sábado, novembro 26
Confusões
Manuel Alegre, em entrevista à Atlântico (link não disponível)
Nunca hei-de perceber porque é que certos senhores, curiosamente todos da área política de esquerda, insistem em considerar que 1789 (data da Revolução Francesa) vem antes de 1776 (data da aprovação da Constituição Americana). Juro mesmo que não percebo. Mais uma razão para não votar em Manuel Alegre? Não conhece a História ou, pior que isso, tem dificuldade em ordenar números.
Burns e o ladrão
Luto e tristeza por um campeão. Revolta pela causa de morte: tumor cerebral. Os dias de Burns já estavam contados há uns meses, tendo os primeiros sintomas do problema se feito sentir em 2003, ainda andava Burns a correr pelas suas terras britânicas. Abandonada a competição, Burns tentou correr contra o cancro, mas o cancro corre mais rápido.
Que ladrão é este? Rouba novos e velhos, ricos e pobres. É um bom ladrão, que não olha a quem, dirão alguns. Eu não concordo. O cancro é das doenças com uma probabilidade de aparecimento quase totalmente arbitrária. Exceptuando certos casos como por exemplo os cancros do pulmão, relacionados com o tabaco, a maioria dos tumores aparecem, como o de Burns, sem qualquer aviso prévio, sem nenhuma exposição a qualquer factor de risco identificado. Um dia o sol brilha, no outro está cinzento e mais cinzento vai ficando, assim o ladrão avança, roubando vida.
sexta-feira, novembro 25
25 de Novembro
1975 - Em Portugal, forças democráticas impedem uma revolução de extrema-esquerda, impondo a democracia como rumo para o país, e terminando o PREC.
quinta-feira, novembro 24
New blogs on the block*
quarta-feira, novembro 23
Louçã na UNL
Primeiro, a conferência decorreu num auditório diferente ou, se no mesmo, organizado de modo diferente. Eu diria que metade dos lugares foram retirados (tapados, melhor dizendo) e mesmo assim a sala não encheu. Depois, o prof. Louçã surpreendeu ao utilizar uns engraçados slides para suportar as suas declarações. Proferiu um discurso longo que, se entusiasmante nos momentos iniciais (a história da Ilha da Páscoa foi algo de fantástico) acabou por cair num arrastamento e repetição de argumentos, ainda para mais quando apenas abordou, no sentido literal do termo, dois temas: o ambiente (Protocolo de Quioto) e a sustentabilidade da Segurança Social. Mais nada.
Impressionou-me quando referiu os valores das multas a que Portugal poderia estar sujeito (1500 milhões de euros) por desrespeitar o acordo e impressionou-me por ter apresentado um gráfico de barras muito colorido (foi o que apareceu na TVI) onde apenas explicou o que significavam as barras más (a do défice do sistema e a da dotação, que acaba em 2017/20). Só com a questão de uma aluna se conseguiu perceber um pouco mais sobre o que eram os outros conjuntos de barras: eram os melhores resultados que o projecto por ele elaborado permitiam alcançar. Mesmo assim não passou claramente a mensagem de como isso acontecia. Ouvi vagamente falar de mais impostos.
Aproveitando uma certa onda de apatia, pus o braço no ar e perguntei ao prof. Louçã a sua opinião concreta sobre as propostas ditas liberais que por ai ecoam sobre deixar aos cidadãos a responsabilidade de se protegerem. Falei um pouco do Estado imiscuir-se e criar ineficiências e acho que até terminei bem, ao referir algo como preferências. Só me faltou falar da função Utilidade. A tal que o Estado insiste em não respeitar.
Consegui pouco. Referiu o meu nome ("quanto à pergunta do Tiago.."), o que foi meritório, mas apenas retirei que "os fundos públicos tinham uma capitalização melhor do que os privados" e que, "em outros países, quando os privados falhavam (iam à falência) era o Estado que tinha de entrar com metal sonante". Mas concordou comigo na necessidade de "resposabilizar os cidadãos". Deu o exemplo de que "as pensões não são iguais, e que cada pessoa recebe tendo em conta o que e durante quanto tempo descontou, frisando que ninguém recebe nada a que não teha direito". Já não foi mau.
Acabo a salientar que ninguém o aplaudiu à entrada e ninguém aplaudiu de pé à saída. São as diferenças.
terça-feira, novembro 22
Espírito

Quem, por estes dias, naqueles momentos em que o sol começa a abandonar os nossos céus, passa pelo Terreiro do Paço, junto à Árvore, sente-se transportado para outro lugar.
