a última dança
sentimos a necessidade de uma última reunião em palco"
Calouste estará triste, hoje.
Foi ele quem me recebeu no meu primeiro dia de Faculdade. Foi o meu Director durante o primeiro semestre. Foi ministro das Finanças. E não chegou lá por ser amigo de alguém ou por indicação do Jorge Coelho. Ontem saiu, diz-se cansado. Não volta a ser o Director, mas decerto voltará ao A 14 e às salas de aula muitas mais vezes.| Açores | 5 | 4 | 4 PS |
| Aveiro | 15 | 12 | 12 PS |
| Beja | 3 | 2 | 2 PS |
| Braga | 18 | 14 | 14 PS |
| Bragança | 4 | 3 | 3 PS |
| Castelo Branco | 5 | 3 | 3 PS |
| Coimbra | 10 | 7 | 7 PS |
| Évora | 3 | 3 | 3 PS |
| Faro | 8 | 6 | 6 PS |
| Guarda | 4 | 3 | 3 PS |
| Leiria | 10 | 8 | 8 PSD |
| Lisboa | 48 | 38 | 38 PS |
| Madeira | 6 | 4 | 4 PSD |
| Portalegre | 2 | 2 | 2 PS |
| Porto | 38 | 30 | 30 PS |
| Santarém | 10 | 8 | 8 PS |
| Setúbal | 17 | 14 | 14 PS |
| Viana do Castelo | 6 | 4 | 4 PS |
| Vila Real | 5 | 4 | 4 PS |
| Viseu | 9 | 7 | 7 PS |
| Europa | 2 | 2 | 2 PSD |
| Fora da Europa | 2 | 2 | 2 PSD |
Será que os nossos alunos são assim tão maus a matemática?
A pergunta, ainda que abafada pelas discussões sobre o elevado grau de abstracidade do enunciado, sobre os critérios de correção e – imagine-se – sobre culpas genéticas no que respeita ao domínio da ciência dos números, continua a pairar sobre os críticos ou simples cidadãos anónimos.
O laxismo de que se fala por aí já existe há muito, e acredite-se ou não, pode ter causas políticas. A conturbada passagem à democracia causou na maioria dos jovens e trintões de então uma grande perspectiva de grupo. Se estás no grupo, estás bem. O grupo, herança das ideias socialistas que então andavam muito em voga, enraizarou-se numa população sedenta da liberdade que lhes fora tirada durante anos, e a criação deste grupo onde todos pertencemos surgiu como uma ideia de protecção, onde todos somos todos, e todos somos iguais e lutamos pelo mesmo. Com ilustres defensores, mestres na retórica, começou aqui aquilo que hoje se chama a “cultura do laxismo português”. Somos livres, fazemos o que queremos, e não queremos trabalhar, não nos interessa ser os primeiros, basta-nos um lugar no grupo. Como se diz na tropa, “nem bom cavalo nem bom soldado”.
Os trintões de antes educaram os jovens de agora, e os jovens de antes são agora os trintões ou quarentões que, embora talvez mais lúcidos e ambiciosos, não escaparão à culpa de teresm contribuído para esta nostalgia que é o lutar pelo suficiente.
Transferindo para a escola, o grupo existe nos programas, feitos para o mediano, nos testes, feitos para a média, esses conceitos asfixiantes do mérito individual e que, como se não bastasse esta perspectiva quasi genética, contribuem ainda mais para a desmotivação de cada aluno. Luta-se para passar, não se luta para ser o melhor. "Chega um 3, para quê um 5? Nem mesmo quando as notas interessam, lá no fim do 12º ano, se consegue melhor", e é por isso que a nota mínima de 9.5 valores é importante, assim como o fim da vergonha dos percentis. A quem interessa acabar com média de 18? Lá os médicos e os marrões! E na Universidade? Passar já uma sorte, já somos heróis!
O nosso ensino não superior deveria dar as bases necessárias para encarar a vida adulta, pois muitos (mesmo muitos), além de não conseguirem, também não desejam ir para a Universidade, e preferem entrar logo no mercado de trabalho, não devendo ser discriminados por isso. Milhares de trabalhadores não têm sequer o 9º ano, mas são o exemplo perfeito do self made man, o tal que se faz a ele próprio, que pega na ideia e faz dela vontade, que pega na vontade e faz dela realidade. Isto no tempo em que o grupo não era mais importante que o indivíduo.
