terça-feira, outubro 4

carta aberta aos sindicatos

É da autoria do sr. Martim Avillez Figueiredo, director do Diário Económico.

"(...) os aumentos da Função Pública podem não ser reais. Isto é, podem ficar abaixo dos 2,9% previstos para a inflação. A notícia é boa, ainda que os sindicatos a considerem escandalosa. E é boa porque vem de um Governo socialista. Confuso?

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E por mais que custe aos funcionários públicos, aos magistrados, aos polícias, médicos e outras tantas corporações, a verdade é que os direitos sociais que lhes cabem são o produto de uma sociedade desigual – de privilégios à partida. Não é difícil perceber porquê: essa sociedade que gerou todos estes empregos, associados a outros tantos privilégios, é a sociedade do Estado tutelar cujo poder, na época, anulou as escandalosas desigualdades entre classes sociais. Como precisou de poder para o fazer, muito poder, gerou este universo de privilégios para os que serviam a máquina pública.

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Não aumentar os funcionários públicos, portanto, é fazer um favor a uma sociedade desigual – é insistir na ideia de que não é aceitável que aquilo que uns têm seja vedado a todos os outros. Não se trata de ricos e pobres. Trata-se de não aceitar que 700 mil dos habitantes dessa sociedade vivam num mundo de onde ninguém os pode retirar (como nobres e clérigos de outrora).

"É por esta sociedade de privilégios únicos que se batem os sindicatos. O ministro das Finanças não o disse ontem. Fugiu à questão, lembrando que as autárquicas estão à porta. Mas Sócrates sabe que só mantendo-se firme na intenção de não dar aumentos reais estará a ser fiel ao socialismo e, mais importante, a defender essa ideia de sociedade onde todos podem aspirar a tudo"


Já dizia o outro. Ainda ficam na história.
Tiago Alves

malta com binóculos

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