O frio que se tem sentido lembra-nos o Inverno que já se fez anunciar, os gorros e os cachecois escondem às vezes os sorrisos mas nunca a alegria e o espírito que já se conseguem sentir no ar, principalmente nas crianças que por ali andam. Depois temos a Árvore. Esplenderosa, brilhante, magnífica. Vi-a hoje completamente acesa pela primeira vez. Alterna o violeta com o azul safira, passando sempre pelo dourado-luz. Realça os laços e as sinos, os anjos e as estrelas. Os projectores iluminam o céu sombrio. E tem música. Tocam os clássicos natalícios, aqueles que ouvimos nos filmes, quando a imagem parece que pára, e dão mais uma ajuda a compôr aquele pequeno momento mágico.
De repente, parece que a imagem pára mesmo. A Árvore está agora dourada e azul, a minha combinação favorita. Não sei que música de Natal está a tocar, mas sei que é bonita e alegre; duas crianças correm à minha frente para ver quem chega primeiro ao pé dos separadores e um jovem casal estrangeiro (russo, lituano, letão, romeno?) aproxima-se. Bem agarradinhos, observam enternecidos o espectáculo. A sua máquina fotográfica dispara várias vezes. O homem das castanhas continua o seu negócio e o cheiro das castanhas invade os narizes; milhares de telemóveis reluzem como pirilampos enquanto registam o brilho da Árvore. As pessoas, apressadas, desejosas de chegar a casa, vão andando com a cabeça virada para trás, para ver mais uma vez aquele espectáculo. Aposto que muitas delas estarão com o olhar na janela quando entrarem no barco e quando se afastarem, em direcção à outra margem.
O casal à minha frente abraça-se mais um pouco e tem lugar um curto beijo. Ternurento.
Olho para o lado e não estás. Olho de novo em meu redor. Está bonito, mas incompleto.
Ironias (revisited)
Esta frase pode ser lida aqui e é da autoria de Rodrigo Adão da Fonseca, recém dissidente do Blasfémias. Tem exactamente 4 meses e dois dias (data de 20-02-05). O contexto pode ser percebido com a leitura integral da posta apesar de, na minha opinião, não afectar a compreensão da ideia que pretendo vincar. Lembrei-me deste comentário logo que soube da debandada que se deu no conhecido blogue nortenho mas demorei tempo a encontrar a ligação. Aqui fica agora, para reflexão.
Ironicamente, e como se sabe, O Acidental continua vivo e agregado, aparentemente de boa saúde. Ao contrário destas previsões, conta com gente nova e dinâmica. Tem sabido renovar-se e continua a ser, na minha opinião, um dos (senão o) melhores blogues de Direita da nossa blogoesfera. Já o Blasfémias...
Já agora convém informar que esta posta limita-se a ser, como já referi, um incentivo à reflexão. Nada mais. Depois também espero que alguém me avise do novo sítio do colega RAF.
segunda-feira, novembro 21
Por que será, não é?
Por que será que os PPR voltam a ter benefícios fiscais, quando - por ironia - sem incentivos dessa natureza estão este ano a crescer 70 por cento, fruto de adaptação do mercado a melhores produtos?
(...)
Por que será que já ninguém fala da tributação dos bancos e dos offshore, quando no ano passado a esquerda reclamava por mais carga fiscal e outras forças reclamavam por menos?
(...)
Por que será que as confederações empresariais que sempre exigem menos absentismo e mais produtividade não questionam o ter-se voltado a aumentar o subsídio de doença nas baixas de curta duração, que vão custar mais ao Estado e ao país do que aquilo que se poupará por outras medidas de contenção tomadas na Segurança Social?
Por que será que a anunciada reforma do subsídio de desemprego - em larga escala semelhante à por mim proposta há pouco mais de um ano - é agora tão candidamente recebida pelas confederações sindicais, quando foi violentamente atacada antes?
Por que será que não transferir dois por cento das contribuições sociais para o fundo de capitalização da Segurança Social foi nos últimos anos um "crime orçamental" e agora já é aceitável?
Por que será que a previsão de aumento das exportações à volta de seis por cento é agora tão "realista", apesar de bem distante da previsão do Banco de Portugal de 1,2 por cento?
Por que será que a agora "linguagem orçamentalmente correcta" passa ao lado dos aumentos fiscais, desde o IRS dos reformados ao imposto automóvel, IVA, imposto sobre produtos petrolíferos, impostos sobre fundos de investimento, imposto de selo, etc., e já não se fala de um ataque à classe média como era o refrão do ano passado em que até houve desagravamento fiscal?
Por que será que o PEC, Pagamento Especial por Conta, agora agravado, já não suscita reacções como as que levantou no tempo do Governo Durão Barroso?
Por que será que 250 milhões de euros de venda de património do Estado previstos no OE agora já não são receitas extraordinárias, mas tão- só ordinárias?
(...)
Por que será que agora já é "normal" que o OE para a Saúde não contemple um saldo negativo de 136,4 milhões de euros anunciado pelo ministro, mesmo depois de ter sido generosamente contemplado, e as ministras da Cultura e da Educação falem na AR na imprescindibilidade de mais dinheiro, agora que já não há "truques"orçamentais?
