quinta-feira, julho 21

O Cansaço II

N'O Público pode-se ler que Sócrates terá forçado a demissão de Campos e Cunha.

As divergências entre o académico e o primeiro ministro já são visíveis há muito tempo, devendo ter começado logo nos primeiros dias, com as SCUT, o primeiro "grande sapo" a que o ex-ministro teve de se sujeitar, a bem das promessas. O que é certo é que o independente e rotulado Campos e Cunha, antes um nome sonante, capaz de motivar qualquer Governo e de desmotivar qualquer crítica, depressa se tornou um alvo demasiado fácil pela sua incapacidade política. O episódio da reforma, inteiramente justa e justificada, é sintomático. Ninguém conseguiu explicar não só a legitimidade como também a justeza de pagar a alguém que, entre muitos poucos, esteve durante cinco anos no Banco de Portugal.

Com o avançar dos dias, Campos e Cunha ter-se-á apercebido que estava a perder o apoio do PM quanto aos seus projectos de redução de despesa. É que a contestação veio mais rápido e mais forte do que se poderia imaginar, tantos foram os alvos. Talves nesta altura Sócrates já tenha dito ao seu ministro para ele ter calma...

A calma foi-se quando foi anunciado aos gritos (por Jorge Coelho, lá está) o Hospital de Faro, assim como a Ota e o TGV, e Campos e Cunha viu-se obrigado a marcar a sua posição, com a polémica entrevista e o artigo de opinião no Público, que tanto celeuma causaram. Foi a vingança do ministro, o grito abafado (ou não) de que algo não estava bem, de que aquilo não era o plano dele. Em menos de dois minutos, sabemos que já há substituto. Em menos de um segundo percebemos que há uma semana que Campos e Cunha não é ministro.

Tiago Alves

malta com binóculos

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