Por que será que deixou de ser um "problema político" a dívida pública ir atingir 68,1 por cento do PIB, ou seja, mais três pontos percentuais do que no ano antecedente?
Por que será que a "nacionalização" de 80 por cento da Compal através da compra pela CGD já não suscita quase nenhum comentário na comunicação social e como teria sido se tal acontecesse no anterior Governo?
Por que será que certos interesses tão intervenientes ou conspirativos no ano passado estão agora tão sossegados?
Por que será que o Presidente da República já não precisa de chamar os economistas do costume para o habilitar a melhor compreender o OE?
Por que será?... "
Diálogos entre a FEUNL e o Metro
Valorizar o voto de protesto
"(..) Que os deputados de cada formação política, sejam eleitos na correspondência exacta da percentagem real de votos obtidos; ou seja, a cada um por cento de votos deve corresponder um por cento de deputados, (..) para cem por cento dos votos, ficando vagos os lugares relativos à abstenção, votos brancos, votos nulos (...)"
Não concordo porém, caro colega, com a proposta de distribuir os lugares vagos pelos pequenos partidos. Não partilho daquela simpatia pelo movimento pequeno, sem audiência nem voz. Se um partido não tem votos suficientes para ser representado, é porque as suas ideias e programas não são aceites nem têm categoria para serem merecedores de assento parlamentar. Os lugares devem ficar mesmo vazios. Além disso, penso que numa fase inicial deveria ser dado "assento parlamentar" apenas aos votos brancos.
Se há aqueles que não votam por mera preguiça também há os que simplesmente não acreditam que valha a pena. Decerto que são muitos e decerto que se fosse dado ao seu voto em branco a possibilidade de "representação parlamentar" eles se levantariam e iriam votar, mesmo em dias de chuva e frio. A democracia, a meu ver, só teria a ganhar. Com o passar do tempo, o Partido dos Brancos iria aumentar consideravelmente e, se a classe política não respondesse e se adaptasse, teríamos momentos arrepiantes, com um metade do Parlamento vazio. Seria o maior abanão que as democracias (todas as democracias) poderiam aguentar. A população exprime o seu descontentamento e obriga, sob a égide da vergonha, à melhoria da actuação da classe política. Isto para não falar dos ordenados poupados.
domingo, novembro 20
Be strong! Believe!
sábado, novembro 19
"Pequeno livro de instruções para a vida"
Transcrevi algumas que, pela sua simplicidade ou mensagem, ou porque se aplicam à minha situação, me pareceram mais importantes.
"Nunca digas a uma pessoa que está com um ar cansado ou deprimido"
"Nunca deixes passar oportunidades de dizer aos bons empregados o quanto são importantes para a empresa"
"Sê modesto. É que antes de tu nasceres já muito havia sido feito"
"Tem cuidado com as pessoas que não têm nada a perder"
"Perante uma tarefa difícil age sempre como se fosse impossível falhares. Se fores caçar a Moby Dick, leva contigo o molho tártaro"
"Lembra-te que o sucesso repentino leva normalmente 15 anos a construir"
"Aceita a dor e a desilusão como uma das faces da vida"
"Guarda sempre uma noite da semana para estares apenas com a tua mulher"
"Entusiasma-te com o sucesso dos outros"
"Ao saíres da casa de banho deixa a tampa da sanita em baixo"
"Não queiras comandar a vida dos outros"
"Não te lamentes"
*retiradas de Comportamento Organizacional e Gestão - casos portugueses e exercícios (Miguel Pina e Cunha e colegas), pp 275-276.
E se voltássemos à República?
"Todo e qualquer indivíduo é livre de procurar a sua felicidade. O cidadão residente em solo nacional e, principalmente, o seu bem estar, deverão ser os fins últimos da acção do Estado. O Estado não deve imiscuir-se onde a acção individual pode actuar de modo mais eficiente e propocionador de satisfação das necessidades"
Até parece simples, mas não é. O Estado, enquanto voz do grupo, entende que tem o direito de decidir quais são as preferências dos indivíduos, de decidir o que é bom para cada um de nós. Até entendo que seja assim em determinados sectores, em determinadas situações. Mas o Estado insiste em definir a função utilidade do País, de forma unilateral, para demasiadas áreas, não deixando que cada uma (das funções) se revele de forma individual e que se ajuste, tendo em conta todas as restrições impostas, de modo a atingir o óptimo.
Se milhares de indivíduos existem na sociedade, milhares de necessidades independentes ou não, existem. E o Estado, enquanto um conjunto de cidadãos saídos dessa mesma sociedade, só pode ter consciência de uma parte (pequena, muito pequena) das necessidades e das motivações de todos os indivíduos. É esta a principal razão pela qual o Estado, enquanto definidor das preferências dos cidadãos, esbarrará sempre na ineficiência. Não é culpa de ninguém, é o rumo normal das coisas.
Publicado n'O Eleito
sexta-feira, novembro 18
Assim não vamos lá!!
Foi com grande orgulho que na altura, me vanglorizei junto dos meus amigos que da minha Faculdade saía não só o Ministro das Finanças como o coordenador da Unidade de Controlo da grande bandeira eleitoral do Governo que, por acaso, até foi meu professor de Introdução à Macroeconomia. Por acaso não gostava muito dele...
Não deixa de ser também um orgulho, mesmo assim, vê-los abandonar o barco quando, além de falta de apoio, não lhes dão condições para trabalhar. Porque decerto nenhum deles se lançou na aventura por buscar dinheiro ou regalias do género. Além de um sentimento de auto-realização pessoal, tinham com certeza a convicção de que eram capazes de ajudar a colocar de pé e de boa saúde as Finanças Públicas e este Plano que, acreditavam, iria potenciar o crescimento da nossa economia e bem estar. Segue o plano B, chamando-se ao cargo alguém também cheio de capacidades. A sua nomeção está aqui muito bem comentada.
Seja como for, e como já havia dito para o prof. Campos e Cunha, as portas do A14 continuam abertas para si, professor.
Um Natal deste tamanho!
Obrigado Millenium BCP e SIC, pelos votos expressos. Um Natal do mesmo tamanho ou ainda maior para vocês todos.
Foto suripiada do site do Millenium BCP. Da autoria de Ana Filipa Garin Scarpa, foi considerada a melhor fotografia da Árvore de Natal do ano passado, colocada em Belém.Greve aos professores
Em traços gerais, o programa prevê que, numa proporção que eu não conheço, por cada x aulas que estejam previstas para determinada hora, esteja um número y de professores de quarentena prontos para, em caso de falta do professor, avançarem para as salas, de livro de ponto na mão (com ordem para marcar falta) e manterem os alunos entretidos com jogos, debates ou outras coisas que tais. Em suma, o objectivo é mantê-los nas salas; impedindo-os de andarem sem rumo ou a dedicarem-se a outras actividades menos lícitas ou pedagógicas. Com isto conseguir-se-ia, em sentido lato, acabar com os furos, tão criticados pelos pais.
O que é certo é que tal coisa não tem resultado lá muito bem por várias e independentes razões:
1) as escalas não têm em conta alguma ponderação quanto a que professor vai substituir em qual turma, o que impede uma melhor adequação de recursos e um verdadeiro aproveitamento das horas mortas. Além disso, não há uma estratégia integrada sobre o que fazer nessas horas, estando essa tarefa entregue à imaginação dos professores. A única directiva é: mantenham-nos nas salas!
2) eu já andei na escola e sei a festa que era ter um furo. É ter o campo da bola só para nós, poder ficar a conversar uns com os outros ou até aproveitar para fazer alguma coisa (comer, ir à reprografia, um tpc). Mais do que isto, era poder conviver mais um pouco, conhecer os colegas e estabelecer laços mais profundos do que os conseguidos em 10 minutos de intervalo. Tudo isto foi agora tirado aos alunos. Ainda para estarem a fazer uns joguinhos repetidos (pois os trunfos do professor acabaram) visto não poderem ir para a biblioteca (pequena) nem para os computadores (poucos) ou para o pavilhão (ocupado). O resultado é uma grande desmotivação para qualquer actividade praticada nesss horas e um aborrecimentozito em relação ao professor que lhes vem roubar a liberdade. Este sentimento tende a aumentar e a extravassar para outros momentos.
3) os professores podem chegar a estar horas sentados, à espera de serem chamados...e nunca o serem! Parece óbvio, mas será assim tão óbvio estar a impôr esta prisão aos professores, sobretudo quando as escolas dispõe de salas de professores pequenas e sem espaço nem sossego para trabalhar. Resumindo, os professores perdem e sentem-se, além de insatisfeitos, desmotivados com a situação e começam a desaparecer aquelas iniciativas muito engraçadas como os Clubes de Matemática ou de Xadrez. Os professores andam mais cansados e não se dedicam a essa actividade pois, além de não terem qualquer tipo de recompensa para tal, ganharam agora mais um desincentivo: a falta de tempo para tal.
Até parecia que, pela primeira vez em muitos anos, eu iria apoiar esta greve! Depois li o DN e mudei de ideias. Pode ser uma medida extrema ou radical do ME mas, a tomar como verdadeiros números como 9 milhões de aulas não dadas por ano e uma média de 3 furos por semana por aluno, além da quantidade de desculpas que se arranjam para faltar mostra-nos que talvez se tivesse de começar por abanar com força para poder colocar alguma disciplina nos senhores que educam os nossos (salvo seja) filhos. É que a história do professor coitadinho que é licenciado e não arranja emprego, que atura os vândalos dos alunos e que não tem condições começa a não pegar quando a realidade nos é apresentada assim, nua e crua, como o foi no DN.
quinta-feira, novembro 17
Já agora
uma noite bem Liberal (II) - Guerra
Ainda pensei em colocar esta questão mas como não tinha a certeza se aquele senhor aos caracóis que andava a passear pela sala era o caro PPM não lhe dirigi a palavra, tendo-me apercebido tarde das inscrições, sendo vencido pela timidez de me encontrar de blusão de ganga, rodeado de gente engravatada.
Na imensidão de diferenças entre os modelos sociais do Norte e do Centro da Europa, diz o dr. Borges a dada altura que na Europa Continental apenas se pretende descobrir como ganhar o máximo trabalhando o mínimo, não havendo uma sensação de justiça da organização nem a percepção de que a desempenhos diferentes correspondem recompensas diferentes.
Disse-me uma vez um professor que "na América se alguém é pobre é porque é burro ou preguiçoso enquanto na Europa um pobre teve azar na vida". Este gritante locus de controle externo é mais de quatro quintos de caminho andado para a frase caracterizadora dos modelos económicos e empresariais europeus, ouvida na Polónia em idos tempos: "quer trabalhes quer durmas, recebes sempre 500 zloties". Afinal, como pode nestes tipos de culturas encaixar um modelo liberal? A responsabilidade e a meritocracia são conceitos que chocam profundamente com a mentalidade dominante nestas nossas terras. O sistema, tão conhecido no nosso rectângulo, é a prova viva. Qual é então a forma de procurar mudar? Simples. Temos de nos reunir, preparar programas e discutir perspectivas e posições. Publicar livros, artigos e intervenções e preparmo-nos para algo do qual temos andando a fugir: a guerra ideológica!
uma noite bem Liberal (I)
Do debate em si fica-me a excelente impressão transmitida por António Borges. A pergunta "quando é que vem para Portugal pôr isso em prática?" foi realmente a mais bem lançada na noite embora seja compreensível a posição do professor. Sem dúvida que ontem ganhei mais razões para concordar com certas opiniões, que vêm neste senhor uma óptima hipótese para se colocar o PSD (o único com essa possibilidade, a meu ver) na rota liberal.
Gostei particularmente de algumas frases que nos diziam ser errado continuar a proteger as empresas que, claramente, não produziam riqueza. Parece algo tão óbvio não é? Mas não é o que se passa. E enquanto as empresas nas quais Portugal perdeu as vantagens comparativas que tinha não forem abandonadas e se alocarem os recursos naquelas em que realmente vale a pena (a tal subida na criação de valor) não se conseguirá inverter a nossa situação, o crescimento nulo (0.3%, segundo as mais recentes projecções, o mais baixo da zona Euro) e o desemprego galopante.
Isto deixou-me extremamente contente porque eu achava que era um demónio neo-liberal e herdeiro do capitalismo selvagem e imperialista por achar que empresas boas não fecham e que os subsídios são uma praga a ser combatida (no contexto em questão). Além disso, também me congratulei por descobrir que sim, o (ou um dos) grande(s) problema da nossa economia é a má afectação de recursos, muita dela decidida e intervencionada pelo Estado, que contagia muitas empresas que ainda não se aperceberam de que o Mundo está em mudança e de que, como a Alice, temos de correr o mais depressa que pudermos para ficarmos no mesmo sítio. É por estas e por outras que também fico satisfeito por andar a tirar o curso de Gestão e menos insatisfeito por ter de fazer algum teste intermédio de Microeconomia que, por acaso, até nem correu mal.
terça-feira, novembro 15
Pensamento do dia...
Amanhã há teste intermédio de Microeconomia...
O Professor na TVI
A dona Constança pode não ter estado ao seu melhor nível, é certo, mas o professor esteve quase irrepreensível. Conseguiu, como já li algures, dar quarenta e cinco minutos de entrevista sem atacar os seus adversários nem cometer, por diversas razões invocadas pelo próprio, qualquer desconsideração aos actuais Primeiro Ministro e Presidente da República.
Cavaco falou um pouco de tudo. Embora tentando levar a conversa para o futuro, as questões levantadas levaram-no a revisitar os seus Governos (crescimento de 4.9% ao ano, 6 acordos seguidos de concertação social, aproximação à média europeia) e o tempo em que se manteve inactivo politicamente mas activo enquanto cidadão ("O Monstro", a intervenção sobre o Iraque (um raro momento de televisão onde o entrevistador surpreende uma mal preparada entrevistadora), a boa e a má moeda).
Apesar de tudo, não se cansou de repetir que se candidata para ajudar, activamente (e não apenas como alguém que sabe "ouvir, unir...") porque os tempos em que vivemos não pedem apenas alguém "sentado no cadeirão" mas alguém que transmita uma imagem de seriedade e rigor, de honestidade e de confiança (aqui se vislumbrou a sua grande escorregadela, ao permitir a ligação com o actual governo de Sócrates..), algo muito improtante para o professor e, acredito, para todos nós. Cavaco será, nas suas palavras, um PR mobilizador, atento ao Governo e, sendo conhecedor da realidade portuguesa e internacional ("alguém que não reconhece que o Mundo mudou radicalmente nos últimos anos não vem ajudar"), procurará remar, com todos, para cumprir os apelidados "objectivos nacionais", pressionando as empresas, os sindicatos e a sociedade civil, promovendo a sua emancipação. Não deixou também de repetir algumas palavras muito importantes: inovação e globalização.
Foi vago? Talvez. Mas a estrutura da entrevista não permitiu grandes dissertações pois o que se procurava, e sempre se procurará, é sangue. A dona Constança passou mais de metade da entrevista procurando que o professor 1) dissesse que não apoiava este Governo e que podia demiti-lo 2) lançasse farpas aos seus opositores, nomeadamente a Mário Soares 3) embarcasse numa onda de promessas e/ou de aumento dos poderes presidenciais (sempre o mesmo fantasma) 4) embarcasse numa onda de críticas aos procedimentos passados, nomeadamente os de Guterres ou de Santana 5) entrasse em contradições com as suas afirmações passadas, trazendo à memória inúmeros episódios, desde artigos a papers académicos, passando por críticas a Balsemão (!!).
Por tudo isto, o professor teve de se defender. E não conseguiu esclarecer algumas das suas ambições. A culpa não foi, porém, dele. Foi, e sempre será, do sistema das entrevistas e da politiquice portuguesa, tão enraizada e na qual Cavaco não se revê nem nunca se reviu; mas à qual reconhece agora poder e perigo, adaptando-se e perdendo tempo a refutar e a fugir às armadilhas, mais sorridente, mais irónico mas não menos Cavaco. Não menos Aníbal, o tecnocrata de Boliqueime.
Publicado n'O Eleito
segunda-feira, novembro 14
o meu novo telemóvel!
sábado, novembro 12
Todos Egípcios
Realiza-se daqui a uma hora a final da Champions League Africana, no Cairo, opondo uns tunisinos quaisquer (finalistas vencidos do ano passado...) ao Al-Ahly de Manuel José. A equipa do português já apresenta, segundo o próprio, estilo europeu, e vem, qual Chelsea de Mourinho, somando vitórias atrás de vitórias, num ciclo invicto de algumas deenas de jogos.
Afastado do Mundial de 2006, todo o Egipto se une à volta da sua equipa que, a ganhar, se classificará para o Mundial de Clubes. Nós aqui em Portugal também estamos contigo, Manuel. Força nisso!
o meu filme
Sentimentos são... fáceis de mudar
Mesmo entre quem, não vê que alguém pode ser seu par
Basta um olhar, que o outro não espera,
Para o assustar e até perturbar,
mesmo a Bela e a Fera...
Sentimento assim, sempre é uma surpresa;
Quando ele vem nada o detém, é uma chama acesa
Sentimentos vêm, para nos trazer
Novas sensações, doces emoções,
E um novo prazer.
Numa estação como a Primavera,
Sentimentos são como uma canção
para a Bela e a Fera...
A Bela e o Monstro é considerada uma das maiores obras primas da Disney e da animação de todos os tempos. Possui o encanto dos grandes clássicos e talvez tenha sido por isso que foi nomeado para seis Óscares da Academia, entre eles o de Melhor Filme, sendo até hoje o único filme de animação a conseguir tal feito. Acabou por vencer os Óscares para a Banda Sonora e para a canção "Beauty and the Beast" (em cima), além de dois Grammy e dois Globos de Ouro, para as mesmas categorias. Seriam estes últimos a dar-lhe a consagração, com a conquista do Globo de Melhor Filme (Comédia/Musical).
Tiago Alves
sexta-feira, novembro 11
Ninguém pára o Tiago allez oh!!
No entanto, e se pensarmos bem, Tiago Monteiro tinha muita coisa a seu favor. Ele é o melhor rookie de sempre, tem já no currículo algo que muitos não alcançam numa vida: um pódio num Grande Prémio. Pese todas as condicionantes de Indianapólis, Tiago mostrou ser um piloto competitivo, sendo o fraco potencial do seu carro o principal entrave a prestações superiores. Mesmo assim, conseguiu pontuar uma segunda vez e acabar muitas vezes em posições honrosas, nos décimos poucos lugares, quando o seu campeonato era apenas ficar à frente do companheiro de equipa e dos Minardi.
Tiago tinha ainda com ele patrocinadores de confiança redobrada, que tinham visto o seu investimento dar frutos no ano passado e que estavam dispostos a entrar de novo com metal sonante. Não muito, é certo, ou talvez hoje estivéssemos a festejar a entrada de Tiago numa escuderia que lutasse por algo mais que um lugar no pelotão.
Mas Tiago ainda é jovem e o circo ainda não é, apesar de tudo, uma casa que conheça como a palma da mão. Se tudo correr bem, ainda assim será. Até lá, de quinze em quinze dias, serei dos muitos que, embora não grandes apreciadores, estarão constantemente a mudar para a RTP para ver como é que anda o "nosso" Tiago. Anda, não! Corre! Voa!
Lisbon Swingers
Aconteceu ontem, no grande A 14 da grande Faculdade de Economia da UNL, o já habitual concerto dos Lisbon Swingers. Contando nas suas fileiras com os muito aplaudidos professores Pinto Barbosa a banda proporcionou uma hora e uns minutos de boa música a umas boas dezenas de espectadores, mais ou menos atentos, mais ou menos apreciadores e até àqueles que, como eu, apenas descobriram que eram apreciadores de jazz ontem, quando as primeiras notas soaram. A maior parte das interpretações foram de arranjos de Samuel Nestico, um grande nome do jazz do século passado.Ontem com a participação especial do prof. Luciano Amaral que, além do talento para a escrita, tem uma excelente voz e presenteou a assistência com algumas interpretações brilhantes, nomeadamente nos clássicos New York, New York e Fly Me to the Moon.
No final foi uma plateia de pé que aplaudiu um espectáculo o que já se torna, nas próprias palavras do maestro, um clássico na Faculdade. Até para o ano.
quinta-feira, novembro 10
Esta agora!
Agora um blogue que só serve para criticar um outro blogue de apoio ao mesmo candidato?
Nada mais que fazer?
Publicado n'O Eleito
Telescópio apontado a: Berlim
Sou daqueles que acha uma vergonha e uma falta de respeito para com a Humanidade andar com uma cruz suástica na camisola; mas que acha, com o mesmo fervor, uma falta de consideração pela vida humana e pelos direitos do Homem envergar t-shirts do Che Guevara ou da foice e do martelo. Também acho que o 9 de Novembro deveria ser um dia de comemoração extra-Alemanha e lhe devia ser dado ênfase nos noticiários europeus mesmo quando o seu ano de aniversário não é múltiplo de cinco. O dia 9 de Novembro é, a par do 6 de Junho (Dia D), um dos dias mais importantes e representativos da Liberdade no Velho Continente.
quarta-feira, novembro 9
Estudantes em luta...quanto ao trajecto!
Eu sou estudante universitário e já fui, como é óbvio, estudante no secundário. Nunca embarquei nesta onda das greves não só por ser um menino que respeitava as regras mas também porque nunca me conseguiram convencer, em nenhuma, da bondade das reivindicações. Talvez o Estado ande a desinvestir no ensino mas isso é apenas o começo do caminho certo. O Estado não tem de monopolizar o ensino, como já não o faz, indeed. E se concordo que a educação seja um direito não concordo menos que devamos financiar os nossos estudos. Um bom serviço que o Estado fazia era lançar, em larga escala, os empréstimos a pagar à posteriori, quando entrarmos no mercado de trabalho, a taxas mais baixas e com um alto grau de flexibilidade (periodos de carência, por exemplo)
Como incentivo poder-se-iam conceder prémios a quem merecesse, ao mesmo tempo que penalizar (e penalizar não é só ausência de prémios...é agravamento das taxas de juro). Tal coisa não poderia resultar se as bolsas lump sum não fossem reconvertidas, passando apenas a incidir sobre a alimentação e/ou residências (o que permitiria, além da potencial diminuição dos montantes, a sua divisão por mais estudantes, aqueles que vivem longe das Faculdades que desejam). Deve-se apostar num verdadeiro sistema de recompensa pelo mérito. Porque de mediocridade está o país cheio.
Dúvida existencial
Então o companheiro não se chamava Jaquim? Cai um mito..
Pulo do Lobo
O Império contra-ataca. O Pulo do Lobo está online. E esta imagem está deliciosa.Não é um blogue de heróis nem de cegos apoiantes. É, como se diz na primeira posta, um blogue de gente que pretende ver o professor em Belém. Composto por alguns nomes fortes da blogoesfera destra, todos eles independentes de espírito e não coordenados por uma qualquer Garra Visível (também conhecida como Comité), aberto aos comentários, como é normal quando se pretende potenciar a participação e o debate.
É de dar lá um pulo.
terça-feira, novembro 8
Ronaldinho no seu melhor
Conferência das Américas
Vários líderes de países do continente americano reuniram-se com vários objectivos na última Cimeira das Américas. A criação da ALCA (Área Livre de Comércio das Américas) foi um dos pratos fortes da jornada. Sim, são os EUA que pretendem, novamente, abrir as portas das várias economias, nomeadamente da zona sul, tentando potenciar investimentos e vantagens recíprocas com as economias emergentes como a brasileira, argentina, etc. Parece que alguém, que fala com Fidel Castro frequentemente, está contra (ver cartune).via Insurgente
segunda-feira, novembro 7
Com que então..
sábado, novembro 5
Eu pedi protecção?
1. O banco público ficou com 80% da empresa mas vai entregar a gestão à Sumolis ou então patrocinar a manutenção de Pires de Lima. Cai aqui a principal razão dita normal para a compra de uma empresa: melhorar a sua gestão e criar mais valor.
2. O banco público está a fazer um investimento financeiro, comprando a empresa para depois a vender e realizar mais-valias. Não é uma má razão mas tendo em conta o valor pago (acima do preço de mercado estimado e bastante acima das propostas concorrentes) as mesmas não se afiguram fáceis de obter.
3. Desmontando a história do interesse nacional: ficou toda a gente muito tocada com a possibilidade de a Compal cair em mãos estrangeiras e o Estado achou por bem dar uma ajuda ou seja, gastar dinheiro de todos os contribuintes para adquirir uma empresa sem ter nenhum plano de retorno para ela. Ou será que as bebidas, assim como a energia, os transportes, as comunicações (é favor ler com tom irónico) também é um sector estratégico? Este objectivo da CGD pode ser descrito numa palavra: proteccionismo.
4. Como se não bastasse estar a intrometer-se na vida alheia, criando condicionalismos (que estão sempre presentes quando temos a coisa pública no comando) a futuras estratégias e à nomeação dos Executivos (vulgo jobs for the boys), a CGD ainda arranjou maneira de diminuir a concorrência no sector visto a Sumolis e a Compal competirem directamente em vários sub-sectores das bebidas.
A conclusão é simples. Os consumidores foram os financiadores das suas próprias perdas imediatas (nomeadamente a de concorrência) e, quem sabe, futuras, ao terem sido criadas as condições para mais uma empresa com grande potencial de criação de valor ficar asfixiada por uma gestão estatal dos seus capitais, a exemplo do que tem acontecido com muitas outras. Não é a isto que se chama interesse nacional!
Sobre o Professor - notas soltas
É óbvio que o movimento não foi alegremente repartido por toda a audiência e que muitos apenas se levantaram porque todos os outros o fizeram, batendo menos palmas do que os restantes. Mas uma reacção como aquela, e tão contagiante que foi, não poderia ter acontecido se fossem apenas meia dúzia a dar-lhe início. É a minha opinião.
Quanto à conferência propriamente dita pouco de novo, é certo. O professor ressalvou a sua candidatura independente, afirmou-se mais uma vez "convencido de que pode ajudar a melhorar a confiança" e fez questão de vincar que não são "os poderes negativos que o atraem ao cargo", e que o seu desejo é fazer "coisas positivas". O professor não quer ser apenas um moderador, e não tem de o ser. Não precisamos de homens moles, de consensos; não em alturas como estas. "Activo, atento e empenhado" foram as palavras que trouxe comigo. Nada, convenhamos, que não estivesse à espera.
Como é óbvio, o professor não esqueceu os jovens e, além de ter aproveitado para dar alguns momentos de holofotes à sua mandatária jovem, Kátia Guerreiro (que tem vindo a ser ignorada pelos media, ao contrário da carpinteira Joana Amaral Dias), prometeu lutar para que a nossa herança não fosse pesada e asfixiante. Ou citando o já habitual Rui Ramos, Cavaco é a garantia de que haverá lucidez na PR, além de uma guerra a qualquer Governo que tente, por cobardia ou incompetência, salvar o statuo quo à custa do futuro. Do meu futuro.
alô alô escuto!
- Era vossa - respondeu firmemente o princepezinho.
- Pois era. Só se pode exigir a uma pessoa o que essa pessoa pode dar - disse o rei. - A autoridade baseia-se, antes de mais, no bom senso. Se um rei ordenar ao seu povo que se deite ao mar, ele revolta-se. Eu, eu tenho o direito de exigir obediência porque as minhas ordens são sensatas.
- E então o meu pôr do Sol? - lembrou o princepezinho que, uma vez que a tivesse feito, nunca desistia de uma pergunta.
- Calma, hás-de o ter. Eu assim o exijo. Mas a minha ciência de governação recomenda-me que espere pelas condições mais favoráveis."
Saint-Exupéry, O Princepezinho
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Bom Dia! (sempre quis fazer isto)
quarta-feira, novembro 2
Todos os caminhos vão dar a Campolide!!
Eu vou!










